O que eles dizem

A catástrofe do Haiti continua a fazer primeiras páginas em todo o mundo. O Aventar disponibiliza os dados da AMI na barra direita para quem queira solidarizar-se.

José Eduardo dos Santos perpetua-se na Presidência, diz o Público . Já sabíamos, mas serve para alertar os muitíssimo distraídos.

Sócrates diz que o governo não quer aumentar impostos. Só não diz que quer baixar direitos, reformas e negociatas com dinheiros públicos. Também não disse se, quando sair do governo, também espera ser condecorado. Santana ri-se.

Portugal à beira de entrar no top 10 de assistências – na Europa – aos jogos de futebol. Alguém se esqueceu de avisar os adeptos do União de Leiria e do Beira-Mar, por exemplo.

Godinho condenado por furto de carris no Tua. Levanta-se aqui uma dúvida: o homem andava a oferecer robalos de água doce?

Há sempre um parvo que quer ser mais parvo do que os maiores parvos. Este televangelista já conseguiu muitas vezes.

O que se diz por aí

Para quem quer ajudar as vítimas do sismo no Haiti pode informar-se aqui.
Parece que o aluno que alvejou um colega, num externato em Braga está em casa “por razões psicológicas”. Já o seu colega não está em casa por razões físicas.
Até agora a questão anda à volta do adolescente, mas interessa apurar a origem da arma e possível irresponsabilidades de adultos.
Ainda o filme “Avatar” a ser dado como causador de uma onda de depressão. Parece que já temos mais uma pandemia. Fala-se em “Desejos de Pandora”, o que para muitos maridos e namorados deve ser preocupante pois devem estar já com medo que as respectivas exijam colares, peças e anéis da Pandora. Um bilhete de cinema pode ficar bem caro.
De Espanha, pelos vistos, nem bom vento, nem bom casamento, nem boa água . Há muito que se fala nos incumprimentos espanhóis na reposição dos caudais, mas parece que se trata de um problema de “comunicação”. Estava em crer que Sócrates falava de telemóvel com Zapatero. Até acho que vi isso na televisão…

O que se diz por aí

No Haiti, a ajuda humanitária passou a ser a grande preocupação, com com corpos empilhados nas ruas, urge assegurar a saúde pública. De Portugal vai seguir a AMI, e um pouco por todo o mundo seguem auxílios. Mas é já mais do que tempo de começar a ouvir os especialistas para evitar mais catástrofes no futuro. A ciência humana deve ser de todos e para todos.
Por cá o mau tempo continua a fazer das suas e são já dez distritos em alerta, tudo a norte e centro do país. Pelo menos em em Gaia já fez das suas. A malta aguenta…
Também é notícia que em Palmela um café foi assaltado à mão armada e levaram tabaco e a máquina registadora. Vamos lá ver: à mão armada tinha de ser, pois não iam conseguir os seus intentos doutra maneira pois as pessoas ainda não se habituaram a serem assaltadas. Se nós colaborássemos, tudo seria mais pacífico.
Entretanto o Governo vai começar a negociar com a Oposição a viabilização do Orçamento do Estado. Sabemos que estas coisas resolvem-se por telefone, em “encontros informais” e conversas de corredor, mas protocolo é protocolo.

Deus contraria Jesus

O empate do Benfica frente ao Vitória de Guimarães poderá ser muito mais grave do que se pensava.
Isto porque o treinador do Benfica, Jesus, afirmou quanto á táctica do jogo: ”Jogamos no seja o que Deus quiser”.
Certamente que a ideia de Jesus era ganhar, mas Deus não terá querido tal coisa, entendendo por bem o empate.
Este é um caso que poderá ser bem mais grave do que pode parecer. Poderá não ser apenas um desacordo entre Jesus e Deus. Poderá haver algo mais profundo: Jesus e Deus poderão ter preferências diferentes em matéria de clubes. E nada garante que o Patriarca não tenha achado que era tempo de mostrar ao filho quem manda.
Grandes mudanças poderão estar em perspectiva, acrescentando-se mais uma dúvida: alguém já avisou o Vaticano?

O que se diz por aí

Dia terrível este, com o início da avaliação das consequência do sismo no Haiti, que terá afectado 3 milhões de pessoas. Também haverá portugueses afectados, incluindo funcionários da ONU e da UE.
Apesar da força transformadora do Homem, é nestes momentos que se vê o quanto somos tragicamente frágeis face às forças da natrureza.
Entretanto a actualização da informação é constante, sendo quase de hora a hora.
É interessante ver como as redes sociais são já um instrumento de ajuda humanitária.
Por cá, o PS já admite mudar acerca da adopção por casais homossexuais se o Tribunal Constitucional entender que a norma proibitiva no diploma aprovado for inconstitucional. É caso para dizer: Que remédio!…
Mais um problema num avião que partiu da Holanda, desta vez com destino a Arruba. Foi desviado para a Irlanda sob ameaça de bomba por um passageiro. A continuar assim, ainda se cria um novo adágio popular: da Holanda, nem bons vôos nem bons passageiros…

O que se diz por aí

É voz corrente que a chuva e o vento põem Portugal em estado de alerta. Compreende-se que as intempéries causem esse estado. Pena é que a dívida pública, a insegurança ou o desemprego, por exemplo, não causem o mesmo efeito. Mas deve ser por causa do tal ilusionismo de que fala Jerónimo de Sousa, que já começa a atingir o pico do hipnotismo com as novas previsões do Banco de Portugal sobre o crescimento do PIB.
Sem ilusionismos dois automóveis foram engolidos, devido ao rebentamento de uma conduta de água, em Rio Tinto. Já não bastava o carjacking…
Filipe Menezes afirma que seria uma tonteria excluir-se de qualquer cargo do PSD. A questão é se não seria uma tonteria ainda maior aceitarem-no?
No processo movido pelos McCann contra Gonçalo Amaral, existe um sério risco do feitiço se virar contra o feiticeiro. Para além do apuramento de eventuais responsabilidades, será interessante acompanhar o escrutínio que se irá fazer sobre métodos e rumos da investigação criminal e da influência da comunicação social em Portugal.
No Porto, a PSP deteve 19 pessoas numa operação de combate ao tráfico de droga. Agora quero é ver como vão decorar a mesa com as doses apreendidas. Sempre apreciei o modo como fazem a disposição do material apreendido, digno de um decorador profissional. Oxalá haja também dinheiro e armas e munições, para dar mais cor.
Por fim, é apresentada hoje uma nova vacina que previne a meningite, a sépsis, a pneumonia e otite médica aguda, para crianças dos seis meses aos cinco anos. Por azar, não é comparticipada…

O que se diz por aí

A política externos dos EUA é cheia de coincidências. O facto de estarem em vias de duplicar o armamento em Israel é mais um desses casos. Claro que nada tem a ver com o Irão. A minha dúvida é se, por acaso no tempo de George W. Bush se faria de modo diferente?
Espero que as forças de segurança portuguesas, nos preparativos da recepção ao Papa, se lembrem de estarem atentas ao pessoal que adora atirar-se ao Santo Padre. Este deve ser o Pontífice mais assediado de todos os tempos. Mas, entretanto, a Protecção Civil que cuide de tratar das estradas do Distrito de Lisboa.
Até lá, o povo que se preocupe com o mau tempo que veio para ficar. Isto até parece que estamos no Inverno…
Bem pior está quem vive em Ciudade de Juárez que foi considerada a cidade mais perigosa do mundo. Conseguir bater Bagdade é obra!
Já em Portugal, parece que Catarina Furtado vai andar aos tiros, numa nova série televisiva que se chamará “Cidade despida”, que, por mero acaso, é a tradução do título da série policial norte-americana “Naked City”. A originalidade da nossa produção televisiva é um espanto. Mas os tiros não ficam por aqui, pois pelos vistos um aluno foi baleado num externato em Braga.
Por fim, parece que os alegados etarras queriam instalar um fábrica de bombas em Portugal. Aqui está um tipo de investimento estrangeiro que não tem interesse nenhum para Portugal.

O 1º programa Vidas Alternativas deste ano

Faço este programa desde 1999,e comecei-o na radio VOXX. Depois a radio fechou, na sequência de um incidente que aconteceu durante o meu programa que era em directo. Passei para a Rádio Seixal, onde estive mais de uma ano, e enfim, criei o Movimento Vidas Alternativas com o respectivo portal que produz o programa e apoia outras iniciativas, sob o lema – um programa muito pouco católico para todos os protestantes sociais.
Aqui vos passo a sinopse do 1º deste ano, com um convite aos bloguistas que quiserem ter voz que me contactem, pois há sempre espaço para eles.
Não posso começar sem vos deixar uma palavra de saudação e agradecimento pelo convite que me fizeram e que, como se vê, aceitei logo….

Recomeça o VA deste ano que se inaugura, ao fim de uma semana muito quente por causa da questão dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Depois de aprovada no Parlamento, a lei segue agora para o Presidente da República para assinatura, mas entretanto, notou-se uma total indiferença no público em geral e até junto de grande parte da comunidade gay depois da sua aprovação. [Read more…]

O que se escreve por aí

Devido à neve, já há escolas de portas fechadas. Depois dos professores, os alunos também tinham direito a boas notícias.
Na Coreia do Norte Pyongyang vem apelar a um tratado de paz. Depois de ter visto Barack Obama receber o Nobel da Paz sem ter ainda feito nada que o justificasse, parece que o líder norte-coreano está a tentar a sorte.
A selecção de Angola acabou por empatar no jogo inaugural, quando aos 79 minutos ainda ganhava por 4-0 o que deixou Manuel José revoltado. Compreende-se, mas é melhor ter cuidado com o que diz, é que por aqueles lados à alguma tendência para se resolver as coisas ao tiro

O que se diz por aí

A detenção de dois presumíveis membros da ETA em Portugal, levanta sérias preocupações de segurança, tanto mais em plena presidência espanhola da UE. Há que garantir a máxima colaboração e partilha de informação entre forças de segurança portuguesas e espanholas. A ver vamos ver o que diz o Ministro Rui Pereira.
Mas para os espíritos não aquecerem muito, eis que temos neve no Porto e um pouco por todo o país, com o clássico encerramento dos acessos à Serra da Estrela. A neve já terá chegado a Portalegre e Évora. Vai ser já grande motivo de reportagens com carros a patinar e autoridades a apelar à calma, para mostramos aos norte-americanos, canadianos e afins que também temos cá disto. Julgam que isto é só sol e praia, não?
E isto do frio não é só por cá, o que pode ser bom negócio: que o diga o capote alentejano, cada vez mais apreciado na Europa.
E por falar em frio, Mourinho esteve ao rubro ao ver o seu Inter a conseguir ganhar ao último classificado, o Siena, apenas nos últimos minutos do jogo. A continuar assim, um dia prescinde do seu sobretudo.
Já no Reino Unido, um estudo revela que a faixa etária dos 16 aos 25 representa uma “Geração perdida” por falta de opções de trabalho e de carreira. Por cá a realidade não será muito diferente: reformas cada vez mais tarde, ensino desarticulado das necessidades do mercado de trabalho, ensino de mérito e qualidade duvidosos, e endividamentos familiares tantas vezes sem sentido, não são bons auspícios para o caso português. Ainda para mais quando se sabe agora que até as contas bancárias da Justiça em Portugal são duvidosas. Com exemplos destes estamos à espera de quê?
Por fim, uma boa notícia, vinda da Ministra Dulce Pássaro, que prometeu resolver a questão das suiniculturas durante esta legislatura. É uma boa notícia, se se concretizar a intenção, obviamente, pois que as suiniculturas continuam a ser uns dos mais graves focus de poluição do país. É caso para dizer que é mais que tempo de se resolver esta porcaria.

O que se diz por aí

A afirmação de Pinto Balsemão que o PSD “está vivo”, poderá ser tranquilizadora para algumas pessoas – até mesmo para o Governo que diz que a Regionalização depende do PSD -, mas penso que é algo preocupante para qualquer social-democrata: é muito mau sinal quando é preciso vir um fundador afirmar que o partido está vivo.
Já o PS parece estar muito vivo, até demais para o gosto de José Sócrates: a alegada insconstitucionalidade (pela exclusão da adopção) do regime legal do casamento homossexual ontem aprovado, mostram, que a matéria até entre socialistas é fracturante, ao contrário da versão oficial.
Interessante é saber que a Barragem do Alqueva está no limite e não se sabe o que fazer a tanta água. Eu estava em crer que faltava água em Évora, mas deve ser imaginação minha.
Ficou-se a saber agora que o Governo vai construir 400 novas creches. José Sócrates escusava era de exagerar quando afirmou que assim ficará assegurado que os jovens casais “podem ter os filhos que quiserem”. É que para se criar filhos não basta ter quem tome conta deles…

Big Bang ou Fiat Lux?

Big Bang  ou  Fiat Lux ?

 Não sei se alguém teve a infelicidade de ouvir hoje na Antena 2 o programa Quinta Essencia, em que o amigo João Almeida entrevistou um tal Senhor Luís Archer, jesuita tido e apresentado como brilhante cientista e homem de fé.

 Deus meu!!!

Logo ao fim do primeiro rol de disparates, eu mudei de estação. Mas vocês sabem como é, quando a asneira e o disparate atingem um tal grau de estupidez, nós sentimos uma necessidade quase masoquista de ouvir, embora façamos todos os trejeitos e sintamos todos os arrepios que a situação nos causa.

 Quanto á entrevista de João Almeida, acho muito infeliz a escolha do entrevistado e acho a entrevista desumana e até cruel, por três razões principais:

 1-Com tanto cientista a sério, que daria tanto gozo e prazer ouvir, gasta tão nobre tempo de antena, enfiando-nos nesta insípida caldeirada de asneiras e disparates.

2-Penso que é desumano fazer espectáculo com a estupidez, seja em que circunstância for, e ridicularizar a este ponto o entrevistado, por mais simpático que João Almeida procurasse ser na sua argumentação.

3-Penso que é cruel o amigo João Almeida, inteligente como é, argumentar com tanta sagacidade perante uma inépcia quase total. É quase como se eu, pessoa de alguma cultura, ridicularizasse a ignorância do Sr. António lá da minha aldeia. Até faz doer a alma. Isso não se faz, João Almeida. Creia que a determinada altura eu até já tinha pena do homem. Fiquei chocado!

 Nota: Se tiverem a oportunidade e a possibilidade de ouvir a gravação, não deixem de o fazer. Por puro masoquismo.

Em revista 08.01.2010

E aí está José Sócrates a afirmar no Parlamento que a provação do casamento homossexual é “um passo contra a discriminação”. Esqueceu-se foi de dizer que é também um passo a favor de uma outra discriminação: podes casar mas não podes adoptar.
Entretanto o Tribunal da Relação de Lisboa, confirmou a inconstitucionalidade da ASAE, quanto às suas competências policiais. O que é um claro exercício de coragem: arrisca-se que a ASAE ainda lhe feche as portas à custa de umas tantas normas de uns tantos regulamentos.
Mas, voltando a José Sócrates, afirmou ontem que a culpa da crise financeira é dos bancos. Isto a propósito das contas sobre a dívida pública apresentadas pelo BPI. Sócrates não deve ter gostado que fossem privados a denunciar o real estado das contas públicas. É o que dá as zangas entre comadres…
E ainda há o azar destas coisas da natureza, a aumentar aos custos do Estado. Pelos vistos já custa ao erário público cerca de 80 milhões de Euros as chuvas de Dezembro. Se continua assim, precisamos de fazer um fado bem trágico “As águas de Dezembro”, para contrapor às “Águas de Março” de Tom Jobim.
Por fim, uma boa notícia: Manuel Machado teve alta. Sempre gostei do estilo deste treinador, que nunca se escusou a dizer o que pensa. Que regresse o mais cedo possível ao trabalho.

Em revista

Diz o Público que o líder parlamentar social-democrata, Aguiar Branco, rejeita a possibilidade de mais um “orçamento limiano”.
Acho muito bem: o que as contas do Estado menos precisam é de matéria gorda. Nem um orçamento de tempos de vacas magras bate certo com queijo flamengo.
Já a TVI24/IOL destaca que as ambulâncias do INEM estão a servir de taxi gratuito para os utentes.
É o que dá não haver investimento sério e eficiente na rede de transportes públicos, a par da subida do crude que tem aumentado o preço da bandeirada.
Ainda a TVI24/IOL, refere que uma lésbica se manifestou durante a apresentação de um livro contra o casamento homossexual.
Parece-me que há pessoal que ainda não se apercebeu bem das potencialidades que o casamento homossexual terá em sede de manifestações lésbicas: a partir de agora muita gente não terá de andar a ver cenas lésbicas às escondidas na net, poderá usufruir duma vistas dessas sentado num qualquer banco de jardim e ao vivo.

Frases de ontem, muito actuais

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A propósito da problemática afirmação de Artur Santos Silva, presidente da Comissão Oficial do Centenário, em que sentenciou a actual Justiça como …”pior que a do Estado Novo”, convém relembrar alguns singelos desabafos da autoria de Ramalho Ortigão:

Caracterizando o período do rotativismo  como um período de “decomposição da sociedade”, ia dizendo também que …”nenhum dos dois partidos (o Progressista e o Regenerador) a si mesmo se distinguia do outro, a não ser pelo nome do respectivo chefe, politicamente diferenciado, quando muito, pela ênfase de mandar para a mesa o orçamento ou de pedir o copo de água aos contínuos” (in Dom Carlos, o Martirizado).  Mais, Ortigão esclarecia que a sociedade ia sendo “lentamente, surdamente, progressivamente contaminada pela mansa e sinuosa corrupção política (…) a indisciplina geral, o progressivo rebaixamento de caracteres, a desqualificação do mérito, o descomedimento das ambições, o espírito de insubordinação, a decadência mental da imprensa, a pusilanimidade da opinião, o rareamento dos homens modelares, o abastardamento das letras, a anarquia da arte, o desgosto do trabalho, a irreligião, e, finalmente, a pavorosa inconsciência do povo”.

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A Década das Redes Sociais:

Este texto foi (ou vai ser) publicado no semanário Primeira Mão e foi escrito no passado dia 29 de Dezembro. Porém, ao ver ontem o programa Eixo do Mal da SIC Notícias, cuja escolha foi idêntica, decidi partilhar com o Aventar esta minha opinião de facto mais relevante da década finda. E já agora: qual foi, para vocês, o facto mais relevante?

Quando se olha para trás e se pensa em tudo o que passou de 2000 até 2009 podemos sempre procurar fazer uma escolha, subjectiva, daquilo que foi mais relevante. O 11 de Setembro e o terrorismo Islâmico, a eleição de Obama, a campanha pelo ambiente e nesta a forte componente mediática de Al Gore, a China e as restantes potências emergentes (Índia, Brasil, etc.), o Iraque, o Euro e o alargamento da União Europeia, a crise internacional dos últimos anos, entre tantos outros factos relevantes.

A ter de escolher um e apenas um, não posso deixar de sublinhar a força adquirida por um dos mais relevantes fenómenos da Era Digital: as Redes Sociais. Basta pensar num dado impressionante: o número de utilizadores das redes sociais na internet é de tal grandeza que, se todos habitassem no mesmo país, este seria o 3º mais populoso do planeta. O Myspace, o Facebook, o hi5, a blogosfera, o Orkut, o YouTube, o Twitter, o Flickr, o Second Life ou o Linkedln, fazem parte do quotidiano de milhões e milhões de pessoas, instituições e empresas. No caso português, somos o 3º país europeu com maior penetração das redes sociais (fonte: Comscore).

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Os suspeitos do costume

Existe uma aparente tendência para colmatar as falhas do nosso sistema judicial através da comunicação social. A fome popular de Justiça confundida com vingança, é saciada na praça pública, para onde, aos poucos, se vai transferindo os julgamentos de figuras públicas, em detrimento dos tribunais.

As constantes violações do Segredo de Justiça, trazendo para a rua aquilo que deveria estar contido nos gabinetes dos magistrados e dos investigadores criminais, são o primeiro passo para algo terrível num Estado de Direito Democrático*: descredibilizar e condicionar a investigação em curso bem como as funções dos tribunais, ao mesmo tempo que sujeita os visados ao degredo da suspeição.

Uma gravidade acrescida quando as fugas de informação procedem, reiteradamente, das instituições que deveriam proteger essa mesma informação.

Trata-se de autêntico terrorismo institucional, cujos agentes nunca têm rosto.

Reitero que se trata de uma “aparente tendência para colmatar falhas”, exactamente porque o que parece é que se está, sim, a institucionalizar o ópio do linchamento virtual: como não se acredita na Justiça, aproveita-se e os visados são condenados na praça pública, saciando os ímpetos e as ganas de vingança dos populares, para, no fim, ninguém, ou quase ninguém, sair condenado em sentença.

Este ópio, como qualquer outro, é pernicioso para uma sociedade democrática, tanto quanto ilude que Justiça é feita. A sociedade fica iludida que algo acontece ou vai acontecer, o êxtase do achincalhamento tão poderoso e viciante, para, depois, vir a ressaca do vazio a exigir mais uma dose.

Tudo isto faz-me lembrar a frase “Prendam os suspeitos do costume!”, do Capitão Louis Renault, no clássico “Casablanca”. Esta ideia de “suspeitos do costume” assenta numa distorcida lógica que contraria princípios básicos de legalidade e de Justiça: não importa os factos, o apuramento da verdade e a aplicação do Direito nos tribunais, mas sim estabelecer suspeitos.

Podemos não gostar das pessoas por diversas razões (políticas, clubísticas, etc). Mas não podemos é esquecer que a suspeição como estatuto, é um dos alicerces do despotismo.

 * Consagrado pelo artigo 2º da Constituição da República Portuguesa.

(Texto publicado no semanário famalicense “Opinião Pública”, em 16/12/2009)

Massive Attack: o vídeo de Paradise Circus é pornográfico?

Um vídeo de Paradise Circus, música do próximo álbum dos Massive Attack, Heligoland, é apelidado de pornográfico, por exemplo pela Blitz.

No vídeo a música intercala-se com depoimentos de Georgina Spelvin, uma actriz porno reformada e hoje com 73 anos, e ilustra-se com planos soft do filme O Diabo na Senhora Jones.

Não é exactamente um vídeo para se ver no local de trabalho, e admito que algumas das imagens só passariam numa televisão depois das 22h, mas daí a confundir um depoimento sobre a relação de Georgina com a sua profissão com essa mesma profissão, já acho abuso. Aliás no youtube encontram-se outros depoimentos da senhora. Senhora que fala sobretudo da sua relação com a câmara, coisa que as senhoras que foram actrizes passam a vida a fazer.

Entretanto o vídeo vai circulando clandestinamente pela net, pré-vendendo o próximo álbum, numa estratégia comercial interessante, e acho-o giro embora  não mais do que isso.

Faça o seu juízo, mas evite que o patrão veja, e faça de conta que é só para ver a horas indecentes.

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=8195617&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=1&show_portrait=0&color=&fullscreen=1

Massive Attack – Paradise Circus

Factual

Sob o lema “El periodismo no se vende, se compra” um conjunto de jornalistas vizinhos lançaram o projecto “Factual“, um trabalho que invejo: como eu gostava de estar envolvido num projecto assim! De uma qualidade impressionante, a todos os níveis. Descobri-o através do blogue de Miguel Carvalho, ESTE, e fiquei viciado.

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A não perder esta pérola – (Sevilla la Puta): Si te sobran cinco millones de euros, puedes hacer que cierren una ciudad de un millón de habitantes para que te des los garbeos que quieras. Eso es lo que se dice que ha pagado la productora de la película Knight and day (bonito juego de palabras, no digas que no) a la ciudad de Sevilla…(para ler o resto basta clicar AQUI).

Tchau Sapo, ainda assim gostei deste bocadinho

Quando um hacker coreano achou que as 9000 visitas diárias que tínhamos tido nos dias anteriores eram um bom alvo para intermediar um ataque a uma loja indiana de trapos estilizados, a 16 de Outubro do corrente ano ficámos como a Apollo 13, com um problema. A primeira solução que caiu na mesa foi mudar para o Sapo.

Fui contra, e resisti até ser vencido pelos acontecimentos. Fui contra porque conhecia os blogs do Sapo por fora e não gostava, uma coisa mal amanhada entre o Live Journal e não sei mais quê, agravado por saber que a equipa de apoio foi em tempos a equipa do Terrávista, e o Terrávista foi a primeira experiência muito mal acabada dos portugueses que usavam a net na década passada para a publicação de conteúdos (reparo que nem há uma entrada na Wikipédia para o que foi o maior espaço de produção na rede em língua portuguesa: estórias mal-contadas, nem contadas, e um dias destes meto-me na arqueologia disso, prometo).

O facto é que o apoio da Maria João foi acima de excelente, e grande parte dos problemas normais numa migração de urgência foram superados. Revi opiniões pré-formatadas, e aqui fica o meu pedido público de desculpas por as ter tido.

Sucede que a plataforma do Sapo concorre com a do Blogspot, com a vantagem de ter apoio nacional. Para quem vem do WordPress é como meter o F.C.Porto a jogar num relvado sintético ou em Oliveira de Azeméis: não dá. Sobretudo numa publicação com um elevado número de autores, boa parte dos quais muito pouco dados ao que se passa depois de meterem as letras no monitor via teclado.

O regresso a uma plataforma WordPress, com todos os riscos de segurança que acarreta termos de ser nós a assegurá-la no intervalo de termos muito mais que fazer que a malta precisa de pagar o almoço, tornou-se inevitável.

Obrigado Sapo, apesar de todas as limitações, aprendi mais um bocadinho, e é para isso que andamos na vida.

Uma parte da vida a 140 caracteres

Existe desde há cerca de quatro anos, mas foi num período de cerca de ano e meio (ainda assim uma eternidade no mundo da internet) que o Twitter ganhou pujança. Beneficiando de uma projecção mediática extraordinária, de umas eleições presidenciais nos EUA onde acabou por ser protagonista, o site de microbloging garantiu um lugar ao sol.

 

Pelo menos durante mais algum tempo. É verdade que o futuro é ainda incerto. O projecto ainda não encontrou um modelo de negócio que lhe permita obter rendimentos visíveis e o Twitter não é um YouTube que, debaixo da alçada da Google, pode ainda continuar a perder dinheiro.

 

Ferramenta de comunicação em 140 caracteres de cada vez, o Twitter tem milhões de utilizadores regulares em todo o mundo. Muitos dos que se inscreveram pouco ou nada utilizam o programa. Muitos por não verem relevância na coisa, outros por não lhe encontrarem utilidade. Há quem tenha dezenas ou centenas de seguidores. Há quem tenha milhares ou mais de um milhão, como a CNN ou o actor Ashton Kutscher, que fizeram uma “corrida” para ver quem chegava primeiro à marca de um milhão de “fallowers”. O marido de Demi Moore ganhou.

 

Certo é que, como todas as acções no mundo da Internet (e não só), é preciso ter algum cuidado com o que se diz. Vejamos o que um diálogo de 140 caracteres pode provocar… (vídeo em inglês)

 

 

 

O Correio da Manha visto pelas tags

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Estas palavrinhas correspondem às etiquetas mais usadas pelo Correio da Manha, no dia 17 de Outubro do ano da graça de 2009. Ou da desgraça. Quanto maiores as letras, mais usadas as palavras. A quantidade de violações que fazem a actualidade surpreendeu-me. Parece que os portugueses entraram em regime de violai-vos uns aos outros. Ou que no Correio da Manha Online as notícias, aliás a selecção das notícias tem um critério curioso. Espreitem por lá nas caixas dos comentários e não estranhem que a pena  de morte sob tortura seja pedida linha sim, linha não. Os jornais também escolhem os seus violadores, perdão, leitores.

Em que estás a pensar?

Desde que abri uma conta no Facebook (FB) tendo aprofundado a suspeita de que vivemos vidas de fachada. Para quem não conhece, o FB transmite a cada uma das pessoas que compõem a nossa rede de amigos informação sobre as nossas actividades, mostra-lhes as fotos que colocamos online, as ligações para videos do youtube, conta os resultados dos testes tipo revista Maria que pululam por lá, das frases que se escrevem em resposta à pergunta central que o FB faz a cada um dos inscritos: “Em que estás a pensar?”.

Que essa seja a pergunta isco, aquela com que o FB espicaça os seus utilizadores, já não augura nada de bom, claro. Há perguntas demasiado perigosas e essa é uma delas. Tomem como exemplo o meu amigo A. (as letras são completamente aleatórias, claro). O A. é um artista, um homem de sensibilidade e talento, cujas noites, pensava eu, se consumiam numa boémia criativa onde não faltariam álcool, mulheres, poetas malditos, nuvens de fumo…

Mas quando ligo o FB e recebo a lista das suas actividades recentes, descubro que ele passa essas noites a ver videoclips dos anos 80, que busca, em sucessivos testes, a resposta a perguntas como “quem eras noutra vida?” e “de que cor é a tua aura?” e que, nas raras noites em que parece sair de casa, anuncia-o três dias antes em parangonas “Vai ser de arromba!!!”

Não é o único a surpreender-me, claro. A B. é uma mulher de muitas qualidades, solteira, atraente, profissionalmente bem sucedida, mas que, por ainda não ter encontrado o parceiro amoroso com que sonha, dá como resposta ao tal “em que estás a pensar?” confissões acerca do homem ideal, dos desencontros das suas relações amorosas, e até declarações explícitas que fazem corar de vergonha alheia.

E que dizer do C., que descreve cada uma das suas comezinhas actividades diárias com o detalhe de um maníaco? E fotografa a comida antes de tocar no prato para poder publicar uma imagem do seu jantar?

Uma atrás de outra, abrem-se janelas para um desamparo que por vezes é ridículo, mas nem por isso menos pungente. O que nos leva a contar o inconfessável, quando, na solidão das nossas casas, o único elo de ligação com o mundo é um teclado e no monitor se acende esse aguilhão. “Em que estás a pensar? Em que estás a pensar? Em que estás a pensar?”

Aliciaram-me com o argumento de que o FB seria uma ferramenta que me permitiria manter o contacto com os amigos geograficamente distantes, ou estabelecer contacto com pessoas com quem dificilmente me cruzaria de outro modo, mas quer-me parecer que o FB é muito mais do que isso. É uma janela para a solidão alheia. Eu que o diga, naquelas madrugadas em que me ponho à procura de videos da Nina Simone.