Das boas ideias

Esta reportagem do Público merece ser lida não só pela qualidade do trabalho, mas pelas reflexões que pode – e deve – provocar. Ultimamente, devido ao Brexit, houve um crescimento no número de pedidos de nacionalidade portuguesa por parte de judeus britânicos. Esta reportagem vai à Turquia em busca de famílias sefarditas que fugiram no século XVI. Numa altura em que falamos tanto de refugiados, de pessoas que fogem da morte e da perseguição, muitos esqueceram-se que os judeus foram durante séculos os perseguidos por excelência na Europa. E tanto que insistimos em expulsá-los, e tanto que normalizamos a perseguição, que mesmo na altura mais dramáticas de todas, quando a Europa já se achava ingenuamente civilizada acabámos a matá-los aos milhões. E parece que não aprendemos.

Muito se fala também, embora não tanto em Portugal, na questão das reparações. Devem as antigas potências colonizadoras pagar reparações? Devem as nações negreiras pagar reparações aos descendentes de escravos? Deviam ter sido mais avultadas as reparações aos judeus?  São discussões longas e difíceis com as quais a maioria das nações – com a possível excepção, ironicamente, da Alemanha – não lidam muito bem. Portugal como país, como espaço político, cultural e identitário deve olhar para os seus pecados mais vezes, mais frequentemente. Penso que o fazemos pouco. E é por isso que esta medida de atribuição da nacionalidade portuguesa aos descendentes dos judeus sefarditas expulsos é tão importante, porque é simultaneamente, um pedido de desculpa e uma excelente ideia de apaziguamento.

Aos Habid, bruchim haba’im.

Cavaco, as influências negativas e o elogio ao PCP e ao Bloco

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Diz a imprensa, que não há paciência para ler 600 páginas escritas pelo sultão da democracia portuguesa, já chega ter que o manter ad aeternum a caviar, que Cavaco Silva, a propósito do episódio dos avanços e recuos da lei da interrupção voluntária da gravidez, terá afirmado que PCP e Bloco exercem uma “influência negativa” na governação do país.

Muito poderia ser dito sobre as declarações de um indivíduo com tantos amigos a exercer a mais nefasta das influências sobre o nosso país. Amigos que contribuíram activamente para a destruição da economia portuguesa, que roubaram e corromperam, e com quem Cavaco até fez bons negócios. Não admira que tantos estivessem na sua comissão de honra quando se recandidatou em 2011. De bancos percebe ele. [Read more…]

Os livros que Cavaco deixou por escrever

Mais importantes para o público em geral do que a sonolência que se abatia sobre Cavaco quando conversava com Soares no Palácio de Belém ou a falta de cavaco passado a José Sócrates para revelar, sem escrúpulos, sem um único pingo de vergonha, sem perder aquele ar de presidente-de-facção-pai-do-passos, com uma ordinarice tamanha e com uma falta (até hoje, infelizmente) de sentido de Estado e de modo de estar na vida, conversas que jamais deveriam ser reveladas com o propósito expresso e declarado de ajustar contas com o primeiro-ministro com o qual nunca conseguiu trabalhar, foram os livros que Cavaco deixou por escrever.

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O livro

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O livro de Cavaco Silva, além de não ter qualquer garantia de verdade dos seus conteúdos – dado o autor, muito pelo contrário – é um golpe na fiabilidade da própria instituição presidência da República. A própria proclamação de Cavaco segundo a qual este livro é “uma prestação de contas aos portugueses” é – pela incapacidade do autor admitir o risco de subjectividade, considerando o texto completamente “objectivo” – a primeira e mais óbvia prova do pechisbeque político-literário que nos é oferecido. Mas os efeitos situam-se a outro nível. Quem estará disposto, agora, a ser completamente franco nas conversas reservadas com o presidente? Não que uma tal incomunicação – chamemos-lhe assim – impeça mistificações futuras, já que quem escreve este tipo de memórias mente quando e no que quer – sem ter, sequer, no caso presente, o mérito da qualidade literária. Mas, pelo menos, não será fornecido combustível para putativos incendiários políticos. Dir-se-á que Cavaco não tem credibilidade para provocar grandes prejuízos com as suas inconfidências e a parcialidade da sua narrativa. Mas o mal está feito e haverá sempre quem vá espojar-se neste material.

O sistema semi-presidencialista português tem os seus inegáveis méritos. Mas nem ele resistirá a muitos mais Cavacos e respectivas cavacadas. E se Cavaco Silva quer mesmo prestar contas ao país, todos temos imensas perguntas a fazer-lhe que nada têm a ver com este desleal e sujo exercício de quadrilhice institucional.

Mas qual modelo leninista?

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“Devo reconhecer que, na definição e execução das políticas económicas e sociais, o primeiro-ministro não se deixou captar pelo PCP ou pelo BE. Sempre o vi bem consciente de que o caminho defendido por esses partidos seria desastroso para Portugal e para os portugueses. O modelo leninista que querem implementar só tem gerado miséria e totalitarismo” – Cavaco Silva em Quinta-Feira e outros dias

Mas qual modelo leninista?

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Turismo, novamente o Porto

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Hoje, na Visão, Ana Matos Fernandes (Rapper Capicua) escreveu um artigo sobre o Turismo e a cidade do Porto. Para a autora, a recente vitória da cidade do Porto (European Best Destination 2017) não a faz celebrar. E logo a ela, como refere na sua crónica, que: “sempre apregoei o Porto como a cidade mais linda”. Qual é então o medo de Capicua?

Segundo a própria, o medo que o turismo seja mais importante que a cidade. Que a Ribeira fique sem roupa a secar à janela ou o Bolhão sem tripeiras e que fachadas impecáveis de azulejo mas com uma cidade inteira que teve de ir morar para outro lado. E não celebra devido ao medo de perder o Porto para sempre, citando: “à medida que o Porto vai perdendo a sua gente e, com ela, a sua graça”.

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Cavaco Silva que nunca desconfiou…

… de Oliveira e Costa, de Arlindo de Carvalho, de Dias Loureiro, das acções da SLN não cotada em bolsa, de Ricardo Salgado (até aconselhou), …

A recessão calorosa

O seu papel não era olhar; era ir inteiro com as mãos ao pescoço, com o joelho à arca do peito, e retirar-se uns minutos depois, como um instrumento que tivesse cumprido correctamente a sua função.
Miguel Torga

passaríamos pela sala do senhor Oliveira, que nos ouviria de olhos esbugalhados e testa toda franzida e perceberia logo que ui, essa zona quando dói é sinal que a coisa já está bastante mal, isso não me cheira nada bem.
— Carla Romualdo

Hic ostendit propheta, si a bonis eloquiis interdum propter taciturnitatem debet taceri, quanto magis a malis verbis propter poenam peccati debet cessari.
— Regula Benedicti

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Há alguns anos, avisei: “vem aí a recessão“. Ei-la, calorosa.

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Os Tradutores Contra o Acordo Ortográfico (aos quais agradeço a foto aqui reproduzida, tal como ao autor, Daniel Abrunheiro) indicaram esta distinção proposta por Malaca Casteleiro, na entrevista dos assentos: [Read more…]

Um fiasco que custou 35 milhões de euros

O Jornal A Marca já capitalizou sobre André Gomes. Eu bem avisei.

E só agora é que se lembram?

O Benfica voltou a atacar contra o Sporting nas instâncias desportivas. Os encarnados alegam agora numa participação à Liga que Bruno de Carvalho e Octávio Machado cometeram 4 infracções cada um, lesando a honra do antigo presidente do Conselho de Arbitragem Vítor Pereira em 3 ocasiões e a do árbitro Luís Ferreira noutra ocasião. Falamos portanto de eventuais infracções que já ocorreram na temporada passada.

Desta direcção do Benfica podemos esperar duas coisas: [Read more…]

A Imprensa de Braga está cativa?

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Facto: um autarca de um pequeno município do distrito de Braga é detido por suspeitas de “corrupção e abuso de poder“.
Notícia no dia seguinte: página inteira
Facto Alternativo: um ex-vice presidente de uma grande autarquia portuguesa – Braga – é detido para interrogatório por suspeitas de “luvas”.
Notícias na imprensa de Braga: nada.

Porque acontece isto? Aceitam-se palpites.

A árvore, esse objecto que suja e atenta contra o betão…

João Paulo Forte *

A ecologia é uma palavra vã na cabeça de muitas pessoas, talvez pela preocupante iliteracia ambiental. À medida que o Ser Humano traça um caminho divergente face ao mundo natural, numa espécie de ambiente asséptico, este começa a perder algo de fundamental. O discernimento acerca da importância das interacções entre os seres vivos e o meio físico tem-se perdido a uma velocidade vertiginosa, talvez causado por um capitalismo feroz, onde o dinheiro e a posse são quem mais ordena. E isto tudo numa sociedade dita informada, onde há um evidente excesso de informação em termos quantitativos, mas um défice crónico em termos qualitativos. É a ironia das ironias, conseguimos fazer evoluir várias tecnologias e, ao mesmo tempo, enquanto sociedade, perdemos capacidades fundamentais para uma vivência sã e devidamente sustentada. Cada vez são menos o que efectivamente entendem que a afectação de um elemento afecta a dinâmica do todo, do geossistema. [Read more…]

«Mors et vita in manibus linguae»

Nem atava, nem desatava.

— Rodolfo Reis, 12/2/2017

Multa habui scribere tibi, sed nolo per atramentum et calamum scribere tibi; spero autem protinus te videre, et os ad os loquemur.

— Epistula III Ioannis, 13-14

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Efectivamente, o costume, através do sítio do costume.

dre1522017

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O Diário do Prof. Arnaldo – Testes mais fáceis

Olha, lembrou-se! Para a Coordenadora de Departamento, a culpa das más notas do 1.º Período é minha. Porque a percentagem de negativas é superior às das outras disciplinas. Porque as notas estão muito abaixo das metas cratas. E porque sim.
Ainda pensei em mandá-la à merda, mas quando me pediu estratégias para reverter a situação, respondi com um sorrisinho irónico: «Testes mais fáceis».
Não gostou (do sorrisinho). Que estava a fazer-me de vítima, que não era nada contra mim, que só tinha traçado um panorama geral da situação.
Depois de mandá-la à merda, o passo seguinte seria mandá-la à bardamerda. Mas como não dei o primeiro passo, não pude dar o segundo. E por isso voltei a responder (agora sem sorrisinho): «Testes mais fáceis».
E não é que ela achou muito bem?
A partir de agora, fica prometido, [Read more…]

Porquê?

O BE e o PCP não querem saber o que se passou na CGD (antes da novela Domingues).

Porquê?

Em defesa das minorias parlamentares

Matos Correia pondera abandonar a presidência da comissão de inquérito à CGD. Está em causa o “respeito dos interesses das minorias” ostracizadas, PSD e CDS-PP. E por aqui me fico que estou extremamente comovido.

A batalha, não a guerra

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Os próximos Panama Papers estão aí e passam por Portugal

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E, como não poderia deixar de ser, o Expresso já está em cima do acontecimento. Desconheço se Os truques já puseram algum contador a rolar (este já rola há quase 300 dias), mas, aparentemente, foram os primeiros a fazer soar o alarme cá no rectângulo. Lá fora o assunto já é tema desde Terça-feira. Pelo menos em Espanha, França e Alemanha.

Long story short: uma investigação internacional, que envolveu vários jornais e cadeias televisivas, descobriu aquilo que Portugal já sabia há anos. Que a Zona Franca da Madeira (ZFM) é um paraíso fiscal onde têm lugar situações pouco recomendáveis para pessoas sérias, dignas e dadas à transparência. A investigação fala de um esquema de evasão fiscal que se prolongou durante 19 anos, com milhares de empresas, muitas delas meras fachadas dedicadas à livre circulação de dinheiro vindo sabe-se lá de onde, a pagar impostos microscópicos. [Read more…]

CGD – O Resumo

Após ler o que já se escreveu hoje (tanto no Aventar, como nos media e redes sociais) sobre a polémica “Caixa Geral de Depósitos” encontrei a fotografia que resume tudo. É de Marcos Borga, no Expresso. Boa noite.captura-de-ecra-2017-02-16-as-01-38-06

O rolo compressor do Bayern, a desgraça de Arsène Wenger e um par de notas sobre uma jornada de Champions quase perfeita

Uma 2ª parte de sonho para a equipa de Carlo Ancelotti permitiu ao Bayern despachar mais uma vez o Arsenal (o Bayern é efectivamente a besta negra de Arsène Wenger nas competições europeias) e garantiu uma viagem tranquila a Londres para o jogo da 2ª mão daqui a 15 dias. Com um futebol demolidor, o golo do polaco teve o dom de desbravar caminho a uma goleada muito trabalhada, num jogo muito difícil para os bávaros no primeiro tempo em virtude da pressão alta executada e do prático futebol demonstrado pelos gunners.

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E o vencedor do Prémio Viriato 2017 é…

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Mais uma vez, com distinção e louvor, pela valentia demonstrada e por um brilhante uppercut nos queixos do adversário à frente da juíza, Manuel Maria Carrilho!

Mentir. 

Infelizmente, hoje em dia, politica e mentira são pleonasmos e,  ao afirmar isto, quase que estou a citar o deputado João Almeida, do CDS.

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Neste assunto da CGD/Centeno, terá havido algum tipo de mentira, isso já se percebeu há muito, seja pela omissão, seja pelo recurso a factos alternativos.

É motivo para uma comissão de inquérito, abertura de telejornais, conferências de imprensa e comunicados do Primeiro-Ministro e do Presidente da República?  Obviamente que não. E se for preciso enquadrar, vejam-se os anteriores posts desta série, sobre a mentira na política, para se comparar entre o que pede PSD e CDS agora e o que fizeram quando foram governo – essas sim, enormes mentiras e com consequências para o país. Já esta lengalenga com o Centeno  só o interesse em destruir a mantém na agenda.

Enoja mais a atitude hipócrita de quem anda com moralismos a pedir a demissão do ministro, depois do exemplo que deram, do que a mentira branca de Centeno. E o povo vai mostrando o que pensa disto. “O outro queria era o tacho sem mostrar o vencimento”, ouvi há dias comentarem. Ninguém sairá a ganhar desta triste novela. E, paradoxalmente, parece ser esse  o ganho de Passos, que acha que ganha quando o país perde.

Nota: sequência de posts agendada no dia 15. A ver vamos se a realidade não os atropela. 

O novo Aeroporto do Bloco Central

A 21 de outubro de 2016, na minha página de facebook, escrevi isto:

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Hoje ficou a coisa devidamente decidida. Como mandam as regras. E no twitter Romeu Monteiro lembrou isto:

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O Bloco Central nunca falha. Melhor dito, o “Arco da Governação” nunca falha. Mesmo agora que foi alargado e para além do PS, PSD e CDS já conta com o BE e a CDU.

Matos Correia (quem?!) lida mal com a democracia

Será melhor pedir conselhos ao seu colega Albino de Azevedo Soares.

Mentir? 

Mentira foi a demissão irrevogável de Portas. Um golpe palaciano que afundou ainda mais a débil economia portuguesa.

 Tal como mentira foi a apresentação de um suposto guião da reforma do Estado, escrito em corpo 16 a dois espaços, para encher chouriços, e que nunca teve por objectivo ser implementado. Serviu, isso sim, para Portas acabar com o bullying de Passos Coelho, o qual perguntava pela reforma do Estado sempre que o Portas se esticava. 

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Claro que Mário Centeno mentiu

Mário Centeno mentiu, obviamente. E mentiu com quantos dentes tem na boca – da mesma forma que alguns riem a bandeiras despregadas.
Não é preciso ser um génio para saber que ele mentiu, nem sequer convocar a teoria dos fractais.

28 de Julho – Governo isenta administradores da CGD de apresentarem os rendimentos no Tribunal Constitucional

25 de Outubro – O Ministro das Finanças confirma em nota oficial que a nova administração da CGD só terá de prestar contas sobre os rendimentos ao Governo.

15 de Novembro – António Domingues envia carta ao Ministro das Finanças, onde relembra que «A não sujeição da administração a esse estatuto (…) tem, para além do mais, como consequência a não submissão ao dever de entregar ao TC a declaração de património e consistia, desde o início, uma premissa essencial para o projeto de recapitalização da CGD e foi uma das condições acordadas para aceitar o desafio de liderar a gestão da CGD e do mandato para convidar os restantes membros dos órgãos sociais, como de resto o Ministério das Finanças confirmou”

Depois disto, o que falta? Uma assinatura? Um SMS?
Não são precisos óculos especiais para ver que o Ministro das Finanças mentiu. A inexplicável isenção de declaração de rendimentos esteve acordada desde o primeiro dia.
Mentiu, pronto. E agora? Não é essa a matriz de um político, mentir? Olha o Eduardo Vítor com o caso da mulher! Acaso fazem outra coisa, os políticos, senão mentir? Claro que não se vai demitir por causa disso. Aliás, ele e qualquer outro político devia demitir-se era se algum dia dissesse a verdade. Porque isso é que é defraudar o pessoal.
Posto isto, são todos uns hipócritas. [Read more…]

Última hora: CDS junta-se ao ultimato do PSD

Ou Centeno mostra os SMS, ou Cristas revela a identidade de Jacinto Leite Capelo Rego.

Mentir? 

A mentira foi o que esteve na base de não se tratar do BANIF quando tal era menos grave, para não estragar a chamada “saída limpa”.

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“Estou consciente que tempo adicional foi repetidamente dado para que o banco [BANIF] endereçasse os problemas.Isto foi motivado por considerações de estabilidade financeira e, recentemente, por considerações de não colocar em perigo a saída do país do Programa de Ajustamento Económico.” Margrethe Vestager, Membro da Comissão Europeia, 12 de Dezembro de 2014

Preto no branco, a Comissária afirma que o problema do BANIF não foi resolvido para não estragar a saída limpa (mais detalhes). Em causa também estiveram cartas, mas estas foram as enviadas pela CE sobre o BANIF e que o anterior governo ignorou, com dolo.

Última hora: foi conhecido o ultimato do PSD

Ou Centeno mostra os SMS, ou Passos Coelho se demite da liderança do PSD. 

Jornalista ao poste, jornalismo ao lado…

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A história é simples: uma jornalista vai pela rua a tentar entrevistar Jorge Nuno Pinto da Costa. Este vai ao telefone e a ignorar a senhora. Ela, cumprindo a sua função, continua a fazer perguntas e mais perguntas. Até que um poste se atravessa no caminho e a senhora vai contra ele. E o que faz logo a seguir, em directo para o seu canal (CMTV), acusa Jorge Nuno Pinto da Costa de a ter empurrado/agredido…Sem se rir.

Por acaso toda a situação estava a ser filmada em directo. Por acaso todos vimos o que aconteceu. Por acaso a senhora foi contra o poste porque nem reparou que o dito estava ali, no meio do passeio. Se assim não fosse, estávamos todos a discutir os direitos dos jornalistas e a vergonha para o FC Porto de ter um presidente que agrediu uma jornalista.

Por acaso vários órgãos de comunicação social estão a dar a notícia de que Pinto da Costa insultou a jornalista sem se darem ao trabalho de colocar/explicar o que se passou segundos antes. Por acaso é com o FC Porto.

Por acaso eu não acredito em acasos. Porque é sempre assim. A diferença é que desta vez foi filmado. Todos vimos. Mesmo que alguns teimem em fazer de conta que não viram.