Moção de Folclore: o triste espectáculo que nos proporciona a classe política

Fotografia: Carlos M. Almeida/LUSA

Foi a votos, hoje, uma moção de censura apresentada pela Iniciativa Liberal.

Como era expectável, a moção chumbou, ou não bastassem os deputados eleitos pelo Partido Socialista, em maioria, para a moção não passar. Com os votos contra do próprio partido do Governo, do Partido Comunista e as abstenções do Partido Social-Democrata, do Bloco de Esquerda e do Partido Animais e Natureza, só o proponente da moção, a IL, votou a favor, juntamente com a extrema-direita, representada pelo Chega.

Rui Rocha, deputado liberal e candidato à liderança da IL. Fotografia: António Pedro Santos/LUSA

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Poema do Rato

Fazem-se acordos e demissões.
Não há dinheiro para as Habitações.

O Pedro Nuno já ninguém atura,
Metam o Galamba na Infra-estrutura.

Há para o menino e para a menina,
Mas quem é esta Marina?

Mas que o socialismo é esse?
É o caciquismo do PS.

Divide-se o ministério em dois
e há mais jobs para os boys.

“Costa nomeia João Galamba para ministro das Infraestruturas e Marina Gonçalves para ministra da Habitação”

Coração de papelão – as empresas e as causas sociais (parte 2)

Ainda em 2022, depois da cadeia de hiper-mercados alemã Lidl se ter aproveitado de uma causa social para flechar o coração mole dos seus clientes, através de publicidade em folhetos, escrevi um texto criticando esta nova moda de empresas cotadas em bolsa, que vivem do lucro, usarem causas sociais para tornarem os seus produtos mais apelativos e a sua marca mais “trendy” (como se diz agora).

Durante a época natalícia, várias operadoras de telecomunicações decidiram apropriar-se do tema da saúde mental, usando tal flagelo como forma de vender mais pacotes de televisão e internet. Muita gente aplaudiu, centenas e milhares de partilhas nas redes sociais e as operadoras a passar a imagem de boas samaritanas do bem-estar físico e psicológico.

Já trabalhei num call-center de uma das operadoras. Ao ver o anúncio, torci o nariz. “Saúde mental?” – questionei-me. “Mas o publicitário que fez o anúncio já entrou nalgum call-center desta operadora?”. Claramente, não.

Hoje, é notícia um antigo trabalhador de uma destas empresas, Rui Oliveira, que relata a sua história ao Expresso: Rui, que sofria de ansiedade e depressão, foi despedido da empresa com a justificação de que os trabalhadores de tal empresa… “não podem sofrer de ansiedade ou depressão”. Quando as empresas de capital, cotadas em bolsa, são vistas como “boazinhas” por conta de um anúncio, cheira-me sempre a esturro. Ver as pessoas alienadas a adorar estas empresas por uma ”boa acção”, soa-me sempre ao vilão da Disney ou da Marvel, que engendra um plano maquiavélico, mascarando-se de “pobrezinho”, para a seguir destruir tudo e conquistar o Mundo.

Não se enganem: as empresas vão continuar a aproveitar-se de causas sociais para vender. E vão continuar a despedir pessoas que não tenham o “mindset” apropriado… toda a gente sabe que quem está deprimido, não está disposto a fazer “networking” para depois acabar num “rooftop” a beber um “drink” com os ”workmates”.

Rui. Foi despedido de uma empresa de telecomunicações por ter ansiedade e depressão.

Imagens: jornal Expresso

Pedro Nuno Santos, a prepotência de António Costa e a cultura de traição no Partido Socialista

A social-democracia de mão estendida.

Ao fim de sete anos no Governo, Pedro Nuno Santos saiu. E saiu pela porta pequena. Depois de herdar uma das pastas mais difíceis, sabia-se, de antemão, que Pedro Nuno Santos ou faria um excelente trabalho ou um péssimo trabalho. Fez um péssimo trabalho. Entrou de peito feito, a prometer fazer tremer as pernas aos “banqueiros alemães” e saiu de pernas a tremer, com a Ferrovia em condições cada vez mais precárias, a TAP em piloto automático à espera de se despenhar e a Habitação pela hora da morte.

Apontado como um putativo sucessor de António Costa no PS, Santos nunca se afastou dessa hipótese, bem pelo contrário, dando-lhe força e arregimentando apoios nas bases do PS. Tal facto irritou, e continua a irritar, de sobremaneira, António Costa. Se o Primeiro-ministro é um político audaz, experiente e oportunista, Pedro Nuno Santos é o miúdo impertinente, com vontade de chegar aos lugares mais altos e desbocado que foi fazendo frente, umas vezes de forma assumida, outras com vergonha, ao líder social-democrata do PS. Prova disso foi a decisão, em nome próprio, sobre o novo aeroporto de Lisboa. E, desde então, PNS estava no fio da navalha, à espera de um novo “caso” que o obrigasse a sair pelo próprio pé. [Read more…]

A não perder!

Em entrevista a Piers Morgan que sairá amanhã, Pedro Nuno Santos critica o seu anterior clube e diz que o cozinheiro do PS ainda é o mesmo do tempo do engenheiro Sócrates.

ÚLTIMA HORA: Pedro Nuno Santos, Ministro da Habitação e das Infra-Estruturas, apresenta demissão do Governo

Fotografia retirada de poligrafo.sapo.pt

Israel muda lei para poder incluir no Governo um ministro condenado por corrupção

O novo Governo de Israel, novamente chefiado por Benjamin Netanyahu, que venceu as últimas eleições em coligação com forças ultra-sionistas de extrema-direita, pretende alterar as leis fundamentais do etno-Estado israelita para poder incluir em funções governativas um político condenado por corrupção.

O Governo israelita pretende fazer aprovar leis que mudem o carácter do Estado, tornando-o mais favorável aos políticos, dando-lhes ainda mais poder, ao mesmo tempo que pretendem aprovar leis que retirem direitos às mulheres, aos homossexuais e aos judeus ortodoxos. Uma destas leis diz respeito à possibilidade de antigos políticos condenados por corrupção, poderem vir a ser governantes. Na verdade, esta lei já se encontra, em parte, em vigor, caso a pena a que o condenado tenha sido sujeito tenha efeitos suspensivos.

Esta lei, chamada “Lei Deri”, foi feita à medida do político ultra-ortodoxo Arye Deri, condenado por fraude fiscal e que está a ser, hoje, indicado para Ministro das Finanças do Governo de Benjamin Netanyahu.

Para além disto, o governo sionista de extrema-direita israelita, pretende alargar a ocupação dos Territórios Palestinianos Ocupados, com particular incidência sobre a Cisjordânia, não só mantendo, como expandindo a invasão na Palestina e aumentando a repressão sobre os palestinianos.

Depois de décadas de terror a que o povo judeu esteve sujeito às mãos do nazismo e do fascismo europeus, a criação do Estado étnico de Israel, em terras outrora pertencentes à Palestina, trouxe à luz da realidade a radicalização, à direita, daqueles que se dizem representantes da religião judaica, num país onde nem todos os judeus são sionistas ou em que nem todos os israelitas são judeus. Assim, prova-se, Israel estará, sempre, condenado ao fracasso, enquanto Estado – e só continuará a sobreviver com o apoio e a conivência dos Estados Unidos da América e da União Europeia.

Aryeh Deri, Benjamin Netanyahu e Bezalel Smotrich no Parlamento em Novembro. Fotografia: RONEN ZVULUN/REUTERS

Quando a esmola é grande, o trabalhador desconfia

Imagem retirada de: distribuicaohoje.com

No última dia sete deste mês, a MC, empresa que agrega o grupo Sonae, dona do Continente, Meu Super ou Go Natural, comunicou a intenção de atribuir mais 500€ ao salário de 36 mil trabalhadores, num investimento a rondar os 15 milhões de euros. Aquilo que parecia ser um apoio extraordinário para mitigar os efeitos da inflação na carteira dos trabalhadores, afinal não o é.

Em declarações ao site NiT no passado dia 9 de Dezembro, fonte da empresa MC afirmou que este apoio suplementar, no princípio apresentado como uma ajuda para “mitigar os impactos sentidos no custo de vida, proporcionando um Natal melhor para todos”, vai chegar aos trabalhadores do grupo Sonae… através de um cartão criado especialmente para o efeito e que obrigará os trabalhadores a… gastarem o apoio de 500€ no Continente (Continente, Continente Modelo e Continente Bom Dia, Continente Online, Bagga e supermercados Go Natural).

Significa, portanto, que o apoio suplementar não é um apoio… é um empréstimo. Os mais de 15 milhões investidos pela Sonae nesta medida vão retornar… à Sonae. Tirem o cavalo deste temporal os trabalhadores que achavam que iriam poder pagar a conta da luz, da água ou explicações escolares aos filhos, por exemplo. 

Lembram-se daquela ideia mirabolante, que nem um José Está Lindo Pino Ché pós-moderno teria, do líder da extrema-direita portuguesa, André Ventura, aquando da atribuição de 125€ por parte do Estado? Essa do “nada de gastar em putas e vinho verde”? É basicamente o mesmo que a Sonae está a impor aos seus trabalhadores… só que estes, não podendo gastar em putas, podem sempre comprar vinho verde… se for no Continente.

Quando a esmola é grande, o trabalhador deve sempre desconfiar. E quem dá e volta a tirar… 

E outras loiças

Já não era sem tempo que algum partido com assento (que não é um bidé) parlamentar pegava no tema do flagelo que é ter um bidé em casa, esse vaso sanitário onde gente pobre lava o rabo, o escroto e o pé.

Urge, então citar um trecho de um lindo poema, entitulado “Rabo, escroto e pé”:

“O meu coração sofre,
Por tu não enxergares
Que eu necessito
De lavagens parcelares.

Entre um duche e outro,
Há várias limpezas
Que eu tenho de fazer
Às minhas miudezas.

Rabo, escroto e pé
É o que eu lavo no bidé.
Resiste a qualquer escrutínio:
O asseio do meu períneo.”

O poema, cantado, no vídeo abaixo:

A UTAO é financeiramente iliterada

Numa proposta de alteração ao Orçamento de Estado para 2023, a Iniciativa Liberal (IL) sugeriu a criação de apenas dois escalões, em vez dos seis existentes em 2020 (agora são nove, em 2023).

Mas, diz a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) que “a variação da receita de IRS no Continente em 2020, caso a proposta da IL substituísse a redação do art. 68.º do CIRS em vigor nesse ano, atingiria o montante aproximado de –2,9 mil M€, cerca de 22,8%”. Foi a própria IL que pediu este parecer, por via da Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças.

O parecer esclarece que, caso a proposta da IL estivesse em vigor já em 2020, as finanças públicas sofreriam um rombo de 3.000 milhões de euros. Milhares de milhões que já não são totalmente aplicados na Saúde, na Educação ou na Habitação e que, caso a IL conseguisse pôr na Lei a sua proposta, ficariam ainda mais calvos de meios e profissionais.

A vida adulta, confirma-se, é bastante diferente da adolescência arrebatada que levou a IL a eleger um deputado em 2019 e oito em 2022. Como se viu no Reino Unido, os choques fiscais trazem mais problemas (nomeadamente aos pobres e à proclamada classe “média”) do que benefícios à maioria dos cidadãos (como se aferiu pela situação britânica, há uma minoria que, certamente, lucraria com isso – por isso parem lá de dizer que a Direita não respeita minorias).

Por fim, noutra notícia, datada de 9 de Novembro de 2022, mas que se relaciona: “IRS reduziu desigualdades em 12% em 2020”. Segundo noticia o Jornal de Negócios, uma “análise inédita com base em microdados da Autoridade Tributária mostra que o IRS é um instrumento poderoso de redução das desigualdades de rendimento. Mas mostra também que os rendimentos mais altos estão concentrados numa fatia pequena da população.” Comprova-se, portanto, que a realidade liberal não é a realidade factual e que os ataques dos ultra-liberais à progressividade fiscal não são mais do que um ataque a um dos melhores instrumentos de redução das desigualdades entre a população.

O que importa, pois, não é, então, eliminar a progressividade e adoptar apenas dois escalões, beneficiando quem arrecada mais ao final do ano, mas sim tornar essa progressividade mais justa entre escalões e mais abrangente.

O ainda líder dos liberais diz afastar-se da liderança para “tornar a IL mais popular”.

Ser popular… ou ser populista, Cotrim de Figueiredo?

Ps. Como não poderia deixar de ser, as principais figuras da IL já se predispuseram a acusar a UTAO de ignorância por essas redes sociais fora. O “complexo de deus” tem destas coisas.

“Cerca de 40 detidos por escravizarem centenas de imigrantes em campos agrícolas”

Não fazia ideia de que no Catar havia um lugar chamado Beja.

Por este rio acima: 40 anos

“Por este rio acima”, sexto álbum de Fausto, comemora 40 anos de existência.

Editado a 19 de Novembro de 1982, é o sexto álbum de Fausto, sendo o primeiro álbum de uma trilogia chamada “Lusitana Diáspora”, que inclui ainda “Crónicas da Terra Ardente” (1994) e “Em Busca das Montanhas Azuis” (2011).

Inspirado nas viagens de Fernão Mendes Pinto relatadas em “Peregrinação” (1614), contraria a obra no sentido em que Fausto nunca saiu de Lisboa para compor o disco e sendo a viagem do cantautor uma viagem interior, em que o seu “eu” desflora o país que o rodeia e as tormentas do seu povo.

Editado pela Triângulo da Sassetti, produzido por Eduardo Paes Mamede, escrito, composto e interpretado por Fausto, com a companhia de Júlio Pereira, Pedro Caldeira Cabral e Rui Júnior, o disco “Por este rio acima” será, para sempre, um marco na cultura popular portuguesa.

Fausto Bordalo Dias nasceu em 1948 no interior do navio “Pátria”, algures entre Angola e Portugal.
Fotografia: Manuel Castro

Um Musk, um Zuckerberg e um Bezos entram num bar

Mensagem do Facebook.

A partir do dia 1 de Dezembro, não poderás dizer, no teu perfil pessoal no Facebook, se és social-democrata, comunista ou liberal, nem se és agnóstico, ateu ou crente.

Em alternativa, podes juntar-te a uma força de segurança, criar vários grupos só para polícias e/ou militares e podes ser racista, xenófobo e homofóbico à vontade.

O que nos vale é que a Esquerda controla a Comunicação Social e as redes sociais e, por conseguinte, a opinião pública… assim, está tudo bem e está tudo explicado. O bizarro Elon Musk decidiu que ser bilionário estava uma seca e vai daí decide acabar com o Twitter; o lunático Jeff Bezos, decidiu que não estava a ganhar dinheiro suficiente, vai daí e despede 10.000 trabalhadores. Entra o Mark Zuckerberg, pede um copo de leite e diz que “política e religião não se discutem!”.

O mundo novo cheira a velho.

Quando o dinheiro fala: o Mundial no Catar

“Catar exige à FIFA que proíba venda de cerveja nos estádios do Mundial”.

O Mundial de futebol que vai ter início no Catar este mês, está, desde o início, envolto em polémica.

Corrupção, escravatura no século XXI à boa maneira dos séculos passados, atropelos de quase todos os Direitos Humanos – as acusações são muitas, legítimas e fidedignas. E, ao contrário da narrativa vigente, as queixas não surgiram “só agora”. Há meses e anos que muitos activistas, em especial a Amnistia Internacional, alertam para o pontapé com força que o Catar dá nos Direitos Humanos… e muitos destes foram parar ao Terceiro Anel, isto é, estão lá soterrados em cimento. Já quanto à Amnistia, é risível ver que quando denunciou os abusos da entente de Putin na Ucrânia, todos aplaudiram; depois, a Amnistia apontou também o dedo à Ucrânia e a maioria fez “boooo”. Por fim, esses arautos descobriram também que a Amnistia defende que Israel impõe um Apartheid aos palestinianos e que acha que o Catar é um Estado construído sobre o sangue de escravos e afinal a Amnistia não presta e está do lado do mal. 

O Mundial de futebol de 2022 está, antes do começo, manchado de sangue. A única opção, a mais corajosa, seria, de forma concertada, que as Selecções apuradas não se fizessem representar. Ou, em contra-partida, se se fizessem representar, que tivessem, quando muito, a coragem e o brio de se manifestarem de alguma forma. A Selecção da Dinamarca foi uma das que decidiu, nas suas camisolas, fazer alusão à barbárie que é este Mundial. Consequência? Foram proibidos de as usar pela FIFA, para não ferir a susceptibilidade dos senhores representantes do Catar. E o que fez a Dinamarca? Assentiu de pronto, sem mais, com medo de perder o lugar… e os dólares pichados a sangue e petróleo.

A sociedade civil e a opinião pública, essas sim, acordaram tarde, ao contrário de muitas organizações não-governamentais e associações de activistas. Sabia-se, desde os primórdios, que o Catar não respeitava os Direitos Humanos, não respeita os trabalhadores, não respeita as mulheres, não respeita os homossexuais… mas não nos tirem a cerveja! Até porque, fomos aconselhados ontem pelo senhor Presidente da República portuguesa: “ah e tal, tudo bem os Direitos Humanos e coiso… mas e o golo do João Mário?!”. Disso ninguém fala! São quatrocentos casos de pedofilia na Igreja e seis mil e quinhentas mortes na construção de estádios de futebol no Catar… tudo coisa pouca para quem é tão popularucho. 

Talvez assim, sem álcool, muitos dos que não vêem quaisquer problemas com a realização deste Mundial, se insurjam contra a fantochada que é este “evento desportivo” que tem de tudo, menos a ver com desporto.

Quando há muito dinheiro à mistura, fala mais o pedaço de papel do que a carne do Humano.

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Dia 20 anda à roda!

Boa sorte!

A mais recente campanha publicitária do Lidl: quando o capitalismo selvagem se apropria das causas sociais

A mais recente publicidade do Lidl, aplaudida por tantos, mostra-nos crianças a brincar com brinquedos. Inovador, pensam vocês. Não, são só crianças a brincar com objectos de plástico. Mas por que razão foi tão aplaudida, perguntam vocês.

O aplauso advém da ânsia que a sociedade tem em ver grandes empresas, lobbistas ou o Estado resolverem os problemas que o povo desistiu de tentar resolver. A nova campanha publicitária do Lidl mostra-nos rapazes e raparigas, com idades entre os 1 e os 7 anos, a brincarem normalmente – a mesma foi aplaudida porque, supostamente, cria uma ruptura com a “normatividade”, pois há rapazes a brincar com conjuntos de princesas e raparigas a brincar com conjuntos de super-heróis. Estas práticas, toda a gente sabe, a sociedade já não consegue aceitar… ou será que a campanha do Lidl é uma distopia?

É mesmo. A campanha do Lidl é isso mesmo: uma estratégia de marketing pura e dura, onde a publicidade apelativa leve os leitores a serem potenciais compradores… numa altura em que estamos quase no Natal… e onde gastamos dinheiro… para as crianças. Visa, acima de tudo, vender: e numa época de polarização, que tal tentar fazer a venda apelando à Humanidade do potencial comprador, usando uma causa social pelo caminho para lá se chegar? É o que acontece aqui. E o Lidl já venceu a causa.

Venceu, porque usou uma fórmula que, hoje, é o B A B A do marketing: usar causas sociais (sejam os direitos das crianças, das mulheres, das diferentes etnias, das diferentes sexualidades) como combustível para apelar à compra. Venceu, porque, inteligente, não colocou o anúncio na TV, apenas o colocou nos folhetos, os quais chegam a grupos restritos de pessoas e… à internet, onde, aí sim, o Lidl sabia que faria as delícias de alguns internautas mais “woke” e que estes se encarregariam de partilhar a campanha do Lidl, fazendo publicidade gratuita sem que o Lidl mexa mais do que uma palha. Está de parabéns, o Lidl.

O Lidl é uma rede de supermercados, presente em 32 países, pertencente ao Grupo Schwarz (o maior grupo de retalho na Europa e o sexto maior do mundo), avaliado em cerca de 57.000 milhões de dólares. O seu objectivo é vender os seus produtos e a forma de lá chegar… pouco importa. Não podem, portanto, ser deixadas nas mãos de uma empresa capitalista, avaliada em biliões, as causas sociais que dizem respeito a toda uma sociedade… sem cotação em bolsa. O mais curioso é esta campanha ter surgido depois da notícia que dava conta de, num armazém alemão de um fornecedor do Lidl, terem sido encontrados pintainhos mortos, cadáveres debicados e galinhas mal tratadas.

O povo e as suas causas não são piada, não são bens de consumo, não são folhetos divertidos para vender plásticos. O povo é carne e osso. O povo e as suas causas não são matérias primas prontas a ser transaccionadas, como se os direitos sociais fossem meros produtos de consumo, como um Action Man ou uma Cinderela de plástico. Às empresas o que é das empresas.

Ao povo o que é do povo.

Adeus e obrigado, camarada Jerónimo

O deputado Jerónimo de Sousa vai abandonar o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), dezoito anos depois.

Como deputado, é o parlamentar mais antigo em funções, contribuiu largamente para a instalação e manutenção do regime democrático, foi sempre sério, honesto e assumiu sempre as suas posições sem rodeios ou pruridos, concorde-se, ou não, com muitas das posições do PCP.

Não sendo eu votante do PCP, nem comunista, Jerónimo de Sousa foi dos poucos que me fez, desde cedo, olhar a política, analisá-la e gostar muito dela. Foi o único líder do PCP na minha, ainda, curta vida – lembro-me vagamente de Carlos Carvalhas, mas era demasiado jovem para sentir qualquer ligação. Íntegro, o ex-operário metalúrgico assumiu sempre uma postura de rectidão em relação à sociedade portuguesa, na luta pelos trabalhadores portugueses, pelo povo que ajudou a libertar, ainda na clandestinidade durante o Estado Novo e, depois do PREC, ajustando as visões comunistas à democracia liberal, que fez com que o PCP sobreviva ainda hoje, mesmo que, de ano para ano, cada vez mais gente lhe vaticine uma morte anunciada, tão anunciada que nunca se chega a concretizar (nem me parece que será tão cedo).

A Jerónimo de Sousa, o país só tem de agradecer, pela postura democrática, pela cordialidade, pela educação e pela defesa dos valores democráticos em Portugal. Será, sempre, um dos cravos que Abril nos deu.

Ao sucessor, que não conheço, desejo que consiga manter o PCP como um dos baluartes da democracia portuguesa e que rejuvenesça o mesmo, adaptando a mensagem comunista aos dias de hoje, pois sem o PCP, Portugal será sempre menor. Boa sorte, “não é tempo de tratar de poéticas agora”.

Jerónimo de Sousa nas comemorações do 1° de Maio, em 2021.Fotografia: João L. Maio

Jerónimo de Sousa nas comemorações do 1.º de Maio, em 2021. Fotografia: João L. Maio

O terror sionista: a extrema-direita israelita

Em Israel, onde o extremismo nacionalista e religioso vai grassando cada vez mais na sociedade, a extrema-direita voltou a ganhar as eleições, com o antigo Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a ser novamente eleito, depois de ter sido afastado por conta das suspeitas de corrupção que sobre ele caíram.

Digo “voltou” porque Netanyahu foi afastado do poder por Naftali Bennett, líder do também extremista de direita New Right (aquele que um dia disse já ter matado muitos árabes e não ver mal algum nisso). Agora, coligado com partidos ultra-ortodoxos e de extrema-direita, Netanyahu regressa ao poder para continuar com os projectos sionistas que se mantêm há mais de setenta anos.

Israel, enquanto país, desde a sua criação até hoje, nunca foi sobre o Holocausto e nunca foi sobre o sofrimento do povo judeu às mãos dos tiranos nazis. Foi, sim, desde sempre, um projecto imperialista, tendo por base a religião e as atrocidades cometidas pelos alemães, apoiado pelos EUA e pela Comunidade Internacional, para que o Médio Oriente tivesse, no seu âmago, um aliado poderoso dos interesses Ocidentais chefiados pelo Tio Sam.

E a prova disso é a eleição consecutiva de partidos e políticos de extrema-direita, num país que usa o Holocausto como arma de arremesso a cada crime que comete. Sabendo que, historicamente, o povo semita sofreu às mãos da extrema-direita, é tempo de pararem de jogar a carta do Holocausto, até porque:

1 – nem todos os israelitas são judeus ou sionistas;
2 – nem todos os judeus são israelitas ou sionistas.

A extinção da Palestina e do povo palestiniano, quer através da luta armada e da imposição de um Apartheid já condenado pela Amnistia Internacional, quer através da expulsão de milhares de palestinianos das suas casas e da sua terra, continuará em força, com Israel a impor o terror em casa alheia com o apoio de norte-americanos e europeus. Não é de admirar, portanto, a afirmação de Netanyahu, há uns anos, em que dizia não temer que o mundo se virasse contra Israel por conta do Apartheid, porque “temos os EUA do nosso lado”.

Na separação entre ”os nossos filhos da puta” e “os filhos da puta dos outros”, sabemos bem quem são os filhos da puta que apoiam o terror sionista.

Fotografia retirada de Encyclopedia Britannica.

A ONU, o bloqueio a Cuba e as sanções do bem

Vigora há sessenta anos um bloqueio económico imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba, condenando milhares de cubanos ao desespero e à pobreza.

A ONU, desde 1992 que pede, na sua Assembleia Geral, o fim do bloqueio económico. No passado dia 3 de Outubro foi votada, pela terceira vez, uma resolução que exige o fim do embargo a Cuba. A resolução foi aprovada com 185 votos a favor. Sem surpresa, EUA e Israel votaram contra a resolução; Brasil e Ucrânia abstiveram-se.

O embargo, que dura desde 1962, já lesou o povo cubano em 154 biliões de dólares. Só nos primeiros quatorze meses de governação de Joe Biden, o prejuízo causado pelo embargo a Cuba ascende já aos 6 biliões de dólares.

Esperemos, agora, que os EUA possam cumprir com o aprovado na ONU e levantar o embargo. Caso não o façam, mantendo a coerência, é tempo da Comunidade Internacional se levantar da cadeira como quem tem calos nas nádegas e exigir sanções severas contra a economia norte-americana… penso eu de que… ou não funciona assim deste lado?

Sala da Assembleia Geral da ONU. Fotografia: Joe Penney – Reuters

Ou vem com botas cardadas ou com pezinhos de lã

Galeazzo Bignami, o nome vice-ministro das infra-estruturas italiano, indicado por Giorgia Meloni, em 2016.

Senhoras e senhores, apresento-vos Galeazzo Bignami (Fratelli d’Italia) o novo Vice-Ministro das Infra-estruturas e da Mobilidade Sustentável de Itália, do governo de Giorgia Meloni.

Aqui fotografado em 2016, numa despedida de solteiro.

Já sei que é tudo uma brincadeira, que o facto de ter feito parte, tal como muitos dos militantes dos FdI, do Movimento Social Italiano (os herdeiros de Mussolini), não vem ao caso, que o facto de os FdI terem, no seu símbolo, a mesma chama que o símbolo do Movimento Social Italiano, é apenas coincidência e os fascistas não são eleitos (tirando aqueles que o foram). No entanto, deixo aqui, para memória futura.

 

 

 

NOTA: aquando da redacção do texto, o autor foi induzido em erro pela notícia que leu e que referia o ano de 2016 como sendo o ano em que a fotografia foi captada. No entanto, 2016 foi o ano em que a fotografia foi tornada pública, uma vez que a mesma é de 2005.

O silêncio faz barulho e o perigo de deixar a institucionalidade para os militantes adolescentes

A Iniciativa Liberal foi o único partido português a não se referir às eleições brasileiras.

Do Partido Socialista ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista, do Partido Social-Democrata ao Livre, todos reagiram. Até o Chega, mesmo que na reacção tenha lançando cocó à parede, reagiu. E aqueles que, como o PSD, estarão nos antípodas do Partido dos Trabalhadores e de Lula da Silva, deram os parabéns ao recém eleito.

Já os ultra-liberais portugueses decidiram dizer que, numa eleição democrática, nem sus nem mus. Lembremo-nos que quando Guaidó, apoiado pelos Estados Unidos da América e pela União Europeia, preparava um golpe de Estado na Venezuela, numa clara ingerência internacional na soberania de outro país, a IL apoiou. Aqui, numa eleição onde as pessoas escolhem em quem votam, silencia-se para não ter de dizer o que todos sabemos: a IL apoiaria Bolsonaro, porque o ainda Presidente brasileiro não põe em causa o poder do capital económico. Mas ficaria bem uma nota sobre o assunto, pois o Brasil é um país irmão, Portugal acolhe cada vez mais brasileiros que também votam cá, uns, ou votarão no futuro, outros e porque o Brasil é o maior país da América Latina e uma das maiores economias do mundo.

Nas últimas semanas, a IL decidiu abandonar o rumo vitorioso que seguia e atirar chumbo sobre os dois pés. E o maior perigo deste silêncio institucional é que quem o preenche são adolescentes do Twitter, com demasiado tempo em mãos, militantes da IL, que dizem coisas como estas:

Retirado da rede social Twitter.

O pior inimigo de um falador é a língua e o acesso à internet. Diziam os Originais do Samba que “Falador passa mal, rapaz”. E passa mesmo.

Este militante de base da IL diz não estar actualizado com “estas novas definições de ideologias políticas”. É natural e eu não questiono, até porque, lá está… faz parte da IL. Esta IL:

Cartaz da IL de 2020.

Segundo o douto pensamento ultra-liberal/libertário dos da Foz e das Avenidas Novas,  o Brasil tinha políticas socialistas sob o governo de Bolsonaro, juntamente com a Índia de Modi e a Rússia de Putin. Fascismo onde, se Jair Bolsonaro e o Modi são, afinal, socialistas? E até Portugal, integrado numa União de países capitalista, de mercado livre, é, de facto, socialista.

A falta de coerência e a ignorância histórica e ideológica de muitos membros da IL começa a dar vergonha alheia a quem, mal ou bem, tenta debater com racionalidade e atendendo à realidade. Viver numa bolha só deles dá nisto… mas toda a bolha rebenta. Defender tudo e o seu contrário pode dar resultado para eleger oito deputados, mas será que chega para os manter?

A bolha da IL grita cada vez mais alto CDS.

Adeus acima de tudo

do Insónias em Carvão.

A postura e a destreza de um estadista vêem-se, também, na hora da derrota. É natural que quem nunca se soube comportar na vitória, quem maltratou tudo e todos os que a ele se opuseram democraticamente, não tenha sequer a humildade de vir assumir a derrota.

Pior: não falar ao povo que governou nos últimos anos, é cuspir na cara dos eleitores que nele votaram, eleitores esses que foram, desde o início, a verdadeira milícia que mantinha este ser asqueroso e ignorante no poder. É cuspir na cara daqueles que se venderam por ele. É cuspir na cara do Brasil.

Mas era expectável. Quem andou quatro anos a cagar no povo brasileiro, acaba o serviço e cospe-lhe em cima. É quase a cereja no topo desse bolo. E, conhecendo Bolsonaro, nem o cu limpou no fim.

Viva a democracia! Viva o Brasil! Viva o povo brasileiro!

Enterros

Morreu o governo de Bolsonaro. A mim que me importa… não sou coveiro.

Propagar, enforcar, ressuscitar

A contradição do costume voltou em força: em Democracia todos os fascistas votam. E, se nem todos os que votam em neo-fascistas (dos Fratelli ao Lega, em Itália, do CHEGA, em Portugal, ao Vox, em Espanha, do Fidesz, na Hungria, ao PiS, na Polónia, passando pelo SD, na Suécia) são neo-fascistas, a verdade é que a “moderna” extrema-direita europeia se soube re-inventar e aproveitar os fracassos dos partidos democráticos, sobretudo de esquerda, catapultando-se para o poder.

O aproveitamento populista de certos temas, o cultivo do ódio e do ressentimento pelos próximos e por quem é pobre e/ou diferente, a cultura do “contra tudo-contra todos” não são factores novos nem foram inventados pelos que, agora, se chamam “iliberais”; ao invés, são fotocópias ajustadas aos tempos de hoje, daquilo que foi a estratégia dos – outrora – fascistas dos anos 20 em diante para tomar o poder. E é sabido que quando a coisa aperta, o fascismo aperta também. O povo vai atrás, porque se revê na ideia do “Salvador”, na imagem do deus supremo que tudo resolverá e, também, porque os partidos democráticos lhes falharam e continuam a falhar.

Dizia Pepe Mujica, antigo presidente do Uruguai, que o Ser Humano é provável que seja o único animal que é capaz de tropeçar vinte vezes na mesma pedra sem aprender a desviar-se dela. A onda fascista que ameaça, de novo, a Europa é prova dessa mesma incapacidade de nos tornarmos sagazes.

A Itália propagou o fascismo, enforcou-o e agora ressuscita-o. As melhoras, Itália.

Ah, só mais uma coisa: hoje, Vladimir Putin também ganhou.

Giorgia Meloni. Fotografia: Getty

Valores europeus

A União Europeia, depois de décadas a apertar a mão a Vladimir Putin porque lhe servia os interesses, decidiu agora apertar a mão a um Putin de marca branca e com bigode.

O que nos vale é que este Putin está do lado do Ocidente e só invade países irrelevantes como a Arménia.

Os tão aclamados “valores europeus” de alguns, são a machadada na soberania de outros.

Fotografia: AFP

O que é preciso é ter saúde

Não conheço bem Fernando Araújo, nem sei o que poderá acrescentar politicamente. E confesso que a terminologia de CEO, num serviço público, me faz alguma confusão.

No entanto, do pouco que conheço das ideias do antigo Secretário de Estado-Adjunto da Saúde, se conseguir, como pretende, alargar o SNS ao serviço da saúde oral (e se alargasse essa sua ideia à psicologia, ganharia mais pontos) e contratar mais profissionais (se fosse em exclusividade – facultativa, como alguns partidos propõem -, tanto melhor), já dará alguns passos para que a rota lamacenta por onde os sucessivos governos PS/PSD/CDS conduziram o serviço público de saúde (e para onde as novas forças radicais de direita, o CH e a IL, as querem levar à força) seja transviado.

Mas, com a denominação de CEO, temo que se abram, ainda mais, as portas aos privados, entregando, como já acontece, quase metade do Orçamento de Estado destinado à saúde ao negócio da saúde privada. Se Manuel Pizarro não oferece garantias neste parâmetro, a bem que as ofereça Fernando Araújo, que terá, diz-se, autonomia na gestão.

Esperemos que não se confirme a destruição do SNS e que Fernando Araújo consiga distanciar-se dos lobbies que assolam, hoje, o Estado português, do qual as forças neo-liberais são capatazes. Desconfio que não conseguirá, mas dar-lhe-ei o benefício da dúvida.

Fernando Araújo. Fotografia: Nelson Garrido.

Somos liberais e não sabemos?

Segundo dados da Eurostat (gráfico em baixo), há cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza e exclusão social (22,4%). Os números agravam-se quando falamos de idosos. E, se pensarmos que somos dos países mais envelhecidos da União Europeia, ainda pior se torna o cenário. Já a média da UE situa-se nos 21,7%.

As pensões não sobem por aí além, os salários são baixos e tendem a estagnar. Acresce a isto uma carga fiscal desmedida sobre a classe média e uma fraqueza/laissez faire incompreensível com quem lucra milhões com a mão de obra barata. Pagamos a nossa própria pobreza, enquanto uma minoria vai comendo a maior parte do bolo (dica: não são os ciganos do RSI ou os desempregados).

Hoje em dia, e cada vez mais, assistimos a uma distribuição deficiente do bolo económico. Há cada vez mais ricos e, por contraponto, cada vez mais pobres. E só quem for inocente achará que entre uma e outra tendência não existe correlação. Só a título de exemplo, a fortuna dos bilionários cresceu 60% desde 2020 (cerca de 5 triliões de dólares), ao mesmo tempo que aumentou a pobreza no mundo. A isto, acresce a notícia que nos diz que há mais de 50 milhões de escravos espalhados pelo mundo. [Read more…]

Quem se presta a fazer todo o tipo de figura, acaba a fazer figura de parvo

Fotografia: EPA/JOEDSON ALVES

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhou o Presidente da República do Brasil, o proto-fascista Jair Bolsonaro, nas comemorações dos duzentos anos da independência do Brasil.

Aquilo que, para Marcelo, era apenas um acto de diplomacia (que Marcelo, e bem, diz manter “com democracias” e com “ditaduras”), para Bolsonaro foi, como era esperado, uma acção de propaganda eleitoral, num momento em que se aproximam as eleições presidenciais brasileiras e em que as sondagens apontam, cada vez mais, uma vitória de Lula da Silva, re-candidato a presidente, pelo Partido dos Trabalhadores.

Depois da figura a que se prestou, estando presente numa comemoração nacionalista de exaltação do sentimento divisionário que se sente no Brasil, numa época cada vez mais marcada pela ascensão e queda dos populistas de extrema-direita, Marcelo Rebelo de Sousa disse “não se sentir desconfortável”. Primeiro, porque, diz, não viu o que a bandeira do Brasil que lhe puseram à frente tinha inscrita no lugar da “Ordem e Progresso”. Segundo, porque, diz, o Presidente da República “desloca-se diplomaticamente e mantém relações diplomáticas com chefes de Estado de democracias e de ditaduras”. Terceiro… [Read more…]

Saudosismo

A forma como a opinião pública tratou Otelo Saraiva de Carvalho aquando da sua morte e como trata, agora, o antigo ministro de Salazar, antigo presidente do CDS, Adriano Moreira, é sintomático de como o saudosismo está impregnado neste pequeno quintal chamado Portugal.

Não que o Otelo merecesse mais loas. O ex-ministro de Salazar é que não merece tantas. Portugal lava… e lava… e lava… e lava… e às tantas já nem nos lembramos que muitos foram activos colaboracionistas da ditadura do Estado Novo.

Campo de Concentração do Tarrafal. Em 1961, Adriano Moreira, então Ministro do Ultramar, mandou reabrir a prisão com o nome Campo de Trabalho de Chão Bom.

Iniciativa Liberal critica medidas do Partido Social-Liberal

Nunca percebo quando alguém que defende políticas capitalistas, sendo que é o capitalismo que gera as crises, se vem queixar das políticas capitalistas.