Ex-deputado eleito pelo movimento de Rui Moreira condenado por racismo

Em 2018, David Ribeiro, na época deputado municipal eleito pelo Porto, o Nosso Movimento, do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, escreveu na sua página pessoal no Facebook que um grupo de “20 a 30 romenos” (de etnia cigana) eram “um autêntico martírio” para alguns comerciantes e residentes, sem apresentar qualquer prova da sua afirmação, naquilo que se mostrou como uma gratuita manifestação de xenofobia.

A publicação, intitulada “Ciganos Romenos no Porto”, apresentava-nos um rol de preconceitos racistas e xenófobos contra a comunidade romena no Porto, rematando com a sugestão, às autoridades, que estas pessoas fossem, de alguma forma, postas (ainda mais) à margem da sociedade, sem haver provas materiais que as pusessem em situação de potencial criminalidade.

Depois de em Junho deste ano a Comissão Permanente da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR) ter condenado o antigo deputado municipal a uma (irrisória) coima de €428,90, a mesma vem, agora, reiterar a decisão, obrigando David Ribeiro a cumprir com a condenação. Diga-se, de passagem, que David Ribeiro não recorreu da decisão… mas o movimento de Rui Moreira recorreu, perdendo agora o recurso.

O caso veio a público em 2018, depois de David Ribeiro ter publicado o texto na sua página de Facebook e de, dias mais tarde, o Bloco de Esquerda do Porto ter levado o assunto à Assembleia Municipal. Foi Tatiana Moutinho, que esteve integrada nas listas do Bloco de Esquerda à autarquia portuense e Piménio Ferreira, um cidadão do Porto, quem apresentou queixa à CICDR, juntamente com a SOS Racismo; agora, quatro anos depois, saem vitoriosos do caso, tendo o agora ex-deputado municipal neo-liberal de cumprir com o estipulado.

O movimento “independente” conta com o apoio do CDS-PP, do IL e do PPM.

David Ribeiro, antigo deputado municipal portuense eleito pelo movimento de apoio a Rui Moreira, foi condenado por xenofobia

Lágrimas de crocodilo

Tanta comoção com o facto de uma primeira-ministra andar na farra como uma pessoa normal e quase nenhuma comoção com o facto de uma primeira-ministra entregar o povo curdo de mão beijada como uma anormal.

Assim vai o mundo.

Sanna Marin, primeira-ministra finlandesa, chora pela sua própria pele…

… Mas nem uma lágrima derramou quando embrulhou o povo curdo com um laço para aderir à NATO

Bons e maus exemplos

Estão a ver quando os liberais usam a República Checa, a Estónia, a Letónia, a Lituânia ou a Polónia como exemplos?

Pois é. Espreitem a inflação nesses exemplos de liberalismo andante no quadro acima.

Social-liberalismo

Nunca falha. Quando o PS se apanha sozinho no poder, lá vêm os rosinhas do costume falar das maravilhas do neo-liberalismo.

Mudem o nome, seus manipuladores social-liberais com socialista no nome. Partido Social-Liberal (PSL) adequa-se melhor àquilo que é a actuação política do partido nas últimas décadas.

Não é de estranhar, portanto, que o PS tenha sido o partido que mais privatizou e liberalizou a economia em Portugal, antecipando-se ao PSD (outro que tal – de social-democracia só mesmo o nome) e que seja, com orgulho, “o melhor aluno da UE”. Não precisam de ir longe, pesquisem por essa internet o que António Costa dizia das maravilhas do liberalismo e os ataques constantes à esquerda parlamentar. Aliás, num dos debates da última campanha legislativa, o homem disse, à boca larga, que “também eu sou um liberal”. Vocês é que tapam os olhos e os ouvidos.

Há, em Portugal, com representação parlamentar, quatro partidos que, de uma forma ou de outra, se advogam do neo-liberalismo: o PS, o PSD, a IL e o CH. Já os que sobram no resto do espectro, hoje, não passam de social-democratas (até porque se fossem comunistas, nunca participariam em eleições da democracia burguesa)… é só ler os programas eleitorais.

É História, é facto.

Beleza!

Bom dia, alegria

Jornalista da CNN faz “a pergunta que não quer calar”.

Não olhem para a Lituânia, olhem para Espanha

A Iniciativa Liberal (IL) está a seguir os passos do Ciudadanos, o que é mau prenúncio para o partido. Têm sido semanas difíceis para a agremiação. Não sei se por estar muito calor, o que dificulta o pensamento lógico, ou por estarmos em plena silly season, a verdade é que estas semanas não têm sido abonatórias… e basta olhar para Espanha (ao invés da obsessão com os antigos países do bloco soviético) para aprender a lição.

Em Espanha, o partido “liberal” Ciudadanos, uma cópia mais pequena e mais radical do Partido Popular (tal como aqui a IL é uma cópia mais radical do PSD), acabou reduzido a cinzas depois de anos a fazer figura de “anti” Estado, abrindo as portas ao VOX, partido da extrema-direita e aliado do partido português proto-fascista Chega.

Depois de tanto tiro no pé, o Ciudadanos foi colocado no caixote do lixo da História. Se a IL não começar a ser mais responsável nas suas posições e deixar de tentar igualar-se à extrema-direita para caçar votos, terá os dias contados, mesmo com a panóplia de seitas no Twitter ou de ‘memes’ espalhados pelas redes sociais.

A defesa acérrima aos lucros de empresas que expropriam o consumidor português, o intransigente preconceito ideológico que os faz defender o mercado a qualquer custo, dirigentes que, dizendo-se liberais, por mais do que uma vez têm mostrado tiques homofóbicos e xenófobos ou deputados a comparar António Costa a Viktor Órbán… nada disto beneficia a IL. Porquê? Porque já há um partido a quem os eleitores portugueses confiaram este papel: ao Chega. E porque a maioria dos que, nos últimos tempos, se reviram no partido, estão longe de se reverem nestas últimas atitudes em nada “liberais”.

Ou a IL se assume responsável e começa a ter posições políticas mais sérias, ou acabarão trucidados. É que isto de tentar desviar votos da esquerda sacando da bandeira LGBT, ao mesmo tempo que se tenta desviar votos da extrema-direita sacando da xenofobia e do populismo, vai dar merda – desculpem o meu francês, mas não sei dizer isto em lituano como vocês gostariam.

Mascarilhas

A Iniciativa Liberal também é isto. Mais não se poderia esperar de um sub-partido do PSD, tal como o é o proto-fascista Chega.

Contexto: no âmbito do Roteiro Climático, o Bloco de Esquerda esteve em Odemira, onde reuniu e ouviu as queixas dos trabalhadores imigrantes das estufas de agricultura intensiva que pululam em Odemira. Mostrou-se solidário com os imigrantes e disposto a não deixar cair o tema. O Bloco de Esquerda não fez um comício, reuniu com associações e trabalhadores das estufas em Odemira. Acontece que a maioria desses trabalhadores é originário do Paquistão ou do Bangladesh.

João Caetano Dias é membro da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal. Não é, portanto, um mero militante de base ou um simples eleitor do partido. É alguém com grandes responsabilidades naquilo que é a acção do mesmo. Um partido que se diz liberal, que gosta de poluir as avenidas com outdoors populistas onde até o Brasil de Bolsonaro é socialista, que tanto prega a liberdade e tanto quer fazer parte das marchas disto e daquilo, começa a exagerar nas opiniões racistas, xenófobas ou homofóbicas, mascarando-as como “piadas” que mais não são do que a caixa de ressonância do seu próprio pensamento.

Por um lado, começam a mostrar realmente o que são, o que não é mau, porque há uns quantos enganados que começarão a abrir os olhos. Por outro, é já evidente que a IL é tudo menos liberal (no máximo, é neo-liberal) e são atitudes e “piadolas” como esta que demonstram de que lado estão, de facto.

É uma pena. Pois apesar de ser contrário à ideologia em que me revejo, a IL tinha tudo para acrescentar no panorama político português. E assim parecia encaminhar-se… agora, mostram que não são mais do que um PSD 2.0. A IL é contra os impostos… mas se a estupidez pagasse imposto, a IL seria estropiada.

Duplas personalidades

Ouvir Augusto Santos Silva (ASS) dizer que esteve sempre “empenhado na defesa da democracia e da liberdade”, quando o mesmo foi um dos maiores bastiões dos governos de José Sócrates e dos que mais tentou, desde sempre, impedir a esquerda parlamentar de ter poder de decisão, confesso, fez-me rir muito. Isto, claro, para lá do espectáculo de circo com fogo de artifício entre Partido Socialista e Chega na Assembleia da República, onde ASS tem sido dos maiores protagonistas e que vocês, ingénuos, tanto aplaudem.

Santos Silva é a cara chapada do PS neo-liberal, nunca o escondeu, nunca disso se envergonhou e não será agora, depois de se tornar numa estrela de Hollywood da Assembleia da República, que isso mudará. Ver-vos aplaudir alguém que sempre abominou a esquerda parlamentar e o socialismo dá-me gozo e náuseas ao mesmo tempo.

O Chega é o seguro de saúde do PS que, por entregar 40% do orçamento da saúde aos privados, depende agora da extrema-direita para alcançar o monopólio do eleitorado. Um não vive sem o outro e é por isso que andam de mãos dadas desde Janeiro.

E ainda dizem que o romantismo morreu!

O senhor doutor arquitecto

O senhor doutor arquitecto chegou a casa, descalçou-se e, sem mais nada, cumpriu a rotina do dia arreando na mulher.

Pousou os pés em cima da mesa, ordenando à arreada que lhos lavasse, senão levava mais. A senhora lavou-lhe os pés, como bem manda a lei e porque é bem mandada. Saraiva, o senhor doutor arquitecto, calçou depois as suas pantufas peludas, dignas de um homem com vários h capitais, como deve ser. Serviu um copo de vinho e, ao terceiro, arreou na mulher – estava com fome e o jantar ainda ao lume. “Para que me serve a mulher senão para me cumprir horários?”, exclamou, enquanto a pobre coitada, dolente e cansada, pousava os tachos na mesa.

O jantar era arroz de cabidela. O senhor arquitecto gosta dele salgadinho e com um bom travo a vinagre. Colhe a primeira garfada, sopra-lhe um bocadinho com a ponta dos lábios – mas à homem, com letras capitais! – e… falta-lhe sal. Nisto, porque não há duas sem três, pousado o garfo, o senhor arquitecto olha de soslaio para a sua fiel mandatária doméstica, como quem avisa: não há duas sem três. [Read more…]

A histeria estorva a acção

O humorista Ricardo Araújo Pereira escreveu uma crónica a “atacar” a tentativa de pinkwashing da Fox News, em parceria com o braço armado da comunidade LGBTQI+ do Partido Socialista, a ILGA, onde aponta o facto de, nessa mesma parceria, se descolar o género da identidade sexual (que, na verdade, andam e andarão sempre de mãos dadas, pois um não existirá sem o outro). Conclui o humorista que, se querem tirar a carga sexual das atracções que são, fundamentalmente, sexuais, então que chamem homogenerais aos homossexuais.

Para melhor compreensão do tema, recomendo também a crónica de Carmo Afonso no jornal Público, onde a mesma tem uma frase salutar: “É uma chamada de atenção para a esquerda. (…) Leiam antes de atirar as pedras. Pode não ser uma blasfémia.” O que parece ser a espuma das ondas em que se mergulha hoje em dia: a opinião imediata, nunca fundamentada e que procura dividir, à esquerda e à direita, a sociedade entre “nós” e “os outros”, sem atender ao que, de facto, está escrito e fundamentado.

Digo isto com alguma pena de mim próprio, porque, infelizmente, parece que não podemos ser crianças para sempre; mas sou do tempo em que a esquerda se unia em torno de causas que achava primordiais e saía à rua, fazia barulho na rua pelos direitos que achava serem inalienáveis. Hoje, também com muita pena minha, denoto que esquerda, em vez de se unir nas ruas por esse país afora, inunda as redes sociais e as caixas de comentários com opiniões enraivecidas que, ao invés de tentarem “educar”, tentam impor uma visão unipessoal de alguns temas, sem que o debate se faça seriamente e com fundamento. [Read more…]

O cheiro a Venezuela logo pela manhã

Andaram décadas a embargar a economia venezuelana, pediram aos “parceiros” europeus que fizessem o mesmo (e Portugal acedeu a tudo, se bem se lembram, era Augusto Santos Silva – hoje presidente da Assembleia da República – Ministro dos Negócios Estrangeiros), condenaram um povo à miséria e à fome, com a conivência da comandita de Maduro, que com isso aumentava a sua política de opressão das massas, tentaram, mais do que uma vez, um Golpe de Estado à lá Operação Condor. E tudo isto sem que a Venezuela tivesse invadido alguém.

Em Portugal, andaram José Sócrates, Pedro Passos Coelho ou Paulo Portas a apertar a mão aos sanguinários políticos venezuelanos, na Venezuela, quando os interesses falavam mais alto; mas, quando voltavam a Portugal, lá vinham os da ‘team’ mocassim e os da ‘team’ ‘portas giratórias’ (dos Mesquitas Nunes aos Chernes) dizer cobras e lagartos do “socialismo” venezuelano… e depois lá iam, outra vez, à Venezuela fechar um qualquer acordo com aqueles sobre quem, em Portugal, diziam “nunca mais!”.

Agora, como virgens arrependidas e inocentes pedintes de mão estendida, querem o petróleo da Venezuela, porque o aliado Putin se virou contra eles, e querem-no a qualquer preço, tanto que, para esses patetas, é um escândalo que seja a Venezuela a impor as suas regras na venda do seu petróleo.

Para quem se acha dono do mundo, dos Putins europeus aos norte-americanos desde sempre putinistas, deve ser um forte revés no ego construído ao longo do último século, ter de implorar de joelhos ao regime venezuelano pela subsistência dos povos norte-americano e europeu. E, confesso, dentro da tragédia, até tem a sua piada. É o inferno de Dante para essa gente.

É bem feita!

Parasitas

Calotes novos.

 

A realidade nunca perdoa

No dia 4 de Maio, estávamos assim:

Notícia TSF.

Hoje, dia 16 de Julho, estamos assim:

Notícia SIC Notícias.

Visionários.

O desfasamento da realidade de Carlos Guimarães Pinto.

Faz de conta

Na Bélgica, onde o governo é liberal (partido Open VLD, do grupo dos Democratas e Liberais na UE), decidiu-se, tal como em Espanha, Reino Unido e Itália, taxar as margens de lucro das empresas de energia e dos bancos.

Aqui, em Portugal, onde o tão afamado governo “socialista” impõe uma ditadura maoísta, segundo alguns dementes liberais, parece que PS é o melhor amigo das grandes empresas e dos grandes grupos económicos.

E assim se prova que os nossos social-democratas e os nossos liberais são de marca branca. Não servem nem para lavar canos.

Vila do Conde Contra as Touradas

“1 – No próximo dia 23 de Julho de 2022, terá lugar em Vila do Conde, na União de Freguesias de Bagunte, Ferreiró, Outeiro Maior e Parada, uma tourada organizada pela Juntos Pelo Mundo Rural.
2 – As touradas são eventos obsoletos e sem tradição em Vila do Conde, onde o repúdio às touradas é maioritário entre os cidadãos do concelho. Contra a barbárie e pelo fim das touradas, os vilacondenses pautar-se-ão, sempre, por uma postura de rejeição em relação a estes tristes “espetáculos”, alicerçados no mau-trato animal.
3 – Pela proteção animal, convocamos todos os cidadãos a compareceram, pelas 16 horas do dia 23 de julho de 2022, junto ao Largo da Trindade, em Ferreiró, onde se irá realizar uma manifestação contra a realização deste triste evento que mancha a imagem do nosso concelho.”
LINK DO EVENTO: AQUI.

Trocas e Baldrocas

Luís Montenegro chegou a ser uma espécie de número dois de Passos Coelho. Agora, está empenhado em ser o Passos Coelho número dois.

Moção de censura

Se querem voltar aos debates quinzenais para fazer as palhaçadas que o CHEGA hoje fez na Assembleia da República, então estarão a dar razão a quem diz que tal só serve mesmo para quem fabrica soundbytes.

Monte Negro – a nova face de El-Rei Dom Sebastião

Fotografia: Tomás Silva

Luís Montenegro é, por estes dias, a personificação do mito sebastianista lá para os lados do velhinho PPD.

Depois de anos amolecido, foi preciso esperar que o ruinoso Rui Rio terminasse os seus mandatos e não se re-candidatasse, para que o agora líder do PPD (sem SD) se mostrasse pujante e firme. Luís Montenegro é como aquele puto que, na escola, nas aulas de educação física, diz que é o melhor da turma porque corre muito e resiste a todas as provas de apetência física – mas só se mostra disposto a fazer a aula quando há greve dos professores. Luís também é como aquele nosso colega que diz que já galou duas, três, quatro ou seis, mas que nunca teve uma namorada que conhecêssemos.

Centrista justiceiro, anti-social-democracia, anti-socialismo e anti-ultra-liberalismo, Montenegro é aquele/a namorado/a antigo/a, com quem acabamos a mal, mas que uns anos depois nos aparece à porta, com um novo penteado, uma nova cor nos lábios, roupas caras no corpo e um botox aqui e ali… parece outro/a e até nos perguntamos se a Cátia Montenegro de 2012, que nos traiu com aqueles estrangeiros, é a mesma que nos aparece em casa, hoje, pedindo mil desculpas, berrando amor eterno, jurando compromisso e seriedade. Podemos, por uns instantes, duvidar. De facto, a Montenegro de hoje está mais madura, as mudanças, nota-se, fizeram-lhe bem: está solta e airosa. É, portanto, natural que qualquer Ser Humano se deixe apanhar no emaranhado de charme que esta espalha. No entanto, vista bem de perto, chegamos à conclusão: esta é a mesma Cátia. Tem os mesmos maneirismos, fala das mesmas coisas e continua a dar-se com as mesmas amigas tóxicas com quem se dava em 2012.

Este Luís Montenegro é a nossa Cátia. Hoje, diz-nos que quer ser sério, que se compromete com o país e que não se aliará a forças “racistas e xenófobas”. “Segue-me/Prende-me/P´ra lá/Do meu horizonte”… e fala-nos de amor! Não nos engana: estamos fartos de saber que no PPD não há Santos, só Pecadores. Hoje diz-nos tudo isso, mas é tarde demais.

Cátia, não nos esquecemos do teu papel troikiano, não nos esquecemos da maçonaria, não nos esquecemos que assinaste uma carta onde comparas a homossexualidade à pedofilia, não nos esquecemos dos quatrocentos mil euros em ajustes directos e não nos esquecemos que “a vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor”. Cátia, até podes ansiar, hoje, que eu, desesperado, veja em ti Dom Sebastião nas minhas manhãs de nevoeiro, mas quanto mais te aproximas, mais eu reparo: ah!, afinal é só o Luís Montenegro, o neo-liberal de sempre.

É natural que Montenegro não se queira associar a forças reaccionárias. O Luís já é reaccionário que chegue.

Subsídio-dependente com a boca na botija

Fotografia: Lucília Monteiro

Há uns dias, partilhei neste espaço a notícia de que a empresa de Mário Ferreira, o magnata dos barcos e de outras mil e uma coisas, era candidata a receber subsídios estatais. 

Esperei uma reacção por parte da bancada parlamentar do CHEGA, mas até hoje… nada. Sei que são contra ciganos receberem ajuda do Estado, mas é estranho que não se manifestem quando este cigano se candidata ao pote. Bem sei que, dependendo do peso da conta bancária de cada um, ou se é beneficiário de um “subsídio” ou de uma “capitalização”.

Hoje, para choque, surpresa e horror (!) – de ninguém -, é noticiado que a Douro Azul, a menina dos olhos do “trapaceiro mor”, é alvo de buscas por suspeitas de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais no negócio da compra e venda do navio Atlântida (negócio que, segundo o antigo líder da comissão liquidatária dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, se fez com recurso a “alta corrupção”). “Houve alta corrupção que envolveu políticos em funções, o Conselho de Administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o júri do concurso, o BES e o comprador”, disse João Pedro Martins, arrolado como testemunha pela defesa da ex-euro-deputada Ana Gomes, num processo movido por Mário Ferreira contra esta última por “difamação” (Ana Gomes chamou “trapaceiro mor” e “escroque” ao candidato a subsidiário e agora alegado corruptor). Neste caso, como no da “capitalização”, aguardarei pacientemente por uma reacção da seita proto-fascista, evangélica e pró-chalupice que é o partido de André Ventura. Não me desiludam e ataquem lá este cigano.

Obviamente, a notícia e as suspeitas não escandalizam ninguém. É um passo lógico – quem mais acumula tem tendência a não olhar a quaisquer meios para chegar ao fim desejado: a acumulação injustificada de riqueza. Mais cedo ou mais tarde, isto descobrir-se-ia. Mário Ferreira, sabemos, é um ás do negócio e, como tal, da falcatrua e do roubo. Foi assim que chegou ao topo e era assim que planeava manter-se lá. Até hoje.

Canção de embalar

Perde a estrela d’alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu’inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Subsídio-dependência

Banco de Fomento vai capitalizar 12 empresas de “interesse nacional”, incluindo a de Mário Ferreira

Estes ciganos são muito espertos! E ficam mais caros que os outros! Como é lógico, o CHEGA irá reagir em breve, pois estes ciganos não podem sair impunes.

Tranquem as portas. Não vá um destes ciganos entrar-vos em casa. Em última instância, é colocar um sapo à porta.

Jéssica morreu e os abutres atacaram

O triste espectáculo com que as televisões nos brindaram durante a última semana acerca da morte da menina Jéssica, é sintomático do estado a que chegou a comunicação social em Portugal.

Com excepção da RTP, o canal público, todas as estações de televisão de cariz informativo tornaram a morte trágica de uma criança num espectáculo de circo que faria corar Victor Hugo Cardinali. O jornalismo caminha a passos largos para a degradação da informação, fabricando factos e aproveitando todo e qualquer fait-divers para lucrar com audiências. Foi assim, também, durante a última semana. O jornalismo tem o dever de informar e relatar os factos com o maior distanciamento possível e não, como parece ser o caso, de ir atrás de evidências de papelão, onde o que interessa fica sempre para trás: o respeito à memória de uma criança assassinada brutalmente.

Os directos que CMTV, SIC ou TVI/CNN Portugal fizeram à porta do velório da menina Jéssica devem envergonhar todos os portugueses. Os códigos deontológicos têm de valer para alguma coisa; e a lei também. Não pode valer tudo, no jornalismo como na vida, para que se tente chegar ao topo de qualquer maneira, pisando quem não tem capacidade de se defender – e, nestes casos, são sempre os mais pobres aqueles que estão em situação débil e sem capacidade de se poderem proteger.

É sabido que nada vai mudar na comunicação social. Vivemos, hoje, na época do mediatismo sem filtro, da azáfama da rede social, da ganância do lucro a qualquer preço. E, com estes pressupostos, não há espaço para se fazer jornalismo.

Jéssica morreu, já nada a traz de volta. Mas os abutres logo cobiçaram o seu corpo. Vivemos as trevas.

Palhaço rico, palhaço pobre

Um ministro prostrado e sem futuro neste governo.

Convenhamos: este confronto António Costa-Pedro Nuno (agora sanado com a humilhação pública a que o ministro das infra-estruturas e da habitação se submeteu) nada tem a ver com o aeroporto ou com os problemas do país.

Tem a ver, sim, com jogos partidários típicos do Partido Socialista. E é assim desde que António Costa sabe que, no futuro, poderá ver o seu legado destruído por uma futura vitória que coloque Pedro Nuno Santos à frente dos destinos do partido. E é por isso que António queima Pedro e Pedro desautoriza António.

Isto não tem nada a ver com o País. Nunca teve.

If you’re pre-born you’re fine, if you’re pre-school you’re fucked

O melhor resumo sobre o retrocesso a que os conservadores trumpistas estão a condenar as mulheres norte-americanas é de… 1996.

O grande George Carlin explica melhor, no vídeo.

Refrão escrito pelo Carlos Tê para o Rui Veloso

Não quero ficar impune
E dizer-te cara a cara
Muito mais é o que nos une
Que aquilo que nos separa


O Supremo Tribunal dos EUA reunido. A cores. Circa 2022.

É ou não é: gozar connosco?

Ligo a televisão na RTP e, sentados a uma mesa, num painel sobre o mundo laboral em Portugal, estão Carlos Oliveira, director executivo da Fundação José Neves, ligada à Farfetch (que tem estado nas parangonas por denúncias de abusos e assédios laborais e sexuais dentro da empresa), Estela Barbot, cujo apelido explica de onde vem e é presença assídua, desde 2019, no Bilderberg e, por último, Vieira da Silva, profícuo (só que não) antigo ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, antigo ministro da Economia, Inovação e Desenvolvimento e antigo ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Durante os cerca de dez minutos em que me mantive ligado, ouvi “menos Estado”, “baixar os impostos” e “privatizar”. Bastou-me para perceber qual a intenção do programa, como se o painel presente não tivesse sido, já, escolhido a dedo. Um pau-mandado do CEO da Farfetch, uma Barbot Bilderberg confidente de alguns chernes e um fracassado ex-ministro dos governos que mais liberalizaram a economia em Portugal. Para falar do mundo laboral, dois neo-liberais de berço e um neo-liberal adoptado por vias terceiras. Um espectáculo!

Depois de quase 3 décadas de privatizações em que o Estado rompeu com as suas responsabilidades e de borlas fiscais às empresas do PSI-20 que operam no país (as mesmas que distribuem milhões por accionistas, mas que colocam o dinheiro na Holanda), estas almas iluminadas de presunção acham que a melhor estratégia é fazer com que todos os portugueses comam ainda mais gelados com a testa. E, como se não bastasse, ainda conseguem dizer tudo isto sem se rirem, com uma lata descomunal de quem viveu, sempre, com o cu virado para o sistema solar inteiro.

O programa chama-se “É ou Não É?” e eu digo já que é. É, de facto, de uma falta de noção risível pôr os lobbies privados a render no canal público. Eu rio… e desligo a televisão.

Mente!

Data:

28.02.2014

«O Turismo de Portugal está a implementar um plano de crescimento do fluxo de turistas do mercado russo, estando neste momento a trabalhar em articulação com o operador turístico líder na Rússia, o Natalie Tours. (…) Até 4 de março, as 250 principais agências de viagens da Natalie Tours estão no Algarve a participar no 1.º congresso geral organizado no nosso País, onde vão conhecer as potencialidades turísticas da região, mas também de Lisboa. (…) Para o presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim de Figueiredo, este evento, ”para além de constituir em si mesmo uma ação relevante e de interesse para o Turismo, dada a sua dimensão e força de venda dos participantes, irá originar um forte impacto positivo nos fluxos turísticos da Rússia para Portugal.” Recentemente, o Governo reforçou e alocou mais meios aos serviços de emissão de vistos de turismo e dos vistos gold, que dão termo de residência em Portugal, de forma a atrair mais turistas, sobretudo de mercados como a Rússia. Este reforço consiste numa partilha de meios técnicos e humanos do Turismo de Portugal, sendo os encargos financeiros suportados pelo Instituto. (…) A Rússia é um mercado emergente estratégico para o turismo nacional, dado o seu elevado poder de compra (…)»

Não fui eu que o disse, foi o próprio Turismo de Portugal há oito anos. A realidade, ao que parece, não se apaga.

Nisto das associações aos vistos gold, afinal, quem mente?

Fotografia: Bruno Simão/Negócios

Ideias, Interesses, Instituições

Os vistos gold, criados em 2012 para “captar investimento estrangeiro”, foram, desde então, um sorvedouro de corrupção, borlas fiscais e lavagem de dinheiro de bons rapazes vindos dos bons regimes russo, angolano ou turco.

Argumenta a direita que os mesmos capacitaram Portugal com mais 6,3 mil milhões de euros. Mas onde estão esses milhões? Ao que parece ninguém sabe, ninguém responde.

Ontem, BE e PCP propuseram acabar com este regime de borlas a uma elite específica que usa Portugal para lavar cifrões; todo o Parlamento chumbou a proposta. Curioso? Nem por isso.

Quando neo-liberais e proto-fascistas insistem em cortar subsídios a pobres, conseguem, por contrário, defender os subsídios dados a ricos e a muito ricos. Nunca esconderam para que servem e por que é que cá estão. Não será agora que o farão, com esta nova direita (que não é nova) radical e extremista.

A curiosidade fica por aqui, se atentarmos no facto de que BE e PCP são capazes de ser os únicos partidos com assento parlamentar que não recebem um cêntimo dos Mellos, das Sonaes ou das Motas Engis. Por isso, quando PS, PSD, IL, CH ou CDS te disserem que defendem os teus interesses, lembra-te disto.

E, assim, faz tudo muito mais sentido.

Lisboa antiga, Lisboa moderna

Na Lisboa antiga, quem lá trabalha sabe que não pode lá viver, pois para quem trabalha não é suportável pagar rendas excessivas ou andar de airbnb em airbnb.

Na Lisboa moderna, tudo é diferente. Há rooftops, sunsets, beers em pubs e chefs com Michelin, onde só os que usam anel no mindinho são livres de circular.

Duas Lisboas, na mesma Lisboa. Obrigado, neo-liberalismo.

Parasitismo

“Tele-trabalho é fingir que se trabalha” – disse um bilionário que nunca trabalhou na vida