Volta e meia lá vem o tema da produtividade como justificação habitual para aumentar a carga do trabalho, diminuir a retribuição pelo trabalho, ou ambos.
Mas falamos de quê?

Esta é a definição clássica de produtividade. Sendo uma divisão, aumenta a produtividade se aumentar o numerador ou se baixar o denominador.
A fórmula seguinte acaba por ser equivalente e traduz a perspectiva financeira:
Produtividade = (valor gerado)/(custo para gerar o valor)
Porém, quando os paineleiros do comentário, os doutos lentes da academia e os nobres políticos que efemeramente governam o país falam de produtividade têm uma obsessão apenas com uma das componentes da fórmula. Nomeadamente, o custo para gerar valor e, em particular, o custo do trabalho. Quando há outras variáveis no custo, como custo das matérias primas, custo da energia, impostos, etc.
Podíamos ver esta gente falar em aumentar a produtividade sob a perspectiva de aumentar o numerador. Por vezes, ouvem-se uns ecos sobre aumentar a eficiência mas, até isso, consiste em mexer no denominador.
Para verdadeiramente aumentar a produtividade é preciso mexer no numerador e isso implica transformar o modelo económico do país. Obriga a não estar no final da cadeia de valor onde o diferenciador está no custo com salários. Requer planeamento muito para além de uma legislatura, ou seja fora do ciclo de resultados imediatos das eleições. Precisa que produzamos bens, materiais ou imateriais, de enorme valor acrescentado.
Porque os nossos políticos estão mais interessados em ganhar a próxima eleição do que em transformar o país, não saímos deste lodo há décadas. Tem havido uns momentos de ilusão graças aos dinheiros da CEE e da UE e, agora, com o turismo.
Mas onde está a verdadeira produção criada desde que entrámos na CEE?
Vimos, isso sim, o país ser transformado num centro de serviços, uma colónia balnear, com produção própria residual, extramente dependente do estrangeiro e sem um sector onde possamos dizer que damos cartas.
Os sucessivos governos fizeram obra com o pressuposto que o resto viria. Afinal, a obra era a indústria ela mesma e aqui estamos a discutir produtividade num país que não consegue descolar dos salários baixos como modelo económico.
Aumentar a produtividade pelo aumento do valor gerado é tema literalmente ausente no discurso económico e político em Portugal.
Porquê? Porquê são burros e não sabem como se define a produtividade? Ou porque estão apenas a olhar para resultados imediatos sem de facto mudarem o país?
Nenhuma das hipóteses lhes assenta bem.


























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