Bufos (II)

A denúncia hoje feita no CM, informando o resto do mundo daquilo que estávamos fartos de saber, que sim, que parte da equipa governamental é paga para dar apoio ao blogues governamentais, encerra algumas questões interessantes sobre as quais me apetece opinar.

Primeira: é legítima a utilização de meios do estado para fazer passar a mensagem governamental?

Não devia ser mas é. Para todos os efeitos os governos têm assessores cuja missão consiste nisso mesmo, e nunca ninguém se abespinhou por tal. Haverá aqui assessorias que o não são para a comunicação social, e alguns gastos mínimos do orçamento do estado, mas isso são amendoins, como dizem os anglo-americanos: qualquer câmara mais municipal e menos corporativa gasta o décuplo por mês em publicidade a si própria. Não me escandaliza, desde que os envolvidos nunca tenham tido a lata de criticar a célebre central de comunicação santanista. O argumento muito usado nestes dias de que os outros também fizeram não é um argumento, é uma tolice, ou começamos todos aos tiros uns aos outros porque outros também já o fizeram.

Segunda: é correcto dentro de uma coisa chamada netiqueta que num debate político um dos lados tenha subterraneamente as assessorias todas de que precisa, sem o referir explicitamente?

Não é, mesmo que a netiqueta seja uma entidade vaga, e feita de pouco mais que senso comum. O leitor, e o problema está na recepção, tem o direito de saber que fulano escreve isto ou aquilo baseado na fonte x ou y. Servir de mero testa de ferro fica logo mal a quem o faz. Acresce que ao contrário do que alguns neófitos tentam defender o anonimato na net é uma prática de putos e de imbecis, neste caso de quem assinando com pseudónimo tenta fazer dos outros parvos.

Terceira: neste caso concreto a denúncia vinda de alguém que esteve no blogue oficioso da campanha do PS é bufaria? [Read more…]

E eu que pensava que tinha liberdade de expressão…

Apareci em Portugal, sem saber como nem por onde, a convite da Gulbenkian e do ISCTE, hoje IUL. Vinha da Universidade de Cambrige, onde ensinava e era Doutor em Ciência. Devia estar em Portugal apenas dois meses, não tinha mais licença de Jack Gody. Aliás, vinha do País da liberdade de expressão e da revolução temprana.

Pensei: se o UK é país de expressões livre, quanto mais não será Portugal que fez a sua Revolução apenas em 1974! Pareceu-me bem e fui ficando. Esses dois meses pasaram a ser 31 anos!

Esses 31 anos em que pensei que a liberdade de expressão era tão grande, que fiz em Portugal o que no Chile não me permitiam: falar e criticar a política do Governo, almoçar com o Presidente da República, sair com os meus discentes. Sem saber como, todo isso acabou. O Governo que nos quer orientar anda a levar-nos pelas ruas da amargura. A primeira felonia, escutas telefónicas, mas com aparência de outras intrigas palacianas.

A seguir, a ameaça do fecho do jornal «Sol» por revelar esta temática das escutas e outras ervas sobre o Primeiro-Ministro que nos governa, ou que pretende  governar-nos. Mas não parou aí quem  pretende ser um excelente Engenheiro, tanto, que em honra do socialismo que penso e executo e do meu Senhor Pai, apoiei a quem tem um aparente dom de mando e votei por ele.

Revelo assim o segredo da urna de voto, porque me sinto ameaçado. A minha liberdade de expressão acabou com o mandato do fechar o Semanário «Sol» [Read more…]

Pensamentos V e VI

V

Faltam dois dias para depois de amanhã.

Se leres isto dentro de dois dias, faltarão ainda dois dias.


VI

Pensa duas vezes antes de pensar.

Pensar, sem pensar antes, pode revelar-se perigoso.

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Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

Presente e futuro da advocacia: uma questão de República (5)

Continuando o que já escrevi aqui.

O Direito aprende-se na Faculdade, não é na Ordem dos Advogados (OA). Nesta deve-se aprender teoria e prática forense, a par de deontologia e ética profissionais.

Não podem, pois, os candidatos à Advocacia, continuarem a ter um modelo de estágio afastado da realidade forense, que só os prejudica, bem como prejudica quantos, no presente e no futuro próximo, se irão socorrer dos seus préstimos.

Nem é aceitável que a formação profissional do estagiário seja paga. Ela deverá ser gratuita, na melhor tradição da OA.

Hoje, os estagiários não podem exercer em sede de Apoio Judiciário, pois que é entendido pela actual Direcção da OA que o Apoio Judiciário não deve transformar-se em instrumento de financiamento dos estagiários. Nem estes, uma vez que não estão definitivamente dados como aptos para o exercício da profissão – que só acontece com o exame final de agregação com que se conclui o estágio -, deverão exercer o Patrocínio forense, pois que lhes falta a devida preparação para representar e intervir em juízo em nome de terceiros.

Concordo com o entendimento. Mas falta fazer com que à falta de meios financeiros, se assegure a subsistência dos estagiários durante o tirocínio. Até mesmo para que o elemento económico não seja um crivo de selecção, por tão injusto que é. E para tal, não é necessário que a OA assuma o encargo de remunerar o estágio. É necessário, sim, que se chame o Estado às suas responsabilidades – as mesmas que, como já disse aqui e aqui -, [Read more…]

Covilhã: A Minha Gazeta

Ainda sobra alguém de esquerda no PS? sobra, pelo menos na Covilhã. Sou suspeito para falar do João Correia, que além de ter sido meu companheiro em várias aventuras é um velho amigo, mas afirmo que na sua Gazeta mantém a sua coerência e lucidez, porque é verdade, e quem diz a verdade não merece castigo.

Um blogue nem sempre tão local como isso, mas o João do seu cantinho não pode deixar de olhar para o mundo. E faz muito bem.

Bufos (I)

Bufo-real (Bubo bubo)

Depois do polvo, hoje é dia do bufo.

A maior das rapinas nocturnas portuguesas, o bufo-real é uma das espécies mais cobiçadas pelos observadores de aves, mas nem sempre é fácil de encontrar.

Enorme, com os seus 60 cm de tamanho o bufo-real é inconfundível.

Possui dois penachos sobre a cabeça, que fazem lembrar duas “orelhas”. Os olhos, muito grandes, são cor-de-laranja.

O seu canto “Uhu” pode ser ouvido a vários quilómetros de distância.

Tal como a maioria das outras rapinas nocturnas, o bufo-real raramente aparece de dia, o que torna a sua observação bastante difícil e pode dar a ideia de se tratar de uma espécie muito rara. Contudo, esta espécie não é especialmente rara e pode mesmo ser encontrada com regularidade em certas zonas no interior. No entanto, devido aos seus hábitos nocturnos é mais facilmente ouvida que vista. A sua actividade vocal é mais intensa nos meses de Inverno (particularmente de Novembro a Fevereiro).

Aves de Portugal

O Carnaval é sempre que um político quiser

Por mero acaso, o Entrudo coincidiu com mais um festival carnavalesco concebido e protagonizado por notórios elementos da nossa classe política.

Há gente formada em Direito que, obrigatoriamente, sabe que não se elegem Primeiros-Ministros, mas sim deputados para o Parlamento de cuja representatividade partidária votada em maioria sai a formação do Governo. É esta a concepção da nossa Constituição. A mesma que é sempre tão enaltecida a par das conquistas de Abril e do cravo na lapela, mas que depois, tal como a Bíblia, é “interpretada” conforme as conveniências.

O desafio da moção de censura lançado por destacados militantes do PS, além de espelhar desespero de causa patético, configura um insulto à inteligência. Não é o Governo que está sob suspeita, mas sim o seu Chefe que, repito, pode ser perfeitamente substituído nos termos da nossa Constituição.

Tal não acontece porque se vive numa hipócrita fantasia de Carnaval, em que Chefes de Partidos e Chefes de Governo são a mesma pessoa, e se quer convencer que tal não afecta o regular funcionamento do Parlamento. Evidentemente que afecta, pois que cumpre ao Parlamento vigiar e sindicar o Governo, e logo o Chefe de Partido maioritário é o Chefe do Executivo. Além de que, numa situação como a que se vive agora, esta perversão só serve os interesses da dramatização: se cai o Chefe de Governo cai o Chefe de Partido e é o caos! Santíssima Trindade!

Mas o PSD não podia ficar atrás. Mais concretamente, Paulo Rangel, que insiste na ideia que a sua candidatura é sustentada na ruptura. Mas em ruptura com quem? Com a actual Direcção do PSD que apoiou e enalteceu? Ou com a ruptura da unidade do PSD?

Este burlesco momento político que se vive é bem revelador das fragilidades e incongruências da nossa intelectualidade política.

Isto é puro Carnaval: máscaras e fantasias. Mas falta-lhe a graça do samba, pois que por cá o que temos é triste fado.

O rebanho, a família PS, o pregador no deserto e o carnaval

O PS parece preferir a fuga para a frente quando se sente acossado. O ataque é a melhor defesa, postulam os socialistas, esperando encontrar Cavaco encostado ao seu reduto defensivo. Talvez seja esta a forma de desviar as atenções relativamente aos recentes escândalos envolvendo o governo e meios de comunicação social e aos reais problemas do país, como é o caso do desemprego, que atinge, pela primeira vez, os 10%.

Os acionistas da PT, por sua vez, esperam que Granadeiro e Zeinal Bava se expliquem sobre o caso da “alegada” compra da TVI. Para que as atenções não se desviem do caso, contribuem também os trabalhadores da PT, dispostos a tirar a limpo as revelações do Sol sobre o envolvimento da empresa nos planos de controle dos media por parte do governo. Sempre alerta para tirar partido dos momentos de crise está Joe Berardo, nem que seja para ir lançar pequenas provocações e minar o terreno, enquanto no deserto vai pregando Mário Lino, de quem ninguém parece sentir saudades. Mais dia, menos dia, é vê-lo num destes lugares.

O Carnaval ameaça durar 365 dias por ano. Aproveite e faça furor.

Israel – a recorrência da Shoah no discurso político – (Memória descritiva)

Circulam pela net, e em e-mails, fotografias de uma manifestação realizada em Londres pela comunidade muçulmana (ao que parece, recentemente, mas não consegui obter a data). Vêem-se manifestantes exibindo cartazes onde se diz entre outras coisas: «Matai aqueles que insultam o Islão», «Europa: Pagarás, a tua demolição está em marcha»; «O Islão dominará o mundo»; «Europa, pagarás. O teu 11 de Setembro vem a caminho»; «Prepara-te para o verdadeiro holocausto». Segundo se diz também nessas mensagens, tratava-se de uma manifestação pacífica.

Habituei-me a acolher com cepticismo e cuidado estas informações que, muitas vezes mais não são do que desinformações. Lá estão as fotografias, com os cartazes escritos em inglês, mas todos sabemos como é fácil manipular fotografias. Verdade ou mentira, não há dúvida que entre os muçulmanos passa uma corrente de intolerância e ódio que nada contribui para que, quem não compartilha a sua crença, possa ao menos ser solidário com a sua legítima revolta.

Existem, mas são poucas, as vozes que nos defendam a causa palestiniana, por exemplo, com serenidade e isenção. Compreendo que seja difícil ser isento quando estamos a ser chacinados, vemos as nossas casas bombardeadas, as nossas crianças assassinadas, a nossa terra ocupada. É difícil, mas aos muçulmanos pede-se esse supremo acto de heroísmo.

Do lado judaico existem , sempre existiram, essas vozes. Bem sei, que os judeus, embora em permanente perigo de extermínio à mínima distracção, estão numa situação diferente. Mas não se julgue que a posição dos israelitas é fácil.

Como disse num texto anterior, entendo que a criação do Estado de Israel foi um erro da diplomacia britânica. No entanto, hoje a nação judaica é um facto consumado. Milhões de pessoas a povoam. A sua destruição, como propugnam os fundamentalistas islâmicos, seria um crime.

O crime que foi o dar o território dos palestinianos aos judeus, não se apaga com o crime de exterminar os israelitas. Não se deve desistir da utopia de um estado em que judeus, muçulmanos, cristãos, ateus, convivam pacificamente. É uma utopia própria de quem vê o problema do exterior e que não agrada nem a judeus nem a palestinianos. Mas é a única solução digna de seres humanos.

Vem tudo isto propósito de duas das tais vozes vindas do lado hebraico, de dois livros, um que a professora israelita Idith Zertal (1944), professora de História e Filosofia Política na Universidade de Basileia, nascida antes da fundação do Estado num kibutz de Ein Shemer, ficou entusiasmada por finalmente ver traduzido em hebraico – a obra de Hannah Arendt (1906-1975) «Origens do Totalitarismo» – que li precisamente na sua edição espanhola, outro, um ensaio da própria professora Idith Zertal – «A Nação e a Morte», cuja edição em castelhano foi há dias apresentada e do qual tomei conhecimento por textos que li no El País. Falemos primeiro de Hannah Arendt.

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A Universidade abre-se às empresas

As Universidades de Évora e Aveiro criaram as chamadas ” cátedras patrocinadas” em que uma empresa apoia financeiramente, com “know How” e o saber da experiência de quem está no mercado, a investigação de universitários e de investigadores com provas dadas em assuntos com grande potencial económico.

É o caso das energias renováveis e da biodiversidade já com parcerias a funcionar. Agora vão avançar outras Universidades como a da Madeira, do Porto e da Católica com matérias segundo o interesse das empresas, centradas num investigador com trabalho importante e reconhecido que poderá ser estrangeiro e que com os meios assim obtidos, poderá rodear-se de equipamentos e pessoas altamente prestigiadas.

As empresas ganham notoriedade por estarem envolvidas em investigação credível que poderá levar ao desenvolvimento de novos saberes e tecnologias e fazer o trabalho de transformar a investigação pura em produtos e serviços de mercado e, quanto à Universidade, adquire um músculo financeiro que só por si não  conseguirá alcançar.

Em Aveiro trabalha-se activamente nas tecnologias  das telecomunicações de onde já saíram ideias e produtos comercializados em todo o mundo.

No Alentejo, pela mão de Rui Nabeiro já foi criada uma cátedra com o seu nome e já conseguiu chamar um dos nomes mais importantes em Ecologia e Ambiente (Miguel Bastos Júnior) para desenvolver investigação sobre três pilares: promoção da investigação em biodiversidade e alterações globais, formação avançada em ecologia e divulgação.

Felizmente que a Universidade fechada sobre si própria, como um “bunker” onde só entravam os considerados “pares” e de onde nada saía de novo, está a travar o passo e a dar lugar a uma Universidade aberta à sociedade civil, às necessidade emergentes e aos mercados em parceria com o mundo económico.

Só retirando do palco o peso desmesurado do estado e da administração pública é que o país poderá avançar na senda do desenvolvimento. Enquanto tal não acontecer, continuaremos a ter o lamaçal dos negócios ílicitos, dos administradores “criados” do poder político, da cumplicidade entre poder económico e poder político , e o país a empobrecer!

Miguel Abrantes: E afinal é mesmo um assessor do Governo

E afinal Miguel Abrantes é mesmo um assessor do Governo, segundo o artigo de hoje do «Correio da Manhã» que me chegou ao conhecimento via A Regra do Jogo.
Como refere Eduardo Dâmaso na sua investigação, «Assessores, chefes de gabinete, membros do Governo usaram o seu tempo, pago pelo erário público, instalações do Estado, meios informáticos públicos e informação privilegiada para fins de combate político. Como o CM demonstra nesta edição, o Governo alimentou blogues de campanha eleitoral daquela forma, mas também outros que antes e depois do tempo de eleições continuaram a ser a barriga de aluguer de argumentários e documentos pré-fabricados.»
E assim se percebe quem é afinal Miguel Abrantes e de que forma blogues como o Câmara Corporativa, o Simplex ou o Jugular foram criados ou alimentados numa determinada lógica e com um determinado objectivo. O polvo em todo o seu esplendor

Os golos do Everton- Sporting

O Sporting, depois de estar a perder por 2-0 conseguiu, quase no fim do jogo, marcar o golo que pode relançar psicologicamente o jogo em Lisboa. Depois de assumir que joga para o quarto lugar do campeonato, as esperanças europeias são ténues mas, enquanto há vida…
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Queixume

Haverá conversa mais desoladora do que aquela em que alguém a quem muito estimamos, mas com quem a relação é pautada ainda por um cortês distanciamento, nos pergunta, em tom distraído, o mesmo que nos havia perguntado dias antes e a que havíamos respondido com ingénuo entusiasmo?

“Ah, sim, já me tinha dito”, responderá, por fim, quando lhe repetimos, sem conseguir disfarçar o desencanto, os factos que havíamos já descrito. E mordendo o canto do lábio, como fazem as crianças que já têm vergonha de amuar, nos afastaremos com grande dignidade e o coração ressentido. [Read more…]

Carnaval – o meu sonho brasileiro

O Rodrigo publicou excelente texto pedagógico da história do Carnaval de Torres Vedras. Mera coincidência: na última noite – vá lá saber-se por que razão – sonhei com o Rio de Janeiro e o Carnaval Carioca.

De calção, “t-shirt”, ténis e com um “Swatch” de plástico, baratinho, vi-me a sair de um hotel, na Avenida Atlântida, encaminhando-me para a direita. De súbito, dou comigo no Bar Garota de Ipanema, antigo Bar Veloso, onde algures nos anos 60, Vinicius e Jobim compuseram a mais internacional das canções da MPB, precisamente chamada ‘Garota de Ipanema’ – a musa inspiradora foi Helô Pinheiro, hoje assim conhecida, mas, ao tempo, era a jovem cidadã Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, descendente de uma família portuguesa, Gonçalves de Menezes.

Com uma ‘caipirinha’ no bucho, a imaginação sonhadora deambulou para o ‘Carnaval Brasileiro’, versão carioca, considerada a mais autêntica e refulgente de todas. Dados históricos revelaram-me que o início Carnaval do Rio remonta a 1846, quando ali emergiu pela primeira vez a figura do ‘Zé Pereira’ e do Entrudo, festa popular portuguesa, então desembarcada na capital de Guanabara.  

Até passar algum tempo, entre os dois carnavais – português e brasileiro – as semelhanças tinham algum sentido. Mas no final do Século XIX, a folia brasileira, em termos de conteúdos e formatos, havia de se destacar dos costumes lusos, nomeadamente das características ainda hoje prevalecentes em Torres Vedras.

 Independentemente da pobreza sofrida em ambos os azimutes, os prazeres carnavalescos no Rio – e em outras cidades do Brasil – servem para gozar a euforia de viver, com hinos populares à alegria, como ilustra a letra do samba dos anos 40 de Francisco Alves: ‘Com pandeiro ou sem pandeiro / Ê, ê, ê, ê, eu brinco / Com dinheiro ou sem dinheiro / Ê, ê, ê, ê, eu brinco…

Em Torres Vedras, o argumento de fundo é, como acentua o Ricardo, a sátira política. É divertido sim senhor, mas não é a mesma coisa…

Como Se Fora Um Conto – O Sr Joaquim Lavadeira

O Sr Joaquim Lavadeira

Ainda não tinha um mês de vida, e já eu frequentava a praia de Gondarém. Uma grande parte das chamadas boas famílias da Foz da altura, frequentavam esta praia ou a do Ingleses. Eram quase como umas praias de elite, e também toda a minha família paterna o fazia, embora quase exclusivamente na de Gondarém.

Tínhamos uma barraca, das grandes, invariavelmente situada, ano após ano, no mesmo sítio da praia. Era a terceira, à direita de quem olha para o mar, a seguir à primeira abertura entre barracas, logo a seguir ao fim das escadas em redondo, e em frente à rampa. Se nã me engano, tinha o número 29. Não tinha que enganar.

Os vizinhos de um lado e do outro eram sempre os mesmos. Ao fim de uns anos, eram como que da família.

Os donos, concessionários em parceria com o sr Francisco, e que detinham a parte melhor e maior da praia, eram [Read more…]

Voar aos Pares

Constantemente Constâncio


Já repararam que finalmente nos vemos livres do balão cativo constantemente Constâncio? Ora vamos lá todos ao Biergarten tomar uma em honra da senhora Merkel! Jawohl!

las tres niñas

las tres niñas a danzar cuando eran pequeñas:Paula, Camila y Alejandra

Para Alejandrita Toro Iturra de Iribarren Larraín

¡Hasta parece mentira! Porque hoy son señoras. Cuando eran pequeñas, era fácil entenderse con ellas. La vida era un juego permanente. El país en que vivíamos, era con mucho trabajo. El día comenzaba a las siete de la mañana y acababa tarde en la tarde. Justo a la hora del té, que era a las 4 de la tarde. Durante el invierno, sólo queríamos estar en la cama, pero los papás teníamos que trabajar e las niñas tenían que estudiar. A las 8 de la mañana estábamos todos en nuestros sitios de trabajo: la escuela para las tres niñas, la Universidad para sus padres. Salir de mañana de una casa caliente para el frío de nieve de hielo de la calle, era un castigo. Íbamos de bicicleta, el frío así era más violento, especialmente si el viento soplaba. Casi no se podía ver porque los ojos se defendían con lágrimas: eran necesarios los anteojos para defendernos de la falta de visión. [Read more…]

Pensamentos III e IV

III

Teme a lua cheia.

Se cair, provoca mais estragos do que as outras.


IV

Imagina-te um pássaro e voa.

Mas tem cuidado com os aviões.

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Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

O ser e o parecer da liberdade de expressão

Parece-me incontestável que uns palermas do PS, com a complacência, a anuência, o apoio, do primeiro-ministro urdiram uma teia destinada a eliminar da comunicação social vozes dissonantes dos muitos predicados do chefe do executivo.

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Parece inegável que, além de imprudente, José Sócrates fez uma triste figura ao abordar, num restaurante cheio, responsáveis de uma estação televisiva acerca do “problema Mário Crespo”. Mais uma vez pôs-se a jeito. É repetitiva esta habilidade de se comportar como um elefante numa loja de porcelana.

É indiscutível que o chefe do Governo aldrabou o país no caso PT / TVI. A confusão entre o saber de forma oficiosa ou por via oficial não abonou a favor do primeiro-ministro. O cargo exige que nada do que lhe chegue ao conhecimento seja oficioso. Tudo o que lhe chega ao conhecimento é oficial. Ponto.

Parece-me absurdo que o país grite “censura” no caso da publicação, pelo semanário Sol, das escutas do processo “Face Oculta”, sem conhecer os fundamentos invocados na providência cautelar apresentada pelo agora famoso administrador da PT.

Parece-me absurdo que se fale em censura e “algo nunca visto em Portugal desde o 25 de Abril” quando, em diversos jornais, revistas, estações de rádio e televisão, Manuela Moura Guedes, por exemplo, tenha possibilidade de dizer e repetir que há censura em Portugal.

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Klu Klux Klan

O Carnaval de Torres


O Carnaval de Torres Vedras marca a vivência quotidiana das suas gentes. Não só durante a quadra mas ao longo de todo o ano. Diz-se que a vida são dois dias e o Carnaval são três. Em Torres, são seis. Seis dias de puro prazer e entretenimento, que só se podem comparar à tradicional Feira de S. Pedro.
É ainda na primeira metade do século XIX que, em contraponto aos festejos de rua, desorganizados e desordeiros, começam a aparecer os bailes públicos nos teatros ou no Casino Lisbonense, destinados a uma burguesia endinheirada.
Ao longo do século XIX, o Carnaval de Lisboa foi definhando, na mesma medida em que nas terras em redor as comemorações da quadra eram cada vez maiores. Foi o caso de Torres Vedras.
A primeira referência à sua comemoração data de 1547, através da queixa de um tal de Jerónimo de Miranda, revoltado pelo facto de uns moços, moradores na vila, terem provocado uma briga, «trazendo rodelas, espadas, paus como costumam o tal dia.» O «tal dia», obviamente, era o dia de Entrudo.
Em finais do século XIX, o Carnaval de Torres Vedras era muito desorganizado, limitando-se a bailes e récitas em colectividades e casas particulares, alguns mascarados pelas ruas e pouco mais. «Como nos anos anteriores, o Carnaval passou-se em completa desanimação, o que não é para admirar. Velho caduco, já não está para grandes coisas», era a tónica dominante dos comentários da imprensa, neste caso publicada em «A Voz de Torres Vedras» de 26 de Fevereiro de 1887.
Mesmo assim, nesse ano e nos que se seguiram, já se notava uma característica que ia marcar estes festejos ao longo de toda a sua história: a sátira política. O costume de «lançar pulhas», por seu lado, serviu muitas vezes como pretexto para as autoridades municipais tentarem «calar» os foliões. Por essa época, o Carnaval de 1908, realizado pouco depois do Regicídio de D. Carlos, foi o mais animado de todos. [Read more…]

Apologia de Sócrates (Memória descritiva)

Foram Xenofonte e Platão, sobretudo o segundo, com a sua série de diálogos socráticos, quem deram existência e espessura a uma entidade que, sem os seus escritos quase não existiria. Platão terá feito um retrato justo do filósofo. Diógenes Laércio, séculos depois biografou Sócrates, inspirando-se no que os discípulos e contemporâneos sobre ele tinham deixado escrito. Porque, como Abu Tammam o grande poeta do século IX, nascido em Damasco, na actual Síria, afirmou (e já aqui o citei) só o que é escrito existe – a glória sem palavras é um deserto vão e sem sentido.

De Sócrates não nos ficou uma palavra escrita pelo seu punho. Dele apenas temos o que dele disseram. A maneira como viveu e, sobretudo, o seu pensamento, constituem como disse Sant’Anna Dionísio «uma inexaurível fonte de hipóteses». E constitui também uma das grandes referências culturais daquilo a que se convencionou chamar o Ocidente. [Read more…]

A propósito de amar uma cidade

Passo aqui belas tardes a ler, depois de um almoço nos pequenos restaurantes instalados nas belíssimas casas do SEC XVll, outrora beijadas pelas águas do Tejo. Lugar histórico de onde saíram as caravelas que descobriram o Mundo moderno. Foi tambem aqui que se construiu o Mosteiro dos Jerónimos das jóias mas belas que o homem concebeu, agora acompanhado pelo Centro Cultural de Belém onde se podem apreciar belos espectáculos e exposições. Aqui tambem se passaram coisas menos bonitas como foi a execução dos Távoras. Árvores centenárias oferecem-nos a sua sombra, flores enchem o espírito de cheiros e cores, a Fonte Monumental jorra água que ameniza o calor dos dias. Uma multidão “…de muitas e desvairadas gentes…” vindas dos quatro cantos do mundo enchem este lugar iluminado pela luz reflectida no Tejo azul, espelhando o céu sem núvens. Pode-se morrer de amor…e o “Youtube” pode contribuir e muito com imagens destas, tão estraordinárias!                                                            PS: Para o João JC. Este é o meu primeiro texto com imagens. É chato mas conseguiu!

Guerra de laranjas?

Será que esta luta de laranjas é um pronúncio do que ai vem, no congresso e nas directas do PSD?

Apontamentos do campo (14)

(Por terras de Chaves)

Como o "youtube" mudou a minha vida!

Foi há  cinco anos que nasceu o youtube tal qual o conhecemos hoje disse-me quem sabe disto e sabe como tratá-lo e como usá-lo, e assim por diante, de modo que deve ser verdade. O que eu quero aqui dizer muito dramaticamente é que nos primeiros nunca tive acesso ao “youtube”. O meu filho vivia cá em casa e achava que eu  perseguia no “youtube” coisas que ele considerava não apropriadas para a minha idade e, como tal, não tinha acesso, ou porque o computador não estava “up-to-date” e o vídeo não corria ( francamente, nunca vi nada em condições…) depois porque a minha vida era muito intensa e eu também não tinha muito tempo, a verdade é que só há dois, três anos é que comecei a ver o que se encontra no “youtube”. [Read more…]

a paixão que mata o amor

A morte de Beatriz

Para a mulher que respeito e amo, ela sabe quem é….

O povo português anda preocupado pelas batalhas políticas. Nem sabemos quem nos governa: se é o primeiro-ministro ou a oposição. E se é a oposição, qual é, entre todos os presidentes dos partidos das bancadas que fazem do governo uma minoria, o que exerce o poder? Minoria que, estrategicamente, procurará convénios com os partidos mais pequenos que apoiam o governo minoritário, com condições eternas.

Devo confessar que é um tema interessante, apaixona-me no meu querer saber de como vamos resolver a crise económica que nos atormenta e empobrece, como vamos criar mais postos de trabalho, como vamos agasalhar os que têm frio e fome especialmente em dias de festa, como o carnaval. Povo teimoso que, com frio e tudo e sem dinheiro, passeia e anda pelas ruas da alegria, esquecendo assim as da amargura.

No entanto, quando estamos no meio de outros problemas, sobretudo emotivos, o que o governo faça ou não, passa para segundo plano nos nossos interesses. Até um certo ponto. A crise económica entra nos nossos sentimentos e ficamos fracos para o amor. Bem queríamos amar sem preocupações e oferecer presentes, mas a carestia de vida em que este fraco governo nos meteu, faz-nos mais pobres ainda: de recursos e de emoções.

Os recursos, podem ser resolvidos, o amor também. Um nada de optimismo coloca-nos nas portas da serenidade e da paz. Requisito mínimo, para sabermos conviver em permanente conflito político, especialmente nós, que apoiamos o governo de minoria e os seus aliados. [Read more…]

Requerer e não Interpor uma Providência Cautelar

As festas caseiras, cenário de convivência mais ou menos regada, desempenham um papel familiar e social – rotineiro umas vezes, outras mais interessante; em alguns casos de muita utilidade. Do humor à política, o menu festivo pode incluir um naco de tudo, até matéria semântica.

Acho, pois, curioso verificar que até podemos beneficiar de uma boa lição. Sobretudo se, na festa, há gente letrada, com advogados à cabeça. Estão sempre disponíveis para corrigir o uso incorrecto de termos e definições que, para os mais comuns, são os ingredientes do pobre léxico empírico da sociabilidade no quotidiano, incluindo a leitura de jornais, ouvir rádio e ver televisão.

Na esteira do que li, ouvi e vi na comunicação social nos últimos dias, citei que o tal Rui Pedro Soares “tinha interposto uma providência cautelar…”; imediatamente, dois convivas, não por acaso advogados, caíram-me em cima impiedosamente, argumentando que, para a providência cautelar, se deve aplicar o verbo requerer, ao passo que interpor se emprega quando nos referimos a um recurso, e instaurar / pôr usam-se para uma acção judicial.

 Registei, fiquei agradecido e fiz a emenda sugerida. Todavia, agora, sozinho, ao consultar jornais recentes, dou conta de que ‘providência cautelar’ está sempre precedida de tempos do verbo interpor. Até na revista ‘LER’, página 10, edição de Fevereiro, o Pedro Mexia diz a certa altura “…interpuseram uma providência cautelar”. Perplexo, concluo: neste País os erros ocorrem uns atrás dos outros. Ao erro político do jovem junta-se um erro generalizado do uso do português, por parte de jornalistas e intelectuais.

Pelo menos, desta providência cautelar, já retirei algum proveito pessoal. Sócrates é que não. É bem feito.

Uma boa notícia

Constâncio vai para o BCE. Inicia-se agora o processo de escolha de um novo Governador do Banco de Portugal que não veja, não ouça, nem repare.

Haverá um lugarzinho aí na Europa para José Sócrates? Qualquer coisa na área da engenharia civil, por exemplo, desde que não faça projectos.

Ainda pensei no Haiti que está a precisar de mão-de-obra especializada, mas uma catástrofe num século para um país pobre já chega.