Petição dirigida a Pedro Audi* Soares

Os Lares de Infância e Juventude têm vindo a ser dotados de equipas multidisciplinares desde 2007, estes tornaram-se um espaço de transição para estas crianças/jovens, onde foi trabalhado o projeto de vida de cada uma delas, de acordo com as especificidades que cada qual apresentava, com vista a uma possível reintegração familiar e/ou a sua autonomização de vida.

Portugal era em 2007 um dos países da União Europeia com uma taxa de Institucionalização de crianças e jovens muito superior à média europeia, com serviço pouco humanizado, centrado apenas na prestação dos cuidados considerados básicos até então: alimentação, vestuário e higiene. Tornava-se urgente uma mudança no paradigma Institucional!

Para dar resposta às orientações europeias previa-se que o Plano DOM levasse à desinstitucionalização de 25% de crianças e jovens até 2009 (aproximadamente). Esse objectivo foi atingido! A poupança e a viabilidade económica desta mudança paradigmática é um facto e deveria ser estimulada futuramente. O Plano DOM permitiu que se pudesse criar uma meta orçamental, a médio e longo prazo, muito mais vantajosa e económica. No entanto, pensamos que mais importante do que os números é a humanização da resposta, consideramos que esta é a principal resposta para os decisores políticos.  [Read more…]

Cromo do Dia: A dança das cadeiras

Gestores hospitalares (boys) nomeados pelo PS estão a ser substituídos por boys do PSD e CDS.

O memorando de entendimento assinado com a troika refere expressamente que os presidentes e membros das administrações hospitalares “deverão ser, por lei, pessoas de reconhecido mérito na saúde, gestão e administração hospitalar” – uma medida a aplicar já no quarto trimestre deste ano. A assessoria do Ministério da Saúde defende, porém, que a obrigatoriedade de concursos para novos dirigentes apenas se aplica “nos casos dos institutos públicos e das direcções-gerais”, ou seja, na administração directa do Estado. E alega que os hospitais EPE (entidades públicas empresariais) “não têm o mesmo estatuto” e a escolha fica nas mãos dos accionistas – que são os ministérios da Saúde e das Finanças.

Não prometeram ir mais além do que as medidas da troika? Estão a ir. Muda a música mas o baile é o mesmo.

jobs for the boys

A Alemanha e a sacanice soberana

Beneficiando da migração em massa do capital dos investidores para paragens mais seguras, os países mais ricos da zona euro têm poupado somas milionárias com a crise do euro. É o caso da Alemanha e da Holanda que têm usufruído de condições de financiamento muito mais favoráveis, face aos valores que os investidores exigiam em 2008 e 2009 para emprestarem dinheiro aos dois países.

De acordo com cálculos do Diário Económico, as 136 emissões de dívida da Alemanha realizadas entre 2010 e 2011 já permitiram ao Tesouro alemão poupar 1.587 milhões de euros nos últimos dois anos e assumir uma poupança de 11.451 milhões de euros até 2041, em resultado de uma correcção de quase 40% do custo médio de financiamento da Alemanha nos mercados desde 2009. Isto significa que a crise da dívida soberana já permitiu a Berlim acumular uma poupança média de 13.038 milhões de euros, o equivalente a 159 euros por cada alemão ou 0,52% do PIB do país.

Leitura recomendada depois de tomar uma pastilha contra o enjoo. Isto dá vómitos

PSD – História da Repressão (1989 – 2011)


Já estamos habituados. Em Portugal, a Direita Radical resolve os problemas sempre da mesma maneira quando está no poder: à bastonada. Foi assim durante o longo e estéril cavaquismo e continua, 20 anos depois, a ser assim. O actual primeiro-ministro não percebeu a lição.
Pedro Passos Coelho, já o disse aqui, está de cabeça perdida. A rua assusta-o de tal forma que a contestação ainda nem sequer começou a sério e, em apenas 5 meses, já adoptou a cartilha de Cavaco.
O que é grave: se num mini-ensaio do que vem aí a Polícia já começou a distribuir pancada a torto e a direito, imagine-se o que será quando todos começarem a sair para a rua. Quando isto estiver transformado numa nova Grécia.
O que fará então Pedro Passos Coelho?

Publicado originalmente no 5 Dias

Canções antigas

adão cruz

Na recordação das canções antigas veste-se meu coração das verdes folhas do desejo e entoa na fragrância dos campos a melodia dos olhos pendurados na profundidade do céu.

Na sombra da figueira diz-me adeus o sol em acenos de azul e violeta por entre os ramos e os sons de uma flauta de lábios doces que por ali poisou entre sonhos infinitos do lusco-fusco.

As primeiras chuvas do verão humedecem como lágrimas as palavras ditas e não ditas no silêncio dos caminhos perfumados de terra e folhas molhadas.

E nada se reconhece na lembrança muda das tardes que para sempre morreram mas os passos ecoam em silêncio por entre os pés das oliveiras onde outrora floriram mil risos de criança.

Que fez de mim este crepúsculo azul como flecha espetada no vento ferindo de morte toda a vida de meu sonho-menino?

Onde está a pedra que se fez montanha o regato que se fez rio a tripla chama infinita da vida luz e verdade que se apagou na alma nua quando sagradas selvas e misteriosas crenças de punhal à cinta quiseram que fosse santa?

Meu coração peregrino de seu perdido tesouro entre o sol e as desgarradas nuvens de infinitos céus ainda hoje se arrasta entre a razão e o abismo em pálido reflexo de ouro para ser criança na hora de partir.

Se há falta de políticos, a Standard & Poor’s faz política

A discussão sobre o papel das agências de notação na economia e dos interesses que representam já vai longa. A discussão sobre a influência política destas agências na “política, política” ainda mal começou.

A Standard & Poor’s ameaçou cortar os ratings de 15 países do euro, incluindo a Alemanha e a França. Curiosa é a forma como o aviso foi feito, em forma de comunicado político e com intenções deliberadamente políticas (e económicas, claro), de forma a condicionar a cimeira de líderes europeus:

O alerta – explicado em comunicados separados para cada um dos países – é justificado pela intensificação de situações de stress nas últimas semanas “na zona euro como um todo” e foi deliberadamente lançado antes da cimeira de líderes da zona euro e da União Europeia (UE) de quinta e sexta-feira, assume a agência.

Segundo uma nota com perguntas e respostas sobre esta decisão, a agência diz que a cimeira é “uma oportunidade para os responsáveis europeus quebrarem o padrão” que têm mantido: acordos sobre “medidas defensivas e tomadas aos poucos até agora”.

Também curioso é o facto de instituições e pessoas que preconizam soluções e caminhos diametralmente opostos ( ver declarações de Mário Soares ) convirjam em dois pontos: estes líderes não servem e as suas políticas também não.

Gestão hospitais: a dança dos ‘boys’

A história do Ministério da Saúde é das mais marcadas pelo emprego partidário. Escrita, de resto, com letra bem vincada pelos dois partidos do centrão, PS e PSD, com a participação do apêndice, CDS.

Na continuidade da tradição, a dupla PSD+CDS está a nomear ‘boys’ para os hospitais, afastando os ‘boys’ do círculo rosa. Trata-se de, uma vez mais, repetir a vergonha do favorecimento dos amigos em detrimento dos competentes. Neste caso, segundo o Público, desrespeitando o ‘memorando da troika’ que estabelece a realização de concursos. A luta desenfreada a nível das distritais partidárias é intensa.

Nesta, como em outras guerras, vale tudo. Há anos, numa secção da Margem Sul ‘laranja’, valeu ameaças de tiro entre militantes. Agora, o processo também não está a ser pacífico, havendo manifestações condenatórias.  O deputado do CDS, Helder Amaral, foi peremptório ao garantir:

[não estar] “disponível para pedir sacrifícios aos portugueses e depois patrocinar o amiguismo da pior espécie que julgava ser uma prática do passado”.

em reacção à nomeação de militantes laranja par o Hospital de Viseu.

No fundo, é assim: em determinados casos, aumento das taxas moderadoras, o cumprimento da ‘memorando da troika’ é dever sagrado. Na escolha de amigos para lugares bem remunerados por dinheiros públicos, Paulo Macedo repete o método da tão ignominiosa e tradicional ‘cunha à portuguesa’, descartando-se da troika e do memorando. Há seriedade nisto?

maldade minha…

O Aventar está em todas*

Para tristeza minha, não sou militante do PSD no Porto. Se fosse, o meu voto seria, sem qualquer sombra de dúvida, para o Ricardo.

 

O Porto precisa de se renovar, de olhar para o futuro. Para o fazer é fundamental mudar de protagonistas. Nos anos noventa, quando fui dirigente estudantil universitário disse, a uma jornalista do Público, que o Ricardo Almeida era, na minha geração, uma das pessoas em quem mais apostava em termos futuros. Na altura, o Ricardo, era Presidente da AE da Faculdade de Engenharia do Porto. Passado algum tempo, foi eleito Presidente da Federação Académica do Porto (FAP) e esta viveu dois dos seus melhores anos de sempre. Mais tarde, foi eleito deputado na AR. A seguir, avançou para a Porto Lazer e a ele muito se deve um dos maiores eventos que a cidade já viu: Red Bull Air Race. Recentemente, passou a liderar a Gaianima e o seu trabalho é já visível em tão poucos meses (redução substancial do passivo). Pelo caminho obteve duas licenciaturas, ambas em Engenharia (Engenharia de Minas e Engenharia do Ambiente), foi professor, gestor de empresas privadas e activo militante do PSD no distrito do Porto. Trabalhou com Rui Rio e trabalha com Filipe Menezes. Conhece todos os autarcas, boa parte dos militantes e, mais importante, respira “Porto” como poucos. É o homem certo, no momento e lugares certos.

 

Li no blog “Pau para toda a obra” que Filipe Menezes considera que a cidade do Porto precisa de uma liderança forte. Se precisa. Está na hora de o Porto ter à frente dos seus destinos alguém que ame verdadeiramente a cidade, que a governe com total dedicação e empenho e não, nunca, como um meio para atingir um fim a ela alheio: rumar a Lisboa. Recentemente, o Ricardo não teve dúvidas e preferiu ficar. Agora escolheu um novo desafio: liderar a concelhia do Porto do partido que actualmente dirige os destinos da cidade. Terá uma tarefa complicada: ajudar a escolher o sucessor do actual Presidente da Câmara Municipal do Porto. As pontes que sempre soube construir entre as duas margens do Douro serão fundamentais no seu trabalho. Estou certo que saberá levar a bom Porto esta Nau.

 

Dizem as más-línguas que ele é o candidato apoiado por Filipe Menezes contra Rui Rio. Da mesma forma que outros afirmam o contrário. Só quem não o conhece acredita nestas fábulas. A grande virtude do Ricardo, considerada enorme defeito para muitos, é saber ouvir e pensar pela sua cabeça. É por isso que se eu fosse militante do PSD no Porto não tinha dúvidas e votava em Ricardo Almeida e no projecto “O Porto sempre em primeiro”.

 

*O Ricardo já andou pelo Aventar.

Cautela! Crianças e operários estão a ser explorados

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 Estou ciente de me ter referido às formas em que crianças e adultos pobres são tratados em vários sítios do mundo, como se fossem os despojos do dia, ou a escória da vida social. Vida social a que aspiramos como o ninho da nossa vida. Vida social que estimamos seja solidária, amável e reciproca. Reciprocidade definida por Marcel Mauss

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Hoje dá na net: Caminho de Ferro de Benguela, a história de uma linha de comboio

É uma história de ingleses, portugueses e angolanos.

Uma história de impérios, de colonialismos, de independências, de guerras civis, de processos de paz. Um olhar sobre o passado, o presente e o futuro de uma linha de comboio em África, a linha do C.F.B. (Caminho de Ferro de Benguela), da baía do Lobito à República Democrática do Congo.

É uma história de cidades construídas e  destruídas, de gerações a olhar o “Kamakove” ou a sua ausência, de restos de viagens, de fumo e de vapor, de faúlhas, de vida e morte à beira linha.

Este documentário é composto por 11 partes. A primeira parte, tal como a última, são sequências fotográficas.

Das lágrimas de Itália ao exemplo da Irlanda

Merkel e Sarkozy, na reunião de Paris, apostaram em novo ‘tratado’ da UE, ainda que não inclua todos os países. Pode limitar-se aos 17 Estados-membros do Euro – ou a menos, acrescento eu. O objectivo central é colocar na ordem os países endividados, como nós e os gregos, através de políticas que se esgotam em programas de austeridade.

No actual jogo europeu de orçamentistas e monetaristas, falta que a Espanha de Rajoy explicite a obediência. A Itália já o fez ontem, de forma comovente e nas lágrimas incontidas da ministra Elsa Fornero:

‘Uma lágrima no rosto’, de Bobby Solo

Nós, portugueses, além da submissão à Sra. Merkel assegurada por Passos Coelho, segundo os inúmeros sábios e especialistas, nas TV’s e artigos de opinião, temos de tomar o exemplo da endividadíssima Irlanda como padrão; sim essa bem comportada Irlanda há 4 anos em austeridade e cujo governo acaba de publicitar um novo ‘pacote de austeridade’ para 2012, com 2,2 mil milhões de euros de corte nas despesas e 1,6 mil milhões de aumentos de impostos. [Read more…]

O novo cargo “MR” (Moço de Recados) substitui o antigo cargo “PM” (Primeiro-Ministro)

Por FRANCISCO GOMES

Senhor Passos Coelho:
1º. FALSAS PROMESSAS -Fazer uma campanha com determinadas promessas e governar de forma contraria, deveria constituir crime (fraude e burla) e os politicos julgados e condenados por isso, pois se estivesse escrito no seu programa que ia criar uma politica de destruição da qualidade de vida dos portugueses e levá-los à pobreza NUNCA ganharia as eleições (LEIA e RELEIA tudo o que disse na sua campanha !!!!)
2º. CEGUEIRA E SURDEZ E ARROGANCIA – porque tem a latade achar que está a fazer um grande trabalho e não deve ter espelho em casa para ver a vergonha de governação que está a fazer.
3º. COBARDIA  – quando não se assume a responsabilidade do que se esta a fazer e constantemente se atribui a culpa aos outros e ainda diz que nada tem a ver com isso, esquece que o seu partido com Cavaco, Durão, Santana e mais não sei quem e que tantos anos governaram têm grandes responsabilidades nesta desgraça que voces politicos fizeram e continuam a fazer e que muitos dos seus colegas e/ou amigos do seu partido estão milionários e impunes depois da gestão danosa dos dinheiros publicos e dos cargos publicos que desempenharam.  [Read more…]

Não contem a ninguém, a Eslovénia virou à esquerda

Esse senhor aí na fotografia ganhou as eleições na Eslovénia. Percebo tanto da política interna da Eslovénia como da vida partidária do Burkina Faso, mas ontem o Le Monde anunciava Zoran Jankovic como sendo um esquerdista, hoje já é do centro-esquerda, chegar ao poder é tramado. Para todos os efeitos arrumou com o PS local que estava no poder e com a direita que deveria ter feito o alterne.

Ora bem, falo disto não só por ser uma boa notícia mas aproveitando para lhe perguntar: você sabe que o Partido Comunista do Chipre está no poder desde 2008? e lhe garantir que esta notícia não vai circular por aí. É segredo. A Eslovénia é um país pequenino, tal como o Chipre ou a Islândia, mas não convem contar estas coisas antes que as pessoas descubram que a esquerda pode ganhar eleições, a democracia prosseguir, e as velhinhas não apanharem uma injecção atrás da orelha nem as criancinhas serem papadas ao pequeno-almoço. É como o Pai Natal: se revelarmos que não existe é uma desilusão do caraças, e sabe-se lá o que pode fazer um povo desiludido. Ainda deixam de votar sempre nos mesmos e o fim do mundo é logo a seguir.

E a mim, quem me defende?

defende

Para nuestros hermanos de Atocha e para nós, governados por uma Troika… 

Escrevo ao correr da pena. Da pena a tingir a folha branca de preto, da pena a tingir o meu coração de luto. Hoje não consigo acudir aos meus santos padroeiros habituais,

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A PSP faz a festa, lança os foguetes e recolhe as canas

(A prova de que os provocadores já tinham actuado em Outubro)

Dúvidas? Já não há.

Polícias secos contra polícias enxugados

“Os dois cidadãos que surgem identificados na primeira fotografia são elementos policiais pertencentes à estrutura de investigação criminal da PSP, os quais estão integrados no policiamento que foi desencadeado por ocasião das manifestações sociais de 24NOV11.A sua missão neste tipo de contexto será o de garantir que o exercício do direito de manifestação por parte dos cidadãos faz-se de forma livre, sem quaisquer perturbações de elementos estranhos às organizações que as promovem, impedindo o cometimento de ilícitos criminais, preservando a segurança de todos os intervenientes. A fotografia surge no contexto da necessidade de reposição da ordem pública por parte do Corpo de Intervenção da PSP, no qual os próprios elementos policiais acabam por ser alvos da intervenção dos seus colegas, situação esta que é frequente (ex: policiamentos de futebol).”

Direcção Nacional da PSP ao JN

Polícias muito mentirosas

O Ministério Público esclareceu esta segunda-feira que o cidadão alemão detido na [Read more…]

Sem Tustos para o Utilizador

O utilizador do país, vulgo cidadão, é visto, na maior parte dos casos, como um mero contribuinte, isto é, como alguém cuja função é contribuir, alguém que deve pagar o que deve, a que se juntou uma outra obrigação: pagar o que não deve. Resultado: o utilizador não tem um tusto de seu.

Se o utilizador do país fosse visto como um trabalhador, um Américo Amorim, por exemplo, talvez tivesse direito também a receber, não só a contribuir. Porque o trabalhador, tradicionalmente, é visto como alguém que merece ser respeitado, alguém que está protegido da exploração, dos abusos.

Neste momento, o mercado de retalho alimentar está em contracção. Quer isto dizer que mensagem governamental de que é necessário cortar nas gorduras está a ser levada a sério pelos contribuintes?

As contas relativas às chamadas SCUTs levantam, também, algumas questões. Em primeiro lugar, estamos perante uma sigla sádica, a não ser que, agora, signifique “Sem Custos para o Trabalhador”. Depois, é sempre bom confirmar que o Estado pode aumentar os contributos dos contribuintes, aliviando-os de subsídios e outros excessos, mas nem pensar em renegociar os benefícios que os contratos garantem às concessionárias. Finalmente, vai ser engraçado descobrir que, com a introdução das portagens, o dinheiro que o Estado vai gastar com as SCUTs será o mesmo que já gastava, porque o utilizador, que não tem dinheiro para comer, dificilmente poderá pagar portagens ou combustíveis, a não ser que, por dever patriótico, comece a empurrar os carros em direcção aos pórticos.

O Novo disco de Amy Winehouse…

…que acaba de ser lançado, não é um disco novo, é um disco póstumo.

Dito desta forma parece uma contradição e uma mera afirmação do óbvio, mas não é bem assim porque se Amy Winehouse fosse viva não seria este o disco que faria. Quer dizer: não seriam estas canções (enfim, algumas), este alinhamento, estas versões.

Em devido tempo deixei aqui uma homenagem a Amy Winehouse, esse espectro oscilante que riscou brevemente o céu da música pop e da soul. Ainda não ouvi o disco, mas adivinho que não seja tão consequente como os anteriores. Imagino que seja uma espécie de exercício de corte e costura, uma manta de retalhos feita com o material disponível, com aquilo que iria estar no que seria o seu próximo disco e com o que não teve honras de caber em nenhum dos anteriores nem caberia nos futuros.

Haverá louvores dos incondicionais e críticas dos detratores. Haverá quem acuse os detentores dos direitos de fazer negócio a qualquer custo, dirão que se baixou a fasquia, dirão que o melhor, provavelmente, era não se ter feito nada. Não concordo. Amy Winehouse estava a iniciar um novo disco e não deixou assim uma obra tão vasta que os seus seguidores pudessem dispensar as gravações restantes.

No fundo, no fundo, é a última aparição de uma leoazinha periclitante – “Amy Winehouse Lioness: Hidden Treasures” – que passou a vida a desbaratar tesouros e a desafiar a morte  mas que, nalguns momentos, venceu. E convenceu(-me).

Xiribráqui

Xiribráqui não existe. Aliás, não existia até este preciso momento. O acto de referir uma não existência transformou uma inexistência em algo concreto. Podemos agora questionarmos sobre o que é xiribráqui, se tem cor ou cheiro, se será uma ideia ou um objecto. Ou simplesmente, podemos dizer que é algo inexistente, o que já é uma forma de lhe dar existência.

O euro tornou-se uma realidade há algum tempo e, contrariedades à parte, até recentemente ninguém colocou a hipótese dele alguma vez findar. Mas essa hipótese foi colocada na mesa, primeiro entre-dentes por várias pessoas, agora à boca cheia por Passos Coelho numa entrevista. A ideia do fim do euro ganhou forma e até ser realidade bastará um passo.

Xiribráqui é o fim do euro.

Portugal, o que é isso?

Tenho visto em diversos países como Portugal trata mal (ou simplesmente não trata) a sua afirmação externa.

Em muitos lugares Portugal não existe sequer, ou, se existe, deve-o a fenómenos pontuais como José Mourinho, Cristiano Ronaldo – o futebol, portanto -, a um ou outro escritor como Lobo Antunes ou Saramago, a um ou outro cantor ( lá está o fado), a um ou outro filme – a cultura portanto – e aos emigrantes portugueses – sendo que estes representam um fenómeno menos pontual.

O recente encerramento de parte da rede consular portuguesa e o despedimento de professores de português espalhados pela europa vem agravar este cenário, seja ao nível da afirmação externa, seja na ligação ao país e à língua  dos descendentes da emigração portuguesa, seja nas implicações comerciais futuras (os emigrantes e seus descendentes, além de consumidores de produtos portugueses “lá fora”, são e poderão ser excelentes “colocadores” destes produtos nos mercados em que se encontram).

Dir-me-ão que o país não tem dinheiro para luxos (luxos?), que os sacrifícios tocam a todos, etc e tal. Talvez, mas, de novo, parece-me que não se ponderou bem o deve e o haver. Acho que o que se poupa é inferior ao que se perde, além de malbaratar todo o trabalho anteriormente realizado e, nestes casos, descontinuar é regressar à estaca zero. Isto, admitindo que alguma vez se vai retomar o que agora se destrói.

O meu poema azul

adão cruz

Não sei fazer uma rosa nem me interessa não sei descer à cidade cantando nem é grande a pena minha.

 Não sei comer do prato dos outros nem quero não sei parar o fluir dos dias e das noites nem isso me apoquenta.

 Não sei recriar o brilho do poema azul…e isso dá-me vontade de morrer.

 Procuro para além das sílabas e dos versos a voz poderosa mais vizinha do silêncio o meu poema azul…o suspiro de Outono onde a brisa se aninha no breve silêncio do perfume do alecrim lugar das palavras e dos versos no caminho do teu rosto junto ao rio dos teus olhos onde a vida se faz poema e o mar se deita nos lençóis de luz do fim do dia.

 Procuro para lá das sílabas e dos versos encontrar meu barco à entrada do mar onde repousa teu corpo entre algas e maresia meu amor perdido num campo de violetas.

 O meu poema é tudo isto que me vive que me ilude que me prende ao lugar azul que procuro dia e noite por entre os versos do meu ser.

 O poema mais lindo da minha vida ainda não nasceu não tem asas nem olhos nem sentimento que o traga um dia o vento se vento houver que a saudade o encontre onde ele estiver.

 Dizem que no cimo dos pinheiros ainda é primavera mas tão alto não chego mais à mão molho a minha camisa primaveril no regato cristalino que vai correndo por entre os dedos num solo de cores e violino.

 Não sei colher uma rosa nem sei descer à cidade cantando sou apenas aquele que ontem dormia sobre um poema azul e das asas da ilusão se desprendia.

 Sou aquele que ontem se despia nos braços do poema que vivia sou aquele que ontem habitava em silêncio o poema azul que acontecia sou aquele que ontem sonhou em vão…com o poema azul de mais um dia.

Corrupção, o pasto dos “boys”

Não há ninguém, da esquerda à direita, que negue a necessidade de pagar o que se deve, falemos de países ou de pessoas. Existem, no entanto, algumas diferenças: há quem defenda que é necessário saber exactamente quanto se deve, que é importante saber que parte da dívida resulta de corrupção ou de incompetência e que é fundamental negociar, acto diferente de simplesmente aquiescer e que não se confunde com a recusa de pagar dívidas.

No Público de hoje, é possível ler uma reportagem de São José Almeida sobre a inexistência de “uma estratégia de prevenção e combate da corrupção em Portugal”. Trocando por miúdos, para quem tiver ou quiser ter dificuldades de leitura, isto quer dizer que não houve combate à corrupção e que tudo indica que continuará a não haver. A propósito, recomenda-se, entretanto, a visita a um blogue criado recentemente.

Convém não esquecer que a corrupção não é levada a cabo apenas por malfeitores façanhudos escondidos em caves suspeitas e fumarentas. Se assim fosse, seria fácil detectá-los. A corrupção está, também (e, provavelmente, sobretudo), no uso indevido que sucessivos governantes têm feito dos dinheiros públicos, mesmo que aos bois se lhes chame outros nomes. A vantagem de gastar mal o dinheiro dos outros é a de deixar a dívida exactamente para quem não o gastou.

É por essas e por muitas outras razões que concordo, em absoluto, com o conteúdo do “Apelo a Iniciativa Unitária por uma Auditoria à Dívida Portuguesa”. É claro que algumas pessoas mais sensíveis poderão ler a lista de subscritores e descobrir que aquilo está cheio de sindicalistas, comunistas, bloquistas e outros perigosos bombistas. No entanto, ó almas sensíveis, olhem, por um instante, para o conteúdo e esqueçam os mensageiros: não fará sentido saber se faz sentido todo este empobrecimento? Imaginem que se descobre que, afinal, não faz sentido.

Ingratos. não compreendem nada…

Miguel de Vasconcelos dixit

Tem havido certas acusações às minhas posições sobre a Europa, procurando colá-las à senhora Merkel, ou à Alemanha. Não é
verdade. (…) A nossa posição — não somos os unicos — é a de que
aqueles que foram indisciplinados devem — quando requerem a
solidariedade dos outros países — devolver essa solidariedade com
responsabilidade. Parece-me um contrato muito correcto. Ora como
a senhora Merkel tem insistido nesta matéria, em vez de colagem
há coincidência de posições, o que é diferente.

Passos Coelho

Hoje dá na net: As Aventuras de Tom Sawyer

As Aventuras de Tom Sawyer

As Aventuras de Tom Sawyer, filme de 1938, baseado no famoso livro The Adventures of Tom Sawyer de Mark Twain. Disponível para download (filme e legendas), com muito melhor qualidade do que a versão Yoututbe.

corrigido

O Aventar censura e protege governantes e políticos

Por FRANCISCO GOMES

1) Tendo ja submetido à censura do Aventar por DUAS vezes um comentario à conduta do Passos Coelho e seu governo com 11 itens, cujo titulo é “O NOVO CARGO MR (MOÇO DE RECADOS VEM SUBSTITUIR O ANTIGO CARGO DE PM (PRIMEIRO MINISTRO) e que foram publicados no seu mural e no do Cavaco e foi a partir de um destes que alguem o terá lido e que me deu a conhecer o Aventar e fiquei satisfeito por ter esta oportunidade. me parece a minha intervenção dura mas eficaz e justa e oportuna e necessaria nas criticas que faço mas com respeito, sem ofender nem insultar ninguem.nem difamando ninguem, nem dizendo mentira nenhuma, trata-se de um pensamento revoltado de tanta injustiça e incompetencia numa sequencia de governos com uma gestão destruidora da qualidade de vida dos portugueses. Sou médico, considero-me um privilegiado mas vivo intensamente e indignadamente o que se esta a fazer ao povo portugues com um objetivo claro de o neutralizar e o levar á pobreza, contrastando com
o
enriquecimento impune e constante dos politicos, por isso nada vejo de errado no mesmo e se quem faz a seleção tem uma intervenção de censura tão pesada e está precoupado em defender quem nos provoca e nos vai destruindo então o meu desejo de participar neste site se anula ja que este comentario não foi publicado por isso terá sido considerado como lixo ou ofensivo, quando não o é. Tem neste site publicações bem mais “agressivas” [Read more…]

Fotografia de Rua

A superioridade moral dos banqueiros

Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa na sua limousine quando viu dois homens à beira da estrada comendo erva. Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:
– Porque é que estais a comer erva…?
– Não temos dinheiro para comida, disse o pobre homem e por isso temos que comer erva.
– Bem, então venham à minha casa e eu lhes darei de comer – disse o banqueiro.
– Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.
– Que venham também – disse novamente o banqueiro. E, voltando-se para o outro homem, disse-lhe:
– Você também pode vir.
O homem, com uma voz muito sumida disse:
– Mas, senhor, eu também tenho mulher e seis filhos comigo!
– Pois que venham também – respondeu o banqueiro.
E entraram todos no enorme e luxuoso carro. Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:
– O senhor é muito bom… Obrigado por nos levar a todos.
O banqueiro respondeu:
– Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Ireis ficar encantados com a minha casa… A erva está com mais de 20 cm de altura!

“Quando achares que um banqueiro (ou banco) está a ajudar-te, não te iludas, pensa um pouco antes de aceitares qualquer acordo…”

anedota encontrada no facebook

IVA na cultura

Não tenho nada contra a cultura, até acho que a cultura, como a restauração, os artigos de vestuário e os refrigerantes (ou a Coca-Cola) deveriam estar sujeitos à taxa mínima, se possível isentos de IVA. Também sei que as receitas da cultura não devem representar muito em termos de receitas fiscais, talvez seja esta a principal razão de o Governo ter cedido, mas não percebo por que é que se criam exceções quando sabemos que há aumentos que serão bastante mais injustos e destrutivos para algumas famílias portuguesas.

Sei perfeitamente que estamos a atravessar um período em que a racionalidade e/ou a justiça das medidas não são os pontos de discussão mais importantes, mas impõe-se o mínimo de coerência.

A publicidade das atividades culturais já é patrocinada com o nosso dinheiro na televisão pública; os atores, realizadores e afins já têm tempo de antena mais do que suficiente para promoverem os seus espetáculos (o que não acontece com as outras áreas), por que motivo continua a haver tamanha descriminação positiva em relação a estas atividades?

Texto de João Pinto / Cortesia de Criticamente Falando

O valor do salário

No actual debate público em torno das políticas económicas e financeiras, quer em Portugal quer pela Zona Euro em geral, torna-se evidente que os ditames ideológicos do pensamento económico dominante, enquadram o salário com um mero custo. Por cá, chega-se mesmo a entender que fazem parte de gorduras a eliminar tanto quanto possível.

Esquece a lógica neo-liberal – para quem o lucro é sagrado e o mercado é tudo – que a saúde de qualquer economia se afere pela distribuição da riqueza que se concretiza pelos salários e pelos impostos. Uma economia com algumas grandes fortunas à custa de muitos assalariados remediados não é economia saudável: é escravatura contemporânea. [Read more…]