Slava Ukraini, mas só às vezes

“União Europeia já não depende dos combustíveis russos, garante Bruxelas”, leio num rodapé na SIC Notícias.

Ora aqui está um pedaço de notícia interessante e pouco esmiuçado. Aparentemente, não vale mais do que uma nota de rodapé.

É bom que Bruxelas não dependa dos produtos petrolíferos de Moscovo, mas…será que já não consome?

Luciano Barbosa, o já falecido e saudoso vocalista dos Repórter Estrábico diria “consome, consome”. E teria razão. [Read more…]

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 só existe para inglês ver

Efectivamente.

É super fácil:

Tributar os ricos para salvar o planeta

Antes de serem católicos, são humanos

Fui lendo e ouvindo, aqui e ali, que estes milhares de jovens que vieram ao nosso país para as Jornadas Mundiais da Juventude não são como os outros. Não são como os índios dos festivais de Verão, não são como as hordas de ingleses no Algarve, não são como os hooligans do futebol.

É claro que (também) são.

São muitos, são feitos da mesma matéria que os demais, e, entre tantos milhares, haverá uma larga maioria que por cá passará de forma civilizada. E uma minoria de arruaceiros, como as há nos festivais de Verão, no turismo de massas e nos estádios de futebol. Profissionais ou ocasionais. Antes de serem católicos, são humanos. [Read more…]

Geração criminosa

Tantas vezes me lembro de uma frase da saudosa Fernanda – a aventadora que nos enviava Bilhetes do Canadá e que nunca conheci pessoalmente, mas tanto me marcou. Escreveu-me a Fernanda, num dos emails em que contava coisas do passado, que não se orgulhava da sua geração. Estranhei muito aquela ideia. Primeiro porque o orgulho é um sentimento de que não gosto. E depois porque não me faz sentido identificar-me com uma geração em bloco, na qual, como em tudo o resto, há de tudo.

Mas pensar na nossa geração (ou não), se calhar, é uma questão de idade. E hoje percebo melhor a frase da Fernanda. [Read more…]

De como os professores estão a ser roubados

Oito falácias sobre a recuperação do tempo de serviço

Isaltino Morais e a censura do bem

A Câmara Municipal de Oeiras, liderada por esse cidadão e político icónico e exemplar que é Isaltino Morais, decidiu censurar este cartaz, violando, assim, a liberdade de expressão de um grupo de cidadãos que se decidiu manifestar desta forma. Com a total legitimidade que o Estado de Direito lhes garante.

Estranhamente, nada ouvi ou li ainda sobre socialismo, Venezuelas ou estalinismos, o que não me pareceu estranho. Isaltino cometeu crimes, pagou por eles na prisão e agora está, como sabemos, reabilitado. Um cidadão exemplar, renascido e reeleito. De maneira que, em princípio, foi censura do bem.

Este acto de censura, contudo, foi uma das coisas mais palermas que vi desde o início das Jornadas Mundiais da Juventude. Porque ao invés de abafar a iniciativa, deu-lhe ainda mais visibilidade, garantindo-lhe a cobertura mediática que não tinha. Uma proeza, considerando que o jornalismo monotemático atingiu, por estes dias, o zénite.

E o que sucede?

Sucede que, terminado o chinfrim, e dado o destaque mediático a um caso que só o era no Twitter, em parte da bolha de Lisboa e pouco mais, a CM de Oeiras restituiu o cartaz. O milagre da reposição da liberdade de expressão. Jesus no comando é isto.

Jesus é fixe

Absolutamente nada me move contra a realização das Jornadas Mundiais da Juventude em Portugal. E digo em Portugal porque o evento pode ser em Lisboa, e de facto é tudo lá, mas boa parte dos concelhos portugueses estiveram a abarrotar de jovens em festa nos últimos dias. O meu, a Trofa, foi um deles. Mas sim, já sabemos que centralismo e tal. Portugal não deixou de ser Portugal por ter cá as JMJ.

Em todo o caso, se é para fazer a festa, sou a favor. E os jovens católicos tem tanto direito de a fazer como os neohipsters do Primavera Sound ou os nómadas digitais da WebSummit.

Chateia-me a parte do investimento público.

Não por existir, mas por ser megalómano e pelas várias camadas de ajustes directos travessos, de São Bento à mais pequena das autarquias. De forma bastante descontrolada e opaca, alertou a Transparência e Integridade, mas que se lixe, porque sempre foi assim e não vai ser agora que vai mudar. Resignemo-nos, como sempre fazemos, que os brandos costumes não se vão perpetuar no tempo sozinhos.

Dizem que o certame traz retorno. E talvez traga. Mas é possível que esse retorno só chegue às mãos de dúzia e meia de suspeitos do costume. A enchente será fora de série, disso não há dúvidas, mas pelos vistos nem a hotelaria de Lisboa está com ocupação máxima. A ver vamos. Fingers crossed.

Mesmo assim, chateia-me também esta irritação desproporcionada com os jovens católicos, que têm andado por aí a fazer a sua festa. Porquê? Fizeram mal a alguém? Andaram a partir tudo em algum lado, tipo putos ingleses em Albufeira? Assaltaram pessoas? Puseram-se ao estouro no meio da rua com outros transeuntes?

Não?

Então deixem-nos celebrar a cena deles em paz e sossego, e se quereis pedir contas a alguém, talvez faça mais sentido pedir aos tipos que adiaram os trabalhos, gastaram mal gasto e usaram o evento para fazer as mesmas maroscas que já fazem durante o resto do ano. Jesus era um tipo fixe, até partiu as bancas aos vendilhões do templo e tudo. E estes miúdos não são responsáveis por escândalos de pedofilia. Já os méritos da má despesa pública, esses, vão todos para a mesma malta que nos deu a Expo98 e o Euro 2004.

Para quem governa o Ministério da Sáude?

A luta dos médicos pela dignidade da sua profissão e em defesa do Serviço Nacional de Saúde tem-se feito sentir de muitas maneiras. Desde logo pelas greves, que começaram em março, e voltaram mesmo durante a JMJ, sempre com adesões muito expressivas, mas também pela surpresa e significado de várias mobilizações. É igualmente visível no chão de cada serviço hospitalar, urgência e centro de saúde, onde cada vez mais médicos se recusam a ultrapassar o limite legal das 150 horas extraordinárias, deixando a nu a evidência de que faltam médicos ao SNS. Face a tudo isto e à unidade da classe em defesa do SNS, face ao baixo valor financeiro que as reivindicações laborais implicam, face ao evidente apoio da generalidade da opinião pública, alguém arrisca adivinhar para quem governa o Ministério da Saúde?

A teoria do eterno retorno e o mexilhão

Em Portugal, não há propriamente organização de grandes eventos, há grandes eventos sem organização. A norma é a derrapagem orçamental ou a feitura em cima do joelho, duas acções tantas vezes relacionadas, especialmente quando os dinheiros públicos estão envolvidos.

Os dinheiros públicos têm, para quem os gere, a grande vantagem de saírem da carteira de muita gente. As dívidas podem ser contraídas hoje e pagas pela gerência seguinte, que, como é costume, irá queixar-se da gerência cessante. Apesar de ser tudo feito em cima do joelho, nunca é o joelho que sofre, é o mexilhão, o molusco que paga sempre as dívidas que não contraiu e cujo salário mal dá para mexilhão.

Sempre que se (des)organiza um grande evento, no entanto, os que criam dívidas em nome do mexilhão garantem sempre que o dito evento, depois das derrapagens e da instabilidade do joelho, irá trazer retorno.

Ele é o retorno em noites de hotelaria, em litros de cerveja, em reservas de mesas, em taxas, em criação de empregos. No papel, as fortunas que se gastam nos grandes eventos são sempre ínfimas quando comparadas com os lucros que virão, o tal retorno, o milagre da multiplicação das notas que foram muitas e regressarão acompanhadas por muitas outras. [Read more…]

Obrigado, Navegadoras!

Fizeram história ao apurar-se para o Mundial, sucumbiram ao peso da inexperiência, mas bateram-se como as melhores entre as melhores e mais não se lhes podia exigir. O empate frente aos EUA, uma das selecções mais poderosas em competição, poderia muito bem ter terminado numa surpreendente vitória, não fosse o poste meter-se no caminho. Não obstante, foram enormes. E deixam em aberto um futuro promissor para a modalidade.

Respeito máximo, Navegadoras. Muito obrigado!

Turismo premium por low-cost…

 

Lisboa é por estes dias uma cidade cosmopolita, pressionada por elevada procura de turistas que nos visitam e contribuem fortemente para o PIB. São argumentos que todos já ouvimos até à exaustão. Agosto é por excelência o mês de época alta do turismo em Portugal, com os preços mais elevados do ano. O centro histórico de Lisboa, onde se incluem o Marquês de Pombal, Av. da Liberdade e Baixa pombalina, é obviamente incontornável para esta actividade económica. [Read more…]

Portugal em mau estado

FMV, 31 de Julho de 2023
(algures, na N385)

Assim, sim:

Feijóo quer reunir-se com Sánchez para que viabilize o seu Governo em Espanha“. Assim, não: “Durão Barroso vai casar em jJulho“.

Dia de Sobrecarga da Terra e terrorismo

„2 de agosto é o Dia de Sobrecarga da Terra deste ano, isto é, o dia no qual se esgotam os recursos naturais que o planeta consegue renovar numa volta ao Sol. Para chegar ao final do ano, havemos de gastar os recursos equivalentes a 1,7 Terras. Todos os anos desde que a estatística é calculada pela organização Global Footprint Network, a data vai-se antecipando a um ritmo lento — em 1971, o Dia de Sobrecarga foi a 25 de dezembro.

Todos os anos abusamos mais do Planeta até ao colapso. Abusamos? Quem é que abusa? Os ricos em primeiro lugar. O 1%, os 10%, os abastados de cada país. Os pobres poderiam gastar mais alguns recursos sem abusarem do Planeta. Especialmente os países do Sul global.

É inadmissível e imoral andarem ricaços em SUVs, topos de gama, iates, resorts e toda essa espécie de supostas luxuosidades a açambarcarem recursos e a produzir CO2 acima do que lhes cabe. E um exército de neoliberais a proclamar que o direito ao luxo é um direito humano. E governos cobardes e vendidos a dar aos ricos direitos e isenções especiais à custa do bem comum e a tudo submeterem a um mercado dominado pelo sector financeiro.

Extinction Rebellion é o nível mínimo de ataque adequado aos terroristas do Planeta e da Vida.

P.S. “Um estudo da Oxfam conclui: um bilionário é tão prejudicial para o clima como um milhão de pessoas” #TaxtheRich

Lagarde: uma opção muito cara

Madame Inflação
Lagarde de Luxo empobrece poupadores e pensionistas

Eu não faço a mínima ideia qual é o salário de Lagarde e da sua equipa, mas não deve andar longe do meu salário de sonho. E sendo assim, não posso deixar de considerar esse custo como um autêntico desperdício porque tendo em conta o “elevadíssimo” nível de sofisticação técnica que desde sempre demonstrou (demonstraram), saía muito mais barato substituí-la por um simples aparelho. E nem precisava de ser algo como um super-computador ou qualquer coisa com inteligência artificial. Bastava um “spectrum” (para quem não sabe o que é: “googlem”).

Normalmente considera-se a crise de 1980 como a primeira crise inflacionista com semelhanças com aquela que agora vivemos. E qual foi a principal resposta dos supervisores financeiros? A subida das taxas de juro. Isto é, em quase 50 anos, a eficiência e a competência do sistema financeiro, evoluíram zero. O que Lagarde faz, está escrito há muito. Não implica qualquer genialidade ou qualquer brilhantismo particular que a distinga. Então se falarmos de inovação ou de rasgo científico, a única forma de os medir é na proporção inversa da subida das taxas de juro.

O que ela faz, podia ser feito por um pequenito computador onde se introduziram os dados da inflação e em micro-segundos, “pimba”, aparecia no ecrã em letras garrafais e a “bold”: subir as taxas de juro em X pontos percentuais! Podia ou não ser acompanhado do som de uma sirene. Saía muito mais barato e até a irritação que a sirene nos poderia causar era menor que a repugnância que se sente ao ouvir aquele exasperante tom de sobranceria e de condescendência que define a voz de Lagarde.

Pior, esta incompetência, esta pequenez de perspectiva, esta total falta de empatia humana que a definem, não são de agora. Este “robot” caríssimo (mais pela miséria que provoca que, propriamente, pela folha salarial) sempre foi assim. Na altura em que liderava o FMI era exactamente o que é agora. E com o mesmo grau de “erudição”. Crise orçamental, austeridade. Estão a ver o famoso “computadorzito” a trabalhar em vez dela, não estão? Introduzia-se o valor do défice orçamental e, “pimba”, lá aparecia o aviso: austeridade. “Prontos”, tiramos a sirene porque para o caso é algo de supérfluo. E superfluidades são coisas que não condizem com a filosofia de frugalidade que Lagarde apregoa, mas que, curiosamente, não cumpre pessoalmente.

Se o grau de evolução científica que os “sábios” da economia (como Lagarde) demonstram, fosse aplicado a outras áreas, enfim, imaginem. Basta regressar aos anos 80. E talvez consigam perceber o nível de anacronismo que este BCE revela.

Obviamente que a isto, é completamente alheio o “jeitaço” que a inflação dá ao sistema bancário. Porque se em tempos maus, não têm qualquer pejo nem vergonha em nos pedir ajuda, ainda por cima, sob a camuflada ameaça do eventual colapso do sistema, nos tempos de “vacas gordas”, é vê-los a baixar o “spread” para aconchegar os seus Clientes, é vê-los a prescindir da autêntica “ladroagem” que as taxas e taxinhas que criaram, representam ou a subir exponencialmente a remuneração dos depósitos. Não? Não me digam que os bancos não estão a fazer isto? Não pode ser. Isso transformava-os automaticamente em instituições sem qualquer credibilidade, dignidade ou sequer idoneidade. Isso colocava-os imediatamente ao nível de um qualquer “agiota de esquina” que, infelizmente, nestes tempos, pululam por aí. A diferença é que os “bancários” têm “estaminés” mais elaborados, usam gravata e falam sempre de modo (ultra) afectado.

E não. Isto não se resolve com proibições. Como qualquer esquerdista de “bem” que leia estas linhas, irá infalível e raivosamente sugerir. Isto resolve-se com liberdade. Mais liberdade. O mercado reage inevitavelmente. E se a oferta não serve a procura, forçosamente surgirão novas propostas que se adequem às necessidades dos consumidores. Não podem é serem impedidas de existir pelo monopólio do cartel bancário

Serviço público: a lição de demagogia de Miguel Pinto Luz

No rescaldo das eleições espanholas, que tem como desfecho mais provável a repetição do sufrágio, uma boa parte da direita portuguesa viajou no tempo, até 2015, e perdeu-se na boa velha ignorância sobre o funcionamento da democracia representativa. Ou então, influenciada pelos seus novos potenciais parceiros, deixou-se levar pelo populismo mais básico e infantil.

E porque chora essa direita?

Chora porque os seus amigos do PP venceram as eleições, mas não têm uma maioria para governar. Apesar do contributo dos neofranquistas do Vox.

É uma daquelas coisas chatas da democracia representativa: não governa quem fica à frente. Governa quem tem maioria no Parlamento. Porque são deputados que se elegem em Legislativas, não governos.

Aliás, não existe eleição alguma, em Espanha ou Portugal, para eleger um governo. Os governos, cá como lá, são uma emanação da arquitectura parlamentar. Governa quem consegue apoio maioritário para ser investido, no hemiciclo ou nas cortes.

E de pouco interessa, caras pessoas, se existem “pessoas que acham que votam em governos”. Também existem pessoas que acham que podem estacionar em cima do passeio, que o fazem impunemente, mas isso não as livra de levar uma multa. Mesmo que seja a primeira vez. [Read more…]

O dia em que Sinead O’Connor enfrentou os pedófilos da Igreja Católica

O ano é 1995 e eu estou a ver a final do Chuva de Estrelas. Entre músicas mais ou menos conhecidas para um miúdo de 10, 11 anos, aquela Nothing Compares 2 U bateu-me por ter uma sonoridade totalmente diferente daquilo que a rádio e os 4 canais de TV tinham para oferecer a um jovem com acesso limitado à imensidão do mundo da música. Foi o dia em que Inês Santos me deu a conhecer Sinead O’Connor.

Não sou o maior fã da sua música, devo confessar, mas aquela actuação e aquela música nunca mais me saíram da cabeça. Essa e a Wuthering Heights, de Kate Bush, interpretada por Jessi Leal, que venceria o concurso dois anos mais tarde. E pelos mesmos motivos.

Mais do que a sua música, marcou-me um episódio de 1992, que só conheci muitos anos mais tarde. Em directo no Saturday Night Live, Sinead O’Connor rasgou uma foto de João Paulo II, em protesto contra os abusos sexuais na Igreja Católica, que a instituição ainda negava. Pagou cara a ousadia, mas conseguiu atenção global para o escândalo, num tempo em que não se viralizavam causas na internet. Não se ia lá com dancinhas da moda. [Read more…]

The devil, himself

Mick Jagger, 80 anos, hoje.

 

O gato que ri

Para quem quer andar informado, aguentar a deplorável qualidade da informação televisiva em Portugal é um desafio permanente. Notícias sem enquadramento, sem aprofundamento, enviesadas, uso e abuso de comentadores mal preparados (e a maioria das vezes com uma postura pretensiosa difícil de aguentar), moderadores focados na superficialidade, a exclusão sistemática das problemáticas ambiental e climática, enfim, é mau, mau, mau. E o afogamento a que uma pessoa se sujeita em mares de publicidade de supostos produtos “must” – como SUVs para andar em cidades engarrafadas e poluídas – torna a coisa intolerável.

Só mesmo isto me faz ter uma ligeira compreensão para o facto de a grande maioria dos portugueses (e não estou a falar dos que vivem na pobreza) ignorarem até ao grau patológico uma coisa a que se chama “alterações climáticas” e que está aceleradamente a destruir o planeta.

Entre governantes PIB-dependentes (como se o PIB dissesse alguma coisa sobre o nível de vida das pessoas!) que, para assegurarem tudo o que é negócios chorudos para alguns, legislam contra o ambiente (Simplex Ambiental) e vendem o país ao desbarato, sempre omitindo as externalidades, até a uma população à qual nem passa pela cabeça diminuir o consumo de carne, vive-se em esquizofrenia total neste jardim à beira-mar plantado. [Read more…]

Em Israel, a autocracia consolida-se

uma política externa digna de um regime totalitário não é suficiente. Netanyahu e os seus extermistas querem acabar com a separação dos poderes. E estão a consegui-lo.

Ser menos mau? Podia, mas vindo do Câmara Corporativa……

Sobre o actual Ministro da Cultura, já aqui , aqui e aqui tinha escrito.  Muito mais haveria a dizer, nomeadamente quando fala (mente) sobre a área do Património Cultural.

Transcrevo David Ferreira no programa “David Ferreira …..a contar consigo” de dia 22, na Antena 1.

O Pedro Adão e Silva até poderia ser um Ministro menos mau, dificilmente ele seria bom, porque vem de outras áreas, da sociologia e do comentário político, e portanto não traz consigo a solidez do pensamento estruturado e reflectido da cultura, mas poderia ser menos mau, e depois da Graça Fonseca já ficávamos a ganhar e muito. Ele parece interessar-se genuinamente pela cultura, e tem uma capacidade de trabalho que não tinham outras pessoas que passaram pelo Ministério da Cultura e pela vereação da Cultura na Câmara de Lisboa, por exemplo. O problema dele, e neste caso vê-se, está na superficialidade e nas ganas de ir a todas, rebaixando-se  a moço de fretes do 1º. Ministro, repetindo as ideias do chefe, quer no desprezo pelo Parlamento, quer no espantoso elogio da maioria silenciosa, imagine-se, o tabu do povo português, que não partilha das preocupações dos malandros dos jornalistas. E é pena. Pena porque por este andar ainda não é desta que vamos ter um Ministro da Cultura.”

Está tudo dito.

Iniciativa Liberal, partido de protesto

Quando Lula veio a Portugal, o lado mais juvenil da Iniciativa Liberal veio à tona e deixou clara a sua natureza de partido de protesto. Não há nada de depreciativo nesta avaliação. Ser um partido de protesto é tão legítimo como ser um partido de poder. E tende até a causar menos dano à nação.

No entanto, esta semana, os liberais portugueses regressaram ao jardim de infância, a propósito da vinda do presidente cubano a Portugal. Mostraram, sem rodeios, que as suas motivações ideológicas se sobrepõem à diplomacia. Uma vez mais, nada contra. A IL existe num país livre e democrático e tem todo o direito de se exprimir e agir como bem entender. [Read more…]

Alberto Nuñez Feijoó: no iate com o narcotraficante Marcial Dorado

São coisas que acontecem quando há eleições estão à porta. Casos, casinhos e casões que visam destruir a credibilidade dos candidatos. E percebe-se a urgência da oposição à esquerda em tentar destruir Alberto Nuñez Feijoó. Basta olhar para as sondagens e para a viragem à direita que se adivinha no país vizinho.

Mas a verdade é que, para quem se apregoa conservador, dos bons costumes e das pessoas de bem, ter uma relação de proximidade com um traficante de droga acusado de branqueamento de capitais é capaz de não ser lá muito abonatório para o líder do PP. A foto tem 30 anos, mas até podia ter 100. Porque Feijoó já exercia cargos públicos e toda a Galiza sabia quem era Dorado.

Ocorreu-me logo outro político, do mesmo segmento ideológico, outrora unha e carne com um banqueiro, mais ou menos equiparado a narcotraficante, que o levava ao Estoril Open e a passear de iate, como resto Marcial Dorado levou Feijoó na década de 90. Coincidências.

Dia mau no Reino Totalitário e Unipessoal de André Ventura

CH obrigado a reintegrar José Dias, militante e fundador do partido, expulso por invocar o santo nome do Bolsonaro da Wish em vão.

Entretanto, no Kremlin de Telavive

O plano para suprimir a separação de poderes e submeter a justiça à vontade de Netanyahu e dos extremistas religiosos e neofascistas que integram o seu governo segue imparável. Já não lhes chega ser uma autocracia no plano externo. A democracia é para abater. Estão cada vez mais parecidos com os seus vizinhos (e agora amigos) sauditas.

Morto.

Fotografia: José Coelho/Agência Lusa

O presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP) nem sempre foi Presidente da Câmara. Isto é, não nasceu para ser presidente, o que contraria a faixa mais tocada no cd dos neo-liberais: a do mérito. Na verdade, ainda ninguém percebeu bem qual o principal talento de Rui Moreira: estudou nos melhores colégios privados do Porto, estudou em Londres na Universidade de Greenwich e, sabe-se, depois disso nunca teve de enviar um CV na vida.

Rui Moreira foi, durante anos, presidente da Associação Comercial do Porto (ACP). Antes, foi um reputado empresário do sector imobiliário. O que, tendo em conta essa reputação, tornava lógica a sua presidência na ACP (e haveria de tornar lógico, mais à frente, o seu reinado enquanto presidente da Câmara Municipal, mas já lá vamos). Fora isto, poucos o conheciam.

Mas haveriam de vir a conhecer. Este filho e neto de Condes e Viscondes, haveria de se notabilizar por conta do comentário desportivo (olha quem!). Durante anos, foi o comentador afecto ao FC Porto no programa da RTP3 “Trio d’Ataque”, onde fazia a defesa acérrima daqueles que, há décadas, andam a usurpar o clube (aqueles que, sabia e sabe Moreira, lhe davam e continuariam a dar, também, a credibilidade que ele nunca teve). Aqui entra o FC Porto: o projecto mais apetecível para o empresário Rui. O comentador Rui Moreira, que abandonou o programa “Trio d’Ataque” em directo por, simplesmente, ter recebido uma opinião contraditória àquela que era a narrativa que este tentava fazer passar, foi subindo degraus e passou a ser “o cavaleiro-mor na defesa dos corruptos da direcção”, ao invés d’”o choninhas que comenta umas coisas sobre penáltis no canal público”. Estava dado o mote: Moreira haveria de ser, um dia, tudo aquilo que ambicionou. E o FC Porto há-de ser, daqui a uns anos, o último degrau. 

Rui Moreira no programa “Trio d’Ataque”.

Trocou o blazer de bombazina gasto à lá “tio liberal fixe da Foz” pelo fato completo à lá “tecnocrata dos gabinetes” e fez-se à vida. Empoleirado nos conhecimentos que fez enquanto presidente da ACP e nos amigos que tem no FC Porto, candidatou-se como independente à CMP com o apoio do CDS-PP e… venceu… três vezes. Ao CDS-PP juntaram-se outros projectistas do Porto como bem comercial, como a IL. O antigo mero comentador de um programa de comentário desportivo estava, agora, no lugar mais alto que ambicionou até então: era, agora, o Rei-mor do Porto. E restaurou o Porto à sua imagem, levando consigo os primeiros anos deste seu percurso. [Read more…]

Rui Rio: o banho de ética segue dentro de momentos

Continuo a suspeitar que Rui Rio foi alvo de buscas por motivos algo nebulosos. E subscrevo a sua insistência na urgência de reformar a justiça, combater a violação do segredo de justiça e acabar com o terceiro-mundismo das televisões que chegam a locais de buscas antes mesmo das autoridades. Sob pena de ser entendida mais uma passadeira vermelha à extrema-direita.

Nada disso mudou.

Acontece que o Observador, o OCS mais insuspeito de fazer fretes à esquerda, sobretudo ao PS, noticiou hoje que, afinal, Rio demorou 3 horas a abrir as portas aos inspectores. E que, afinal, as televisões só aparentemente chegaram lá antes das autoridades. O que aconteceu, alega o Observador, foi que o próprio Rui Rio só abriu a porta quando a TVI lá chegou. [Read more…]

Pedro Abrunhosa, sobre o encerramento do STOP

O STOP e a cidade que queremos construir“, artigo aberto, no Público.

O comunismo e o capitalismo entram num bar, de mãos dadas

e o nome do bar é Altice.