Diz que é uma espécie de racismo

racismo|rà|
(ra·cis·mo)

nome masculino
  1. Teoria que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país ou região (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria.
  2. Atitude ou comportamento sistematicamente hostil, discriminatório ou opressivo em relação a uma pessoa ou a um grupo de pessoas com base na sua origem étnica ou racial, em particular quando pertencem a uma minoria ou a uma comunidade marginalizada.

Uma caricatura de António Costa com nariz de porco e dois lápis espetados nos olhos não parece encaixar nesta definição. Encaixa na definição de insulto, eventualmente na de mau gosto, dependendo dos gostos de cada um, mas não na definição de racismo. Talvez a máquina de propaganda do PS tenha outra. Mas esta relação simbiótica com a extrema-direita já está para lá de ridícula.

Os traidores não têm pátria!

 

10 de Junho, dia de Portugal.

Local – Peso da Régua, cidade pombalina, cujos autarcas (o actual é do PSD) não sabem o que é nem o que significa.

Presidente da Comissão Organizadora – Nicolau de Almeida, enólogo, dispensa apresentações.

Douro – um bem inscrito na lista da UNESCO como Património Mundial. 

Vinhos do Douro e vinho do Porto – activos valiosos do país.

Casa do Douro – a casa dos lavradores do Douro

Áreas da governação – Agricultura, Cultura, Economia, e Território, pelo menos.

Ausentes no Peso da Régua – Ministra da Agricultura (Maria do Céu Antunes), Ministro da Cultura (Pedro Adão e Silva), Ministro da Economia (Costa e Silva), e Ministra da Coesão Territorial (Ana Abrunhosa).

Como qualificar estes Ministros? Dizermos que não tem vergonha na cara é pouco! 

O que mereciam?

Da Lei da Morte Libertando

Sportswashing lava mais branco

Mohammed bin Salman é o novo Vladimir Putin, imparável a comprar o Ocidente com petrodólares vermelho-sangue. Tenho pena de ver o Cristiano Ronaldo ser pioneiro no sportswashing do totalitarismo saudita, só comparável à Coreia do Norte em termos de repressão, e mal posso esperar para conhecer os argumentos dos hipócritas, no dia em que a narrativa fizer com ele o mesmo que fez com Putin, após duas décadas a branquear os seus crimes.

A Bíblia é pornográfica, disse o talibã cristão

A multiplicação dos doidos do cancelamento segue imparável.

No Estado do Utah, a Bíblia foi banida de todas as bibliotecas de escolas de primeiro e segundo ciclo por estar “cheia de sexo”. O argumento do pai peticionário chega a afirmar que:

[A Bíblia] não tem valores sérios para menores, porque é pornográfica, segundo a nova versão.

Pornográfica.

Por-no-grá-fi-ca.

A extrema-direita e os fundamentalistas religiosos metem os wokes no bolso das moedas. Fácil.

Grande Entrevista: Noam Chomsky

Efectivamente.

Certificados de aforro: o cartel é quem mais ordena

Coube a João Nuno Mendes, Secretário de Estado das Finanças, a árdua tarefa de vir a público garantir ter havido “zero pressão” da banca no cancelamento da série E dos certificados de aforro, que remunerava até 3,5%.

No início achei estranho, dado que, dias antes, ouvi o antigo presidente do IGCP, hoje presidente do Banco CTT, defender a suspensão da emissão de certificados de aforro, que o governo, solícito, cancelou quatro dias depois, na passada Sexta-feira.

Depois ocorreu-me tratar-se do mesmo secretário de Estado que soube da indemnização de Alexandra Reis pela comunicação social e pensei: coitado, mais um infoexcluído.

Adiante. [Read more…]

Uma Europa Social como prioridade

mais um excelente artigo de Teresa Violante, no Expresso, sobre as prioridades esquecidas de uma Europa à beira do precipício.

Os Putins de Israel fazem pinkwashing em Portugal

é ler o artigo de hoje da Carmo Afonso, no Público.

O que será

um “espetador médio”? E porquê?

Nem só de *fatos e *contatos se vive no Diário da República

Aucun énoncé pris en lui-même (sauf, bien sûr, s’il appartient à un metalangage) ne peut remplir la signification d’adverbes comme «aujourd’hui », «demain », « ici », de pronoms comme « je » et « tu », de formes comme le présent de l’indicatif, d’un verbe aux deux premières personnes.
— Michel Foucault (2023: 22)

L’histoire s’écrit désormais depuis la partie occidentale de l’Amérique, qui voit s’éloigner d’elle « l’Europe aux anciens parapets », pour la nommer avec les mots de Rimbaud, à la vitesse d’un corbillard emballé».
— Michel Onfray (2023: 377)

***

Todos conhecerão o “agora facto é igual a fato (de roupa)” e saberão que o autor anda há anos a fugir com o rabo à seringa, ajudado pela conivência de uma comunicação social portuguesa apática, sorridente e serena. Alguns ter-se-ão mesmo aventurado pelos labirintos da veracidade dos fatos e dos contatos e do contato social (e outros contatos).

Por seu turno, a seção é um elemento igualmente presente no imaginário dos deputados portugueses (pdf), dos leitores do Aventar, dos leitores do Público e até, imagine-se, da comunidade portuguesa na Bélgicaefectivamente.

E hoje, dia 6 de Junho de 2023, tudo continua exactamente na mesma:

A culpa disto não é minha. A culpa é de quem anda há imensos anos a alimentar, a comentar, a perder-se em (e a fazer-nos perder tempo com) «“casos e casinhos”, “horas e horinhas”, e outros “inhos” deprimentes», em vez de:

  1. Assumir que criou um problema grave
  2. Resolver o problema.

Até breve.

***

“Começaste por dar um rico exemplo…”

Nos inícios de carreira, o meu pai, que partilhava um gabinete de arquitectura com outros colegas, decidiu forrar de novo a prancha do seu estirador, com o seu habitual meticuloso cuidado.

Dava gosto ver aquele forro liso, imaculado, de vincos e dobras perfeitos, a contrastar com os estiradores dos demais colegas, já cheios de esquissos, apontamentos, contas e outras anotações sarrabiscadas.

De modo a evitar que o mesmo se passasse naquele primor de forro acabado de fazer, colocou no canto superior direito o seguinte aviso: “É favor não escrever neste forro”.

No dia seguinte, quando se sentou frente ao trabalho, apercebeu-se do seguinte escrito, logo abaixo do predito aviso: “Começaste por dar um rico exemplo…”.

Lembrei-me deste episódio, que o meu pai contava com um sorriso próprio de quem aprecia o humor, mesmo quando se é o alvo, quando este fim-de-semana ouvi António Costa dizer que os políticos têm de respeitar a maioria absoluta conferida pelo povo ao PS. [Read more…]

Quem destruiu a barragem de Nova Kakhovka?

O ataque à barragem de Nova Kakhovka, na zona de Kherson, não parece ter cabimento na estratégia russa. Por grotesco e desumano que o regime de Putin seja – e é – tem muito mais a perder do que a ganhar porque a Crimeia será uma das zonas mais afectadas. E tudo o que o Kremlin menos precisa é de mais um foco de tensão no território ucraniano ocupado.

Isto traz-me à memória o atentado contra o Nord Stream 2. Inicialmente a narrativa oficial do Ocidente assentou na garantia absoluta de que o atentado teria sido conduzido por Moscovo. Hoje, a versão oficial fala num grupo de rebeldes ucranianos, mas todos sabemos que está por trás do ataque. Estaremos perante um novo embuste?

Não falha

Se acaso encontramos um conhecido a almoçar num daqueles restaurantes onde se come bem por pouco dinheiro, e de cuja recente descoberta ainda estamos orgulhosos, é certo que quando, um pouco magoados por ele nos nunca ter dito nada, mas capazes de pôr o ressentimento de lado em nome da camaradagem fraterna, nos debruçamos sobre a mesa e lhe perguntamos, muito cúmplices:

Este restaurante é bom, não é?

Ele, muito português, comedido nos entusiasmos, sempre desejoso de mostrar mundo e experiência, invariavelmente nos responderá:

Já foi melhor…

Afinal, a Ponte Almeida Garrett vai chamar-se

Ponte Dona Antónia Ferreira“. Mas o nome que ganhou foi “Ponte da Ferreirinha“. “Vontade popular”? “Pela população”? Como diria Krugman, yuk-yuk-yuk, hahaha.

Foto: FMV, 26/05/2023

UE-Mercosul, mais um prego no caixão

Desde que Lula foi eleito, enorme tem sido a azáfama para empurrar para a frente o acordo de livre comércio UE-Mercosul. Depois de ter estado em negociação durante 20 anos, foi, em 2019, assinado um “acordo de princípio” que voltou a ser congelado sobretudo devido aos desvarios de Bolsonaro. Mas agora os ventos estão de feição e a torto e a direito são esgrimidos os argumentos da geoestratégica e do negócio. Durante a visita de Lula a Portugal, António Costa garantiu que Portugal será “ponta de lança” para conclusão do acordo.

Este acordo é “absolutamente estratégico” para Portugal, ao permitir “melhores oportunidades” para aumentar as relações comerciais entre os dois países.”

Como de costume, as oportunidades de negócio são o único critério válido para os governantes. O empenho na concretização desde acordo conhecido por “carros por carne” está no auge. Ainda há arestas por limar, pois os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) não acharam graça nenhuma ao “Instrumento Conjunto UE-Mercosul” que a Comissão Europeia quer anexar ao articulado do acordo, para proteger aspectos ambientais (sem carácter executório). E em especial o Brasil – depois da viagem de charme de Lula a Portugal e Espanha – já anunciou que abrir as compras públicas aos investidores estrangeiros não, obrigado. E muito bem.

Entretanto a Comissão já tirou da cartola ideias democráticas como dividir o acordo em dois, para fazer passar a parte comercial sem necessidade do “sim” dos parlamentos nacionais. Aliás, o secretismo em que as diligências decorrem é tudo menos democrático. Em Julho (17 e 18), aquando da Cimeira UE-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), pretendem as partes chegar a acordo. [Read more…]

Viva o Benfica!

«Feira do Livro de Lisboa prolongada “por causa das comemorações do Benfica”».

Com o AO90, até as consoantes mudas falam!

Recentemente, um aluno de nacionalidade portuguesa pronunciou a palavra “concepção” articulando o /p/. Aproveitei a circunstância e fiz uma pequena sondagem à turma – a maioria dos alunos, para meu espanto, declarou que pronunciava do mesmo modo.

Os três alunos brasileiros não estranharam, porque isso corresponde, em parte, à sua pronúncia, sendo que acrescentam um /i/ de ligação a seguir ao /p/.

Ao longo das últimas décadas, a palavra, em Portugal, foi sempre (ou quase sempre) pronunciada sem a articulação do /p/ (kõsɛˈsɐ̃w̃ – concèção), sendo que essa consoante tinha, entre outras funções, a de obrigar à abertura da vogal pretónica.

O chamado acordo ortográfico (AO90) estipulou a eliminação dessas consoantes mudas, em nome da unificação ortográfica. Assim, em Portugal, passou a escrever-se “conceção”, enquanto, no Brasil, se manteve “concepção”, de acordo com a regra estapafúrdia (porque limitada) de que devemos escrever de acordo com a pronunciação. Em resumo: graças ao esforço de unificação ortográfica, portugueses e brasileiros passaram a escrever a mesma palavra de maneira diferente, quando antes escreviam da mesma maneira. Sim, unificação ortográfica. [Read more…]

Operação Babel: e a vossa autarquia, também recebeu investimento de Elad Dror e Paulo Malafaia??

Em Gaia, o novo caso de alegada corrupção autárquica resume-se a isto: Patrocínio Azevedo, nº2 de Eduardo Vítor Rodrigues e apontado como o seu sucessor, terá recebido 99,6 mil euros e um relógio de luxo para “encontrar uma solução” para que o novo traçado da linha de metro não prejudicasse o projecto imobiliário Skyline, dos empresários Paulo Malafaia (também envolvido na Operação Vórtex) e Elad Dror, um israelita que obteve cidadania portuguesa à luz da lei dos sefarditas, que se tem revelado uma fraude que visa sobretudo substituir os Vistos Gold na venda de nacionalidade portuguesa. Logo aqui, temos o típico inception de trafulhice tuga: esquemas dentro de esquemas dentro de esquemas. Precioso.

Patrocínio, munido com o seu relógio suíço e a sua mala cheia de notas, reuniu-se então com Tiago Braga, presidente da Metro do Porto, e, no dia seguinte, revelou ao amigo e advogado João “Gorila” Lopes que a conversa com Tiago Braga teria corrido “de feição para os interesses dos dois empresários, Paulo Malafaia e Elad Dror” (palavras do Expresso). Mais tarde, Malafaia e Dror terão entregue mais uma quantia em dinheiro e novo relógio de luxo ao vice de Gaia, para que, alegadamente, o lobby junto da Metro do Porto seguisse o seu curso. A peça do Expresso da passada semana afirma mesmo que Patrocínio Azevedo terá recorrido aos serviços de João “Gorila” Lopes para tentar aumentar o suborno. Alegado, claro. [Read more…]

Catarina Martins foi-se embora!

Fotografia: Ana Mendes

[Rui Naldinho]

O Bloco de Esquerda é um pequeno partido do espectro político português que nasceu 25 anos após o 25 de Abril de 1974. Herdeiro de uma série de pequenos partidos sem expressão parlamentar, com exceção da União Democrática Popular (UDP). Uma formação partidária que se assume como uma esquerda não estalinista, em contraponto com o PCP, cuja ligação à ex-União Soviética ainda hoje está latente nalgumas formas de pensar e atuar. De certa forma o BE é o que resulta no eleitorado à esquerda, dos que não se revêem no comunismo, e os que por várias formas se sentem defraudados com os permanentes ziguezagues do Partido Socialista. Eu até diria que, em 2015, o BE recolheu dezenas de milhares de votos de antigos eleitores do PSD frustrados e zangados com a governação da PàF, cuja fatura ainda hoje está a pagar.

Diríamos que o BE é uma espécie de união das freguesias não comunistas, num território à esquerda dominado pelos socialistas, mas que ao mesmo tempo estão nos antípodas da direita portuguesa. Podemos inferir sem grandes dúvidas que o reduto é pequeno. Mas é nesse reduto que este partido se move, com todos os condicionalismos que daí advêm, de ser um partido urbano, sem apetência pela governação dos destinos do país e, ligado a uma certa elite intelectual. Essas fragilidades fazem do BE uma flor de estufa. Mas goste-se ou não é a sua forma de estar na política, daí terem um eleitorado muito volátil, sempre disposto a ir apagar outros fogos, numa altura em que a direita se torna numa ameaça eleitoral, como aconteceu nas pretéritas eleições legislativas. Nem de haver grandes revoluções internas quando nas mesmas passaram de 19 para 5 deputados. Esse drama dá-se, sim, nos partidos de poder, porque altera substancialmente a correlação de forças. [Read more…]

O fim de um ciclo. O início de outro.

Fotografia: João L. Maio

Catarina Martins deu muito à esquerda portuguesa, fez crescer o Bloco de Esquerda (BE) como este nunca tinha crescido antes. Merece, portanto, todos os elogios dos democratas e dos militantes e eleitores do BE.

Perseverante, estóica e delicada, Catarina Martins deu um novo rumo ao BE e um novo rumo à esquerda. Colocou o BE no lugar onde este deve estar: perto das decisões que influenciam a vida das pessoas. Obrigou o Partido Socialista a pôr-se de joelhos, duas vezes. É verdade que, em certas alturas, se aproximou (ou quis aproximar) demasiadamente do poder, mas também é verdade que foi essa aproximação que amedrontou o PS e o obrigou a apostar as fichas todas na maioria absoluta, que hoje é mais empecilho do que virtude para os social-liberais do Largo do Rato. E é, também, graças ao trabalho de Catarina Martins enquanto coordenadora do BE que o PS, quando fala para dentro, tenta ser uma espécie de BE 2.0; enquanto que, quando governa, se mostra como uma espécie de PSD+IL.

Segue-se, presumivelmente, Mariana Mortágua na liderança do partido. Está preparada, ou não estivesse a ser preparada para o lugar há vários anos. Traz consigo a bagagem acumulada da experiência enquanto figura de proa de Comissões de Inquérito e carrega consigo a empatia de muitos dos que se revêem na esquerda à esquerda do PS como uma solução credível para o futuro do país.

Na imagem, Catarina Martins olha em frente, encara o futuro do Bloco onde estará Mariana Mortágua, que na imagem olha para trás, encarando os milhares que a acompanham e torcem por ela. A Catarina Martins, o meu mais profundo obrigado. A Mariana Mortágua, toda a força.

Somos muitos, muitos mil, para continuar Abril.

Mandem carta

Foi enquanto lia uma compilação da correspondência entre dois autores que comecei a pensar: “Ah, bons tempos!”, o que nunca augura nada de bom, é certo. Mas reparem: a carta chegava, quase sempre a horas previsíveis, e podia ser aberta de imediato ou guardada para momento mais oportuno. Guardá-la podia ser, aliás, mais saboroso do que lê-la. Talvez a psicologia ainda não insistisse na importância de adiar a recompensa, mas isso já se praticava.

A carta até podia ser lida nada mais chegasse, mas não se lhe responderia de imediato, a não ser que se tratasse de uma urgência ou de uma fase ainda febril do enamoramento. A resposta ficaria para daí a uns dias. Até lá, ia sendo amadurecida, sopesava-se o efeito desta ou daquela frase. Quando chegava o dia da resposta, voltava a ler-se a carta. Descobria-se, talvez, que se tinha treslido alguma passagem, interpretado mal o sentido de uma frase. Escrevia-se um rascunho de resposta, ocorria-nos uma frase espirituosa, passava-se a limpo. Daí a duas semanas, chegaria a resposta. Uma zanga exigia absoluta intencionalidade de pelo menos um dos interlocutores.

Compare-se isto já não com o email, cada vez mais soterrado em spam, mas com o Whatsapp. Sem ter contribuído em nada para isso, a não ser por possuir um telefone e não viver num eremitério, damos por nós a integrar uma infinidade de grupos de contactos: os amigos de X, a turma de Pilates, os pais do 7º B, os condóminos do prédio, os comensais do jantar de aniversário de Y, aqueles que uma desconhecida Kikas reuniu para enviar felicitações de Ano Novo porque teve preguiça de enviar uma mensagem de cada vez. [Read more…]

Escavacar um monte negro de costa a costa para construir a casa do coelho

O sacro-santo Cavaco Silva falou. Mais uma vez. Sempre que Cavaco fala, especialmente depois de findado o seu tempo enquanto figura activa e parte integrante da política portuguesa, tem um condão: o condão de unir a esquerda.

Cavaco Silva falou e disse. Deixando de parte a baixeza de certas partes do seu discurso, apontou a este governo os traços da incompetência, da desfaçatez, dos números de circo. Não está errado, isso é certo. Teria toda a razão de ser, se tais críticas não fossem feitas por… Cavaco.

Cavaco Silva, o mesmo que agora aponta tantos epítetos negativos ao governo, é o mesmo Cavaco Silva que, no seu segundo mandato enquanto primeiro-ministro (PM), acumulava “casos e casinhos” semana sim, semana não. O mesmo Cavaco que agora enumera os truques deste governo e descreve a bandalheira em que se encontra o Estado de Direito Democrático da República, era o mesmo que, nos seus dias enquanto chefe de governo, via passar-lhe por debaixo do nariz os Dias Loureiro, os Duarte Lima, os Oliveira e Costa, à boleia dos BPNs da vida. Este Cavaco é o mesmo que, enquanto Presidente da República, usava e abusava da comunicação institucional da Presidência para se defender e desmentir acusações de que era alvo. É certo que vivemos hoje na época dos cliques, das vinte e quatro horas ininterruptas de serviço informativo; nos anos 90, tínhamos de esperar pelo fim‑de‑semana, todas as semanas, para sabermos qual era o novo caso em que estava mergulhado o governo de Cavaco. Agora, aparentemente, é o Cavaco dos ataques e das acusações tendo como alvo o Partido Socialista. A memória afecta toda a gente, é um facto, mas não devia afectar Cavaco Silva que, para todos os efeitos, apresenta lucidez quando fala, dentro de casa, da casa dos outros. [Read more…]

Volte sempre, Cavaco Silva!

Sempre que Cavaco abandona o seu retiro presidencial para fazer política, interrompendo a luxuosa transumância entre o Convento do Sacramento e a propriedade na Herdade da Coelha, permutada com o impoluto amigo Fernando Fantasia, três coisas acontecem.

A primeira é o cerrar de fileiras dos partidos à esquerda. Não que se vão entender todos para ressuscitar a Geringonça, mas parece-me evidente que Cavaco tem o poder de, aparecendo, recordar muita gente daquilo que foi o cavaquismo. Que teve todos os defeitos do Costismo e de outros ismos mais.

A segunda é a menorização da liderança do PSD. Montenegro, o primeiro político da história deste país que se propôs a estar 5 anos em campanha para umas Legislativas, tem sido uma desilusão. Não consegue impor-se, apesar da sucessão de casos em São Bento, não consegue travar a ascensão do CH, que se faz, sobretudo, à custa de antigos eleitores do PSD, não se liberta, ele próprio, dos casos e casinhos que o ensombram, entre ajustes directos, ligações opacas em Espinho e uma mansão não declarada, e não descola nas sondagens, pese embora o valor relativo dos estudos de opinião. Teve que vir Cavaco para provocar a agitação que Montenegro é incapaz de causar. [Read more…]

Collor de Mello condenado por corrupção e branqueamento de capitais

o centrão, lá como cá, é um viveiro de corruptos.

Declarações Grotescas

Pedro Soares acusou a direção do Bloco de ir à Ucrânia a convite de uma pessoa de “extrema-direita, com práticas neonazis”, numa delegação parlamentar que integrou representantes do PS, do PSD, do Bloco e da IL.
O massacre de Babi Yar foram cerca de 35 mil judeus assassinados a tiro durante uma semana. Em Babi Yar, o regime nazi teve o seu primeiro ensaio de grande envergadura de extermínio de judeus e de ciganos. Na gigantesca vala que foi escavada em Kiev, seres humanos de todas idades eram colocados em fila, recebiam uma salva de balas e eram de seguida cobertos de terra. Pouco depois chegava o grupo seguinte, que tinha ouvido perfeitamente o que se tinha passado anteriormente. Colocavam-se em fila, era disparada uma nova salva, eram cobertos de terra e assim sucessivamente. Durante uma semana a população das redondezas viveu ao ritmo das salvas e dos grupos de judeus que eram transportados até ao local.

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Tina Turner (1939 – 2023)

A icónica fotografia de Peter Lindbergh para a capa do single Foreign Affair (1989), o quatro do álbum com o mesmo nome, onde figuram temas como The Best, é a melhor imagem de Tina Turner e daquilo que ela representava: uma artista livre e rebelde, que derrubou barreiras e transbordava talento e coragem, a ponto de subir para a estrutura da Torre Eiffel de saltos altos, sem duplos, truques ou cabos de segurança. Talvez sejam os quase 40 anos a falar, mas já não se fazem divas assim. Que descanse em paz.

Uma consulta (muito) atrasada no CUF Porto

Fui pela primeira vez na vida a um hospital da rede CUF. Foi-me recomendada uma profissional para o meu filho, que pelos vistos só exerce lá, de maneira que fui e não bufei. No questions asked.

E o que sucede?

Sucede que a consulta era às 11h, mas só entramos às 11:50h.

Respirei de alívio. Afinal, não é um problema exclusivo do SNS. Agora imaginem que tínhamos governantes competentes para o gerir e financiamento adequado.

Seria uma chatice para o sector privado.

CPI à TAP: uma procissão que nem no adro vai

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

Nunca, como na semana passada, assisti a tantas horas de audições de uma comissão parlamentar de inquérito. Ao todo, entre Frederico Pinheiro, Eugénia Correia e João Galamba, vi, seguramente, para cima de 10 horas de declarações, perguntas, respostas, provocações e alguma grunhisse também.

A primeira conclusão a que cheguei é a de que fiquei a saber muito pouco sobre o que se passou. E menos ainda sobre o que estas 3 audições acrescentaram ao propósito da CPI, que é o de investigar a tutela política da gestão da TAP. Reduzir as manobras por detrás de uma empresa que recebeu uma injecção de milhares de milhões de euros do erário público ao episódio do computador parece-me mais uma cortina de fumo do que outra coisa qualquer.

Fiquei igualmente com a convicção de que estão todos a mentir. Mas julgo que ainda é cedo para termos todas as respostas, se é que as vamos ter. De uma coisa tenho a certeza: quando um grupo parlamentar se reúne de forma secreta com a CEO de uma empresa que é alvo de uma CPI, para se prepararem para a audição dessa mesma CEO, algo de muito errado se passa com a república portuguesa. E o facto de Galamba garantir que estas reuniões são normais e recorrentes só agrava ainda mais o problema. Esta opacidade e o grau de manipulação que encerra são a negação de uma democracia aberta, decente e transparente. [Read more…]

A máquina do tempo

Uma sueca que grita muito voltou a vencer a Eurovisão. O Benfica vai ser campeão. Andam à procura de uma inglesa desaparecida há dezasseis anos. O Cavaco anda a balbuciar coisas de velho.

De repente, estamos em 2010.