O futuro que se lixe

Portugal é o quarto país da União Europeia que mais aumentaram as emissões de gases que provocam efeito de estufa desde 1990. Pior só mesmo o Chipre, a Irlanda e Espanha.

Isto interessa a quem? Em Portugal só interessa o crescimento económico e o lucro, senhores!

Tiananmen-Ocidente-Kiev

O “incidente” de Tiananmen, eufemismo que o regime chinês usa a propósito deste horrendo episódio, fez ontem 33 anos. Foi um massacre, sobretudo de estudantes, que lutavam pela liberdade e por uma China democrática. Não sabemos quantas pessoas morreram, mas estima-se que possam ter sido alguns milhares.

E o Ocidente, sempre disponível para acudir às aspirações democráticas alheias, o que fez?

Fez o que sabe melhor: assobiou para o lado durante anos, para depois abrir as portas da OMC ao regime, garantindo lucros extraordinários a um punhado de aristocratas do capitalismo, cujo custo foi a destruição da capacidade produtiva de muitos Estados ocidentais, como é o caso do português.

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Continua a porcaria do experimentalismo

O que se tem feito na Educação desde que começou o experimentalismo anual nos tempos da PGA é deveras execrável.

São mais de 30 anos sem rumo, pois é disso que trata quando as mudanças são anuais, ou quase, e sempre realizadas de um momento para o outro, quantas vezes até no próprio ano lectivo.

Esta é apenas mais uma, saída da cabeça de alguma luminária que acabou de descobrir a pólvora.

O rei morreu. Viva o rei.

Os ajustes directos de Luís Montenegro

Há dias descobrimos que o escritório de advocacia do qual Luís Montenegro é co-proprietário era o mais recente avençado do papão socialista. Uma vergonha, parafraseando o seu futuro parceiro de coligação.

Hoje – talvez vocês o soubessem há mais tempo, eu não – vim a descobrir que as autarquias de Espinho e Vagos, ambas governadas pelo PSD, gastaram cerca de 400 mil euros no escritório do novo líder do PSD. São 10 contratos, todos por ajuste directo, no espaço de apenas 4 anos (2014-2018).

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Cavaco Silva, Pedro Marques Lopes e Duarte Marques entram num bar…

…e tiram à sorte a ver quem vai carregar Rui Rio para casa. Pese embora Marques Lopes esteja coberto de razão.

Do merecimento….

Em Portugal não sei mas aqui em Espanha o julgamento do J. Depp foi um acontecimento seguido a par e passo como se de um BBFamosos se tratasse. Porquê? Não faço ideia. O que sei é que acabei a tropeçar numa das reportagens de um dos canais espanhóis onde vi uns vídeos do Depp passado a partir tudo e outro da mulher a avisar que ia inventar umas coisas. Como se diz na Areosa, caguei para o assunto pois fiquei com a ideia que estavam bons um para o outro.


Entretanto soube, por uma amiga minha que o Depp ganhou. O que mais me espantou foi a alegria dela, genuína, entusiasmada. Dela que acaba de ser vítima de violência doméstica, cujo gajo acabou de fugir da terra antes de ontem pois é reincidente (também batia na antiga companheira). E disse-lhe eu: mas sabes que, independentemente de tudo, também o Depp chegou-lhe a roupa ao pêlo? Resposta: ela merecia.
Ainda estou a digerir o “merecimento”….

Johnny Depp e a derrota do extremismo feminista

Não acompanhei o caso Depp-Heard com a paixão que vi por aí – nada contra, cada qual com o seu futebol – mas ia ouvindo e lendo uma ou outra coisa aqui e acolá. E a sensação com que ia ficando, à medida que me ia esbarrando nessas informações avulsas, era a de que a versão de Depp era mais credível que a de Heard. Mas talvez fosse a minha condição de fã do Johnny que me estivesse a toldar o juízo, de maneira que me mantive calado e afastado do tema.

Sem entrar em análises muito profundas, vim ontem a saber que Johnny Depp ganhou o processo em tribunal. E das muitas conclusões a que cheguei, e outras tantas a que poderia ter chegado, destaco a estrondosa derrota do feminismo extremista, que a meu ver representa apenas uma franja minoritária daquilo que é o movimento, e que entende que basta a uma mulher apontar o dedo a um homem e acusá-lo, sem provas, de uma qualquer violência, para que esse homem seja imediatamente condenado sem ser submetido ao normal funcionamento do Estado de Direito.

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O Futebol Clube do Porto teve negativa?

Instado a comentar a época futebolística, Fábio Cardoso, jogador do Futebol Clube do Porto, declarou: “Dou nota oito à época, queríamos mais…”

Tendo em conta que o FCP foi campeão nacional e que ganhou a Taça de Portugal e sabendo que no sistema escolar português só existem duas escalas (1 a 5, para o Ensino Básico, e 0 a 20, no Secundário), poderíamos estar diante de uma avaliação negativa de um jogador tão exigente que o facto de o seu clube não ter ganho a Taça da Liga e a Liga dos Campeões é suficiente para que nem suficiente atribua ao seu clube. [Read more…]

«Somos o quarto país mais seguro do mundo. Somos um parceiro na construção europeia, numa Europa que não deixa ninguém para trás. Somos o segundo país da OCDE mais aberto ao investimento estrangeiro. E, de acordo com as projeções [sic] da Comissão Europeia, seremos o país da UE com o maior crescimento económico e a menor inflação em 2022, num contexto de contas públicas sãs e sustentáveis»

(António Costa)

Todavia:

«A digressão comemorativa do 60.º [fmv] aniversário do primeiro concerto dos Rolling Stones começa esta quarta-feira em Madrid e não passa por Portugal»

(Expresso)

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Niemand ist vollkommen

„Sie sind ein Monster!“
„Und Sie sind Anwalt! Niemand ist vollkommen.“
Dracula

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No tal artigo do “nobody is perfect”, Cavaco grafa 30 de Janeiro. Muito bem. 30 de Janeiro. Lindo menino. Mas Cavaco grafa perspetivas (muito bem, dirá um adepto português do #AO90, muito mal, dirá um homólogo brasileiro e muito mal, direi eu também, obviamente). Cavaco grafa diretamente (muito mal, direi eu, muito bem, dirão os nossos amigos de há pouco). Logo nos primeiros parágrafos do artigo de hoje, Cavaco explica-nos as virtudes do #AO90. Cavaco mandou. Santana cumpriu. Por isso, por haver tanta sabedoria e sensatez, tivemos há uns anos o “agora facto é igual a fato (de roupa)” de Santana. Quod erat demonstrandum. Agora, vou mas é trabalhar.

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Parasitismo

“Tele-trabalho é fingir que se trabalha” – disse um bilionário que nunca trabalhou na vida

Ao ler este

nobody is perfect“, lembrei-me do English As She is Spoke.

Em memória de Frédéric Leclerc-Imhoff

Frédéric Leclerc-Imhoff

Era operador de câmera. Tinha 32 anos. Trabalhava para o canal BFM TV. É mais uma das vítimas às mãos da tirania putinista, na Ucrânia. O jornalista francês fazia-se transportar numa caravana humanitária, quando a mesma acabou bombardeada pelo exército russo.

A todos os jornalistas e foto-jornalistas que se encontram a cobrir situações de guerra e que vêem, todos os dias, os seus direitos subjugados às mãos dos imperialismos – silenciados ou mortos -, a minha solidariedade.

Ao Frédéric, um brinde.

Marcelo Rebelo de Sousa não adopta o Acordo Ortográfico de 1990

I hate rock stars.
Phil Anselmo

Still, some target language phones may in fact be sufficiently close to L1 counterparts that their perception and production in terms of the L1 category may be undetected by native listeners (Flege, 1992). These can be referred to as identical or near identical L1-L2 pairs and would not require a separate L2 category (e.g., Spanish and English [f]).
— Cebrian, Gorba & Gavaldà (2021)

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Efectivamente, Marcelo Rebelo de Sousa não adopta o Acordo Ortográfico de 1990. Mas isso já sabíamos.

Aquilo que não sabemos é, por um lado, porque é que o caro leitor, sim, caro leitor, porque é que continua a adoptar o AO90? Se nem sequer o Presidente da República adopta o AO90, por que motivo continua o caro leitor a adoptá-lo? Deixe de andar por aí a adoptar o AO90 e faça o favor de seguir os bons exemplos ortográficos.

Por outro lado, continuamos sem conhecer a razão que leva Marcelo Rebelo de Sousa a continuar indiferente, letárgico e hiperpassivo, enfim, a não fazer nadinha de nada para acabar, de uma vez por todas, com esta mixórdia acordesa e esta hipocrisia ortográfica. Efectivamente, Rebelo de Sousa, além de nada fazer, continua calado, sim, calado, perante esta vergonha constante, diariamente apreciável, por exemplo — e que exemplo! — no sítio onde os cidadãos portugueses alfabetizados tomam conhecimento dos actos que regem a vida da sociedade portuguesa: [Read more…]

A domesticação de André Ventura, fase I

Alguém me sabe dizer se André Ventura já se pronunciou sobre o ajuste directo de 100 mil euros que o governo, através do Banco de Fomento, deu ao escritório de Luís Montenegro? Só para perceber onde acaba a “vergonha” e começa a vassalagem da extrema-direita ao sistema.

O PSD de cabeça perdida, rendido aos métodos da extrema-direita

Tinha este rascunho de molho, e entretanto passou um mês. O PSD anda tão apagado que acabei por me esquecer que existia. Mas ontem lá tropecei numa notícia sobre as internas de amanhã, e a primeira coisa que me veio à cabeça foi esta absoluta imbecilidade de tweet. Existem muitas maneiras de criticar um partido ou governante, bem mais eficazes e inteligentes, e dignas também, mas isto é bater no fundo. É, inclusive, um grande favor que faz ao PS. Um “regime totalitário socialista”? Contrataram os estrategas de marketing do CH, foi?

O PSD é livre para praticar o estilo de propaganda política que bem entender. Vivemos em democracia e somos livres para exprimir as nossas convicções e opiniões sobre a realidade que observamos. O PSD, por exemplo, entende que ficou provado, pelo próprio António Costa, que o que Portugal poderá esperar deste governo é:

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Ray Liotta (1954 – 2022)

You’re gonna like this guy. He’s all right. He’s a good fella. He’s one of us.

‘A Prova dos Factos’ (RTP1) e a Farfetch

Na próxima Sexta-feira (dia 27 de Maio), na RTP1, o programa ‘A Prova dos Factos’ abordará as denúncias de abusos laborais, morais e sexuais por parte da Farfetch. Uma investigação que tardou, mas chegou. Acabar com a impunidade das multi-nacionais e com as loas que recebem, ao mesmo tempo que devastam os seus trabalhadores e os oprimem.

Iniciei, há umas semanas, um trabalho de investigação sobre o assunto, que podem ler, em duas partes, aqui no Aventar:

 

 

Ele aqui está, Manuéis Acácios

Enquanto as maiores cidades europeias dão passos rumo ao progresso, alterando as formas de locomoção das suas populações, a pouco e pouco, num processo que vem de trás, Portugal continua a correr atrás do prejuízo, como sempre.

E, mais grave do que Portugal num todo, é Lisboa, particularmente. Uma cidade que, em comparação com as maiores cidades europeias, é pequena, decide, pela mão do seu presidente da Câmara, Carlos Moedas, e pelo executivo que a compõe (PSD/CDS e mais uma catrefada de movimentos políticos), atrasar ainda mais Lisboa em relação às outras capitais europeias. Portugal sempre foi atrasado… mas deve ser dos únicos países da UE neste momento, onde andar a pé ou de bicicleta é “desporto”.

O que se está a passar, quer com a polémica da Av. da Liberdade, quer com a polémica ciclovia da Almirante Reis, atesta a incompetência do executivo e a prepotência e arrogância, com laivos autoritários, do senhor presidente da Câmara (tão lesto, antes, a mostrar a face do conciliador). A título de exemplo, ontem, depois de já se ter comprometido com forças da oposição de que iria ser aberta uma consulta pública para a ciclovia da Almirante Reis, Carlos Moedas desfez o acordo e desdisse a promessa: mandou iniciar as obras que desfizeram a ciclovia… que passa a não existir. Mais carros. Portanto, inevitavelmente, mais poluição; estamos sempre na vanguarda. Lisboa, que tem o potencial para ser uma cidade feita para as pessoas, até pelas características do país, continuará (o que só se acentuará com este executivo) a ser, apenas e só, uma cidade para os negócios e para os carros. Pessoas? Nos escritórios. Unicórnios, de preferência. Com dinheiro. Pessoas? Só fora da cidade. O neo-liberalismo que tinha sido (mais por obrigação eleitoral do que por vontade própria) posto na gaveta nos últimos anos em Lisboa, voltou em força com Moedas.

Um bando de tartufos governa a CML como bem entende, fazendo acordos e prometendo consensos para, depois, agir sozinho, a bel-prazer. Mas não vamos, agora, fingir que isto não era expectável. Votar no mal-menor para afastar um patego, pode ser perigoso, por muito que o patego o merecesse (mas, afinal, o patego foi promovido). Votar a medo dá sempre mau resultado, quando o voto deve ser convicto e não medroso. E é nisto que dá.

Menos de um ano de governação autárquica… e Moedas, perdoem-me o francês, vai fodendo isto tudo. Não que seja surpresa, sabíamos ao que vinha, apesar das máscaras que usou entre campanhas… e sabemos sempre ao que vem a direita: ao retrocesso.

Expectável, amigos. Aguentem.

Já agora, a EMEL anda a passar muitas menos multas, não é?

Fotografia: Tiago Sousa Dias

Álvaro Covões cospe no prato onde come

Isto é extraordinário. Um empresário que tem nos festivais de Verão a sua maior fonte de rendimento, a afirmar que “ninguém quer turismo de mochila”, é anedótico. Isso e a total falta de noção sobre o que é o turismo, como se o turista de mochila fosse necessariamente pobre. Como se o miúdo que juntou uns trocos para vir a Portugal fazer uma road trip com passagem no NOS Alive não fosse o adulto que no futuro poderá cá voltar com mais recursos. Álvaro Covões acha que o país deve ter uma estratégia, mas, a julgar pela eloquência, deve ser de curto prazo. Haja coragem, porque noção não tem nenhuma.

Ted Cruz como uma porta

Ted Cruz, senador ultraconservador do Partido Republicano, teve mais um momento de brilhantismo, a propósito de mais um massacre numa escola americana. O 30° este ano. 39°, se contarmos com universidades.

Afirma Cruz que o problema não é a proliferação descontrolada de armas nos EUA. O problema é as escolas terem demasiadas portas, quando deveriam ter apenas uma, guardada pelas forças de segurança. Estava resolvido o problema. Nunca um destes terroristas se lembraria de estacionar o carro em frente à escola e esperar pelo toque de saída. Ou de saltar o muro. Ou de começar por matar os polícias que guardavam a porta. Nada disso. Um génio, este Ted sem X.

Não admira, portanto, que Ted Cruz seja um dos oradores da conferência da NRA, o poderoso lobby que garante que a ideologia da morte sobre a qual assenta a proliferação descontrolada de armas continue a matar crianças, adultos e idosos todas as semanas, em escolas, igrejas e supermercados, só para citar os massacres deste mês. Em 2022, registos oficiais revelam um acumulado de 251 tiroteios, uma média de 1,7 por dia. Mas campanhas de Cruz não se vão pagar sozinhas. Dance, monkey, dance.

Fraude pró-vida e o massacre de Uvalde

Já repararam que os “pró-vida/deixem as crianças em paz” nunca emitem um pio quando um terrorista americano entra numa escola aos tiros?

E sabem porquê?

Porque a vida, as crianças e tudo o resto são apenas meios que se instrumentalizam para atingir fins. São fachadas politicamente correctas para ocultar o que realmente os move: o fundamentalismo religioso e o ódio à democracia liberal.

Steve Kerr, a voz da indignação contra o terrorismo da NRA

Nos EUA, alegadamente a maior democracia do mundo, os massacres continuam. Só em escolas e universidades, contam-se já 39, só em 2022.

A grande maioria dos conservadores americanos, assim como a extrema-direita e toda a alt-right, que mais do que defender a livre circulação de armas, se recusam a aprovar o procedimento de background check, tem o sangue das crianças de Uvalde nas mãos. São os ayatollahs do terrorismo transformado num dos negócios mais rentáveis da maior economia do mundo. E as contribuições que recebem da NRA valem mais do que a vida das crianças assassinadas em mais um atentado em solo americano. As campanhas eleitorais e as troll farms não se vão pagar sozinhas.

Mentira ou ignorância?

João Costa: “Em 2018 tínhamos apenas 4% dos professores no topo [da carreira] e hoje temos 30%”

Palavras para quê? É ministro da Educação!

Por razões de higiene também ortográfica, é raríssimo comprar o Expresso. Recentemente, João Costa deu a este jornal a sua primeira entrevista na qualidade de ministro da Educação.

Relembre-se, a propósito, que João Costa foi secretário de Estado do mesmo ministério durante os últimos seis anos.

A entrevista já foi devidamente escalpelizada pelo Paulo Guinote em quatro textos com a acutilância do costume: um, dois, três, quatro.

Limito-me a realçar o que, de qualquer modo, já foi realçado, roubando, ainda, uma imagem ao Paulo.

Em primeiro lugar, note-se que não há resposta à pergunta. Depois, a verdade é que João Costa trocou a função de professor pela de secretário de Estado e pela de ministro, o que não lhe retira nem acrescenta qualidades. Acrescente-se que João Costa é professor universitário, o que o coloca numa situação diferente da dos professores do Básico e do Secundário (e mesmo nestas duas áreas, há distinções importantes a fazer) e, portanto, afirmar que é “professor” é uma manobra de relações públicas altamente enganosa. Não se trata, aqui, de uma questão de superioridade ou de inferioridade.

A cereja em cima do bolo, no entanto, está nesta ideia insidiosa e repetida de que os professores não sabem lidar com a diversidade social e que isso se resolve com uma qualquer formação milagrosa. Os professores são um dos grupos profissionais que se encontram na primeira linha do contacto com a diversidade social, com tudo o que isso implica de frustrações, de imprevistos, de derrotas e de conquistas, muitas conquistas. [Read more…]

Condecorem os estrategas geopolíticos de Vladimir Putin, já!

De forma inteligente e educada, e com o Kremlin enquanto alvo das suas declarações, o presidente finlandês explicou, há dias, o porquê do seu país estar à beira do fim de uma longa tradição de neutralidade, estando já em processo de adesão à NATO:

– Foram vocês que causaram isto.

Compreende-se. Se eu vivesse num país que partilha 1300km de fronteira com a Federação Russa, já teria metido os papéis mais cedo.

Sim, já sei que vou levar com malta a falar dos crimes da NATO. Não os ignoro. Nem vou perder tempo a argumentar porque a complexidade dessa discussão daria para um outro post, ou vários, mas não será este.

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Elon Musk, Twitter e liberdade de expressão: a desconstrução de uma fraude

Rui Santos e a sua agenda

https://twitter.com/i/broadcasts/1YpKkZvjLEExj?t=JKRBLAhBGIzdWFo00XKF6A&s=09

Depois de se ter esquecido que, a exemplo do FC Porto, também o SLBenfica e o Sporting foram recebidos pela Câmara Municipal da sua cidade. Realmente, é uma agenda que mais parece um queijo suíço….

A história de Sérgio: o Sousa Pinto

Sérgio Sousa Pinto é um senhor que encontramos sempre no café da rua, de há uns 20 anos para cá. É quase mobília. Está lá sempre, nunca falha, a compor a sala.

Antigamente, quando era mais jovem, o senhor Sérgio era um homem activo, dinamizador, pungente. Falava com toda a gente, ajudava a servir às mesas, deixava as maiores gorjetas e ainda era capaz de fazer o fecho – só na carolice.

Agora? Agora não. Não sei se foi da vida, não sei se lhe aconteceu alguma coisa, mas o velho Sérgio hoje não fala com ninguém a não ser com um puto de gravata, chamado Sebastião, que lá aparece e que pede sempre um copo de leite morninho (o Sérgio que só se sentava connosco, a malta do lúpulo, do tinto e da aguardente!). Sentam-se os dois, velho e adolescente, todos os dias no canto direito da sala – lugar taciturno, lúgubre e húmido. O Sérgio, hoje já sem a genica de outros tempos, lá vai resmungando umas coisas imperceptíveis. Imperceptíveis para nós que conhecemos o Sérgio há mais de 20 anos… mas o jovem que com ele se senta ri-se de tudo o que o Sérgio diz. Não admira que seja o Sérgio a pagar os copos de leite ao miúdo.

Quando era jovem, antes de se ir embora, o Sérgio dizia sempre:

  • Tenham um resto de bom dia, camaradas!

Hoje em dia, a única coisa que conseguimos perceber vinda dos lábios do Sérgio é, também, a despedida. Só que a memória não é mesma e as palavras já não saem iguais. Agora, antes de sair, o Sérgio grita sempre:

  • Eu sou afilhado do Mário Soares!

Não sei se é a ânsia de não se esquecer, não sei se é para nos relembrar, mas a verdade é que parece ser a única de que se orgulha na vida, pois é a única coisa que sai perfeita da sua boca. Não é bonito de relembrar, mas percebe-se a dicção.

E depois lá vão eles, o Sérgio agarrado à bengala a murmurar desalentos (bengala que diz, com orgulho, ter sido feita pelo mesmo madeireiro que fez a cadeira ao Botas) e o jovem Sebastião (que foi quem lhe ofereceu a bengala) ao lado a rir muito de tudo o que o Sérgio diz e não se percebe.

No outro dia, surpreendentemente, o Sérgio berrou a toda a gente no café uma frase que se ouviu inteira:

  • Eu sou um social-democrata!

E responde-lhe o Oliveira, um social-democrata:

  • Então eu sou um anarquista!

O Sérgio e o Sebastião nunca mais lá apareceram.