O fato e o fat

The popular view that scientists proceed inexorably from well-established fact to well-established fact, never being influenced by any improved conjecture, is quite mistaken. Provided it is made clear which are proved facts and which are conjectures, no harm can result. Conjectures are of great importance since they suggest useful lines of research.
Alan Turing

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Imaginemos que estamos a deliciar-nos com um artigo científico em língua inglesa. Subitamente, damos de caras com o seguinte trecho:

The fat that the dip does not go to zero is fully accounted for by the fat that in the pair creation process there is some amplitude to have 2 atoms rather than 1 in an elementary mode.

O artigo é este (pdf) e o autor, além de ser dono de um invejável apelido (Alain Aspect) e de ter sido um dos vencedores do Nobel da Física deste ano, não escreveu obviamente a barbaridade que indiquei ali em cima, deixada à nossa fértil imaginação colectiva. Efectivamente, aquilo que Aspect escreveu foi isto:

The fact that the dip does not go to zero is fully accounted for by the fact that in the pair creation process there is some amplitude to have 2 atoms rather than 1 in an elementary mode.

Se Aspect tivesse grafado fat em vez de fact, teria tanta credibilidade como aquela que o Diário da República vem demonstrando desde Janeiro de 2012, ao grafar (grafar e não gralhar, como alguns querem fazer crer) as asneiras habituais. Eis um exemplo fresquíssimo:

No sítio do costume.

Desejo-vos um excelente FC Porto — Benfica (viva o Benfica!), um maravilhoso novo álbum (o segundo deste ano) dos Chili Peppers e, claro, um óptimo fim-de-semana.

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Acaba o Cartão. Continua a repressão.

No final do ano passado, assistimos ao fim do Cartão do Adepto. Esse Cartão que era até então a maior aberração alguma vez feita aos adeptos portugueses. O esperado era que acabasse o Cartão e acabasse a repressão sobre os adeptos. Como é óbvio, não poderíamos estar mais enganados. A repressão mantém-se viva, a discriminação de adeptos continua, apenas desaparece o tal retângulo e os 20 euros que custava.

Este Cartão dava acesso às ZCEAP (Zonas com Condições Especiais de Acesso e Permanência dos Adeptos). Apenas nestas zonas são permitidas bandeiras, tarjas, faixas e afins com mais de 1 metro por 1 metro, megafones, tambores, etc. E para aceder a estas zonas é necessário ser maior de 16 anos. O objetivo proclamado por quem quis imitar algo que já falhou pela Europa fora era combater a violência. Como nunca foi um pano ou um megafone que fez de alguém mais ou menos violento, o objetivo real era claro: limitar a liberdade de expressão dentro dos estádios. [Read more…]

Boris Johnson

Ainda tem muito para dar ao país, terá dito Marcelo Rebelo de Sousa.

O Alexandre Guerreiro é….

….uma jóia de rapaz. Este seu entusiasmo com os drones faz lembrar o da mãezinha dele, nos idos de 40, com a leveza do gás usado pelos alemães. É um bom rapaz de família. Louvado seja….

Só o negócio conta

A insaciável avidez do governo e das entidades públicas pelo “investimento estrangeiro” é de sobra conhecida. Ecossistemas, esgotamento de reservas de água, degradação de solos, exploração laboral, tudo é secundário porque o “crescimento económico”, o negócio, está em primeiro lugar na hierarquia de valores dos governantes a nível central e local.

Os exemplos são inúmeros e diários.

Aqui fica mais um: numa zona de Parque Natural da Ria Formosa, Reserva Agrícola Nacional e Rede Ecológica Nacional, um “investidor” sueco transgride a lei a seu bel-prazer, sem que as autoridades competentes o impeçam de vez de continuar a destruir esta maravilhosa e sensível zona costeira.

A “desculpa” favorita das autoridades é: isso é propriedade privada, nada a fazer. Escondem-se atrás desta “justificação” esfiapada, porque é bem mais cómodo e não espanta a caça ao “investimento estrangeiro”.

E abacateiros intensivos no Algarve, numa região em risco de desertificação…

Gastar, esmifrar, roubar às gerações futuras, que importa? Só o negócio conta.

Mulheres letradas, a ameaça à economia que o wokismo tentou esconder

A extrema-direita…perdão, o centro-direita é pela família. Desde que a mulher se conserve no recato do lar, de preferência entre a cozinha e o local onde estão guardados o balde e a esfregona, que não há economia que aguente mulheres letradas.

250€ por uma despensa em Custóias

Um tipo qualquer em Lisboa (ou no Dubai, que o capital não tem pátria) teve uma ideia genial: tirou as batatas e as cebolas da despensa, enfiou lá uma cama cortada à medida, decretou que a despensa passaria a ser um quarto e alugou-o por 250€. Existem celas em Custóias com mais espaço. E reclusos com mais arcaboiço moral que os abutres do imobiliário.

Passos Coelho, refém da ideologia de género quando a ideologia de género ainda não fazia reféns

E vocês? Ainda são do tempo em que D. Pedro Sebastião Passos Coelho estava refém da ideologia de género e do políticamente correcto?

Do tempo em que propunha “criar mecanismos de sinalização de conteúdos jornalísticos e publicitários sexiatas e estereotipados do ponto de vista do género”?

Do tempo que defendia “monitorizar, de forma permanente e sistemática, os conteúdos mediáticos (jornalísticos e publicitários) identificando mensagens sexistas e estereotipadas”?

Ainda havemos de descobrir que o antigo primeiro-ministro era um sleeper agent da União Soviética, com a missão de arruinar a direita portuguesa, ao serviço do marxismo cultural e da ideologia de género. Leram primeiro aqui.

Elon Musk, camarada de Jinping

Elon Musk defendeu a capitulação e transformação de Taiwan em região administrativa especial chinesa. Pequim adorou a ideia, reabriu a porta aos carros da Tesla, e os neoliberais ficaram todos calados, como ratos, a contemplar mais um triunfo do mercado livre e da mão invisível.

Bolsonaro gosta delas novinhas

Pintou um clima, disse Bolsonaro. Sorte a dele, logo saiu um puritano com a máxima “Deus acima de todos” tatuada na testa, ao lado da marca so gelado, para recordar que sexo com menininhas de 14 ou 15 anos não conta como pedofilia. Um alívio. Só de pensar que um homem de Deus se poderia envolver com menores… Oh, wait!

Labirintos

Que deleite é verificar que os fact-checkers estão tão perdidos na sua narrativa labiríntica que passaram os últimos dias basicamente a alegar: “Não foram as farmacêuticas que mentiram. Fomos nós”.

Associação de Professores de Português reconhece que o AO90 falhou

Nota inaugural: no final do texto, há hiperligações gratuitas.

Uma vez que há alunos brasileiros que têm sido penalizados na classificação de exames de Português por escreverem de acordo com a variante que aprenderam, a Associação de Professores de Português (APP) defende a criação de um grupo de trabalho para discutir aceitação de variedades de português em exames.

Não vejo mal nenhum em reflectir sobre o assunto, porque devemos defender o elo mais fraco, que, neste caso, é o aluno imigrante. Haverá várias questões a ponderar, mas a preocupação é legítima, embora não me pareça que o problema seja assim tão fácil de resolver. O que me traz hoje aqui, no entanto, é outra coisa.

Convém lembrar que a APP esteve sempre do lado da defesa do chamado acordo ortográfico (AO90), essa oitava maravilha do mundo que, segundo os seus diversos apóstolos, iria contribuir para a tão desejada «unificação ortográfica» que resolveria problemas que nunca existiram. Resolver problemas que não existem é, aliás, uma característica talvez tipicamente portuguesa. [Read more…]

Doha a quem doer, 1-0 para os adeptos do Braga!

Depois de um trocadilho barato com a capital do Qatar, vamos a coisas mais sérias e mais caras. Não por podermos falar de preços absurdos, mas por custarem vidas humanas e não só.

Na semana passada, foi sabido que a Qatar Sports Investements, proprietária do Paris Saint-Germain, adquiriu 21,67% da SAD do SC Braga. Anteriormente, estes mesmos 21,67% eram adquiridos pela Olivedesportos. Felizmente, a SAD do SC Braga viu-se livre dessa gente da Sport TV que não interessa para nada. Fazem com que jogos sejam marcados para horas indecentes, controlam os direitos televisivos e isso parece tudo muito obsceno. É muito melhor ter participação da Qatar Sports Investements, que é subsidiada pelo Estado qatari, chegando mesmo a ser considerada propriedade do Ministério das Finanças do Qatar. E como sabemos, o Qatar é um exemplo de país no que diz respeito a direitos humanos. Estamos a falar de um país que criminaliza orientações sexuais, que não permite pessoas andarem vestidas como querem, que não respeita outras crenças… Mas isto do futebol une as pessoas e como o Mundial é lá, de certeza que tiveram bom senso. Certo? Errado. Recorreram a trabalho escravo que já custou a vida de milhares de pessoas para se prepararem para o Mundial. Entre dezenas de federações e uma FIFA que prontamente expulsou a Rússia de todas as competições, ninguém se levanta perante isto. Todos sabemos que quando se fala de democracia, o Qatar mete a Rússia num bolso. Hipocrisia por parte da FIFA e afins? Não, que ideia. [Read more…]

Decadência

Ao ter conhecimento do “apego a um qualquer animal de estimação, típico das sociedades decadentes“, do bispo Linda, lembrei-me disto, lido há cerca de 33 anos:

— Não posso dispensar-me aqui duma psicologia da «fé» e dos «crentes» em benefício dos próprios «crentes».  Se, ainda hoje, alguns deles (crentes) ignoram até que ponto é indecente ser «crente»—ou então quanto isso é sinónimo de decadência, de vontade de vida quebrada—, já amanhã o saberão.
—Nietzsche

No original, lido cerca de treze anos depois:

— Ich erlasse mir an dieser Stelle eine Psychologie des „Glaubens“, der „Gläubigen“ nicht, zum Nutzen, wie billig, gerade der „Gläubigen“. Wenn es heute noch an solchen nicht fehlt, die es nicht wissen, inwiefern es unanständig ist, „gläubig“ zu sein — oder ein Abzeichen von décadence, von gebrochnem Willen zum Leben —, morgen schon werden sie es wissen.
—Nietzsche

Nótula: Felizmente, estou durante uns dias na casa da aldeia, onde guardo estas preciosidades (a segunda edição, de 1988). Já agora, o amigo que me apresentou ao Frederico Guilherme e o próprio Frederico Guilherme fazem anos amanhã, 15 de Outubro. Ainda bem que há coincidências.

Mateus, 7:3

«Porque reparas tu no cisco que está na vista do teu semelhante e não vês a trave que está nos teus próprios olhos?»

(Ambos os artigos foram publicados hoje, na edição online do jornal Público)

Marcelo, o sobrevivente

Marcelo Rebelo de Sousa não comete erros, salvo raríssimas excepções. Porque Marcelo é calculista, planeia e antecipa, e joga o jogo como poucos, na política e na imprensa.

Marcelo é de outro campeonato. Tanto que destruiu a concorrência na corrida à Belém, num momento de crise existencial à direita, com o apoio do primeiro-ministro e presidente do partido com o qual o seu PSD disputa o controle do Estado.

Esta semana, porém, assistimos a uma dessas raríssimas excepções. E não, não estou a tentar desculpar Marcelo. As declarações do presidente são hediondas e inaceitáveis. E não acho que Marcelo o tenha feito inadvertidamente. Acho que foi calculado, com o objectivo de minimizar o horror que aqueles números representam. Foi um frete do presidente da República de um Estado laico à hierarquia da Igreja Católica. Só que correu mal, obrigando Marcelo a recorrer ao seu amplo repertório de desculpas esfarrapadas.

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Sérgio Figueiredo pôs “o Moedas a funcionar”?

Quando Fernando Medina tentou atribuir um tacho equiparado a ministro ao velho amigo Sérgio Figueiredo, a oposição caiu-lhe – muito bem – em cima.

Como é costume nestes momentos de roast político, escavou-se até mais não, para que todo o entulho esquecido nos canos viesse ao de cima. E ele veio, sem dó nem piedade, ou não vivêssemos nós numa ditadura socialista.

(risos)

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Autoritarismo do bem, pré-aprovado por Nosso Senhor Jesus Cristo

No farol da liberdade ocidental, onde a democracia é sólida e exemplar, o abuso de poder e a violência policial são uma constante. Sorte a deles, e dos seus vassalos ocidentais, visa quase sempre pretos, hispânicos e outros não-caucasianos. Porque os caucasianos, é sabido, são alvo de vis perseguições e ataques racistas sem precedentes. De maneira que, em princípio, é autoritarismo do bem, pré-aprovado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Oremos.

A Leste Tanto de Novo

Moscovo, a sua cúpula dirigente e principalmente o próprio Putin não são exactamente grandes adeptos da transparência. As informações que chegam raramente são claras e têm quase sempre várias leituras. O que até é perfeitamente compreensível. A filosofia que escolheram em profunda disrupçâo com a evolução da humanidade, não lhes autoriza grandes sinceridades. Primeiro, isso permite-lhes não ter de efectivamente assumir o que quase ninguém compreenderia. Segundo, a obscuridade é sempre a melhor defesa da ditadura e um garante da sua sobrevivência.

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Contra o Orçamento do Estado para 2023

Mantém-se um mistério o motivo pelo qual gente alfabetizada votou favoravelmente documentos redigidos nos termos de 20122013201420152016201720182019, 2020, 2021 e 2022 [1] e [2]. Uma hipótese que me parece plausível é a de estes documentos não terem sido lidos por quem os votou. E isso, a ser verdade, é grave. Mas não sabemos se é verdade. Só sabemos que é uma hipótese.

Debrucemo-nos então sobre o documento hoje depositado por Fernando Medina nas mãos de Augusto Santos Silva.

Foto: Nuno Ferreira Santos (https://bit.ly/3CpJfXc)

Vejamos, pois, uma amostra do conteúdo do Relatório (pdf): [Read more…]

Credit Suisse e Deutsche Bank à beira do colapso porque a maralha voltou a viver acima das suas possibilidades

Crescem as suspeitas de que o Credit Suisse e o Deutsche Bank estarão à beira do colapso. E que o eventual colapso, apoiado na queda abrupta do valor das acções (as do Credit Suisse caíram cerca de 75%, desde Fevereiro de 2021) e na subida à pique dos credit default swaps, para valores superiores aos registados durante a crise de 2008, poderá ter consequências mais desastrosas que a queda do Lehman Brothers.

Lembram-se da queda do Lehman Brothers?

Foi aquele banco americano, ícone maior da superioridade do extremo-capitalismo neoliberal, que se desmoronou e levou com ele a economia mundial. Ou, traduzido para conservador-liberal, o Sócrates a governar e o povinho a comer bifes à maluco. A tradução para facho é parecida, basta acrescentar o termo “vergonha” em qualquer ponto da frase.

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Cabrita é p’ra Frontex

Depois do sucesso que foi a gestão do caso que resultou no homicídio de Ihor Homeniuk, às mãos de agentes do SEF, Eduardo Cabrita está na corrida para director executivo da Frontex.

Da Frontex.

Estas merdas não se inventam.

Royale with cheese

La langue, un français écorché, mêlé de patois, était indissociable des voix puissantes et vigoureuses, des corps serrés dans les blouses et les bleus de travail, des maisons basses avec jardinet, de l’aboiement des chiens l’après midi et du silence qui précède les disputes, de même que les règles de grammaire et le français correct étaient liés aux intonations neutres et aux mains blanches de la maîtresse d’école.
Annie Ernaux (efectivamente)

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Por causa da Mary Royall /rɔɪəl/, lembrei-me do royale /rɔiˈæl/ (with cheese). Trata-se sobretudo de tonicidade, sim, por isso, muito mais do que da velha história da selecção e da *selessão, perdão, da *seleção, lembrei-me da facção e do façam. É exactamente por isto que a linearidade não pode — não deve, OK — servir nem como forma de orientação nem como princípio norteador. Por falar em nortear e orientar (todavia, go west, porque the west is the best), há álbum novo dos The Cult e, na segunda, tereis os GNR de há 30 anos na rtp memória.

No sítio do costume? O costume.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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Lucy in the Sky with Diamonds

Orçamento de Estado 2023 – Expresso

Anda o Governo de Costa metido no LSD?

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A balança

Estranhei, no pomar do bairro, que os quivis tivessem vindo do Chile. Foi um comentário impensado, até porque eu nem gosto por aí além de quivis. Mas a dona da loja embrenhou-se numa história rocambolesca sobre a exportação dos quivis portugueses para França, onde são seleccionados e enviados de novo para Portugal a preços mais altos. Os outros clientes – dois homens que nunca por lá tinha visto – juntaram-se à conversa, cada um com outros exemplos de negócios que acabam invariavelmente na espoliação dos produtores e no enriquecimento das grandes cadeias de distribuição. A dona da loja entusiasmou-se. Os clientes também. Saltaram para os banqueiros, as offshores. A justiça, o Rui Pinto, o Salgado. O Sistema. A pouca-vergonha, a gatunagem, o povo português é muito manso, o isto só lá vai quando o povo acordar. Quem os ouvisse, parecia que iam sair, a qualquer instante, de archote em punho, para erguer barricadas frente ao Parlamento e lançar cocktails molotov ao Sistema. [Read more…]

16 anos do assassinato de Politkovskaya e aniversário de Putin

Há 16 anos, no dia de aniversário de Vladimir Putin, Anna Politkovskaya era assassinada na escadaria do prédio onde vivia. A prenda de aniversário para Putin vinha da parte de Ramzan Kadyrov, na altura primeiro-ministro da Chechénia e hoje presidente desta república da Federação Russa. Kadirov, filho do grande mufti Akhmad Kadyrov, é um islamista, um delinquente como Putin, com um vasto passado de violência, assassinatos, tráficos lucrativos, etc. O acordo com Putin era simples. Kadirov fazia o que bem entendia na Chechénia, repressão, corrupção, tráfico, etc., mas tinha a obrigação de garantir o fim das pretensões separatistas. Putin, em troca, transferia fatias generosas do orçamento de estado para a Chechénia e para a conta de Kadirov. Anna Politkovskaya era uma voz inconveniente para este negócio, denunciou este acordo tácito entre os dois, bem como os esquemas criminosos em que estava envolvido Kadirov, denunciou ainda a repressão, a perseguição a homossexuais ou as restrições à liberdade das mulheres chechenas.

Mas o papel mais importante de Politkovskaya foi a denuncia bem documentada e detalhada da natureza do regime de Putin e em especial das forças armadas russas. O que o mundo tem estado a descobrir desde fevereiro já tinha sido escrito e documentado por Politkvskaya no início da década de 2000. Caracterizou a podridão instalada no regime de Putin ancorada numas forças armadas profundamente corruptas, onde a mentira é moeda corrente e a desumanidade tem como principais inimigas as associações de mães de soldados russos, as únicas que Putin não teve coragem de triturar até hoje. É graças a estas mães que Anna Politkovskaya tem acesso a processos judiciais contra variadas patentes das forças armadas, processos que raramente têm um desfecho. Esses preciosos textos plasmam uma hierarquia militar alienada da humanidade, violenta, acima da lei, onde o valor da vida dos soldados é praticamente zero e onde se mente, mente, mente, mente e mente sem freio. Descrevem-se com detalhe praxes militares de violência extrema, onde se morre, ou ainda a falta de material no campo de batalha da Chechénia, a falta de um teto ou de uma simples tenda para dormir, a falta de alimentos e de água, soldados que são obrigados a pilhar supermercados para ter o que comer. Estes textos ajudam a perceber bem a desorganização e o terceiro mundismo das forças armadas russas que constatamos nas reportagens que nos chegam da invasão da Ucrânia. O exército russo pouco evoluiu desde a II Guerra Mundial. Se na altura era compreensível que o sucesso das forças armadas da URSS dependesse muito da massa humana, ancorado em perdas de imensas vidas humanas, já no século XXI isso não é aceitável.

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Bolsonaro subsídio-dependente

Na Segunda-feira, dia imediatamente a seguir à primeira volta das eleições brasileiras, o governo Bolsonaro anunciou a antecipação de prestações sociais.

A extrema-direita a antecipar prestações sociais para fazer campanha, precisamente aquilo de que acusa a esquerda de fazer.
A extrema-direita que demoniza prestações sociais, com o seu discurso moralizador e punitivo sobre aqueles “que não querem trabalhar” e preferem “mamar do Estado”.

A usar o Estado, que quer pequeno, para fazer campanha.

O Estado e os recursos do Estado.

Dinheiro dos impostos dos brasileiros.

Que Bolsonaro e os seus apoiantes dizem querer cada vez mais baixos.

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Como destruir a propaganda bolsonarista em 80 segundos

A jornalista brasileira Amanda Lima, mostra como se faz. Pega na notícia falsa, confronta-a com declarações oficiais e públicas que destroem por completo a mentira, e termina reduzindo o elemento bolsonarista a mero receptor/emissor de propaganda veiculada via WhatsApp, no questions asked. Isto sim, um conteúdo a considerar seriamente para o programa curricular de qualquer disciplina de Cidadania nas escolas. Pedagogia anti-fascista. Haja alguém que a faça.

A TAP, a BMW e o dinheiro dos outros entram num bar….

No remanso de um qualquer gabinete da TAP uma boa alma decidiu que estava na hora de comprar uns carritos todos pomposos para a malta. Porque não? Seus invejosos. Ainda por cima alemães e tudo. Qualidade, durabilidade e status. Quem nunca com o dinheiro dos outros….

As redes sociais entraram em alvoroço e daí ao comentário televisivo e deste aos telejornais foi um tiro. O nosso Primeiro até mandou uma boquita sobre o “seu” Nissan Leaf. Estava dado o tiro no porta-aviões e os BMW, água. Contrato cancelado. E só Deus saberá quanto nos vai custar a marcha atrás…

Ora, aqui chegados, seria boa ideia, digo eu, a expedita comunicação social começar a vasculhar os armários do Estado. Todo ele. Todos os armários. Informar a malta, o Zé pagode, de quanto nos custa os desmandos desta malta lesta a “esbardalhar” o dinheiro dos contribuintes. Ele é iPhones, iMacs, automóveis, senhas de gota, viagens em 1º classe, estadias em hotéis da “Leading Hotels of The World” e um imenso por aí fora. Seja na administração central, na administração regional, na administração local, nos milhares de cargos de chefia, de nomeação política, etc, etc, etc. Ainda me lembro nos idos do início do século de um administrador de uma empresa municipal que, todo lampeiro, comprou um BMW de alta gama mas pediu ao concessionário que retirasse da traseira do dito os números que denunciavam a cilindrada do bicho. E que bicho……

A falta de noção é gritante. Aquilo que não fariam com o seu dinheiro fazem-no com o dinheiro público. sem qualquer pudor. Nem controlo. Se o contribuinte tivesse uma verdadeira noção do que se passa talvez aquele outro no remanso do seu gabinete da TAP não tivesse espasmos para comprar popós para a sua malta…

Elon Musk fala putinês

Mas a direita não o tenta cancelar. Porque o fascínio por quem tem muito dinheiro e negócios altamente lucrativos, ainda que financiados com milhões de dólares do Tesouro americano, se sobrepõe SEMPRE a “questões menores”. O mesmo motivo que a faz berrar contra o comunismo para de seguida se transformar num fofinho cachorrinho bebé, quando lhe perguntamos se devemos fechar a porta daa democracias liberais a mão de obra escrava – mas extremamente rentável – que Pequim vende aos seus heróis e financiadores. Talvez a solução seja o PCP convidar Musk para actuar no Avante 2023.