
João Rendeiro e Cavaco Silva: uma pequena história com pouco interesse
Professores com vontade, procura-se
Atualmente, desde que nascemos (e pelo menos até atingirmos a maioridade) um terço da nossa vida é passado a dormir, e cerca de outro terço é passado numa sala de aulas ao longo da juventude. Lembro-me que o meu pai apelidava a fase escolar de algo como “o emprego dos jovens” – fazendo o paralelismo, da mesma forma que os pais vão para o trabalho, o trabalho dos mais novos seriam os estudos, onde analogamente o pagamento seriam as pautas pelo desempenho e esforço feitos durante os trimestres e mais tarde a entrada para a faculdade querida de quem assim o almeja.
Sabendo que uma grande parcela da nossa juventude é passada a aprender, causa-me uma enorme urticária a desvalorização geral que se faz sentir nesse que acredito pessoalmente ser dos empregos mais importantes que se pode ter – ser professor. É procupante a falta de renovação de quadros e falta de interesse da minha geração nessa profissão. O Nabais explica bem essa realidade neste texto e aqui também, vinde ler que o gajo escrevinha umas coisas pertinentes.
Os poucos amigos que conheço que enveredaram pela área, desabafam sobre as colocações feitas em locais absurdos bem longe de casa sem qualquer apoio, da quantidade de trabalho absurda, das quantidade de reuniões longas e desnecessárias, somando a isso o facto de terem de gerir a sua vida pessoal neste grande ato de malabarismo.
Em retrospetiva e num exercício de empatia, agora não me é surpreendente o relembrar de professores mais azedos que me marcaram pela negativa e em parte desculpar alguns ou muitos dos seus comportamentos. É graças a esses professores que alunos tal como eu criam anti-corpos a determinadas disciplinas (ou em casos mais severos, à própria escola e ensino em geral). Basta pensar no cansaço acumulado da idade, aliado a problemas do foro pessoal/familiar ou de saúde terem de ser articulados com a responsabilidade de leccionar entre 20 a 30 jovens com as hormonas ao rubro durante cerca de 6h semanais por turma (!) e por vezes de diferentes anos. Fora o trabalho fora de aulas. Para quem nunca tentou dar formação a um grupo de pelo menos 20 adolescentes dificilmente entenderá genuinamente a dificuldade que é captar a sua atenção e interesse durante um período de tempo mais extenso do que 5 minutos.
É precisamente através a esses anti-corpos que se criam em conjunto (e contrastando) com a paixão flamejante de outros professores que nos conseguem cativar, que ao longo desse terço da nossa vida juvenil chegamos aos dias de hoje, parte da personalidade e gostos influenciados. É um terço da nossa vida que estamos em fase de crescimento, onde aprendemos a gerir problemas familiares, com outros hobbies externos, com namoros, com desporto, com amigos, com bullying. adicionando um topping de pressão da eterna pergunta “então e o que é que queres ser quando fores grande?” em mescla com um cocktail de hormonas rebeldes e um (natural da idade) desnorteio da vida de uma forma geral.
Poderia desenvolver muito mais e dar todos os exemplos de casos práticos que me recordo e que evidenciam a receita da desgraça atual, mas ao final de 500 palavras creio ser o suficente para ser óbvio o consequente molde de uma grande parte da vida de todos os educandos, entenda-se, todos nós! Molda-se muito dos interesses pessoais, acrescenta-se conhecimento e disabores que levamos para o resto da vida.
Neste 5 de outubro onde se celebra além do dia da Implantação da República Portuguesa o dia do Professor, para quem ainda não teve filhos, para quem nunca surgiu a oportunidade de ensinar um grupo de jovens, para quem quer e para quem não quiser fica a sugestão de reflexão sobre aquele(a) professor(a) que tinha o pavio mais curto. Empatizar com os problemas que mais certamente nem imaginamos que ele(a) tinha e valorizar quem excerce, para motivar quem nem sequer pensa em excercer devido ao panorama atual. Para que se criem mais condições para a minha geração envergar pela área sem medo de quando o fizerem (à semelhança da memória daquele professor zanzinga que em algum momento já tivemos) ficarem rapidamente com um pavio igualmente curto.
Portugal não é a Hungria

Sinto a minha inteligência insultada, verdadeiramente insultada, sempre que me tentam vender a narrativa da imprensa nacional no bolso de Costa, ou dependente das suas ordens, ou condicionada na sua actividade pelos humores do Partido Socialista. Bem sei que o poder, aqui como em qualquer lado, tem algum ascendente sobre algumas redacções, e Portugal não é excepção, mas basta olhar para quem manda nos jornais, rádios e televisões, analisar para que lado do espectro pende a maioria dos cronistas, perceber o fosso que existe, nas TVs, entre a quantidade de comentadores afectos aos partidos de esquerda e aos partidos de direita (com os casos gritantes de CDS e PCP, o primeiro por ter uma presença largamente superior à sua representatividade, o segundo por praticamente não existir, apesar de ser a quarta força no Parlamento e a terceira ao nível autárquico), entre outros aspectos – cuja enumeração exaustiva não pretendo fazer, por não ser disso que se trata esta pequena posta – para perceber o que realmente se passa neste país.
Viva a República!

Foi há 111 anos, neste mesmo 5 de Outubro, que Portugal viveu a sua primeira revolução democrática, 64 anos antes da liberdade de Abril. Uma revolução que derrubou uma monarquia decadente, varrendo do nosso país, para sempre, o privilégio de governar baseado na hereditariedade. Bem sei que a República tem os seus defeitos e lacunas (e a primeira foi particularmente desastrosa, tão desastrosa que abriu as portas para o regresso da ditadura), mas poder eleger os nossos representantes, ao invés de estar condenado a dobrar o joelho a alguém que nada mais fez que não fosse nascer na família certa, não tem preço. E quem não está contente tem bom remédio: vote, candidate-se, lute pelo poder. Em monarquia comia, calava e ainda se punha a jeito de levar uns açoites por querer ser mais do que um escravo da coroa.
Viva Portugal, viva a Democracia, viva a República!

Vedro con mio diletto
O contra-tenor Jakub Józef Orliński canta “Verei com a minha amada”, ária da ópera “Il Giustino”, de Vivalvi.
Fui eu

Como boicotadora desde a primeira hora do Facebook, WhatsApp e Instagram esta notícia foi tão à medida dos meus desejos, que só pode ser explicada pela magia da minha força mental:
Yeah!!!
P.S.- Fica o aviso aos ca. de 2 mil milhões de utilizadores destes “serviços” a nível mundial.
O tesão da inércia: uma caixa de Pandora

Não é a primeira vez. Não há-de ser a última.
Vieram a público, à boleia do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), notícias do envolvimento de diversas figuras de Estado – de primeiros-ministros e ex-primeiros-ministros a ministros e ex-ministros, de ministros a secretários, de secretários a empresários, de empresários a monarcas, de monarcas a presidentes da República – e outros famosos, em crimes de evasão fiscal e branqueamento de capitais.
Tal como aconteceu antes, em escândalos como os Panamá Papers, por exemplo, volta a comprovar-se que os mais ricos e poderosos, quando podem (e porque podem) assentam a sua riqueza e o seu poder sob uma camada de criminalidade económica. Não é novidade, não há-de ser novidade no futuro.
Grassa na política mundial (e Portugal não está imune) a teoria de que será na baixa de impostos que estará o crescimento de certos países. Mas vejamos… porque pagamos tantos impostos? Parece-me óbvio, desde sempre, que a arraia-miúda paga os impostos que os mais abonados nunca pagarão. E como esses, os ricos e poderosos, têm a faca e o queijo na mão (que é como quem diz, todo o dinheiro do mundo), não convém que a carga de impostos seja elevada para estes. Ouço, todos os dias, liberais a exigirem a baixa de impostos… mas nunca os vi a defender o aumento de impostos sobre os multi-milionários. Mas, não sendo elevada a carga de impostos que os milionários e bilionários pagam, os mesmos ainda teimam em não pagar a parte que lhes está atribuída. Funciona assim, o sistema capitalista: “acumula tudo o que conseguires, mesmo que com isso estejas a cometer um ou outro crime económico”; e sejamos sensatos: o sistema neo-liberal vigente permite e incentiva tais comportamentos. [Read more…]
Pandora Papers: o regresso do capitalismo trafulha
Pepe Guardiola, Shakira, Rafaelle Amato (histórico padrinho da Camorra), Tony Blair, Andrej Babis (PM checo) e Abdullah II, rei da Jordânia. O que une todas estas figuras, milionárias e multimilionárias, do futebol à política, republicanos e monárquicos, músicos e barões da máfia? Neste caso é a ganância e a determinação de querer e conseguir fugir aos impostos, usando para tal esquemas rebuscados desenhados por vigaristas financeiros, com recurso a paraísos fiscais e lavagem de dinheiro.
Depois do Panamá, Bermudas, Malta e Luanda, o mais recente sucesso de bilheteira do ICIJ chega-nos de várias localizações em simultâneo, como as incorruptíveis Ilhas Virgens Britânicas e as igualmente impolutas Bahamas. Sim, as elites mundiais não se contentam com os luxos que os seus talentos, heranças ou assaltos lhes permitem usufruir. Não chega. É preciso fugir aos impostos, lavar dinheiro e aldrabar a populaça. E Portugal, como sempre, tem uma representação de peso: Manuel Pinho, icónico ex-ministro socrático, Morais Sarmento, ex-ministro de Durão e actual vice de Rui Rio, e Vitalino Canas, ex-secretário de Estado de Guterres, são os primeiros nomes a surgir em mais um escândalo internacional de trafulhice financeira.
[Read more…]A ganância e a rédea solta que lhe dão, ou seja, a questão é: porque é que as offshores são legais?

Foi publicada ontem uma nova investigação internacional pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) – do qual o jornal Expresso é parceiro -, sobre evasão fiscal e branqueamento de capitais. As revelações são baseadas na maior fuga de dados fiscais de sempre, 600 jornalistas de 117 países colaboraram na investigação. O enorme conjunto de dados inclui 11,9 milhões de documentos de um total de 14 fornecedores de serviços financeiros. Dele constam os nomes de numerosas celebridades, políticos e bilionários, demostrando que a evasão fiscal e a criminalidade financeira continuam em grande escala, através de empresas de fachada e trusts.
Entre os visados, destacam-se figuras como o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenskiy, o rei Abdullah II da Jordânia ou o primeiro-ministro checo, Andrej Babis.
Também os ministros das finanças do Paquistão e Holanda têm laços com empresas offshore, assim como ex-ministros das finanças de Malta e da França – incluindo o ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn.
E claro, também há portugueses envolvidos nos Pandora Papers, como Manuel Pinho, ex-ministro da Economia de José Sócrates, Nuno Morais Sarmento, vice-presidente do PSD e ministro nos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes, e Vitalino Canas, secretário de Estado nos governos de António Guterres. [Read more…]
A nova inclusão é a negação; um desabafo linguístico
Aprendam de uma vez e desculpem o desabafo:
“Todes”, “alunes” ou “brasileires” não é linguagem inclusiva e/ou neutra. É a desvirtuação de uma ciência que se chama linguística. Querem incluir? Crie-se políticas públicas de inclusão que realmente façam a diferença na vida de pessoas todos os dias violentadas, ignoradas e abandonadas. A linguagem não é neutra, não queiram fazer dela aquilo que ela nunca poderá ser.
Estudaram linguística? Não? Então deixem-se de merdas e falem correctamente. Fala-se cada vez pior em Portugal, cada vez há menos ligação entre o cidadão e a sua língua. Não queiram agora “impor”, a quem já pouco sabe da sua língua uma outra linguagem, anti-científica, dissimulada e irracional. Quem não estudou medicina também não está capacitado para administrar receitas médicas.
Esta questão da linguagem neutra é muito simples: não se assume o género de ninguém à partida. Se surgir na conversa, fale-se sobre isso, com espírito aberto, tolerância e empatia, como deve ser em todo e qualquer caso que envolva pessoas. Quem se identificar como A ou B, no que ao género diz respeito, há-de afirmar-se como tal. E nós, como boa gente que somos, respeitamos, apoiamos e defendemos.
Menos wokice.
Mais políticas públicas de inclusão.
É pedir muito?
Mercúrio

Primeiras imagens do planeta Mercúrio capturadas pela sonda BepiColombo durante o sobrevôo de ontem.
A região mostrada faz parte do hemisfério norte de Mercúrio, incluindo Sihtu Planitia que foi inundada por lavas.
Imagem: ESA, via Tien Nguyen
Novidades da chaluposfera: o vulcão de La Palma é uma fraude
E “prontos”, a chalupice voltou a fazer das suas.
Pelos vistos, o vulcão em La Palma é uma mentira. Ou então foi o Pedro Sanchez, esse grande comuna da nova ordem mundial, que o pôs a funcionar. Havendo outros, ainda, que garantem tratar-se de um golpe da dupla Gates/Soros, para nos desviar as atenções da vacina, dos chips e das seitas de Hollywood que se mantêm jovens através da ingestão de plasma de bebé (comer crianças é coisa de comuna, não de gente hiper chique de LA).
Alguém avise o Magalhães Lemos.
Porque hoje é 1 de Outubro

Dedicada ao José Mário Teixeira.
Foto: Francisco Miguel Valada (Santa Luzia, 22 de Agosto de 2021).
Pormenor: [Read more…]
Oferta de Emprego! Estamos a recrutar!
Oferta de emprego:
Deputado CDS/PP – Lisboa (M/F)
Tipo de oferta: full-time, até ao fim desta legislatura (2019-2023)
Funções:
- Precisa-se deputado(a) para exercer funções na Assembleia da República;
- Necessário bater palmas e dizer “muito bem” sempre que um deputado do partido faça uma intervenção;
- Estar no hemiciclo em dia de votação e apoiar publicamente as posições do Dr. Chicão, mesmo que possa não ter percebido o alcance das mesmas.
Requisitos:
- Damos preferência a candidatos que não gostem dos partidos de esquerda;
- Boa apresentação.
Resposta urgente ao Largo do Caldas!
Ai aguenta, aguenta
É calar, pagar e aguentar.
O Tratado que bloqueia a transição energética: TCE

Está a decorrer de 28 de Setembro a 1 de Outubro a a sétima ronda de negociações para a “modernização” do Tratado da Carta da Energia (TCE). Um Tratado que protege as petrolíferas e condena os estados a pagar muitos milhões. Os 53 países que o assinam abdicam da sua soberania legal e aceitam ser processados por empresas em tribunais arbitrais. Portugal é depositário.
Hoje mesmo, tem oportunidade de saber mais sobre o TCE e as suas nefastas implicações, às 19h, via zoom, neste link.
O evento conta com o especialista Martin Dietrich Brauch, Investigador Jurídico no Columbia Center on Sustainable Investment (CCSI), da Faculdade de Direito e do Instituto da Terra na Columbia University, em Nova York. Não perca!
Vecchio Signore
Monica Bellucci já veio dizer que, para presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas já tem “uma certa idade”.
António Costa, o vencedor das Autárquicas 2021

Confesso que estou surpreendido com alguns comentários e comentadores que falam numa grande derrota do PS. E se é verdade que as derrotas de Coimbra e Funchal eram expectáveis, a queda de Medina é a grande surpresa da noite e um ponto importante para o PSD, que regressa ao poder na capital. Mas, sejamos sérios: controlar a capital vale por isso mesmo, pelo controle da capital, mas não equivale a vencer as eleições. E o controle que Moedas exercerá sobre a capital, convenhamos, tem muito que se lhe diga, na medida em que a sua coligação tem 7 vereadores, o PS outros 7, o PCP tem 2 e o BE tem 1. O mesmo se passará na Assembleia Municipal, onde Moedas não tem maioria e a direita tem menos quatro representantes do que a esquerda. Pelo que Moedas tem duas opções: ou negoceia à esquerda, ou não governará.
O que ganha eleições autárquicas, como em anos anteriores, é a conquista de mais câmaras municipais e freguesias. O PS conquistou 148, o PSD, sozinho ou nas múltiplas coligações em que se envolveu (e aqui vou incluir as câmaras do CDS, para dar volume à coisa) não chega às 120. Serão 119, se não estou em erro, menos 29 que o PS. Significa isto, portanto, que o PS mantém o controle sobre a Associação Nacional de Municípios.
[Read more…]Unicórnios e megalomanias

As propostas de Carlos Moedas para Lisboa incluem: uma fábrica de unicórnios, um centro mundial da economia do mar, o Parque Mayer transformado em centro nacional de Cultura, a construção de um Novo Centro de Congressos de Lisboa…
Dá vontade de fugir.
As siglas
Faz-vos confusão a sigla LGBTQI+ mas depois votam no PPD/PSD-CDS-PP-MPT-PPM-IL-IRS+IVA Domingues.
Vá-se lá entender.
Compreender os lisboetas
Na passada sexta-feira fui ao futebol, assistir ao Sporting C.P. – C.S. Marítimo em Alvalade. Nas imediações do estádio, que frequento há dezenas de anos, é sempre complicado conseguir um lugar de estacionamento, à medida que se vai aproximando a hora do jogo. Quando se trata de jogos grandes, as dificuldades aumentam. Longe vão os tempos em que até se estacionavam carros na 2ª circular, em dias de futebol nos estádios da Luz ou Alvalade, mas sempre existiu alguma benevolência das autoridades, para com viaturas estacionadas em cima de passeios ou mesmo de forma irregular, estreitando a via, desde que não se coloquem em causa o acesso a garagens ou estacionamentos, ou condicionem os acessos a prédios, armazéns ou estabelecimentos, ou se criem constrangimentos à circulação. [Read more…]
A eleição mais importante de ontem na U.E.

Tal como se previa, para governar a Alemanha, serão necessários 3 partidos. Ou apenas 2, caso o SPD e CDU resolvam entender-se, hipótese que não pode ser descartada, embora nenhum dos grandes partidos a deseje. [Read more…]
Apesar de Santana Lopes ter vencido na Figueira da Foz,
“agora facto” NÃO “é igual a fato (de roupa)“.










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