
O vídeo está no site da RTP e é elucidativo: Luisão agride o público com um objecto durante o intervalo do Porto – Benfica.
A lei é clara. Por muito menos, Hulk esteve suspenso durante vários meses.
Sumaríssimo, já!
A agressão de Luisão ao público (Sumaríssimo já!)
Portugal e Grécia, ai dos vencidos!
A Grécia vai receber uma ajuda de 110 mil milhões de euros a par com medidas de austeridade que já estão a trazer para as ruas convulsões sociais. Neste pacote, entra Portugal com 2064 milhões de euros, a pagar nos próximos três anos.
Os restantes 80% dos 110 mil milhões de euros serão assegurados por acordos bilaterais dos países do euro. Estes empréstimos serão remunerados a uma taxa média de 5%, o que nos leva a esta questão que faz toda a diferença. Portugal, após a recente classificação no raking financeiro internacional, paga os seus empréstimos a 6%, os restantes países pagam os seus empréstimos a 3%!
Isto é, Portugal e a Grécia perdem, pagando taxas de juros mais altas do que a dos restantes países ! Os ricos ganham 2%, mas a verdade é que se não fossem competentes não eram países ricos!
Foi-se embora em boa hora

Para D. Regina Dias
Muito falamos, pouco de nós. Empresto a minha vida e mãe, para homenagem a si.
Não importa a idade. Fazem falta. Lembramo-las. Rezamos por elas porque já não estão connosco, embora sintamos a sua presença. Como é público, eu não sou crente, mas a minha mãe era imensa na sua beatitude, por isso, em sua honra, no denominado dia da Mãe, mandamos rezar uma Missa pela sua alma. E sentimos, em silêncio, com respeito que ela nos acompanha. [Read more…]
Um Chalezinho no Cacém
O tempo, maduros!
Apetece-me hoje parafrasear, ante a medioridade triunfante e os sentimentos menores que se destilam um pouco por toda a parte, o grande Mário de Andrade que foi grande na outra riba do Atlântico e tão mal conhecido é entre nós.
De Mário de Andrade:
“O valoroso tempo maduro”
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
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O ideal seria Jardim escrever em vez falar
As imagens de marca de Alberto João Jardim residem, em parte, no destempero e na truculenta linguagem utilizada. Um incontido verbalismo, onde o insulto é frequente, serve de arma violenta do Presidente do Governo Regional da Madeira para alvejar adversários políticos ou companheiros de partido. Outro hábito seu, diga-se, é a flagrante contradição de, a posteriori, se converter por vezes em figura de ridícula submissão a quem, antes, atingira com epítetos e discursos grosseiros; é o caso do ‘Sr. Silva’ em relação ao PR e da ridícula cena das mãos postas, de devoto pecador arrependido, diante de José Sócrates.
Por inexplicável impulso e certa curiosidade, li o artigo de opinião intitulado «UE acelerou demasiado o processo de construção» em TVI24 e confesso o meu espanto. É marcado por ideias consistentes e de bom senso, inimagináveis, talvez por preconceito meu, em Alberto João Jardim.
Com a surpresa suscitada, inferi: ‘o ideal seria Jardim escrever em vez de falar’ – falar só nos desfiles festivos, mascarado ou em cuecas, euforicamente limitado à euforia funchalense.
Obras públicas – aliança Sócrates / PCP
A guerra dentro do governo já é mais que evidente. Sócrates responde a Cavaco Silva e põe o ministro das obras públicas a responder a Teixeira dos Santos. A causa são, evidentemente, as obras públicas ! Sócrates acha que recuar, ou pelo menos adiar as obras públicas para melhores tempos, dá uma imagem de fraqueza. Pelo contrário, na presente situação, esta obsessão pelas obras públicas (TGV, Aeroporto e Ponte) levanta sérias e legitimas suspeitas. O que aproveita Sócrates, contra todas as opiniões e evidências, levar estes projectos ao ponto de não retorno?
Claro que Teixeira dos Santos, que faz as contas e que ouve as entidades financeiras da UE, sabe que esta obsessão não tem pernas para andar, ninguem vai emprestar dinheiro para obras faraónicas, a não ser a taxas de juro elevadíssimas que o país não tem como pagar. Quem vai continuar a engolir “sapos”?
João Cravinho, lá de Londres já veio apoiar Teixeira dos Santos e, Passos Coelho, espera que mais vozes se juntem no apoio ao ministro das Finanças, É que as contas ,para ajudar Portugal, apontam para 13 mil milhões de Euros o que corresponde a 8.1% do PIB e a cerca de 11% da dívida pública. Se lhe acrescentarmos, em contas redondas, mais 3.3 mil milhões para o Aeroporto, 1.8 mil milhões para a Ponte e o TGV até ao Poceirão e uns 7 mil milhões para o resto do TGV e, já agora, a autoestrada consignada há dias à Motta-Engil de 1,42 mil milhões, fica a dúvida legítima.
O que fará mover Sócrates para deixar o país numa situação miserável desde que as obras públicas atinjam o ponto de não retorno? Porque o que faz correr o PCP, apoiar as grandes obras públicas, é a existência de um Estado que tudo constrói, tudo controla, tudo pode.
Mas esses, os comunistas, não enganam ninguem! Sabe-se ao que vêm!
Dentro dos meus olhos
Dentro dos meus olhos uma tela azul enorme, como a luz dos teus olhos onde encerrei todo o céu que pude.
Um mar imenso de mil cores, mil jardins de flores, mil flores à minha escolha, ao critério dos meus dedos, ao sabor dos meus segredos e dos medos de não ser capaz.
Azul e mais azul de amarelo fustigado, um rasgo genial de vermelho, um reflexo de sol e de céu.
Nada te dizem as cores da minha mão se tento escrever-te numa tela ou pintar teu rosto na letra de um verso.
Tu não queres puxar os cordéis das minhas pernas em sentido de fuga. Não deixas abrir as janelas do vagaroso comboio translúcido, carregando ruas estreitas e novas lojas de palavras velhas.
Nas estreitas ruas das minhas mãos há longuíssimas raízes que te prendem a um labirinto de espelhos.
Grande como o céu, tão alto e tão à mão, não sei pintar-te assim. Vou recriar-te dentro de mim em projectada incandescência de quadros brancos, sem palavras, sem fundo e sem fim.
Jesus, o Papa Portista e os Pecados Capitais
O problema era de cariz religioso e resumia-se numa pergunta: Pode haver dois papas ao mesmo tempo na mesma cidade?
– Pode – diziam no Porto – nós temos o nosso papa, o Papa Portista.
– É um papa de pacotilha. – diziam outros.
Para resolver o diferendo, e porque os apoiantes de cada lado eram muitos, escolheu-se o estádio do Dragão, que se encheu de mirones.
De Lisboa vieram Jesus e seus pupilos, entre os quais o Anjo de Maria. No Porto encontravam-se já o dito Papa Portista, o seu braço direito Jesu(aldo) e respectivas tropas.
O Papa Portista instalou-se no camarote VIP começando por incorrer no seu primeiro pecado capital: a soberba.
Jesus preferiu misturar-se com os homens e sentou-se mais abaixo, num banco junto ao relvado.
Para manter o simbolismo do acto, o juiz foi escolhido em função de uma virtude espiritual: a Benquerença.
Os apoiantes das duas facções manifestavam-se ruidosamente, nem sempre fazendo jus ao nome do juiz.
Benquerença, chegando a hora marcada, autorizou que se começassem a exibir argumentos canónicos.
Perante a argumentação opositora, e não sendo o momento adequado para negar revelações, o Papa Portista resvalava disfarçadamente para outro pecado capital: a ira. [Read more…]
Evandro… Bruno Gama… golo do Rio Ave!
O Braga começou desde cedo a vencer e a vitória já não lhe escapa no jogo de hoje.
Na Luz, é a festa. O Estádio todo engalanado festeja o regresso do Benfica às vitórias. Os encarnados são de novo campeões. Faltam 5 minutos para terminar o jogo contra o Rio Ave e o público já fez 5 ondas consecutivas. No banco, os jogadores abraçam-se, Jorge Jesus, comovido, está sentado. O empate chega perfeitamente.
Só falta um golo para a festa atingir o clímax. O público grita «Benfica, Benfica» e «Ó Pinto da Costa, vai pró caralho!». Os jogadores entram na festa e a cada «olé» vindo das bancadas, fazem uma nova carícia à bola.
Já passa da hora. O «placard» electrónico da Luz assinala 2 minutos de compensação de neutralizações. A festa é gloriosa. Luis Filipe Vieira chora copiosamente. De forma desplicente, Aimar atira para os braços de Mora. Deve ser a última jogada do desafio. Rapidamente, Mora coloca a bola em Gaspar. Com um pontapé largo, o defesa-central despeja para o meio-campo do Benfica. De repente, André Vilas-Boas só tem dois jogadores do Benfica à sua frente e três colegas ao lado. Finta Luisão e adianta a bola para Evandro. Bruno Gama vai atrás.
Correm 25 metros e só têm Quim pela frente. Evandro está sozinho, entra na área, passa a Bruno Gama… golo! golo! golo! É golo do Rio Ave!
E o árbitro termina o jogo. Acabou. Acabou. Os jogadores do Benfica levam as mãos à cabeça. Jorge Jesus, comovido, não sai do banco. Luis Filipe Vieira chora copiosamente. O Braga é campeão.
Dispensário de Alcântara: Lisboa Arruinada

O Dispensário de Alcântara é uma das muitas obras de assistência promovida pela rainha D. Amélia. Prosseguindo actividades de cariz social que ao longo dos séculos foram apanágio das rainhas de Portugal, D. Amélia introduziu o moderno conceito de assistência social, tal como hoje o entendemos. Assim, aquilo que se entendia então por caridade, adquiriu fundações mais sólidas, ligando-se à formação de mentalidades – higiene, cuidados preventivos, assistência continuada – e a rainha, desde sempre insistiu junto dos governos, pela implementação das novas áreas da ciência que ainda não tinham chegado ao país. O Instituto Pasteur (Câmara Pestana), os Lactários Públicos, as Cozinhas Económicas, os Socorros a Náufragos, ou as numerosas creches e a modernização dos hospitais, contam-se entre as suas obras mais relevantes. No entanto, para a memória de todos, ficou a inestimável Assistência aos Tuberculosos. O Dispensário de Alcântara foi durante anos, uma visita quase diária e mesmo no exílio, jamais descurou das suas necessidades, mantendo-se em permanente contacto com o corpo médico em exercício. D. Amélia preocupou-se sempre em garantir o permanente funcionamento daqueles serviços à população. Em 1945, quando da sua visita a Portugal, não deixou de visitar esta sua obra, assim como a sede da S.L.A.T. (ao Cais de Sodré). A população correspondeu com um inaudito banho de multidão, numa época em que as manifestações que não tivessem convocatória oficial, eram rigorosamente controladas ou proibidas. Foi talvez, uma das poucas vezes em que os lisboetas estiveram em contacto com uma personalidade que para muitos, simbolizava uma liberdade e um verdadeiro constitucionalismo há mais de três décadas perdido.
O Dispensário de Alcântara está hoje vazio, fechado. Há uns meses, ostentava na fachada, o cartaz com o esperado e temível “Vende-se”. Sabemos o que nesta época, isto significa: destruição. O apagar da memória da nossa História. Este edifício é simbólico da vontade e do sonho de progresso de uma mulher , que quis que Portugal entrasse plenamente no século XX, a par das outras nações civilizadas da Europa. Por si só, a rainha D. Amélia foi um autêntico ministério dos Assuntos Sociais sete décadas antes de o termos criado. Desta forma, o Estado Português, a CML e entidades privadas ou beneméritas, tudo deverão fazer para o preservar. A destruição do Dispensário de Alcântara será mais um crime, uma infâmia. Mais uma vergonha. Até quando?

Durante a sua visita a Portugal (1945), Dª Amélia foi ver a sua “obra de Alcântara”. Hoje para sempre fechada?
Estranha aliança foice-cifrão

Para quem estiver interessado nos acontecimentos de Bangkok, recomenda-se a leitura do excelente artigo de opinião assinado por Kraisak Choonavan. Peça a peça, desmonta a engrenagem propagandística criteriosamente montada pela plutocracia thaksinista e pelos seus enigmáticos aliados operacionais de timbre retintamente maoísta. Choonavan torna assim perfeitamente irracional – ou pior ainda, suspeita -, uma certa cobertura dispensada pelos media e bureaus ocidentais ligados aos grandes interesses económicos.
“Thaksin’s government deployed populist policies to gain popularity among the people by giving them money to spend freely. In some cases, SDAO (Sub District Administration Organization) officers or heads of villages were aware of the need for accountability and opened special accounts for the villagers to invest in projects for the whole community. However, in most of the cases, the money was spent on non-sustainable issues, making people feel richer for a short while, but usually ending up further in debt.
Neither was Thaksin really interested in redistributing the wealth more fairly in Thailand. What Thaksin called “Asset Capitalization” is only a dead slogan. Genuine “Asset Capitalization” needs a systematic and concrete land tenure distribution policy because land is a basic component of production in the economic system. Thaksin’s government never launched such a policy. Instead, his family established SC Asset Corp. Of which the main policy was to consolidate and acquire large land plots. The company used Thaksin’s family preferences and the dominating power of policy-making to gain possession of large tracts of state land.”
Leia o artigo completo aqui, no The Nation.
O Campeão
Muito se tem dito e escrito sobre o mérito, ou a falta dele, de um Campeão.
Há sempre argumentos, de um lado e do outro para justificar tudo e, ao mesmo tempo, nada!
Dois quadros para ajudar a perceber uma coisa muito simples, ganha quem fica à frente.
O Dia da mãe – uma estória de amor
Tive um professor absolutamente excepcional, de história e português, Dr. Carlos Bento, nos intervalos não se deslocava à sala de convívio dos professores, era da oposição, adorado pelos alunos escorraçado pelos colegas de profissão.
Lá veio o dia da mãe, a ideia era os alunos escreverem sobre a mãe, de preferência em verso, a maioria de nós nem em prosa quanto mais em verso, mas não havia obstáculos, vá de versejar. O meu irmão, era um podengo, hábil com as mãos (foi mecânico de aviões na TAP) não tinha qualquer talento para as letras, alcunhado como “Jaburu” pela tez vincadamente morena e por ostentar um grande emblema do F. C do Porto na lapela do casaco.
E não teve com meias, criança, vergado ao peso de não conhecer a mãe, apresenta como sua a quadra universal: [Read more…]
A Europa fracassou !
Debate sobre a Grécia no Forum SPIEGEL-ONLINE:
“A Europa fracassou”
“… Muitos participantes do forum pensam que com esta crise se tornaram evidentes erros fundamentais de construção na UE. Assim ‘Ylex’ escreve que a União Europeia se encontra numa grave crise de existência que também a Alemanha não é capaz de sanear com uma ‘maquilhagem financeira’ para os gregos. “Só se os responsáveis assumirem a sua responsabilidade, tirando as conclusões certas que tenham por consequência mudanças drásticas, a UE poderá sobreviver”. ‘Atzigen’ considera a ideia europeia desde já fracassada. “A UE baseia obviamente num senso de solidariedade subdesenvolvido. Obviamente a UE encontra-se muito longe do seu autoproclamado objectivo de criar proposperidade para toda a gente na Europa.”A sua conclusão: “A Europa fracassou”. [Read more…]
Alívio – O PSD na frente com 5 pontos de vantagem
Não causou nenhuma surpresa, nenhum artigo inflamado, nenhum programa pró ou contra, nada, todos esperavam, é um alívio ter aparecido alguem que possa tirar o país deste pântano. A ideia com que se fica é que é um pesadelo que está a terminar, ter um primeiro ministro todas as semanas acusado de malfeitorias, boys metidos no lodo até ao pescoço, magistrados feridos na sua independência, grupos económicos com a “boina” na mão à porta da residência do primeiro ministro.
Ufa! Como pode ver no texto do Aventar “PSD na Frente“, antecipando as notícias na comunicação social, já não chega a propaganda para tapar “o sol com a peneira” o país, ao contrário do que dizia a propaganda está, miseravelmente, no fim da linha. O ministro das Finanças vem dizer que é preciso reequacionar o PEC e os megainvestimentos, de tarde aparece o ministro das Obras Públicas a dizer o contrário, logo apoiado pelo primeiro ministro. Temos duas linhas políticas no governo ou já são dois governos num só? Teixeira dos Santos engole “sapos” com a mesma facilidade com que Sócrates inventa mentiras. Qual dos dois acabará primeiro?
É que se Teixeira dos Santos abandona o barco, neste momento, entramos numa deriva muito perigosa. Sócrates já não entra nas contas!
O Porto à Conversa…
…é o tema da crónica desta semana no Semanário Grande Porto dedicada ao aventador Vítor Silva e o seu podcast “O Porto à Conversa”.
De Miguel Sousa Tavares
(Acho que é de transcrever)
Sua Santidade
Miguel Sousa Tavares (www.expresso.pt)
0:00 Quinta-feira, 22 de Abril de 2010
Há uma imagem, um momento, um instante decisivo na vida de Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, que me marcou e que nunca esqueci: é o instante em que ele, acabado de ser eleito Papa da cristandade, faz a tradicional aparição à janela do Vaticano e saúda os fiéis reunidos na praça à espera do fumo branco e perante as televisões do mundo inteiro. Como toda a gente, eu conhecia um pouco do percurso do cardeal Ratzinger: sabia que era tido como um eminente teólogo e tinha sido a face exposta da facção ultraconservadora e dogmática da Igreja Católica, à frente da Congregação para a Doutrina e a Fé, a sucedânea moderna da Santa Inquisição. Pelo meu olhar alheio, Ratzinger tinha feito o “trabalho sujo” de João Paulo II, chamando a si o ónus das posições igualmente conservadoras do Papa Woytila, condenando ao silêncio os padres da Teologia da Libertação e os que representavam a Igreja herdeira do Vaticano II e, inversamente, protegendo os dissidentes da ultradireita católica – até se chegar à inimaginável canonização do fundador do Opus Dei, o espanhol Escrivá de Balaguer. O mundo via Woytila como um santo e Ratzinger como o seu indispensável Rasputine. Concedo que a visão fosse redutora e simplista e que as coisas, necessariamente, fossem menos evidentes ou menos simples do que isso. Mas essa era a imagem que passava e nunca pensei que a escolha do sucessor do papa polaco (que, em minha alheia e indiferente opinião, fez a Igreja recuar cinquenta anos) pudesse vir a ser o homem que representava uma facção extremada da Igreja. Achei que, depois de Woytila – um produto dos tempos finais da Guerra Fria (e que alguns historiadores insinuam que foi levado ao poder por Reagan e pela CIA) – a Igreja Católica, dividida entre várias facções opostas e representando realidades diferentes, quereria alguém que fosse um conciliador, um unificador de divergências. Ou, então, alguém radicalmente diferente, mais novo, vindo de África ou da América Latina – onde a Igreja enfrenta os seus maiores desafios – e que fosse capaz de enfrentar questões novas e ter um discurso novo e mobilizador. Mas, não: a sábia escolha dos cardeais recaiu num alemão, representante do conservadorismo, da tradição e da intransigência. Que, uma vez ungido e sentado na cadeira de S. Pedro, passou logo, como é suposto, a emanar a bondade divina e a sabedoria etérea: esse é um dos tais “mistérios da fé”, em que a doutrina católica é pródiga. [Read more…]
Av. Fontes Pereira de Melo: Lisboa Arruinada
Belo conjunto de três edifícios da passagem do século XIX/XX, aguardando destruição. Neste momento, apenas servem para suporte de cartazes publicitários. Como estão na moda e vão nascendo em antigos edifícios por toda a capital, não existirá uma entidade que os queira transformar num luxuoso hotel de charme? As fachadas dos dois prédios à direita da imagem têm que ser preservadas, assim como a totalidade do palacete. À sua volta, temos alguns exemplares de conhecidos trastes, como o edifício PT, o Saldanha Residence (East Cacém style…) e o horripilante Sheraton (esta grande obra do fim do “marcelismo”). Mais palavras, para quê?
Quem semeia pedras, colhe garrafas de tinta

Na sequência do apedrejamento do autocarro do FC Porto nos arredores de Lisboa, hoje foi a vez de o autocarro do Benfica levar com garrafas de tinta azul, e ao que parece algumas pedras que nem causaram grandes estragos.
O futebol devia jogar-se dentro das linhas, que deviam ser só quatro. Quem usou e abusou de toda a batota dos túneis, das arbitragens manhosas e dos castigos absurdos candidatou-se a ter este fim-de-semana atribulações fora e dentro do campo de jogo. Como já ficou demonstrado a PSP não tem capacidade para proteger o que devia ser apenas uma equipa de futebol. O risco é elevado.
Sou contra a violência, pois sou, mas relembro que ainda para mais a direcção do SLB tolera as claques ilegais do seu clube.
Quanto a autoridade moral, deixem-me rir. O mais vergonhoso campeonato das últimas décadas ainda não acabou. E se acabar amanhã vai ser muito complicado.
Um dia de crise
Foi o calor, de certeza. A temperatura subiu muito, o corpo tarda em acostumar-se. A cidade vibrou, houve um tremor, os nervos esticados ao limite. Convulsionaram-se as entranhas da terra, parecia prestes a soltar-se a torrente. Ouviu-se um zumbido no ar, uma trepidação, qualquer coisa capaz de levar à loucura. Mas logo vieram as primeiras gotas mornas do aguaceiro.
Foi o calor, mas também a greve que enlentecia os autocarros e os fazia chegar empanturrados, com as costas dos passageiros coladas à porta por onde já ninguém podia entrar. E talvez fossem também as notícias das bolsas no vermelho, da dívida, da bancarrota, do fim do mundo tal como o conhecemos, mentiroso e injusto, mas tranquilizadoramente familiar.
O sem-abrigo que todos os dias fica à porta do supermercado decidiu, pela primeira vez, entrar e sentar-se ao pé dos carrinhos. [Read more…]
O 1º de Maio – trabalhadoras do sexo !
Estamos modernaços, a enorme manifestação incluia homens e mulheres com cartazes a exigirem que a actividade sexual paga seja reconhecida como um trabalho. “May Day! May Day” e “exigimos direitos”, ” descontar para a segurança social”, com jovens com todo o ar de quem não é “trabalhadora do sexo” mas que organiza, mexe-se por eles e por elas.
Já sabiamos que uma das mais conhecidas activistas nesta área é Portuguesa, em Londres, organizou o primeiro sindicato de trabalhadoras do sexo, embora nunca tenha percebido se ela se incluia nessa categoria, o que a bem da verdade pouco importa, o que interessa que é estão a ganhar a confiança dos outros trabalhadores, não vi ofensas nem “bocas”, pura curiosidade para com os seus bem originais cartazes, a começar pela pobreza dos materiais.
Gostei de ver, são pessoas a quem a vida não ofereceu outro caminho ou que optaram, não importa, mas têm direitos como todos os outros, estou com eles e com elas, é a única forma de não serem escravizadas por chulos e redes de prostituição!
Bela surpresa! E agora, quem recorrer aos serviços de uma trabalhadora do sexo, não precisa de dizer que foi por amor, porque ali não há romance, há trabalho!
O 1º de Maio na Alameda
Vou para a Alameda, já recebi a convocatória para me apresentar no local habitual, de preferência perto das barracas do bom vinho tinto alentejano, das sandes de presunto e longe da barulheira dos discursos e da música aos berros. Mas o pior de tudo são as palavras de ordem que uns gajos, escolhidos a dedo, gritam pelo megafone.

Os camaradas vêm de todo o país, com franel, gente generosa, distribuem tudo o que têm, produtos da casa, na província não há os dramas da grande cidade, eles têm o quintal, as couves, os nabos e o porquinho, e o vinho da aldeia, sem misturas, puro, só uva. E se não partilhamos é um desconforto, mas temos o Vitor com o pão alentejano que comprou na barraca dos comes e bebes e a garrafa do tinto, que os camaradas se apressam a dizer que é bom mas não chega ao deles.
Mas também aparece quem de grupo em grupo vá matando a fome. Em cada ano que passa há mais gente que passa mal, ouvem-se as estórias do fecho da fábrica, do filho desempregado, dos familiares que já emigraram.
O 1º de Maio já foi uma festa!
1.º de Maio – O subsídio de férias a zarpar
O líder do PSD, em declarações públicas, defendeu o pagamento do subsídio de férias aos funcionários públicos, em certificados de aforro. A SIC divulgou ontem uma sondagem, com maioria de opiniões desfavoráveis; hoje, as notícias da TVI24, em Economia, voltam à carga, argumentando tratar-se de uma medida recomendada por economistas, idêntica à dos anos 1980 de um governo do bloco central, chefiado por Mário Soares. Nessa altura, não foram apenas os funcionários públicos.
Tudo isto cheira a campanha de preparação da opinião pública para a medida em causa. A intenção é atingir apenas os funcionários públicos, o que, em si mesmo, já é injusto?
Pedro Passos Coelho começa mal. O não pagamento, em dinheiro, do subsídio de férias é penosa prenda, anunciada aos trabalhadores portugueses no 1.º de Maio deste ano. A somar, de resto, ao desancar sobre os desempregados por José Sócrates, na presença avalizadora do líder laranja.
O ideal seria não haver trabalhadores, pensam eles.
Antes e depois do temporal

Estes são os nossos estadistas, coerentes, horizontes largos, firmes nos propósitos, competentes, acima das fraquezas da espécie, capazes de olhar para o bem do país e não para as suas guerras mesquinhas.
Estas duas fotos envergonham qualquer mortal!

Tudo não passa de mais ou menos dinheiro, nada tem a ver com políticas, com “governance”, com capacidade de estabelecer objectivos e as medidas e avançar coerentemente. Quando o dinheiro aparece ninguem tem convicções, sempre fomos tão amigos…
Mesmo quando a tarefa é hércula e justa um bocadinho de dignidade é fundamental!
1º de Maio – Dia do Desempregado?
hoje nem sequer é um de maio
Tinha uma coisa alusiva para vir aqui contar.
Uma conversa com um casal de trabalhadores
(trabalhadores é para dizer como diz o zé mário branco no fmi, discretamente soletrado e a ressoar cada sílaba)
onde aprendi como uma pequeno-burguesa trabalhando por conta própria puxa por um operário que não pede aumento ao patrão porque o patrão responde tenho 1500 inscritos para entrar na fábrica, queres ir embora?
uma cabeleireira e um fiel de armazém classificado no privilégio do quadro dos efectivos da fábrica como operário geral, muito mais barato, foi ela que falou com o patrão na única vez em que foi aumentado, ele não queria ouvir aquela parte dos 1500 inscritos para entrar para a fábrica, queres ir embora? mas a ela o patrão não disse do mercado de trabalho, uma flexibilidade que falhou na parte dos tomates, patrão também é homem,
a ele, uma vez em que pediu para mudar para outra secção onde podia ganhar mais tinha respondido para o teu lugar precisava de 2 ou 3, nem nas penses, deve ser a isto que chamam uma relação
- empresário / colaborador, que substituiu
- o patrão / trabalhador do antigamente,
estive com eles e achei que era o 1º de maio de 2010,
em cores alternativas, ela quer ter outra criança, ele espera por melhores dias, tipo só haver 150 inscrições na fábrica à espera de uma vaga, a vaga de um deles,
isto ilustrado com umas imagens da conversa e tudo, isto numa fábrica muito visitada pelo governo, tá no youtube e tudo, achei bem alusiva, bués mesmo. Vinha aqui contar.
Não conto. Ia pôr em risco alguns postos de trabalho, e hoje é dia mundial do mesmo.





Há duas espécies, os que andam a mendigar na rua e os que andam a “sugar” no Estado Social. Os primeiros, embora menos apresentáveis e mais chatos (não nos deixam ler o jornal sossegados) são bem mais respeitáveis que os segundos.







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