Quando Leonardo não consegue ser Hoover

 

Nos últimos anos evito ir ao cinema e prefiro ficar, calmamente, a ver os meus filmes preferidos em casa. Não tanto pelo ruminante barulho dos comedores de pipocas (eu até gosto de pipocas) – o conceito das salas de cinema em barda dos centros comerciais permitiram dar a conhecer o elevado número de portugueses que comem pipocas de boca aberta!

 

Não, o problema maior, no meu caso, foi a chegada dos telemóveis. Primeiro com a malta que, educadamente, não desligava o som aos telemóveis. Mais tarde, a grande elevação e respeito pelo vizinho de atenderem as chamadas e agora, tendo a marralha aprendido a colocar os bichos em silêncio, o maravilhoso clarão dos ditos aparelhos sempre que uma sms é trocada com elevado denodo. Enfim.

 

Mesmo assim, como sou um despistado, por vezes esqueço a realidade e vou ao cinema. O preço dos bilhetes está, vou ser simpático, puxadote. Como a oportunidade e respectiva disponibilidade é rara, procuro escolher filmes de realizadores que aprecio, histórias que me fascinam ou então aqueles cujos efeitos especiais só podem ser devidamente apreciados numa sala de cinema. Fora isso, nem arrisco.

 

Foi o caso do filme “J. Edgar” de Clint Eastwood. A história de Hoover é fascinante. Os filmes de Clint Eastwood costumam ser fantásticos. Nem hesitei. Após os primeiros 20 minutos fiquei sem palavras. Que enorme balde de água fria. Uma história fantástica e com pano para mangas. Um filme com tudo para dar certo que se transformou, na minha opinião, que vale o que vale, num fiasco. Leonardo DiCaprio nunca conseguiu ser J. Edgar Hoover e apenas Naomi Watts convenceu. Só não me “pirei” no intervalo pelo enorme respeito a Clint Eastwood que tanto admiro. Uma grande história estragada por um actor esforçado que nunca, nem por sombras, nos consegue convencer que é Hoover. Que pena. Que desperdício.

(igualmente publicado no Forte Apache)

Manel Cruz – Nunca parto inteiramente

Este fim de semana ando assim, virado para canções que nos ficam na cabeça, canções que se agarram a nós  e vão connosco passear.

 

Então o Senhor Ministro Deve ser Realmente Muito Competente

OS CAVAQUISTAS QUEREM O MINISTRO GASPAR FORA DO GOVERNO

Gaspar não os poupa, Gaspar não dá descanso, Gaspar corta a direito, Gaspar não aceita certas formas de previlégio, Gaspar não gosta de alguns direitos adquiridos, Gaspar tomou o pulso ao País e abanou a tibieza geral que nos arrasta para o fosso lamacento em que vivemos há já demasiados anos, Gaspar retira a alguns previligiados a possibilidade de se encherem no bandulho orçamental, Gaspar é um chato peçonhento e com os “ditos” no sítio, Gaspar tem pulso e quer um Portugal que trabalhe muito e demonstre que o faz bem, antes de exigir regalias e direitos.

Agora querem que o senhor se vá embora, porque estará a dar cabo do modelo social e económico que se construiu após  a revolta dos capitães, e acerca do qual os governos do senhor Cavaco Silva tiveram um papel fundamental.
Olhando para o que durante esse período fizeram os ministros das Finanças de Portugal os primeiros ministros de então até há bem pouco tempo, os partidos da “esfera” do poder e os sindicatos e centrais sindicais do nosso País, se hoje os senhores cavaquistas querem que o senhor Gaspar se vá embora é porque ele deve ser realmente muito competente.

“ARMAS” Abandonou

A MADEIRA ESTÁ MAIS LONGE
O navio “ARMAS” que durante cerca de seis anos (desde 2006) fez a ligação marítima de transportes regulares de passageiros entre o continente (Portimão) e a  ilha da Madeira (Funchal), deixou de o fazer.
Como não poderia deixar de ser, a culpa cai no Governo Regional, que não deu ao armador espanhol as condições que este entendeu por necessárias para efectuar esse serviço.
Também como não poderia deixar de ser, independentemente da razão que eventualmente lhes possa subsistir, a oposição política e algumas associções empresariais acusam igualmente os governantes  regionais de protegerem e beneficiarem o Grupo Sousa,  concessionário das operações portuárias do arquipélago e com o monopólio da ligação marítima entre as ilhas da Madeira e do Porto Santo.
Quem fica a perder é o arquipélago, cujos habitantes deixam de ter uma via mais económica de acesso ao continente e às Canárias, aumentando o nível de vida, fazendo diminuir o emprego e aumentando o isolamento (parte das conclusões de uma petição pública colocada na Internet subscrita por muitos cidadãos).
.

Hoje dá na net: Earthlings – Terráqueos


Earthlings, em português Terráqueos. Um filme-documentário sobre a absoluta dependência da humanidade em relação aos animais (para estimação, alimentação, vestuário, diversão e desenvolvimento científico). O desrespeito do Homem em relação aos animais fica bem evidente através de hora e meia de imagens verdadeiramente chocantes (de que aquelas que podemos ver à passagem dos 55 minutos são o melhor exemplo), conseguidas sobretudo através de câmaras ocultas. No site oficial de Earthlings, é possível ver o filme completo e comprar a edição original. No site não-oficial, é possível fazer o download gratuito de forma completamente legal. É um projecto da organização ambiental americana NationEarth, com narração de Joaquin Phoenix e banda sonora de Moby.

Estação de Moura

O único troço de via férrea a leste do rio Guadiana chegou a Moura há cerca de 140 anos, num tempo em que a ponte ferroviária seria também rodoviária nas longas décadas a seguir. Da estação de Serpa-Brinches nunca o comboio haveria de chegar a Serpa nem de Moura a linha chegaria a Mourão, Reguengos  de Monsaraz ou Évora. Nem os girassóis da planície sabem quando o caminho-de-ferro de circunvalação do maior lago artificial da Europa voltará a ter comboios.

Extinção de Tribunais: começar a casa pelo telhado

casa_desmoronadaComeçar a casa pelo telhado dá mau resultado. A ministra Paula Teixeira da Cruz está a enredar-se em labirinto abstruso quanto à metodologia da reforma do ‘sistema de justiça’.

Na cega obediência à ‘troika’, para corte de custos depressa e em força, o Ministério da Justiça está decidido a encerrar um conjunto de tribunais, em vários distritos do País – 46 tribunais, segundo o DN.

A referida extinção e a solução de um único tribunal por distrito são o cerne da proposta. Do ponto de vista do direito à justiça, correspondem ao corolário daquilo que, a nível da macropolítica, os governos dos últimos 35 anos nunca resolveram e agravaram: a desertificação do interior do País. Tribunais, escolas e unidades de saúde a encerrar é receita para esse imenso interior do isolamento e da velhice.

O pior é que as causas críticas das ineficiências do ‘sistema judicial’ não se confinam às condições de funcionamento das infra-estruturas judiciais – tribunais e Ministério Público. Derivam, em muito, da complexidade dos instrumentos legislativos, sobrepondo-se ao estatuto e papel das entidades encarregues do processo.

[Read more…]

«O Povo é quem mais ordena»?

 (site do Centro de Documentação 25 Abril, Universidade de Coimbra)

No passado dia 26 de janeiro, no Fórum Temático de Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff citou uma passagem da canção Grândola, Vila Morena de Zeca Afonso, a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos. É uma canção referente à fraternidade entre as pessoas daquela cidade alentejana e que foi banida por Salazar. Está hoje associada ao início da nossa Democracia. Dilma quis, com este exemplo, defender um modelo de desenvolvimento mais «progressista» e «democrático» . Declarou que, “na América do Sul, como diz aquela canção da Revolução dos Cravos, ‘o povo é quem mais ordena’ “. [Read more…]

Acordo Ortográfico: algumas questões pertinentes

Os deputados do PSD/Açores, neste documento, fazem algumas críticas ao Acordo Ortográfico e dirigem, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, perguntas pertinentes. Esperemos que a resposta de Paulo Portas não se fique pela pobreza argumentativa que inclui referências à necessidade de internacionalizar uma língua que tem dificuldades em afirmar-se no país europeu em que é falada ou ao facto de ser um processo irreversível ou à obrigatoriedade de haver uma fase de adaptação e estranhamento. A argumentação a favor de um instrumento tão importante como um Acordo Ortográfico merece que os respectivos defensores dêem o seu melhor. A não ser que isso não seja possível, por incompetência de quem argumenta ou por inexistência de bons argumentos.

Entretanto, para quem defende a suspensão do Acordo, é animador que, na bancada de um dos partidos do governo, haja quem tome posições destas.

A EDP e os contratos bi-horários

Em finais de Outubro publiquei aqui “Tem contrato bi-horário com a EDP? sorria, pode estar a ser roubado” a partir de uma denúncia. Daí para cá a caixa de comentários foi-se enchendo com mais depoimentos. Uns verificaram, e estava tudo bem. Outros nem por isso. Último exemplo, bem revelador de que a Entidade Reguladora dos Serviços Eléctricos não passa de um departamento da EDP:

“Entre Junho e Outubro de 2010, a EDP não cumpriu os horários do Bi-Horário, ciclo diário. O contador só entrava no período de VAZIO às 00h00 quando deveria ser às 22h00.
Comuniquei o facto várias vezes à EDP, que começou por ignorar a questão, passando depois a tentar baralhar as coisas dizendo que o problema estaria no meu contador. Rebati dizendo que o problema estava na EDP e não no meu contador. A EDP nada fez. Comuniquei o problema à ERSE e a ERSE nada fez, eu insisti e ERSE acabou por tentar escudar a EDP em vez de tentar resolver o problema concreto do cliente. A ERSE é a EDP e a EDP é a ERSE. Assim vai o país. [Read more…]

O Vómito Compensa

"imagem_Msg_Sr_Presidente.jpg"

José Carcarejo, ilustre adepto do afogamento do vale do Tua e democraticamente-eleito edil de Alijó,  vai presidir à Agência de Desenvolvimento Regional, “criada na sequência da construção da Barragem de Foz Tua. A agência é constituída pelos cinco municípios da área de influência da barragem, Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor, e a EDP, que fica com a presidência da Assembleia Geral.”

Parabéns, senhor presidente! Assim já pode levar os velhinhos a passear!

Só tenho é pena que este país não tenha os meios para lhe fazer a justiça e a homenagem que merece.

Márcia com JP Simões – A PELE QUE HÁ EM MIM (Quando o dia entardeceu)

Bonito! Para trautear hoje, ao longo do dia.

*

Como ouvir a esquerda?

Posso sentir uma alergia burguesa a à dureza repetitiva da retórica comunista ou uma aversão provinciana aos tiques lisboetas de muitos bloquistas, posso não gostar que alguma esquerda consiga descobrir virtudes em regimes tenebrosos como o da Coreia do Norte ou de Cuba, posso detestar o conservadorismo sindical na escolha das formas de luta, posso, até, ver com desagrado a promiscuidade entre partidos e sindicatos (que, apesar de tudo, me parece mais legítima do que aquela que ocorre entre governo e empresas).

Ultrapassando as críticas e as embirrações, como é possível não ouvir com atenção as palavras de Arménio Carlos nesta entrevista? É um comunista empedernido? Partilhará, com os seus camaradas, de uma estranha admiração por ditadores sinistros? Convive mal com a queda do Muro de Berlim? Talvez sim, mas não é verdade que os trabalhadores têm perdido direitos? Não é verdade que os problemas do défice se devem a uma gestão incompetente e corrupta dos dinheiros públicos, pela mão de sucessivos governos? Não é verdade que, em muitos casos, os prejuízos do Estado se devem, por exemplo, a contratos leoninos que favorecem privados, como é o caso da Fertagus? Insistir em retirar direitos aos trabalhadores, injustificadamente, poderá ter outro nome que não seja “exploração”, mesmo que isso incomode Mário Crespo? [Read more…]

Hoje dá na net: The Union: The Business Behind Getting High

The Union: The Business Behind Getting High – a proibição de produção e distribuição de droga nada fez para diminuir a disponibilidade desta ao longo de décadas. Ao mesmo tempo, a qualidade do produto distribuído não é assegurada, a venda faz-se indiscriminadamente a novos e velhos e, como é ilegal, uma boa quantidade dos lucros vai para criminosos, que desta forma podem financiar a sua actividade criminosa (há outros personagens, tão sinistros como os criminosos que também lucram com a proibição!). Enrolado no meio disto tudo está uma das drogas mais inócuas, a canábis (não é mais perigosa que o álcool ou o tabaco). Este documentário mostra como funciona o negócio na Colômbia Britânica e a relação inquieta que os vários personagens mantém com o vizinho EUA. Legendado em português. Página IMDB.

Versão sem legendas mas com melhor qualidade aqui.

A lei da cópia privada, a árvore das patacas e a ética da SPA #PL118

A SPA, sociedade que afirma proteger os autores portugueses ficando-lhes (em conjunto com outros intermediários) com 55% dos direitos de autor cobrados a todos contribuintes, resolveu publicar um abaixo assinado com supostos apoiantes do seu projecto de lei para a cópia privada. Acontece que há o pequeno detalhe dessa lista conter pessoas que não autorizaram o uso do seu nome. São os casos de António Pinho Vargas e de Alexandre Soares e há-de ser o de outros que se venham a manifestar. Nada mau para uma sociedade que pretende defender os autores de incursões  abusivas aos seus direitos. Mas olhando para as descaradas mentiras que haviam colocando num anterior comunicado onde, supostamente, explicavam porque razão o projecto de lei é bom, até nem surpreende.

Mas para onde vão actualmente os direitos de autor? Irão mesmo para os autores? Não é fácil de perceber mas Nelson Cruz fez as contas (obrigado!):

[Read more…]

Salvem o euro – livrem-se da Alemanha

salve_se o euro

“Acalmem-se! Alguém terá de ser o primeiro …”

Ilustrado por esta imagem, o “The Times” publica um artigo bastante interessante sobre o  euro e o domínio da Alemanha; o afastamento deste país é a medida recomendada a todos os outros países da moeda única; isto, com o objectivo de salvar o euro.

Do citado artigo, Anatole Kaletsky, reproduzimos o 1.º parágrafo, de conteúdo elucidativo:

Ao impor austeridade fiscal aos seus parceiros da Zona Euro, ao mesmo tempo que recusa teimosamente o reforço do papel do BCE e um maior apoio mútuo às dívidas nacionais, a Alemanha é mais um obstáculo do que uma ajuda para a moeda única, argumenta Anatole Kaletsky.

Estas palavras, só por si, justificariam que os governos de Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Irlanda e França agissem no sentido de estabelecerem um plano de salvação do euro, ignorando pura e simplesmente a Alemanha (Alemanha, diga-se, da Sra. Merkel que, ao contrário de Willy Brandt, Helmut Schmidt, Helmut Kohl e Schroeder, tem usado e abusado de um estilo ditatorial germanófilo, característico do capítulo mais negro da História da Europa).

(Se pretender ler na íntegra, poderá aceder ao artigo, na Presseurop).

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (Fim)

(continuação)

« – 83,7 km Macedo de Cavaleiros, est (E); (537 m. de altura)

A via férrea cruza duas vezes a estrada de Mogadouro, seguindo em plano através das extensas folhas de cultivo (milhos, centeios, trigais, pomares, vinhas, campos de morangos), que nos acomoanham, de um lado e outro, mas principalmente do lado da montanha tranquila que se desenha a meia distância.

– 85 km Castelãos, ap. (D.)
Sucedem-se as colinas alongadas, ao mesmo tempo familiares e sem nome. A pouco e pouco, o perfil da serra de Bornes modifica-se. A linha sobe, cortando pequenas trincheiras, ao longo da ribeira de Azibo. À esquerda, ergue-se a ermida de S. Bartolomeu, cuja romaria anual é muito concorrida.

– 89,4 km Azibo, est. (E.)
A partir da Ponte de Azibo, a via férrea obe continuamente. A cada passo se descobrem neste belo pedaço do mundo, tão impressivo, chamado Trás-os-Montes. É ver aquele formoso souto, hermético e misterioso como todas as florestas desconhecidas, vistas de longe. [Read more…]

Abolição de feriados ou corveia?

corveia (do latim corrogare, exigir, através do francês corvée) é o trabalho gratuito que no tempo do feudalismo os servos e camponeses deviam prestar ao seu senhor feudal ou ao Estado durante três ou mais dias por semana

Para já levamos com quatro dias de corveia este ano. Portugal sempre em frente, a caminho da plenitude feudal.

OGE de 2012 – Moedas, Trocas & Baldrocas

Homens felizes

Carlos Moedas publica no “The Wall Street Journal” um artigo destinado, claramente, a contraditar notícias adversas e recentes, naquele mesmo jornal. Noticiava-se, antes, que “Portugal dificilmente terá capacidade de voltar aos mercados em 2013, em função da persistência e dimensão da crise…”.

Moedas – Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, note-se –recorre a um estilo superficial e hiperbólico. Contornando as difíceis realidades sociais, económicas e financeiras do País, declarou:

A descida do défice abre espaço a corte de impostos.

Moedas agora nega ter dito que vai baixar os impostos. Tem razão. No entanto, ao valer-se de um discurso meramente teórico, usou um princípio elementar (descida de défice público => corte de impostos) que, correcto em matéria de teoria de finanças públicas, se distancia da realidade da Economia Portuguesa; sobretudo, dos efeitos da política de austeridade que, respeitando e/ou excedendo as medidas da ‘troika’, o governo, de que faz parte, aplica de forma brutal.

[Read more…]

O Kim da Megaupload, o FBI e a Democracia

Que o Kim(zinho) da Megaupload não é flor que se cheire, é claro e óbvio. Que a Megaupload fazia tábua rasa de direitos de cópia e de autor, também parece evidente. Que a maior preocupação do FBI e do pessoal da SOPA não são propriamente os autores, os criadores e os artistas, também não carece de desenho.

A luta é pelo controlo da internet e pela limitação da liberdade aqui instituída. A vontade é a aquisição de ferramentas legais para o encerramento de sites e para o cerceamento de correntes de opinião mais “inconvenientes”, o silenciamento de vozes incómodas. Não são, sequer, os prejuízos causados a utilizadores anónimos e a gente sem rosto, ou decisões de tribunal, que vão fazê-los recuar. O que os faz recuar (por enquanto) é o facto do conhecimento estar desequilibrado a favor dos utilizadores da internet. O que os faz recuar é o facto de serem atacados e terem muito a perder.

Defender a liberdade na net não é defender o Kimzinho da Megaupload nem subvalorizar os direitos de autores e criadores. Defender a liberdade na net é defender a última frincha popular que ainda náo foi tomada e controlada. É defender a última sombra de democracia que ainda tem alguma autenticidade. Nada menos do que isso.

CGTP – E agora?

Carvalho da Silva, CGTP

Uma imagem da RTP, por Tiago Petinga, Lusa

Está a decorrer o Congresso dos Trabalhadores Portugueses, isto porque considero que a CGTP é a única organização que realmente representa quem trabalha!

Com uma cobertura mediática nunca antes vista, milhares de sindicalistas estão reunidos em Lisboa para, entre outras coisas, assistirem à passagem de testemunho entre Carvalho da Silva e Arménio Carlos, sendo que, como todos têm afirmado, a CGTP é muito mais do que uma só pessoa. Mas, ao contrário sou dos que pensa que o Carvalho da Silva dos últimos anos, valeu sempre mais que a Central.

Já escrevi sobre esta questão antes, mas há ainda algo mais por dizer. [Read more…]

Preços de bens e serviços vão aumentar após privatizações

Durante anos, a ofensiva ideológica neo-liberal foi passando a sua cartilha baseada em algumas “verdades” salvadoras. Repetiu-se até à exaustão que o estado era o papão e os privados, coitados, as vítimas. Entre os argumentos mais usados, havia dois que fluíam sempre na boca  dos novos evangelizadores:

– O estado faz mal, os privados fazem melhor.

– A presença do estado no mercado impede a concorrência e a livre concorrência faz baixar os preços.

Apesar dos factos desmentirem estas “verdades”, apesar de nunca termos visto uma descida sustentada dos preços após uma privatização, estes argumentos, de tão repetidos, passaram para o senso comum. O Provedor de Justiça vem agora dizer que teme uma subida de custos para o consumidor nos serviços públicos que vão ser privatizados e frisou que

a privatização de serviços como os CTT, EDP, Águas de Portugal e empresas de transporte vai reflectir-se num aumento dos preços

Da próxima vez que falar num estado-papão e em privados-santinhos, pense duas vezes antes de dizer asneiras e ampliar uma mentira que não passa a verdade só porque é dita por gente aparentemente séria. Como o meu avô me ensinou, o estado somos nós. Quando algo que é nosso passa para a posse de outrém, quem perde somos nós.

Um Comunista Seguidista e Ortodoxo à Frente da CGTP

CARVALHO DA SILVA VAI DEIXAR SAUDADES
CGTP PERDE AUTONOMIA FACE AO PCP
Vai ser desta que a CGTP se reforma e reformula. 69 membros dos seus conselho nacional, comissão executiva e secretariado, saem por força do novo regulamento, prevendo-se que sejam substituidos por membros mais afectos à linha comunista seguidista e ortodoxa do PCP, a começar pelo novo líder, Arménio Carlos.
Ao longo dos últimos quatro anos, a autonomia face ao partido comunista conseguida durante mais de vinte anos por Carvalho da Silva, tem vindo a esmorecer, por via do aumento de protagonismo do novo líder a eleger entre hoje e amanhã no XII congresso da CGTP, conhecido por ser obstinado, rigoroso, competente e exigente e pelas suas fortes ligações à linha ortodoxa do PCP.
A julgar pelas últimas declarações ouvidas, a CGTP prepara-se para endurecer a luta dos trabalhadores, de uma forma que se traduzirá num enorme erro que a médio prazo dará os seus frutos.
Os trabalhadores Portugueses não embarcam facilmente em lutas obstinadas que, em defesa de certos princípios, lhes faça perder os poucos empregos que ainda há.
Os trabalhadores Portugueses procuram estabilidade, coisa que a CGTP nunca conseguiu ver muito bem, e se prepara para ver ainda pior.

Antropologia da criança. Losotros haulamos doh’s idiomas

20080605klphishch_5_Ies_SCO.jpg

Para Ana Paula Vieira a Silva, no dia do seu aniversário, Antropóloga que me acompanhara a escrever em português, antiga discente dos cursos noturnos que ela e eu apoiávamos, hoje amiga íntima. Como este texto, o primeiro escrito para a Página, no primeiro numero, no dia 28 de Setembro de 1998 comigo em trabalho de campo entre os Picunche, na Cordilheira dos Andes, altura Chile [Read more…]

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (IV)

(continuação)

« – 54 km Mirandela, est. (D.); (208 m. de altitude).
A vila é airosa. Rodeiam-na, à distância, os perfis macios de alguns ondulantes outeiros.
À saída da estação, a via férrea trespassa um breve túnel e, ladeando discretamente a vila, afasta-se do rio Tua para tomar a direcção do nordeste. A estrada de Bragança segue, por momentos, ao lado da via férrea, num arborizado segmento horizontal e rectilíneo, de uns novecentos metros de extensão. De um lado e outro, hortejos, olivais e alguma vinha. Horizontes alongadfos. Aprazível alameda.

– 58 km Avantos, ap.
Um pouco antes da povoação de Jerusalém de Romeu, a via faz uma pronunciada inflexão, transpondo um fundo valeiro sobre um viaduto metálico, de quatro tramos, de tabuleiro ascendente e encurvado. À saída do viaduto, a linha cruza a estrada de Bragança.

– 67 km Romeu [Read more…]

Bandex: As Minhas Poupanças

E assine a petição, ao som dos Bandex.

O «polvo» Armando Vara na CGD: A carta dos funcionários do Banco

Pelos vistos, Armando Vara continua a ter muito poder dentro da Caixa Geral de Depósitos, mesmo que há uns anos tenha rumado a outras paragens.
Os funcionários estão incomodados com a situação e já puseram um documento a circular, que já é do conhecimento do Governo.
Vale a pena ler até que ponto Sócrates e o aparelho do PS fizeram da Caixa Geral de Depósitos um dos seus quintais.

O Governo Decidiu Acabar com os Feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro

ELIMINAR ESTES FERIADOS É ACABAR COM A IDENTIDADE DO NOSSO PAÍS
Nunca ninguém, nem mesmo os responsáveis do anterior regime, o Estado Novo, vulgo fascismo, se atreveram a mexer nestes dias muito importantes para a nossa identidade.
A relembrar:
5 de Outubro 1143 – Assinatura do Tratado de Zamora, onde Portugal foi reconhecido como País.
1 de Dezembro 1640 – Restauração da Independência de Portugal, acabando com a dominação espanhola.
Será esta decisão um percursor de uma eventual perda da nossa independência?
Aqui temos mais uma decisão controversa deste nosso governo que como é evidente não deveremos apoiar.

2 000 000 visitas

O Aventar atingiu hoje 2 milhões de visitas, contas do sitemeter. O primeiro milhão tinha sido alcançado a 3 de março do ano passado. Sendo o número real muito superior (o sitemeter peca por defeito), e estando neste momento inflacionado pelo concurso Blogues do 2011 é uma boa ocasião para agradeceremos a que tem gostado de nos ler. Faremos os possíveis para que continue a vir aqui tomar um cházinho, beber um café ou compartilhar um vinho. E se entretanto aproveitar para nos ler, tanto melhor.

Quem tem as mãos sujas de sangue?


Três trabalhadores morreram hoje soterrados durante a construção da Barragem de Foz Tua. Ao que parece, o acidente foi provocado por um deslizamento de terras.
É espantoso como, numa obra de milhões e milhões, ainda é possível que acidentes destes aconteçam. Claro, o que se gastou a besuntar as mãos de quem tinha poder e influência, para que a obra avançasse e não fosse interrompida, poupa-se agora em segurança.
Entretanto, três homens, certamente com mulher e filhos, deram a sua vida por um dos investimentos mais inúteis e ruinosos do nosso país nos últimos anos.
Quem tem hoje as mãos sujas de sangue?