Não! Ninguém pára Porro e Nuno Santos faz o terceiro em Frankfurt.
Efectivamente, há resistência, mas não é silenciosa.

Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Não! Ninguém pára Porro e Nuno Santos faz o terceiro em Frankfurt.
Efectivamente, há resistência, mas não é silenciosa.

A forma como a opinião pública tratou Otelo Saraiva de Carvalho aquando da sua morte e como trata, agora, o antigo ministro de Salazar, antigo presidente do CDS, Adriano Moreira, é sintomático de como o saudosismo está impregnado neste pequeno quintal chamado Portugal.
Não que o Otelo merecesse mais loas. O ex-ministro de Salazar é que não merece tantas. Portugal lava… e lava… e lava… e lava… e às tantas já nem nos lembramos que muitos foram activos colaboracionistas da ditadura do Estado Novo.

Campo de Concentração do Tarrafal. Em 1961, Adriano Moreira, então Ministro do Ultramar, mandou reabrir a prisão com o nome Campo de Trabalho de Chão Bom.
Isabel Jonet e o horror aos pobres.

Espanha, Itália, Grécia, Roménia, UK e Bélgica foram alguns dos nossos parceiros europeus a anunciar a implementação de windfall taxes sobre os lucros extraordinários das energéticas, decorrentes da actual escalada de preços que resultou da invasão da Ucrânia. A Hungria foi mais longe e visou ainda as instituições financeiras. Da esquerda à extrema-direita, vários são os governos que estão a aplicar este imposto, o que nos diz tudo o que precisamos de saber sobre a inexistência de um critério ideológico na sua aplicação.
[Read more…]Nunca percebo quando alguém que defende políticas capitalistas, sendo que é o capitalismo que gera as crises, se vem queixar das políticas capitalistas.
https://twitter.com/AnonNovidades/status/1566540067300163591?t=9KEV1w3b5bzV51pDbkHFUA&s=09
Palavras para quê? É o líder da máfia de fascistas milicianos e ser o que sempre foi: um corrupto.

Dos 6 reatores que constituem a Central Nuclear de Zaporijjia apenas 1 está em funcionamento. Um dos sete pilares de segurança de uma central nuclear é a garantia de ter em permanência alimentação elétrica exterior para fazer funcionar a central. Desde sexta-feira, a central de Zaporijjia deixou de ser alimentada pelas 4 linhas de 750 kV da rede elétrica exterior. A linha de alimentação de emergência providenciada por uma central a carvão foi ontem cortada na sequência de um incêndio exterior. A central ainda pode assegurar o seu funcionamento através de geradores a gasóleo ou através de um processo de realimentação utilizando um dos reatores, mas esta é uma solução para pouco mais de uma semana. Neste momento o único reator em funcionamento está a fornecer energia para que todos os sistemas de segurança se mantenham operacionais, em particular as piscinas de arrefecimento onde é guardado o combustível usado (durante cerca de 8 anos).
Outros pilares da segurança estão a ser seriamente comprometidos, em particular as condições de trabalho dos engenheiros e técnicos da central que têm sido tratados de uma forma totalmente irresponsável pelas tropas russas, impondo ritmos e organização de trabalho desadequados às exigências de segurança. O erro humano está ao virar da esquina.
Num cenário de a central ficar sem energia elétrica, perdendo a capacidade de arrefecer o combustível usado, uma série de acidentes de diferentes escalas poderão acontecer que vão desde a fuga de água altamente radioativa das piscinas até a um cenário semelhante a Fukushima. Em caso de mais bombardeamentos da central, a tipologia de acidentes pode ser muito mais complexa e difícil de estimar a sua gravidade. Recordo que em Chernobyl estivemos muito perto de ter uma explosão colossal com capacidade de contaminação gravíssima à escala continental (toda a Europa) evitada in extremis por 3 técnicos que arriscaram a vida por todos nós.
Em 2018, David Ribeiro, na época deputado municipal eleito pelo Porto, o Nosso Movimento, do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, escreveu na sua página pessoal no Facebook que um grupo de “20 a 30 romenos” (de etnia cigana) eram “um autêntico martírio” para alguns comerciantes e residentes, sem apresentar qualquer prova da sua afirmação, naquilo que se mostrou como uma gratuita manifestação de xenofobia.
A publicação, intitulada “Ciganos Romenos no Porto”, apresentava-nos um rol de preconceitos racistas e xenófobos contra a comunidade romena no Porto, rematando com a sugestão, às autoridades, que estas pessoas fossem, de alguma forma, postas (ainda mais) à margem da sociedade, sem haver provas materiais que as pusessem em situação de potencial criminalidade.
Depois de em Junho deste ano a Comissão Permanente da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR) ter condenado o antigo deputado municipal a uma (irrisória) coima de €428,90, a mesma vem, agora, reiterar a decisão, obrigando David Ribeiro a cumprir com a condenação. Diga-se, de passagem, que David Ribeiro não recorreu da decisão… mas o movimento de Rui Moreira recorreu, perdendo agora o recurso.
O caso veio a público em 2018, depois de David Ribeiro ter publicado o texto na sua página de Facebook e de, dias mais tarde, o Bloco de Esquerda do Porto ter levado o assunto à Assembleia Municipal. Foi Tatiana Moutinho, que esteve integrada nas listas do Bloco de Esquerda à autarquia portuense e Piménio Ferreira, um cidadão do Porto, quem apresentou queixa à CICDR, juntamente com a SOS Racismo; agora, quatro anos depois, saem vitoriosos do caso, tendo o agora ex-deputado municipal neo-liberal de cumprir com o estipulado.
O movimento “independente” conta com o apoio do CDS-PP, do IL e do PPM.

David Ribeiro, antigo deputado municipal portuense eleito pelo movimento de apoio a Rui Moreira, foi condenado por xenofobia

Gorbachev foi uma personalidade marcante, central na definição da nova ordem mundial que resultou do fim da Guerra Fria, e uma das mais importantes na história das relações internacionais do século passado. Não foi, contudo, uma figura consensual, ao contrário daquilo que parece ser a imposição da narrativa, nestes dias em que nos despedimos do último líder da URSS.
Aqueles que celebram o triunfo do capitalismo e da supremacia hegemónica dos EUA, no aftermath da Guerra Fria, destacam o seu contributo para o novo status quo que colocou um ponto final no equilíbrio do terror.
Aqueles que choram a queda do grande bastião comunista e a dissolução do Pacto de Varsóvia relembram a capitulação perante o Ocidente e as atrocidades cometidas no processo de desmantelamento da URSS.
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Para ajudar famílias a enfrentar o choque energético, o governo espanhol – um governo de esquerda, por oposição ao terceiro executivo Costa, cada vez mais próximo do macronismo, sobretudo na forma como se alimenta da extrema-direita – decidiu reduzir o IVA do gás de 21% para 5%. Como de resto já tinha feito com o IVA da electricidade. Por cá, nada de novo. A inflacção galopa e pouco ou nada é feito para mitigar os seus efeitos. Costa devia pôr os olhinhos no seu camarada Sánchez. Acontece que os portugueses decidiram passar-lhe um cheque em branco, no início deste ano, e agora, como diz o outro, é lidar.

Li por aí que certas ordens estão ao serviço de certas agendas políticas. Que por sua vez poderão estar relacionadas com o cerco e queda de Marta Temido. Mas tal não pode ser verdade! Se fossem sindicatos, seguramente estariam ao serviço da agenda do PCP. Mas as ordens são muito independentes e estão sempre, mas sempre acima de qualquer suspeita. Mesmo quando uma certa bastonária apresenta despesas onde garante percorrer 400km por dia, durante um mês. De maneira que tais acusações só poderão ter origem no Largo do Rato. Ou no Kremlin, claro.


Hadi Matar, o norte-americano de ascendência libanesa que há dias esfaqueou Salman Rushdie, afirmou tê-lo feito por aversão ao escritor e à polémica obra Os Versículos Satânicos, que admitiu não ter lido, em entrevista ao tabloide The New York Post.
Um fanático religioso é isto: organiza um atentado e esfaqueia a vítima para matar, movido pela aversão a um livro que não leu. Nem precisa. Um fanático não precisa de ter provas de nada. Precisa de ter fé. E a fé dos fanáticos é mais perigosa que 666 fascismos.
Quando todos achávamos que já não havia mais nada para dizer sobre o concerto de Coldplay, tema maior da recta final da silly season, eis que somos confrontados com acusações graves que apontam para a existência de um esquema de tráfico de bilhetes para os concertos da banda, numa loja da Worten, na Lixa.
A denúncia partiu de um lesado, uma criança menor, ainda que com idade para poder entrar no concerto, que levou o mealheiro para a Worten. Estava entre os primeiros da fila, que muito provavelmente ali passaram a noite anterior. O relato é do jornalista Tomás Duran e está na sua página no Instagram. Vale a pena ler. Envolve listas de reservas não permitidas, amigos dos funcionários que saltam a fila e pessoas a comprar o dobro ou o triplo do limite máximo de bilhetes. De maneira que essa criança, o João acabou por ter que comprar noutro lado. Mas parece que se safou.
Em Portugal, até para comprar bilhetes para um concerto se traficam influências. E depois ficamos todos muito surpreendidos porque o discurso populista ganha tracção.

A demissão da Marta Temido, planeada há meses ou decidida esta semana, mais não é do que o sacrifício de um cordeiro no altar da política, de uma personagem que foi sempre secundária nas decisões estruturais que agora ditam o seu afastamento.
Marta Temido, como qualquer ministra fora do círculo dos pesos pesados do PS, tinha o poder e a capacidade de decisão que António Costa lhe permitiu ter. Independentemente da competência que lhe possamos ou não atribuir, não era Temido quem tinha a última palavra quanto à contratação de mais profissionais de saúde, ao aumento do investimento no sector ou às necessárias reformas para combater a degradação galopante do SNS. Era Costa e, quanto muito, Mário Centeno e Fernando Medina. A própria direcção nacional do PS tinha mais peso nas decisões do que a ministra. E achar que a substituição de Temido por Lacerda Sales, ou por outro qualquer, mudará o que quer que seja nesta equação é pura ingenuidade. Só existe um responsável pelos problemas actuais no SNS. O seu nome é António Costa. O afastamento da ministra não muda rigorosamente nada. Mas satisfaz momentaneamente a ira justificada da turba. Paz à alma do bode expiatório.
Como é habitual num blogue plural como é o Aventar, se um dos autores for visado ou criticado, publica-se a crítica e o autor que se amanhe. É esta pluralidade mais uma das razões que me levam a sentir orgulho de fazer parte deste colectivo.
Assim, foi publicado um texto de Joana Fonte em resposta a uma crítica que fiz a um outro texto desta autora. Passarei, então, a comentar a resposta em que sou visado, um texto carregado de tresleituras e de outros problemas que passarei a enumerar.
Em momentos diferentes do seu texto, Joana Fonte afirma que critico o facto de se apresentar como mestranda em Ensino do Português e militante do Bloco de Esquerda. Basta reler o meu texto para confirmar que a crítica não é essa. Esclareço, aliás, para quem for mais duro de leitura, que é absolutamente legítimo que a autora apresente os títulos que muito bem entender.
As minhas críticas são outras e passo a repeti-las, pedindo que se leia devagarinho: como mestranda em Ensino do Português, Joana Fonte deveria usar instrumentos que as áreas dos estudos literários e da história literária põem à sua disposição; como militante de um partido de esquerda, escolhe um caminho que, na minha opinião, configura uma perversão dos ideais de esquerda, acumulando com o facto de que esse desvio contamina a visão que Joana Fonte revela acerca de Literatura e de Educação.
2 . Do direito absoluto à opinião
Joana Fonte consegue depreender que eu, ao fazer uma referência implícita à sua juventude (pelo facto de ser mestranda), estaria a defender que a autora não tem capacidade ou experiência para participar neste debate. São, efectivamente, tresleituras em catadupa ou, pior, na minha opinião, reacções de quem não gosta de ser confrontada com opiniões contrárias. Reafirme-se, então, o óbvio: Joana Fonte, como qualquer pessoa num país democrático, tem todo o direito a escrever aquilo que pensa, o que, por outro lado, pode implicar concordância ou discordância. Efectivamente, discordo de quase tudo o que Joana Fonte afirma e penso que, na verdade, as insuficiências que revela estão também relacionadas com o facto de lhe faltar estudo e experiência. Ainda assim, repito: liberdade de expressão absoluta.
Joana Fonte*
No dia 25 de agosto, António Fernando Nabais recorre à sua liberdade de expressão e publica, no P3, uma resposta ao meu artigo de opinião, citando-me e expondo a sua visão crítica sobre o assunto.
Fernando Nabais envereda por um caminho e uma postura já bastante conhecida por todos nós, a de opor-se a uma mudança cuja necessidade já se torna gritante em todas as salas de aula das escolas. O autor depreende que, por me identificar como mestranda, provavelmente não possuo experiência profissional suficiente para ter feito as ditas afirmações, ou para participar neste debate – engana-se. [Read more…]

Num momento tão difícil para os portugueses temos um governo feito para preparar autárquicas e não para estar focado em resolver os problemas que o país enfrenta. Um ministro em estágio para ser candidato ao Porto e um secretário de estado a tentar ganhar lastro para se candidatar a Gaia. Ai Portugal, Portugal…..
Tanta comoção com o facto de uma primeira-ministra andar na farra como uma pessoa normal e quase nenhuma comoção com o facto de uma primeira-ministra entregar o povo curdo de mão beijada como uma anormal.
Assim vai o mundo.

Sanna Marin, primeira-ministra finlandesa, chora pela sua própria pele…

… Mas nem uma lágrima derramou quando embrulhou o povo curdo com um laço para aderir à NATO

Estão a ver quando os liberais usam a República Checa, a Estónia, a Letónia, a Lituânia ou a Polónia como exemplos?
Pois é. Espreitem a inflação nesses exemplos de liberalismo andante no quadro acima.

Sanna Marin, primeira-ministra finlandesa, foi “apanhada” a divertir-se e a dançar com as suas amigas, a herege. Tem 36 anos, é uma mulher bonita, várias vezes “apanhada” a divertir-se na noite ou em festivais e, on top of that, chegou ao topo da hierarquia política, num país onde o grau de exigência e monitorização daqueles que exercem cargos públicos por parte da população não é o americano ou o do sul da Europa. E isto, por si só, chega para irritar a velha elite.
A velha elite, sempre moralista, agitou imediatamente o papão das drogas. Lá e cá. Os traficantes de cocaína riram-se e Sanna Marin respondeu com total disponibilidade para realizar um teste de despiste. A velha elite, parada no tempo na década de 60, quer políticos de fachada, cinzentos, sisudos, recatados e do lar. A velha elite que nos trouxe até aqui, reparem. E eu troco toda essa velha elite, balofa, incompetente, podre e a tresandar a corrupção pela narina da Sanna Marin.







45 anos das missões Voyager.
Joana Fonte defende, no P3 de 21 de Agosto uma “revisão ao programa de Português”, começando por afirmar que, no ensino secundário, “há alunos que perdem o gosto pela disciplina de Português – se algum dia o tiveram.” Depreende-se, tendo em conta o objectivo da autora, que haverá uma relação entre o programa a rever e a perda de gosto de alguns alunos. Seria importante, a propósito, saber em que se baseia para afirmar que há alunos que perdem o gosto e, sobretudo, se são muitos, poucos ou nem por isso. Estará isso estudado ou é uma mera impressão pessoal?
Nesse mesmo parágrafo, surge um verbo muito usado em discursos sobre Educação, o verbo ‘identificar-se’: “Os e as estudantes lutam por conseguir identificar-se com a linguagem de Fernão Lopes, Gil Vicente, Almeida Garrett, Eça de Queirós, Luís de Camões e Fernando Pessoa.”
Esse ‘identificar-se’ está muito na moda no que se refere, repito, a uma determinada visão da Educação. É sinal de um pensamento que encara o currículo escolar como um conjunto de conteúdos que não causem nenhum estranhamento ao aluno, como se o estranhamento não fosse, entre outras virtualidades, um caminho para o conhecimento, com tudo o que esta palavra deve implicar, incluindo o exercício do espírito crítico (em tempos de proscrição de palavras e conceitos, é estranhamente fundamental reafirmar o óbvio). Assim, o aluno, na Escola, só deveria encontrar a sua própria identidade, como se a Escola fosse um simples espelho e não um território onde deverá encontrar desafios minimamente controlados. Ainda por cima, esta ideia de uma identificação é redutora sob variadíssimos pontos de vista, desde logo porque parte do princípio de que os alunos são um todo uniforme por pertencerem a uma mesma geração.

Nunca falha. Quando o PS se apanha sozinho no poder, lá vêm os rosinhas do costume falar das maravilhas do neo-liberalismo.
Mudem o nome, seus manipuladores social-liberais com socialista no nome. Partido Social-Liberal (PSL) adequa-se melhor àquilo que é a actuação política do partido nas últimas décadas.
Não é de estranhar, portanto, que o PS tenha sido o partido que mais privatizou e liberalizou a economia em Portugal, antecipando-se ao PSD (outro que tal – de social-democracia só mesmo o nome) e que seja, com orgulho, “o melhor aluno da UE”. Não precisam de ir longe, pesquisem por essa internet o que António Costa dizia das maravilhas do liberalismo e os ataques constantes à esquerda parlamentar. Aliás, num dos debates da última campanha legislativa, o homem disse, à boca larga, que “também eu sou um liberal”. Vocês é que tapam os olhos e os ouvidos.
Há, em Portugal, com representação parlamentar, quatro partidos que, de uma forma ou de outra, se advogam do neo-liberalismo: o PS, o PSD, a IL e o CH. Já os que sobram no resto do espectro, hoje, não passam de social-democratas (até porque se fossem comunistas, nunca participariam em eleições da democracia burguesa)… é só ler os programas eleitorais.
É História, é facto.
Beleza!
A selecção nacional de hóquei termina hoje a sua participação no Eurohockey Championship Qualifier A 2022 Men, que se disputa em Ourense. Independentemente do resultado final do embate com a Espanha, o último encontro do torneio, a Federação Portuguesa de Hóquei deve estar satisfeita porque o equipa sénior de todos nós conseguiu, a abrir a prova, um dos mais importantes resultados do hóquei português na variante de campo: a vitória sobre a Polónia, por 3-2. [Read more…]
Eu talvez preferisse a ditadura à democracia, se fosse ditador vitalício, rodeado por uma guarda pretoriana e com direito a pensão completa. Seria um ditador benevolente, amigo do meu amigo. Os meus inimigos teriam, apesar de tudo, a possibilidade de me criticar, desde que o fizessem em silêncio, porque o barulho faz-me dores de cabeça. O meu retrato, como é óbvio, estaria em todas as salas de aula e todos os alunos ficariam a saber que sou uma pessoa naturalmente bondosa, desinteressada, inteligentíssima e modesta.
Não é necessário impingir as virtudes da ditadura, porque, como predadores que somos, sermos lobos uns dos outros está-nos na massa do sangue e isso nota-se todos os dias.
A democracia, por ser tão custosa, por nos obrigar a contrariar a natureza do animal, tem de ser imposta, criando reflexos condicionados que nos levem a perceber que a sociedade humana não é a selva em que queremos viver.
Apesar da minha vocação para ditador, impingiram-me a democracia ainda em tenra idade. Devo isso a algumas pessoas e instituições, nomeadamente à Escola, onde fui alvo de doutrinações mais ou menos explícitas, entre benignas e malignas, sentindo-me sempre protegido e exposto e, com alguma frequência, obrigado a exercer o espírito crítico que me levou a escolher um caminho, quando me mostraram tantos.
A obsessão da direita, incluindo a alegadamente moderada, com a doutrinação de que os alunos são alvo é muito divertida, como todas as coisas perigosas. A propósito de António Barreto, diria que ser senador não é algo que se escolha, é algo que nos é oferecido e que devemos rejeitar. Escolher um verbo como ‘impingir’ no contexto que usou é um direito que a democracia lhe concede, porque a democracia também aceita a parvoíce.

Porque os governos não se dispõem a actuar com a determinação necessária em resposta à urgência da crise climática, várias iniciativas em sede de processo judicial foram já intentadas com sucesso.
Foi o caso da decisão do Tribunal Constitucional Federal (TCF) alemão, que em Abril de 2021 deu razão aos nove jovens que apresentaram uma queixa contra a Lei de Protecção do Clima, por ser demasiado fraca para conter eficazmente as consequências da crise climática, hoje e no futuro.
No seu veredicto, o TCF afirmou serem inadequadas as políticas de protecção do clima e prejudicarem as liberdades e os direitos fundamentais no futuro. E acrescenta que a redução constitucionalmente necessária dos gases com efeito de estufa não deve continuar a ser adiada para mais tarde e, portanto, unilateralmente, à custa das gerações mais jovens, pondo em causa os seus direitos fundamentais. [Read more…]

Diz-nos o neoliberalismo – não confundir com o liberalismo no sentido mais amplo, que nada tem a ver com o culto neoliberal – que os mercados se querem livres, eufemismo para a selvajaria da lei do mais forte, que impera desde os tempos dos ultraconservadores Thatcher e Reagan.
Para os profetas da selva neoliberal, não é só esta “liberdade” que se sobrepõe a todas as outras. É igualmente a “liberdade” de aniquilar a regulação e todos os “obstáculos” que o bicho-papão, também conhecido por Estado, coloca no caminho da iniciativa privada.
E como é precisamente esta seita que domina a economia, logo a política e a sociedade, em todas as suas dimensões, somos confrontados com casos como o da Johnson & Johnson, que queria ser livre para vender produtos cancerígenos. Mas os bichos-papões foram atrás dela e lá se foi a liberdade. Pior que no tempo de Salazar, dirão alguns destes extremistas, profundamente convencidos de que são, de facto, liberais. E mais convictos ainda de que esse liberalismo se esgota na economia.

O resultado prático da visita de Nancy Pelosi a Taiwan foi este: um bloqueio naval e um país sitiado, refém de exercícios militares que, do ponto de vista de Pequim, podem passar de temporários a permanentes, na medida em que Taiwan é território chinês e Pequim dispõe do seu território como bem entende. Do ponto de vista chinês e do ponto de vista da comunidade internacional, que NÃO reconhece Taiwan como um estado soberano. E este é um dos raros casos em que a expressão “comunidade internacional” pode ser usada com substância, sendo que apenas 13 Estados reconhecem a soberania da Formosa. E o único europeu é a Santa Sé, so do your math.
Há quem defenda que Pequim teria já preparado estes exercícios militares há meses, porque estas coisas não se preparam de um dia para o outro. Como não sou especialista em assuntos militares, aceito sem levantar ondas que este desfecho seria igual com ou sem a visita de Pelosi. Mas sem Pelosi, seguramente, não haveria margem para desculpas esfarrapadas. E a speaker do congresso ofereceu uma perfeita a Xi Jinping.

Quando Sérgio Figueiredo era director de informação da TVI, Fernando Medina, então presidente da CML, era comentador residente. Comentava a actualidade, comentava política interna, comentava eleições. Comentava tudo. E ganhava uns trocos, que a vida em Lisboa está é para os camones.
Agora, que Fernando Medina é ministro das Finanças, e Sérgio Figueiredo enveredou pela consultoria, os papeis inverteram-se. E o antigo director da TVI foi agora contratado pelo antigo presidente da CML, por ajuste directo, para prestar serviços de “consultoria estratégica especializada”, pela módica quantia de 4767€/mês, valor que se equipara ao auferido pelo próprio Medina.
Isto corrói a democracia mais do que qualquer venturice. Porque é exactamente disto que se alimentam as venturices. De portas rotatativas que tresandam a compadrio e outras coisas que vocês sabem. Na falta de emigrantes, muçulmanos e elevada criminalidade, melhor combustível não há.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Efectivamente, na KEXP.
Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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