A máquina do tempo: a juventude é um lugar estranho

 

«A Antiguidade do tempo é a juventude do mundo», disse Francis Bacon, político e filósofo inglês do século XVII. E com este pensamento, respeitável, poético e profundo, inicio uma feérica girândola de citações sobre o tema da juventude. Um tema inesgotável (como quase todos os temas). Vamos a isso.

Era Bernard Shaw, o escritor irlandês, prémio Nobel de 1925,  quem dizia que a «juventude é uma coisa maravilhosa», acrescentando cinicamente, «só é pena ser desperdiçada nos jovens». Herbert Asquith, um político britânico do princípio do século XX, disse quase a mesma coisa, mas de uma maneira mais prosaica: «A juventude seria uma idade ideal se chegasse numa fase mais tardia da vida». Shaw, obviamente, através de um dito espirituoso, faz uma afirmação igualmente profunda: os jovens vivem a juventude, mas não têm nem tempo nem distância para a poder apreciar. Apenas o nostálgico filtro da idade permite avaliar tudo o que a juventude teve de bom.

Paul Nizan, o escritor e filósofo francês, em «Aden Arabie» punha a questão em termos mais introspectivos e pessimistas – «Eu tinha vinte anos. Não deixarei ninguém dizer que é a mais bela idade da vida». Nizan, mesmo aos velhos, que em sonhos regressam todos os dias à sua juventude, idealizando-a já que não a conseguem reviver, recorda-lhes a terrível angústia dos vinte anos – a protecção, que nos acompanhou até ao fim da adolescência, terminou, abrindo-se agora o mundo para uma paisagem nebulosa, onde se esfumam as convicções da criança e a experiência do adulto é quase nenhuma. Ou seja, abre-se uma porta para o desconhecido. A isto junta-se a revolta por nada ser como o desejaríamos, num mundo dominado pelos velhos (pelos que têm mais de trinta anos). Para creditar o pessimismo de Nizan, aprecie-se o número de jovens que, por volta dos vinte anos, se suicidam. A juventude é um lugar estranho.

 

«Nos olhos do jovem arde a chama, nos olhos do velho brilha a luz», disse o grande escritor francês Victor Hugo. É um lugar-comum o atribuir-se esse ardor indomável à juventude e a luz da sabedoria à velhice. Como se não houvesse jovens néscios, preguiçosos e cobardes e velhos estúpidos e ignaros como carros de bois. Mas, como veio do grande Victor Hugo, deixemos passar. Adulando a juventude, os velhos, ou melhor, a sociedade, procuram instrumentalizá-la, aproveitando o seu entusiasmo e energia, canalizando-os para os seus objectivos. Positivos ou negativos (geralmente, negativos)

Guevara, que nunca chegou a ser velho, dizia: «o alicerce fundamental da nossa obra é a juventude». Mussolini foi, na história recente, um dos primeiros a aperceber-se do enorme potencial de energia gratuita que a juventude, no seu conjunto, contém. Não é por acaso que o hino fascista se chamava «Giovinezza» (juventude), dizendo no seu saltitante estribilho: «Giovinezza, giovinezza,/Primavera di bellezza…»

A Opera Nazionale Balilla, arregimentando os jovens e enquadrando-os politicamente, foi uma das forças primordiais do regime. Os bandos de adolescentes de camisa negra, empunhando matracas, aterrorizavam, batiam, matavam. Entravam num café e quem, por exemplo, não fizesse de imediato a saudação fascista era espancado e por vezes os rapazes só paravam quando o «infractor» estava desfeito, morto. É que os jovens têm certezas e dificilmente aceitam que se possa pôr em dúvida as suas convicções. Por isso eu falei em canalização positiva ou negativa do ardor e da energia juvenis.

Hitler, com as suas «hitlerjugend» seguiu as pisadas do ditador italiano no aproveitamento da juventude. Não poucos foram os pais denunciados pelos filhos que punham o ideal e o führer acima da família, como lhes era ensinado. Franco, não se fez rogado e criou as suas «juventudes», os jovens camisas azuis, dispostos a abdicar da vida e do amor em prol da «causa» – «Cara al sol con la camisa nueva,/que tú en rojo bordaste ayer /me hallará la muerte si me lleva/y no te volvo a ver…»

Em Portugal, Salazar, embora tentando fugir dos arroubos fascistas (porque mais do que fascista, ele era salazarista), não resistiu à pressão dos entusiastas e criou a Mocidade Portuguesa: «Lá vamos que o sonho é lindo,/Torres e torres erguendo,/Clarões, clareiras abrindo/Alva de luz imortal…» Os movimentos comunistas não perderam também essa energia. Na União Soviética, na China Popular, na Jugoslávia de Tito, na Cuba de Fidel, não se desperdiçou esse caudal de força, esse pilar, como lhe chamou o Che.

Usa-se muito nos partidos políticos o lugar comum – «a juventude é o futuro», como se isso fosse uma coisa importante. Porque o que é importante é saber que futuro vai haver, em que mundo os jovens vão viver amanhã., em suma, que futuro lhes vamos legar. O futuro não é necessária nem garantidamente melhor do que o presente. Joseph Joubert alimentou também o mito com uma frase célebre: «Nos homens apenas há de bom os seus jovens sentimentos e os seus velhos sentimentos». Benjamin Disraeli, um primeiro – ministro da rainha Vitória considerou «A juventude de uma nação é a depositária da posteridade». Bonitas palavras para nada dizerem.

Há também os que afirmam, como Samuel Ullman, que «a juventude não é uma época da vida, é um estado espírito». Claro que, sob diversas variantes, esta frase é extremamente agradável aos que já não são jovens. O grande arquitecto norte-americano Frank Lloyd Wright disse o mesmo por outras palavras – «A juventude é uma qualidade e não uma questão de circunstância». Na realidade, há velhos com espírito jovem (veja-se Manoel de Oliveira). Pablo Picasso dizia mesmo: «Precisamos de muito tempo para nos tornarmos jovens». Não que seja mentira, mas estamos, neste caso, não a falar de idades, mas de graus de inteligência, de vivacidade, de entusiasmo. Que, claro, não são sentimentos exclusivos dos jovens.

Há maniqueísmos entre os jovens, considerando todos os velhos caducos e ultrapassados, e entre os velhos abundam os aforismos sobre a inépcia dos jovens. No fundo, como sempre que se generaliza, erra-se, porque nem a juventude é sempre impetuosa e ardente, nem a velhice é sempre sábia e iluminada. Um estúpido é um estúpido, tenha a idade que tiver. O contrário é igualmente verdade. Neste sentido, Blaise Pascal reconheceu que «quando somos jovens ajuizamos mal as coisas e quando somos velhos também.» e Ambrose Gwinett Bierce, um jornalista americano do princípio do século XX, afirmou que «se chama experiência a quando renunciamos dos erros da juventude para os substituir pelos da velhice».

O surrealista Jean-Louis Bédouin, no seu livro «André Breton» (1955), rebela-se contra os «conselhos» que os mais velhos se acham no direito de ministrar aos jovens: «Porque se existe algo que, para nós, incarne o surrealismo é a juventude; a juventude que não sabe o que fazer com os conselhos dos velhos, os infames velhos que, não contentes em nos terem legado a memória de duas guerras, um mundo corrompido e a ameaça de uma terceira matança, levam a impudência ao ponto de nos querer ensinar quem vive e quem morre…»

«Se pudesse voltar à juventude, cometeria todos os erros que cometi. Só que os cometeria mais cedo», disse Tallulah Bankhead, a actriz americana dos anos 40 do século passado, num registo bem-humorado e lúcido. De facto, aos velhos nada de melhor resta do que reconciliarem-se com o seu «eu» de décadas atrás e aos jovens, se me estivessem a ler, recomendaria prudência. Porque, como também disse Francis Bacon, «os desatinos da juventude são conspirações contra a velhice e pagam-se caro ao anoitecer as loucuras praticadas pela manhã».

E, com esta, por hoje, me retiro.

O ovo no cu da galinha

Quando se fala de megainvestimentos, fala-se como sendo " ovo em cú de galinha".Mais negócios para as grandes empresas Portuguesas, mais trabalho para a mão de obra nacional , mais estudos para os consultores nacionais, mais empréstimos para os bancos da praça

 

Quando se adjudica por ajuste directo, evitando a Lei, e os concursos públicos, entrega-se de mão beijada à Motta-Engil, e andou que temos pressa. Claro que tambem nos custa dinheiro porque o Estado faz por 100 o que poderia fazer por 50, como é o caso dos Contentores de Alcântara.

 

Havendo concursos públicos, e a alguns deles não podemos fugir por exigirem concurso internacional, pode acontecer  que a FCC, grupo Espanhol, apresente um preço inferior em 424 milhões de Euros à proposta da Motta-Engil, e assim ganhar o concurso, para a construção da componente rodoviária da terceira travessia do Tejo em Lisboa

 

Jorge Coelho afadiga-se agora, com um grupo de técnicos muito bem pagos, a esmiúçar a proposta vencedora para verificar se há marosca, porque uma diferença tão grande só pode resultar de uma inovação nos procedimentos ou na aplicação de materiais de alta tecnologia. Ora a Motta-Engil não conhece nem uns nem outros que tenham aparecido assim, sem mais, no mercado.

 

Resta um preço irreal a contar com as obras a mais e indemnizações por parte do Estado, por não cumprir os termos do contrato. Esmiúçando, Dumping !

 

E na situação em que as finanças públicas estão, é certo que muitos incumprimentos vão acontecer!

Amizade

Escrever sobre um sentimento, não precisa citações. A amizade é uma   afeição recíproca entre duas pessoas que cultivam boas relações. É a sinceridade entre essas duas pessoas que sabem partilhar sentimentos e calar. Em uma palavra, é a confiança mutua entre pessoas de qualquer idade que sabem tomar conta uma da outra, sem entrar pela vida privada do outro. É um sentimento de nunca abandonar a pessoa por quem se sente afectividade Os gregos clássico definiam a amizade como Aristóteles a tinha pensado: Assim como os motivos da Amizade diferem em espécie, também diferem as respectivas formas de afeição e de amizade. Existem três espécies de Amizade, e igual número de motivação do afecto, pois na esfera de cada espécie deve haver afeição mútua e mutuamente reconhecida.

Aqueles que têm Amizade desejam o bem do amigo de acordo com o motivo da sua amizade; desse modo, aqueles cujo motivo é a utilidade não têm Amizade realmente um pelo outro, mas apenas na medida em que recebem um bem do outro.

Aqueles cujo motivo é o prazer estão em caso semelhante: isto é, têm Amizade por pessoas de fácil graciosidade, não em virtude de seu carácter, mas porque elas lhes são agradáveis. Assim, aqueles cujo motivo da Amizade é a utilidade amam seus amigos pelo que é bom para si mesmo; aqueles cujo motivo é o prazer o fazem pelo que é prazeroso a si mesmo; ou seja, não em função daquilo que a pessoa estimada é, mas na medida em que ela é útil ou agradável. Essas Amizades são portanto circunstanciais: pois que o objecto não é amado por ser a pessoa que é, mas pelo que fornece de vantagem ou prazer, conforme o caso. A fonte de esta ideia é o livro Ética a Nicômaco de 333 antes de nossa era, versão francesa de 1992, Presses Pocket, Paris.

Texto que define não apenas uma intimidade entre duas pessoas, bem como o interesse ou despertar a simpatia de outra pessoa sobre nós, e, de forma reciproca, da outra sobre nós, que não nos abandona e não espera nada de nós, excepto essa mutua confiança

. Falar de amizade tem muitas palavras para serem usadas, é todo um tratado como os dos filósofos ou o interessante livro de Marguerite Yourcenar: O tempo, esse grande escultor, de 1994 a primeira edição, 2006, a segunda, publicados por Difel, Paris e Lisboa. Defende a ideia que serve de entrada a este curto texto.

O que mais esperamos da amizade é a companhia, a simpatia, o não abandono, o sermos precisados e visitados pela pessoa ou pessoas em quem depositamos confiança, sem erotismo no meio. É o pensamento que tina esse amigo Luís Miguel sobre os outros. É o que eu espero sobre os outros: a solidão nada esculpe, nada entrega. É o tempo quem nós oferece a emotividade da afeição. Como todos esses os meus denominados amigos que, foram esculpidos durante um tempo, até acabar a necessidade e entregar a sua confiança a outros mais importantes para os seus objectivos. É o neo-liberalismo destes dias que não entende de sentimentos, mas sim de lucro. Nicômaco recebeu uma grande mostra de amizade, um apreciado presnte com o livro de Aristóteles: era o pai do filósofo…

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Paulo Abrantes

Talento vs Sistema

Também fui dos que teve o privilégio de, na última 5ª, ir ao Estádio da Luz ver aquele magnifico recital ao vivo.

Durante momentos, sonhei.

Este fim-de-semana acordei para a realidade: O Porto ganha 3-2 com um penalty perdoado ao Bruno Alves quando estava 0-0 (como com o Leixões), e ainda um golo em offside do Farías, tipo o que aconteceu em Paços de Ferreira (com a diferença de que lá seria o Paços a marcar, e o jogador estava em posição regular).

Nos últimos anos uma parte de mim diz para me ir habituando. Lembro-me da época passada, em que, não tendo jogado particularmente bem, o SLB provavelmente teria sido campeão, não estivesse o nosso futebol controladissimo por uma certa máfia que os adeptos do FCP continuam a deixar que reine o seu clube.

Mas penso: este ano vai ser diferente. Este ano podem anular 3 golos por jogo ao SLB que as vitórias continuarão a suceder-se.

Contudo, no meio dos meus pensamentos e receios por ver, mais uma vez, o FCP a ser levado ao colo, penso algo mais profundo: que o futebol português é demasiado corrupto para merecer a minha atenção. Valham estes momentos para saborear a glória de ver um SLB de classe mundial conseguir, a custo, estar em igualdade pontual com um dos Portos mais mediocres dos últimos anos. Mas custa levar uma tabela tão desvirtuada a sério…

Cerco à Comunicação Social

Começou com aquela compra frustada da PT sobre a TVI, que o nosso primeiro não conhecia, nunca tinha ouvido falar e nem sequer sabia quem eram os administradores.

 

Depois sabemos o que aconteceu na TVI, nas mudanças de estrutura e de programas.

 

A seguir houve uma tentativa de controlo da Impresa SA, grupo que controla a SIC e o Expresso, entre outros.

 

Agora ficamos a saber que a ONgoing, que tentou o controlo do Grupo de Balsemão, fez o que a PT não conseguiu. Comprar a Media Capital, que por sua vez contrloa a TVI.

 

Mas a fotonovela ainda só vai a meio, na PT, já há demissões depois de se saber que a massa com que se compram estes e outros melões, tinha saído da PT, meio à socapa. Para ajudar, as actas ddo Conselho que autoriza estas aplicações de fundos aos milhões, foram publicadas num semanário que, por acaso, é controlado por um dos "players" destas brincadeiras.

 

Aproximam-se tempos muito dificeis e quando é assim, não importa de onde vem o dinheiro ou se o dinheiro tem ou não rentabilidade. Outros valores mais altos se levantam.

 

Aqui e agora estamos a assistir ao controlo da comunicação social!

 

A quem servirá?

 

DAVID E A SUA FAMÍLIA

David ou Davi (em hebraico: דוד, literalmente "querido", "amado", no hebraico moderno Dávid, no hebraico tiberiano Dāwiḏ; em árabe: داود) é um personagem da Bíblia (Antigo Testamento). Filho de Jessé, da tribo de Judá, teria nascido na cidade de Belém e se destacado na luta dos Israelitas contra os Filisteus. Tornou-se rei, sucedendo a Saul e conquistou Jerusalém, que transformou em capital do Reino Unido de Israel.

Bem sabemos que o que mostamos no texto, não é a imagem real de David.

No seu tempo, as esculturas não eram possíveis para um povo de pastores. Foi bem mais tarde que pasou a ser posível esculpir no mármore. David ou Davi é uma das esculturas mais famosas do artista renascentista Miguel Ângelo. O trabalho retrata o herói bíblico com realismo anatómico impressionante, sendo considerada uma das mais importantes obras do Renascimento e do próprio autor. A escultura actualmente encontra-se em Florença, na Itália, cidade que originalmente encomendou a obra. O que a obra mostra é um jovem getil, cheio de força , capaz, ele sozinho, de derrotar  o gigante filisteu, Golias, com apenas uma pedra atirada com a sua fisga. Bate na cabeça do gigante e mata-o de imediato. Golias era o terror de Israel. Mas David era pastor e na sua pastoricia soube ganhar calma, serenidade, paz, e formas diversas de pensar. 

Um pastor precisa  de habilidade e inteligência para ser capaz de tratar do seu rebanho: a lã, as vezes, fica agarrada a objectos que imovilzam ao animal e o pastor deve pensar nas alternativas para libertar essa parte do seu rebanho.

A inteligência do pastor é cultivada confrontando problemas só, que, se não souber resolver, perdia uma peça valiosa do seu sustento. Esse pastor não pode ter medo. O medo dinamiza a adrenalina que paraliza o pensamento e a solução, assim, nunca mais apareceria. O pastor, além de todas as alternativas para tomar conta do seu rebanho, acaba por amar ao seu redil ou curral. Pasa a ser a única maneira de suportar o frio, o calor do verão, encontrar soluções para a falta de agua do deserto, essa agua que o curral precissa para viver. A inteligência acorda desde a mais tenra infância e  desenvolve-se na solidão da sua juventude, com apenas o redil por companhia, ou os proprietários dos animais que cobram caro a perca de uma ovelha o cabrito. No caso de David, a sua força desenvolve-se na medida de andar e andar por planicies desérticas, procurando sempre essa sombra que dificilmente se encontra.  Apenas a juventude sem posses, é capaz de manipular tamanha fortaleza.

O problema é que a glória traz arrogância, especialmente se ganhar uma batalha só e ser proclamado rei por causa da façanha. Ser rei, já maduro, as tentações acontecem, como no caso do pastor feito rei. Na sua paixão, é capaz de sacrificar não um animal, nos tempos em que apenas tem o poder do orientar, mas sim um general do seu, agora, próprio exército para amar a mulher do amigo que é morto pela sua ordem. Como dizem por ai, é melhor um corpo sem vida e bonito que fica marcado na nossa memória e sentimento, que um material todopoderoso monarca que não hesita em usar a força, não para ganhar uma guerra, mas sim para ter o prazer que a kei proibe. A juventude avança com calma: está a aprender, especialmente com as manhas dos outros; o adulto, precipita-se para satisfazer apetites mal cultivados, que acabam com ele, como aconteceu com o rei, já monaca absoluto. De certeza Luís Miguel Pimentel Correia foi sempre esse David que tomava conta do seu curral e sabia tratar aos seus animais com a gentileza que o pastor sabia cultivar. É a memória do David da figa, metáfora do Luís que usou a sua juventude para ser solidário com a mãe, o pai, a irmã e as tias e primos. Certo estou que Miguel Ângelo soube esculpir essa alma escondida dentro de um corpo trabalhador. E é assim que vive dentro de todos nós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

David em Florença

 

 

Desistência

Por cada cabelo branco que nasce, há, provavelmente, uma ou mais células cerebrais que se consomem. É a lei da vida. Por esta lei da vida desconfio que possa haver, em muitos homens, algum grau de displasia e degenerescência na sua admirável capacidade de pensar. O sinal desta desconfiança reside, a meu ver, naquilo que me parece ser alguma instabilidade e algum desacerto no fio-de-prumo do seu intocável carácter.

 

Dá ideia de que as células, cansadas de tanto pensarem bem, como aconteceu tantas vezes na sua vida e em muitas das suas intervenções, muitos homens se desmobilizam e se demitem, por vezes, do rigor funcional que lhes é exigido. Há muita gente ansiosa por pendurar a tabuleta a dizer “cheguei até onde pude”. Por vezes não querem parar um pouco para descansar, pensar e entender que esta viagem não tem fim, é a viagem da dignidade humana, da infindável curiosidade e descoberta, e qualquer fictícia chegada arruma a pessoa para fora da única vida que vale a pena viver. Parar, não é uma decisão muito compatível com o homem da angústia e da sede da verdade. O homem da formação e da determinação.

 

Paredes Brancas, Povo Mudo

Hugo Colares Pinto

 

Hugo Colares Pinto

Quadras do dia

Que interessa padres e bispos

Dizerem mal dos ateus?

Defendem o seu papel

Roubando o lugar de deus.

 

Se é que deus não existe

Nem é precisa a defesa.

Para que insistem os bispos

Na cruzada da certeza?

 

Se o deus em que acreditam

Existisse realmente

Via-se à rasca p’ra ser

Defendido por tal gente.

 

Se um deus omnipotente

Não gramasse Saramago

Não iria ao Tolentino

Pedir ajuda, carago!

 

Nem ao carreira das neves

Daria tal incumbência

Virava de cu p’ro ar

Tudo o que fosse indigência.

 

O casamento homossexual

O Aventador Prof. Dr. Raúl Iturra junta história e argumentos para defender o casamento homossexual.

 

Como comentário a esse texto o nosso leitor  Felício J, defende que a procriação em si mesma é factor distintivo e suficiente para manter o casamento restrito a duas pessoas de sexo diferente.

 

Conseguida a "união de facto" que assegura, em termos jurídicos, todos os previlégios face aos direitos de propriedade, não se percebe porque querem os homossexuais casarem. Afastando a brincadeira óbvia, que assim ficam mais perto do divórcio, não vejo razões suficientemente fortes para reduzir o significado da instituição casamento.

 

O casamento tal qual o conhecemos é um dos pilares da sociedade, e não se esgotando na procriação, é na procriação que encontra a sua razão de ser mais nobre.

 

E não posso deixar de me interrogar o que levará aqueles e aquelas que mais lutaram contra o casamento o quererem agora para si e para os seus.

 

A ideia é mesmo tirar-lhe o significado social e familiar que ainda carrega?

Poemas do ser e não ser (dedicado à Carla Romualdo, se ela não se importar)

Todos somos feitos de cordas

qual cérebro qual coração!

cordas de violino

cordas de guitarra

cordas de enforcar

cordas daquelas que amarram

cruelmente

os barcos ao cais

e os fazem soluçar

(já viram coisa mais triste

do que os barcos a baloiçar

presos às argolas do cais?)

Felizes os que têm por amarra

as cordas de um violino

ou as cordas de uma guitarra.

 

Resquícios de fascismo no Colégio Militar

A Lei é para ser aplicada e não fica do lado de fora dos muros do Colégio Militar. Não podemos dizer que só põe lá os filhos quem quer, como se isso justificasse a violência de quem é adulto sobre crianças. Não justifica!

 

E o Colégio Militar pode ser o melhor colégio do mundo que tambem não é justificação. E as praxes tambem não são justificação, e a tradição tambem não. Numa palavra, a violência exercida sem ser em defesa própria é um crime e como tal deverá ser tratada.

 

É isso que estão a fazer os pais das crianças que foram brutalizadas, accionando a Justiça e levando o assunto para os tribunais civis e criminais. Não só é um crime previsto na Lei, e com uma cobertura penal que pode ir a cinco anos, como há prejuízos físicos e psicológicos que podem e devem ser revertidos por indemnizações financeiras.

 

A verdade é que, como vem hoje nos jornais, os oficiais sabiam da violência dos castigos que eram aplicados pelos chamados "graduados" sobre os mais pequenos, e nada fizeram, o que préfigura tambem um crime. Que deve ser investigado. E caso se confirme esse conhecimento, os oficiais devem ser punidos militarmente e serem accionados judicialmente.

 

Estes são os resquícios do "fascismo", de quarenta anos, em que a Lei só se aplicava sobre alguns e não sobre todos. Em que havia gente que estava acima da Lei. Eram estas coisas humilhantes e discricionárias a faceta mais ignóbil do "fascismo", o dia a dia  pequenino e sem grandeza, o ser expulso da cidadania na sua própria terra!

 

Tolerância Zero!

 

Merkel baixa impostos

Na Alemanha, para relançar a economia, a senhora Merkel vai baixar os impostos. Os Liberais com quem fez coligação para governar, devem ser os pais da medida.

 

O primeiro objectivo é que a maioria da população tenha mais dinheiro para consumo interno,daí que seja nas classes com menos dinheiro disponível, onde o imposto baixará mais,  no sentido de o dirigir para o consumo.

 

E, para manter o déficite, com menos receita, onde vai cortar na despesa? Despedimentos na função pública?

 

Nós aqui em Portugal, começamos logo por ter um déficite muito superior ao anunciado pelo governo, que se fica pelos 5.9%. Ninguem acredita neste número, andará pelos 9%, se a desorçamentação da despesa escondida nas parcerias público/privadas e empresas públicas (com as de transportes à cabeça) regressarem ao orçamento, numa política de verdade.

 

A gestão política do orçamento já começou, escondendo a despesa e o déficite real, e esta aventura nunca deu bons resultados. Tudo indica que teremos mais uma vez uma fuga para a frente, com um orçamento expansionista, pese embora a dívida pública ser já uma calamidade nacional.

 

Taxar as classes mais altas e transferir a receita assim obtida, para as classes mais baixas, pode ser uma tentação.

 

O caminho é muito estreito. Vamos lá ver de quem é a culpa desta vez!

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Paulo Abrantes

De bem com Deus e com o Saramago

 

 

     Naquele dia, Jesus  invadiu os aposentos do Pai, gritando, com a pressa de trazer a Má Nova:

     – Ó pai, ó pai, trago más notícias!

     – Irra! Já ando há mais de dois mil anos a dizer-te a mesma coisa! Quando chamares por Mim, usas maiúsculas. Fazes favor, sais, e voltas a entrar como deve ser. Só não te fulmino, porque sei que ressuscitas ao terceiro dia.

     Jesus encolheu os ombros e saiu. Com o mesmo entusiasmo, reentrou, clamando:

     – Ó Pai, ó Pai, trago más notícias!

     – Vês como és capaz? Diz lá, Meu filho.

     – O Saramago anda outra vez a criticar a Igreja e a Bíblia.

     – Saramago? Quem é esse?

     – Aquele escritor que até escreveu um livro sobre mim.

     – Com essa descrição, havemos de ir longe.

     – É aquele português que, por causa de um senhor que disse mal desse livro, resolveu dizer que se exilava em Lanzarote.

     – Ui, já Me lembro! Na altura, até pensei que se todos os portugueses com razões de queixa do governo fossem para Lanzarote, aquilo já tinha ido ao fundo. Mas, então, o homem disse mal da Igreja e da Bíblia? Mesmo que dissesse mal de Mim, qual era o problema? Até parece que não sou omnipotente. Mas, afinal, quais são as más notícias?

     – É que o pessoal da Igreja e afins ficou logo todo encrespado.

     – Pronto, já estou mesmo a ver! O rapaz Saramago comete o erro básico de falar de literatura como se fosse a realidade e o pessoal da sotaina cai-lhe em cima porque pensam que não se pode dizer mal do livro preferido deles.

     – É um bocado isso, é.

     – É o costume: têm a mania que falam em Meu nome. Se estivessem mais preocupados em dar a outra face em vez de se comportarem como membros de uma claque de futebol…! Mas tu, deixa-te estar, com aquela cena macaca de andares a bater nos vendilhões também lhes deste um rico exemplo.

     – Ó pai, outra vez essa história? Até parece que não te fartaste de fulminar gente!

     – Olha as maiúsculas, rapaz!

    

 

Clube dos Poetas Imortais: Orlando da Costa (1929-2006)

 

Conheci Orlando da Costa em 1971.Nesse ano, vim trabalhar para uma editora ligada na altura a um grupo editorial de Barcelona. A editora ia lançar aqui uma obra de grande sucesso internacional e contactámos a agência de que Orlando da Costa era director criativo para se encarregar da campanha publicitária, em todos os meios – na televisão, na rádio, na imprensa… Eu era o interlocutor da editora junto da agência e aquele fim de Primavera foi agitado, com reuniões intermináveis, após o que íamos beber um copo (às vezes mais do que um).

 

Era conhecido dentro da comunidade literária, pois o seu romance «O Signo da Ira», recebera Prémio Ricardo Malheiros de 1961. Sabia também algo sobre a sua actividade política, a militância antifascista, as prisões. Ele ouvira falar de mim, pois a minha prisão em 1968, alegadamente pela publicação de «A Voz e o Sangue» foi comentada no meio. Tornámo-nos amigos. Com o tempo, as relações profissionais (ele foi mudando de agência e a editora foi sempre atrás dele) conduziram a uma amizade muito grande e a um grande respeito mútuo, mesmo quando não estávamos de acordo – era militante do Partido Comunista e eu sempre fui muito crítico relativamente à prática política do PCP – antes e depois do 25 de Abril.

 

 

Orlando da Costa era um bom escritor, mas mais importante do que isso, era um homem bom, de uma grande dignidade e com um incomum sentido das suas responsabilidades cívicas. Depois de um jantar organizado por uma editora, em 2005, já ele estava doente, não voltámos a estar juntos, mas falámos muito pelo telefone. Por um amigo comum, o António Andrade, ia sabendo da evolução negativa da doença. Até que o Andrade me telefonou a dar a triste notícia da sua morte, antes de os canais de televisão. Lá fui à Basílica da Estrela – estivera lá a despedir-me do David Mourão-Ferreira, depois foi o Orlando e, em 2008, o velho Luiz Pacheco.

Não gosto nada da Basílica da Estrela.

Orlando da Costa, nasceu em Lourenço Marques, actual Maputo, em 1929, numa família goesa. Foi criado em Margão, vindo para Lisboa, com apenas 18 anos, em cuja Faculdade de Letras se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas. Ficcionista, dramaturgo e poeta, publicou uma dezena de livros, dos quais saliento os romances «O Signo da Ira» (1961), «Podem Chamar-me Eurídice» (1964), «Os Netos de Norton» (1994) e «O Último Olhar de Manú Miranda» (2000). O poema que seleccionei, foi publicado na antologia «Poemabril» (1984) e foi musicado pelo maestro Fernando Lopes-Graça:

Canto Civil – 1

            Este é o meu canto civil

            canto cívico graduado

            desde um tempo antigo que vivi

            entre poemas de aço camuflados e algemas de silêncio

            Esse era o tempo do assalto às casernas

            mas já então eu escrevia o que devia:

            a cartilha da guerrilha do amor e da paz

            para ser ensinada à luz das lanternas

            nas escolas nas igrejas na parada dos quartéis

 

            Este é o meu canto civil

            canto cívico desfardado

            escrito a vinte e oito de Abril

            do ano passado à noite

            de punho cerrado com alegria e sem espanto

            canto para ser cantado de dia

            por todos por muitos por mim ou por ninguém:

           

            Soldado raso

            ao cimo da calçada

            em guarda

            de flor e farda

            a flor que te damos

            é pão da madrugada

 

            É pão amassado

            sem liberdade

            é gesto de guerra

            em nome da paz.

            É flor de canção

            em terra mar e ar

            rubra flor popular

            num só cano de espingarda

            Soldado raso

            em sentido na memória

            lembra-te de novo e sempre

            a flor que te damos

            é da terra é do povo

            é pão da madrugada.

 

 

Manifesto pelo fim da divisão na carreira IV ou o cavalo que não quer beber

E estamos de volta com a questão do Luís: Trabalho Igual, salário igual?

 

Ponto de ordem à mesa: quando digo que na profissão docente não faz sentido a divisão porque o conteúdo funcional da profissão é sempre o mesmo, estou a pensar no conjunto de tarefas que cada trabalhador tem que fazer e não na sua qualidade. Isto é, estou a pensar nas aulas que um professor tem que dar e não na sua qualidade. Isso fica para a avaliação.

 

Sou da opinião que a trabalho igual deve corresponder salário igual e aqui distingo trabalho de função – sou (imaginem como sou ultrapassado) da opinião que uma mulher tem o direito a ganhar tanto como um homem, desde que execute as funções com o mesmo nível de qualidade de um homem. Imaginem só.

 

Portanto, levando isto para o campo da docência, se fosse possível medir a produtividade (já lá vamos) então sim, o dinheiro deverá ser a resposta à qualidade desse trabalho – estou de acordo com isso: os melhores ganham mais, os menos bons ganham menos. Os maus são colocados fora porque com a vida das nossas crianças não se pode facilitar.

 

Mas, há aqui uma dúvida que não consigo esclarecer: como se mede a "tal" produtividade num professor?

Pelas notas dos alunos? Pelo número de horas que trabalha acima do horário estabelecido (outra modernidade)? Pelos alunos que passa? Pelos pais que recebe? Pelos exames que faz para mostrar que ainda sabe umas coisas?

E só para ajudar à confusão, imaginem a minha turma do 5ºano: somos 9 professores a trabalhar com eles – vamos imaginar que famílias, sociedade, etc.., não influenciam em nada o processo educativo: onde é que termina o meu trabalho, a minha influência e começa a de outro professor?

 

Freinet

Dizia o Freinet que não se pode dar água a um cavalo que não tem sede – como quer o meu caro Luís avaliar a minha produtividade se eu tiver um aluno que simplesmente não quer aprender?

 

Pórticos, Chips, Scuts E Cidade Da Maia

.

MUDARAM DE IDEIAS

.

Desloco-me quase diariamente, pelas estradas do meu distrito (Porto), muitas das vezes só pelo prazer de passear. Tenho esse privilégio.

Nesses meus passeios, acontece ter de passar pelas auto-estradas e vias rápidas da zona. De longe a longe, lá se viam, nos últimos tempos, um ou outro pórtico novo, que ninguém me sabia dizer ao certo para que iria servir.

Vou muitas vezes à cidade da Maia.

Antes das eleições, vi por lá cartazes, grandes, a informar os munícipes, que a Câmara da Maia, e evidentemente o seu Presidente e de novo candidato, eram contra o pagamento de portagens nas "scuts" da área. Ninguém, em seu prefeito juízo, aceita de bom grado, esse pagamento, até porque se sabe da falta de alternativas a essas estradas de circulação rápida.

Depois, e durante a campanha eleitoral para as Autarquias, vi por lá, em substituição dos cartazes de que falei, as caras dos candidatos e os símbolos dos partidos que os apoiavam.

Até aqui, tudo normal, penso eu.

Dia de eleições, Domingo, os que votaram foram votar e os outros também não.

Na segunda-feira imediata, coisas estranhas aconteceram. Como se fossem cogumelos, os pórticos multiplicaram-se. numa azáfama incrível, dezenas de operários estavam a trabalhar para pôr em pé dezenas de coisas dessas espalhadas pelas "scuts" da zona. Depressa se verificou,, e se soube que iriam servir para o pagamento, via chip a colocar nos automóveis, de portagens.

Estranhei. Antes das eleições ninguém se mexia, ninguém falava no assunto. No dia a seguir, tudo em pé de trabalho. A fazer muito depressa o que todos contestam.

Bem, todos não, que a Câmara da Maia, agora que os mesmos venceram, esqueceu-se de voltar a colocar os cartazes antigos a dizer que eram contra o pagamento de portagens na "scuts". Será que agora já não interessa captar as simpatias dos munícipes? Afinal já está tudo ganho, para quê qualquer preocupação?

Os pórticos, já estão todos instalados. Todas as auto-estradas da zona estão minadas com eles. A28, A29, A41, A25 e por aí fora, têm já tudo a postos.

Com o início do pagamento de portagens, as estradas antigas vão encher-se de carros. Os engarrafamentos vão ser uma constante. O País, nestas zonas vai tender a parar.

É um simples e evidente ataque ao Norte. Se não vejamos:

-Porto – Aveiro PAGA!

-Porto – Espanha PAGA!

-Porto – Paços de Ferreira – Lousada – Felgueiras PAGA!

-Porto – Aeroporto PAGA!

Gostaria ainda de saber como se vai atravessar a ponte de Vila do Conde, por exemplo? Vamos ter "bicha" parada do Porto até à ponte. E depois até passar a Póvoa, como vai ser? Só por lá há uma estrada (que não passa de uma simples rua) com uma faixa para cada lado, cheia de tudo o que é comércio e indústria. Qual a alternativa que nos deixam? Quantas empresas, e quantos particulares vão deixar de ter possibilidades de subsistir?

Mas o governo é que sabe, e todos baixam as orelhas.

Ou não?

.

Manifesto pelo fim da divisão na carreira III

Boas, se me permite car@ leitor@, vou insistir na minha tese de que não faz sentido haver qualquer divisão na carreira docente. E volto ao tema tendo como ponto de partida o texto do Luís (Trabalho igual, salário igual). Numa resposta a dois tempos:

 

 

Karl Marx

 

E o primeiro comentário vai no sentido de rebater um pré-conceito menos declarado, mas sempre muito presente, contra "O" sindicalista, como se os problemas do nosso país fossem estes e não outros. Sem qualquer tipo de Pré-conceito afirmo que a culpa dos problemas estruturais do nosso país está nas elites dirigentes e não nos trabalhadores. Temos patrões a mais e empresários a menos. Temos gatunos a mais e governantes a menos. Temos uma minoria dirigente interesseira, nada interessada nos interesses da maioria dirigida.

Há sindicalistas conservadores? Com visões do passado? Claro…

 

Mas, quando me dizem que hoje é preciso voltar a jornadas de trabalho de 60h / semana, quando me dizem que talvez seja preciso voltar a trabalhar mais do que oito horas por dia por causa da competitividade… quem é que é reaccionário e conservador?

Será moderno o incompetente Albino Almeida, o pai de todos os pais, vir dizer que quer as creches e escolas das 7h30 às 19h30?

E seria conservador, se por exemplo, exigisse dos empresários um maior apoio aos trabalhadores com filhos em idade escolar, para que estes podessem ajudar os filhos?

 

Nunca na história da humanidade houve tanto dinheiro disponível, nunca como hoje Portugal e os Portgueses foram capazes de gerar tanto dinheiro – porque é que alguns têm que ficar com "ele todo" e outros com nada?

 

Porque é que os lucros de uma empresa, pública ou privada não importa, são para os accionistas na sua totalidade? Porque é que o trabalho é visto como um custo de produção e não como parte essencial ao lucro? Porque é que as empresas não dividem por exemplo, parte dos seus lucros, numa proporção igual, entre accionistas e trabalhadores?

 

Já sei, isto é ser conservador e ter uma visão do passado. O que é moderno é ter gente a ganhar milhões quando temos portugueses a passar fome.

 

Repito – a questão central é mesmo a da distribuição da riqueza.

 

E com isto me perdi no que queria escrever, mas certamente vão ter a paciência de me acompanhar no próximo post…

 

O Direito a Heresia

Heresia (do latim haerĕsis, por sua vez do grego αρεσις, "escolha" ou "opção") é a doutrina ou linha de pensamento contrária ou diferente de um credo ou sistema de um ou mais credos religiosos que pressuponha(m) um sistema doutrinal organizado ou ortodoxo. A palavra pode referir-se também a qualquer "deturpação" de sistemas filosóficos instituídos, ideologias políticas, paradigmas científicos, movimentos artísticos, ou outros. A quem funda uma heresia dá-se o nome de heresiarca.

ou linha de pensamento contrária ou diferente de um credo ou sistema de um ou mais credos religiosos que pressuponha(m) um sistema doutrinal organizado ou ortodoxo.

A palavra pode referir-se também a qualquer "deturpação" de sistemas filosóficos instituídos, ideologias políticas, paradigmas científicos, movimentos artísticos, ou outros.

A quem funda uma heresia dá-se o nome de heresiarca. A definição não é minha.

O título deste texto, também não. O conceito está definido em http://pt.wikipedia.org/wiki/Heresia é o título foi retirado de um Alerta Google, que me fora enviado pelo motor de pesquisa assim denominado, a pedido meu e que diz:Saramago advoga "direito à heresia"

Se a definição fosse minha começaria por dizer que heresia era uma opinião ou doutrina diferente às ideias recebidas. Por outras palavras, aprendemos uma ideia ou várias delas e pasamos a pensar de forma diferente em todos os campos do saber material ou ideal.

 Heréticos seriam Karl e Jenny Marx e a sua família, que pensavam de forma dierente aos outros membros da família extensa. Família extensa que costumava pensar apenas em eles e não em factos sociais legais e religiosos que acnteciam en torno deles. O interesse deles era estar bem acomodados na vida tomar conta dos seus bens e ser  sempre bem recebidos na corte do Rei da Prússia, ou do seu substituto, o Imperador.

A família Marx, de Karl e Jenny, não tinham essa pretensão. Conviviam com os operários, os convidam a sua casa e eram atendidos como se fossem Imperadores.

 

Era a heresia da família Marx e de vários outros de classe social aristocrata ou burguesa, como Engels, Owen, o Conde de Saint-Simon e o próprio pai de Jenny, o Barão Johann von Westpalen. A cosequência era evidente: o acesso aos seus iguais era-lhes negado.

Donde, a heresia não é apenas em matéria de ideias religiosas, é tambem dentro do campo social. É considerada uma heresia o texto publicado por mim ontem no Aventar, ao advogar pelo matrimónio homossexual. Várias opiniões foram exprimidas, de forma irónica sobre o direito a formar família. Como se a família fosse apenas pais e filhos e não duas pessoas que se amam, capazes de ou adoptar filhos ou de entregar esperma deles a ventres femininos alugados, como acontece hoje em dia e terem filhos próprios a partir de essa relação. Relação que não é herética por ser usada por casais heterosexuais que não podem formar descendência entre eles Há a heresia da liberdade de opinião. Leio no jornal de hoje que Saramago denomina a Bento XVI ou Ratzinger, um hipócrita, por não gostar da sua imagem e figura, acrescentando que o assunto não é com ele, é entre so fieis da confissão que ele governa, confissão que deve opinar, mas nada diz por ser Ratzinger um Papa, um representante da divindade na terra. Vê-se bem que a heresia, desta vez, é literária.

O Nobel português nem conhece a doutrina cristã nem sabe que Ratzinger basseia parte dos seus argumentos na teoria dos Marx. Heresia hipócrita: a seguir a sua opinião de como Marx entendia tão bem a alienação de bens e salário por parte do espólio ou despojos da guerra que a buguesia tem começado, desde o primeiro dia da Revolução Industrial, e os agumentos nos textos Ratzinger que era pena que Marx não fosse cristão.

Ignorância de Bento XVI. A obra de Marx está toda baseada na Bíblia e nos Evangelhos.

O primeiro escrito de Karl Heinrich, aí pelos seus 15 anos, era um texto denominado União dos Cristãos na base do Evangelho de São João. Ignorância de Saramago, quem diz ter assistido apenas duas vezes a missa ao longo da sua vida. É possivel ver que há vários tipos de heresia, todas elas definidas ao mencionar os factos narrados por mim neste texto. Duas outras heresias, é não ter falado do matrimónio homossexual das mulheres que têm os mesmos direitos que os matrimónios entre homens. Estou certo que quem defende o matrimónio homossexual, não discrimina géneros. Dentro dessa luta, somos todos iguais. Luta que para nós, pais, pode passar a ser uma heresia se não entendemos que existe e liberdade de amar. Amor que pode mudar ao longo da vida para os incertos: começam como heterossexuais, amando pessoas do sexo mal chamado oposto – outra heresia, não sou capaz de entender o facto de luta por serem homens e mulheres, excepto se já não existe paixão nem devoção e se muda de género para amar um igual. Como Freud tinha previsto.

O que não estava nada previsto, é a entrada à eternidade de Luís Miguel Pimentel Correia, de férias com amigos, adormece e nunca mais acorda. Um jovem alegre, simpático, amigo dos seus amigos amante da sua família, novo na vida que adormeceu para sempe. Uma heresia para os seus pais, especialmente a sua mãe que o teve, criou e ensinou durante 32 anos. Uma heresia que nos prega a vida sem sabermos como e porquê. Heresia imperdoável. Ele já não está, mas mata de desespero a sua família, longe dele. Família que não entra em heresia de desespero: estão estonteados pela inesperada dor que causa a morte de quem a não merece, em idade nova, cedo na vida.

Heresias há muitas, mas esta é a pior. Saramago tem todo o seu direito as heresias que entende, mas a desaparição não esperada de um jovem galã, é, de entre todas, a pior. Paz e serenidade para a família que nunca tem sido herética dentro de nenhuma das espécies descritas. Paz e amor e uma lei para apagar estas heresias que matam e que resultam das arrogâncias da luta de classes ou da ignorância, sempre transferida a outros. Luta de classes que levara ao Luís a ganhar a vida longe da sua terra e família.

Heresia, esta, de divindade maldosa, impossível de perdoar. Ratzinger e Saramago, fazem teatro de exibição. O Luís, antes o tiver feito: estava connosco. De uma maneia especial, sinto que o está…

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/10/GustafVasakyrkan_RightAltargroup1.jpg/300px-GustafVasakyrkan_RightAltargroup1.jpg

Escultura de Gustaf Vasakyrkan em Estocolmo "Os santos triunfam sobre a heresia"

 

A Sinistra Ministra Isabel Alçada II, seguida de sábios vereadores das Novas Oportunidades

TEXTO DE ARREBENTA

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

 

O Kaos continua-me a falhar com a primeira representação oficial da Sinistra Ministra Isabel Alçada, de maneira que vamos com as Letras, que abraçam a Ignorância, uma justa alegoria da situação.

Hoje, até porque estou muito mais entretido a polir um osso de dinossauro, vou tentar ser breve, e vou voltar ao pobre do Filipe, e do bom ano em que nos conhecemos, e nunca mais me esqueço dele, com ar apavorado, quando eu lhe pus o K. 466, na tonalidade demoníaca de Ré Menor, para lhe mostrar o que podia ser a inquietação e o medo, e ele me perguntou, "mas, olha, tu queres mesmo ser meu amigo?… É que eu venho de uma família tão má, que, na Covilhã, até temos um ditado que fala de nós, e passo a repeti-lo: "Alçadas e gaios, se os virdes, matai-os…"

Suponho que não seja preciso dizer mais nada, e, como há exceções, lá seguimos amigos, mas com a sombra da nova Sinistra Ministra, a que dá facadas com sorrisos, a emergir, no crepúsculo do Socratismo — sim, rapariga, Ana Maria Magalhães dará uma boa Secretária de Estado — e, se ela não aceitar, sempre tens uma série de bruxas que tu e eu bem conhecemos, e que podem alçar-se, salvo seja, aos cargos. (Já repararam em como aqueles blogues, muito aguerridos, da "Educação", se calaram agora, não vá a nova Sinistra lembrar-se de convidar algum dos seus rigorosos autores para o Gabinete?… Pois… É…)

 

A Isabel recuperou uma história semienterrada, e agora vamos aos temas sérios, o traço de caráter da cínica, ambiciosa, pretenciosa e "snob" nova Patroa da Educação, de um tempo passado, quando, mal a Gulbenkian rejeitara o Plano Nacional de Leitura, da autoria de Conceição Rolo e Manuela Malhoa Gomes, através daqueles artifícios, muito conhecidos, da desculpa, olhe é muito bom, mas nós não queremos, que mais parecem aforismos do que argumentos, ele ter, logo de seguida, ressurgido, como "ideia" própria de Isabel Alçada. Boa safra, e há quem ainda tenha também, bem sonante, o timbre de voz, reles e ordinário, de ela a afrontar a Maria do Carmo Vieira, dizendo-lhe que, no Português, os Clássicos não tinham interesse algum (!). Suponho que preferisse as Aventuras da sua Boca da Servidão…

O resto é ainda mais triste, e retrato da taberna suja em que vivemos: donas e donas da rua, diariamente, se dirigem aos Centros de Novas Oportunidades, para obterem o "tal" diploma, que lhes confirma aquilo que sempre afirmaram, "saberem tanto como doutores…", mas a derradeira informação veio-me da Laura "Bouche", daquelas figuras que, se um dia despejasse tudo cá para fora, não era o Governo que caía, mas o País inteiro… É uma história, linda, comovente, um conto de fadas para o vosso sábado, e até podem investigar quem será o protagonista, que eu não tenho pachorra nenhuma para essas minudências.

Então, resume-se assim: com a nova escória eleita para a Câmara Municipal de Lisboa, uma sua velha amiga, de outras eras mais serenas, advogada, vai ficar agora tutelada, e às ordens, de um Vereador, persona grata, que está a acabar de tirar o 9º Ano num CNO.

Such a wonderful world… 🙂

 

(Escrito com a ligeireza do tédio dos sábados à noite, no "Aventar", no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra Isabel Alçada", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

 

FUTAventar – O Braga é uma senhora equipa

Bom jogo, com duas boas equipas a darem vivacidade ao futebol para melhor procurarem a vitória.

 

Um Braga que dominou por completo a primeira parte, até ao golo do Naval, resultado de uma possível falta do Tomas sobre um jogador do Braga que transportava a bola.

 

Os números não enganam, o Braga teve perto de 60% de posse de bola, rematou três vezes mais, mas a verdade é que marcaram um golo cada.

 

Mesmo que o Benfica ganhe amanhã o Braga, vai continuar em primeiro, o que é uma boa proeza. Oxalá não venha a ser castigado pelo atrevimento.

 

Em Portugal, vimos bem como o Boavista conseguiu ganhar um campeonato, em plena época gloriosa do homem de Gondomar…

Para o amigo Carlos Loures: Às voltas com a gramática

Amigo Carlos Loures,

 

O texto que se segue é de um grande amigo meu, Magalhães dos Santos, a quem pedi opinião sobre " A maioria dos comentários revela…(e não revelam)".  Simples curiosidade.

 

934      GRANDE DICIONÁRIO DE DIF1CULDADI~ E SUBTILEZAS

 

 O excomungado, no lance, foi o grande escritor Rodrigues Lo Corte na Aldeia, redigiu:

“Nem é outra cousa os desvarios e desalentos dos que amam.”

O escritor pecou, segundo a Gramática, a qual ensina que ele deveria ter escrito:

‘Nem são outra cousa os desvarios.

Mário Barreto, benemérito gramático brasileiro, foi mais indulgente para com

os pecadores, visto que admitiu a possibilidade do singular, quando no predicado não

entra a palavra coisa. Citou ele um dia o mesmíssimo Rodrigues Lobc ‘Os títulos é coisa conveniente e necessária. . • (‘).

Até aqui, falou a Gramática.

Agora vão falar os escritores, isto é, os pecadores, e eu serei humilde mas sincero advogado.

 

 

Venha em primeiro lugar o grande Mestre da Arte de Dizer e de de Escrever

o glorioso Padre António Vieira. Redigiu assim num dos seus modelares

sermões:

“A morte do Infante, considerada da parte de Deus, foi ciúmes”.~

Isto vem assim mesmo no volume xv, pág. 205 (ed. 1748).

Note-se bem — a morte foi (e não foram) ciúmes.

Distracção pecaminosa! — vociferam os gramáticos julgadores. E eu observo que Mestre António Vieira sempre era muito distraído! Em outro dos seus magistrais Sermões, redigiu outra vez com o verbo no singular, onde a Gramática impõe o plural:

Os mais celebrados montes, que há no mundo, é o monte Olimpo, o monte

Sinal, o monte Tabor e o monte Olivete~ (xv, pág. 110, cd. 1748). Exclamam, agora, alguns gramáticos:

—Isso, agora, já é mania, o emprego do verbo no singular.

Venha, então, outro maníaco (sem ofensa), Mestre Alexandre Herculano, Cartas (11, 250):

O         cânon enfitêutico, o censo, qualquer quota no produto da terra, senhorio directo de um prédio. . . reserva para si. . . é, em rigor a renda de um capital.

Mas, então (objectam-me os puritanos), o senhor quer fazer violência à Gramática? Não se tratará de meros descuidos dos escritores, tal concordância, ou antes, tal discordância do singular, em vez do plural?

 

 

(1)               Cf,, neste mesmo artigo, a alínea 11.

 

 

 

 

 

 935

Eu sinto as mãos dos gramáticos prestes a agredirem-me, se me atrevo a proferir uma desobediência, mas peço justiça; peço que, antes de me condenarem, vejam não ser eu o desobediente, mas sim a fluência natural de quem fala e escreve.

Aos meus exemplos de Vieira e de Herculano ajuntarei mais dois, registados pelo douto vernaculista Padre Pedro Adrião, no belo livro Tradições Clássicas da Língua Portuguesa.

Ai se lê:

‘Já tudo é cinzas; tudo, destruição.. (De Gonçalves Dias.)

‘Um livro nem sempre é uma obra: as mais das vezes é palavras.,… (Castilho.)

o que indelevelmente diviso na tela do meu espírito é as grandes árvores, as sombras escuras, os penhascos musgosos.. (Camilo.)

Senhores gramáticos: tenham piedade para com os grandes escritores de Portugal. Consintam que, mais uma vez e também neste facto de expressão, o uso seja o inspirador da lei. Permitam que o verbo ser concorde com o sujeito

ou com o nome predicativo (nos casos, mencionados), consoante ao espírito de quem escreve ou fala apeteça uma redacção ou outra, pois tal duplicidade sintáctica é humana, é natural, é psicologicamente necessária.

Evidentemente, a concordância ‘Migalhas é pão” está de acordo com a gramática, e evita a detestável sequência fónica — são pão.

Mas, se Gonçalves Dias escreveu, contra a Gramática, ‘Já tudo é cinzas., escreveu eufonicamente melhor, escreveu expressivamente melhor do que se houvera redigido: Já tudo são cinzas.

Além do ciciar de “são cinzas”, o é tem expressividade. Tudo é só isto:

cinzas.

Quando o genial Camilo escreveu “o que diviso na tela do meu espírito é as grandes árvores, as sombras escuras, os penhascos musgosos”, o Mestre não quis saber da Gramática, e só o Estilo ganhou com isso, pois o é ficou mais intenso (no significado de ser) do que um esbatido e pouco enérgico são.

Não se julgue, aliás, que eu sou apologista daquelas infracções dos Mestres que nada têm a seu favor senão o dormitar natural. Para prova, lembro o que escrevi nos Estudos Vernáculos (pág. 24), ao estudar a linguagem de Camilo:

‘É horas…” Na pág. 7 da Luta de Gigantes aparece a redacção:

‘É já horas de lhe falar de umas paixões do tempo que foi”. Não é para imitar

semelhante construção, visto que a Gramática, neste ponto fidelíssima ao g�
�n
io da

 

 

            936      GRANDE DICIONÁRIO DE DIFICULDADES E SUBTILEZAS

 

 

língua, determina que se realize, por atracção, a concordância do verbo ser empregado impessoalmente, com o nome predicativo.

Aliás, o próprio Camilo escreveu logo após, na mesmíssima pág. 7:

‘Eram paixões de uma classe.

Portanto:          são já horas, e não ‘é já horas..

No entanto, devo acrescentar a esse meu comentário, de 1930, que estudos posteriores me deixaram esta explicação (de modo nenhum defesa) do erro de Camilo. Ao escrever “é já horas”, o escritor, de certo, tinha em mente ‘é já tempo , e esta influência analógica determinou o lapso.

Em resumo, e a meu ver, tão legítimas devem ser as concordâncias deste tipo assim:

— ‘Os sinos são uma coisa poética e santa.. (Herculano.)

— ‘Eram tudo memórias de alegria.. (Camões.)

— A vida são dois dias (frase de nós todos).

— Migalhas é pão (maneira mais expressiva e gramatical) como legítimas devem ser igualmente consideradas as construções destoutro género sintáctico:

—        ‘A morte foi ciúmes.. (Vieira,)

— Tudo é cinzas.» (Gonçalves Dias.)

— ‘O que nos falta é exemplos. (Camilo.)

E, ainda que os respeitáveis gramáticos não queiram, a não menos respeitável vida da Expressão portuguesa quer, e há-de querer mesmo.

Contra factos teimosos da linguagem de pouco valem argumentos rígidos ou intolerantes da Gramática.

Esta só vence, quando não exorbita. E se exorbita, nem sequer convence, como provam as belas páginas da literatura portuguesa e as bocas populares nas suas dições louçãs. (G. C.).

*

 

 

 

Qual será a frase correcta — ‘Na mina estão soterradas algumas dezenas de operários ou “Na mina estão soterrados algumas dezenas de operários” ?

Consoante já frisei no meu livro intitulada Contra os Gramáticos, há duas espécies de concordâncias — a gramatical e a semiótica, mental ou latente..

Ora, revertendo às frases apresentadas, temos isto:

Concordância semiótica, mental ou latente— “Na mina estão soterrados algumas dezenas de operários”.

A concordância semiótica é, muitas vezes, mais lógica e por isso deve preferir-se, mesmo que a Gramática proteste.

 

937

 

 

 

São os operários que, de facto, estão soterrados, e não as dezenas.

Para reforço dou este exemplo:

Comi ontem uma dúzia de carapaus estragados Se inverter, direi — comi, estragados, uma dúzia de carapaus.

Semelhantemente: ‘Aquela dúzia de carapaus estavam estragados’ é concordância semiótica, perfeitamente lógica.

Aliás, já neste Dicionário apresentei a redacção de Frei Luís de Sousa, que é assim: ‘se tirarão um grande número de corpos’, comparável à frase que estou a estudar.

Claro que também, gramaticalmente, se podia redigir— ‘se tirará um grande número de corpos’. Mas Sousa fez a concordância mental— ‘se tirarão um grande número de corpos’.

Nas mesmas condições, temos, repetindo:

Concordância mental ou semiótica — ‘Na mina estão soterrados algumas dezenas de operários.’

A lógica, portanto, explica certas concordâncias semióticas, mentais ou latentes, embora não gramaticais. (P.).

 

 

 

 

 

Os jogos Olímpicos já começaram?

O Rio de Janeiro está a ferro e fogo por causa de uma guerra entre traficantes. O nível de violência é muito superior às guerras anteriores e habituais naquela cidade.

 

A guerra entre bandidos do Comando Vermelho e dos Amigos dos Amigos provocou já a morte de 12 pessoas e dez autocarros foram incendiados. A capacidade bélica já levou ao abate de um helicóptero, o que quer dizer que os gangs estão armados para uma guerrinha urbana e não, sòmente, para uma luta inter favelas.

 

O Presidente Lula, que recebeu há duas semanas a grande notícia que os Jogos Olímpicos foram atribuídos ao Rio, tenta remediar a má publicidade, anunciando que vai comprar helicópteros blindados por forma a não serem derrubados pela metralha dos gangs.

 

Como se previa e muitos lembraram, a guerra e a violência no Rio de Janeiro vai ser uma das maiores dores de cabeça das autoridades, para que em 2010 os Jogos se realizem em paz e

harmonia.

 

Muitos, aqui no Aventar, acharam pouco razoável que no meio dos festejos se trouxesse à discussão a violência que  grassa há muito tempo na cidade e que é endógena. Não é um epifenómeno, que aparece e que pode ser  controlado por representar a causa-efeito de um qualquer negócio de tráfico de droga que corre mal. Não, a violência no Rio, faz parte do modo de vida, da forma como as pessoas se movimentam, interagem e coabitam.

 

Ora, essa violência não termina porque se compram mais hlicópteros blindados, ou se colocam mais polícias na rua. Não acaba assim! Acaba com a erradicação das questões sociais que estão na sua base. A pobreza e a injusta repartição do rendimento.

 

O que não se consegue até 2010!

Considerações breves sobre o novo Governo

Basicamente, o novo Governo é mais do mesmo. Teixeira dos Santos, Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Vieira da Silva, Luis Amado, Rui Pereira, Ana Jorge e Mariano Gago continuam. Jorge Lacão, João Tiago Silveira e Alberto Martins já faziam parte do sistema. Isabel Alçada há muito que estava sob a alçada do PS. O resto são minudências sem qualquer força política – irão apagar-se perante a força do primeiro-ministro.

No meio disto tudo, estou curioso para ver o desempenho de Santos Silva na Defesa – para quem gosta tanto de malhar, vai ser engraçado a tropa pô-lo em sentido. E também vou gostar de ver Isabe Alçada, que vai ter os seus principais problemas resolvidos logo que a Oposição acabar com a divisão do Estatuto da Carreira Docente e com o actual modelo de avaliação de professores. Quanto à ministra Pássaro, mais valia chamar-se Betão, porque tem sido esse o papel do Ministério do Ambiente – a glorificação do betão.

O matrimónio homossexual, direito mínimo a liberdade de amar

Bem sabido é que dedico vida, tempo, e pesquisa a analisar crianças, os seus sentmentos, ideias e formas de aprendizagem. Como é sabido também, o meu eterno comentário: estudar crianças é uma investigação muito difícil. Inclui não apenas os mais novos, bem como os adultos que os acompanham.

Há imensas opiniões sobre o seu cuidado e o seu crescimento, desde as mais doutorais até às mais simples. De todas as opinões, há uma que jamais é tratada, especialmente com meninas, a da sexualiade, o seu desenvolvimento e o desejo que não conseguem imaginar de onde vem, na, ainda, mente sem conceitos.

Não entenderiam se os adultos falassem com eles sobre a paixão ser uma força da natureza. E, no entanto, o desejo sexual começa em nós desde o 5º mês de gavidez da mãe, como tem sido provado pelo psicanalista britânico Wilfred Bion em várias das suas obras, especialmente do seu texto Learning from experience, 1962, Karnac Londre e Nova Iorque 

(texto inspirado no ensaio da sua professora Melanie Klein Envy and Gratitude, primeira aproximação na Hungria de 1924, publicado em língua inglesa em 1946 e1957, já refugiada em Londres, por causa de guerra, e traduzida para o luso- brasileiro, professora e discípulo, em 1991 a primeira e em 1998, o segundo, Imago Editores, Rio de Janeiro).

O que no entanto interessa é esse saber doutoral, escrito, desenvolvido e provado em várias línguas. Interesa saber que lein comçara a interessar-se pela inveja ao descobrir que aparecia na criança bebé pela voracidade mostrada por ela ao ser amamentada ou voracidade oral endereçado ao seio bom, esse que acaricia e nutre com doçura e serenidade, afastando outros enquanto é alimentada, ou chorar se não consegue a sua satisfação.

Bion repara que a criança no seio materno, dentro do líquido amniótico do qual se alimenta, começa, pelo quarto mês de gravidez da mãe, a mexer ao sentir que um corpo estranho está a roubar-lhe o alimento: o pénis do pai ou de um outro qualquer. Esses movimentos do bebé dentro do útero não é uma simpatia de se depreguiçar do não nato, é uma luta encarniçada pela sua subsistência.

Crianças todas, que na medida do seu crescimento e do prazer obtido do seio bom, começam a sentir inveja de pessoas que acarinham a mãe. Conhecida é a frase dos pequenos que debatem com o pai ou outra pesoa, de quem é a mãe: a vitória é sempre deles, porque não há adulto que tenha a audácia de confrontar a reivindicação dos pequenos sobre a pertença da mãe. Caso aconteça essa negação, a criança fica mais perto da mãe para a defender e fazer dela uma pertença.

Primeira ideia qua aparece na minha mente ao tentar experimentar as bases da homossexualidade. Bases que talvez nem precisem de explicações doutorais. Há os que a denominam aberração, como Freud em 1906, aberração criada por ele ao reparar que estava apaixonado pelo irmão da sua mulher e por um dos seus discípulos, como consta da autopsicaánlise do autor em praticamente todos os seus textos que tratam de como a libido manda nos nossos sentimentos e racionalidade e sinterizada por Didier Anzieu no seu texto de 1958, traduzido ao luso portugês em 1970 Edições 70.

O sentimento homossexual do fundador da psicanálise fica provado, sentimento conhecido, pela sua filha Anna Freud e intuído por especialistas. Aliás, é o próprio Freud quem no seu texto de 1923 Das Ich und das Es, Internationaler Psycho-analytischer Verlag, Leipzig, Vienna, and Zurich. traduzido ao inglês como The Ego, the superego and the Id, e a nossa língua como O ego, o superego e o id, sendo o ego o que aparentamos ser, o superego o que queremos ser o Id o travão entre hábitos e costumes éticas e estéticas e os nossos namoros segredos.

Nas minha análises, tenho observado que o desejo pelo género semelhante ao nosso começa cedo na vida. Há várias formas de exprimir essa bivalência sexual – note bem, bivalência, não ambivalência.

Uma delas, a mais usada, é a inteligência de amar em quem acorda em nós sentimentos de admiração e emotividade, Se a libido comanda o nosso comportamento e aparece em frente de nós uma pessoa do nosso género de quem gostamos e essa outra pessoa gosta de nós, existe, por lei, a liberdade de optar entre o nosso apetite sexual e a nossa acção. Se existe a liberdade de amar e mudar de sentimentos após um tempo, deve também existir a liberdade de se apaixonar por quem nos acorda um sentimento libidinal.

Têm existido imensas interptretações sobre a base da existência da homossexualidade. Uma delas é a classe social: é sabido e conhecido que o rei inglês que perdeu as colónias americanas, George III Hannover, tinha a sua mulher e aos seus jóvens amantes masculinos. E outros seus descendentes mais recentes, que, por conveniência de serviço, não menciono.

A libido manda na nossa racionalidade e se essa libido não é libertada, acaba por danificar a quem sofre por amar em segredo, e não ao contrário. A homossexualidade foi sempre uma acção exisitente, que era punida, justamente, por existir.

É verdade também que o nosso bivalente Freud defendia o desejo proibido pela cultura, ao definir o conceito de sublimação ou manter sempre no Id, o nosso desejo. Aliás, até o concílio de Trento da confissão romana, era elegante ter mulher e um jovem amante.

A partir desa reunião de Bispos, muito prolongda,apareceu o matrimónio entre seres de diferentes sexos, uma cadeia que levara aos piores sintomas de luta dentro de família ou ente amigos que convertiam o amor em rijas de galo. Sabemos hoje em dia que o matrimónio homossexual dentro da forças armadas europeias e norteamericanas,é uma reivincação ganha.

O amor não satisfeito é desesperante e é capaz de endoeicer os frustados, que punem as suas famílias porque eles são punidos. Razão tinam Passolini e Fassbinder nos filmes feitos sobre o amor homófomo e esses ocultamentos das indústrias cinematográicas sobe profecias
se
xuais por causa do lucro que deixariam de dar actores como Humprey Boggart, Orson Wells, esses começos de Lawrence Olivier, os de Marlon Brando e o ocultamento de outros actores que fazem a delicia do público feminino

Para acabar, porque há muito pare dizer, o matrimónio homossexual é um remédio santo para as depressões, essas que fazem parte do pais. Que não podem criar filhos? Por acaso as crianças precissam modelos masculinos/femininos se passam a maior parte do tempo fora de casa? E em casa não é o jogo preferido das crianças ou no matrimónio ou do doente e o médico? E a masturbação colectiva, como tenho observado entre jovens e adultos, à noite, em dias de festa?

Se assim não fosse, porque Karol Woitila ia dictaminar em 1991 as palavras que consinadas nos artigos 2331 a 234 do seu catecismo, ao permitir a homossexualiade e a masturbação?

Tenho falado até este minuto apenas do amor entre homens. É evidente que há um imenso amor entre homes e mulheres, paixão, diria eu, que são punidas pela lei e pela doutrina cristã e muçulmana como adultério. Suficiente. Apenas dizer que a maior punição é a entregue pelo grupo social que ainda pensa que estes actos são condenados, apesar de que entre os proletários, como tenho observado, acontecem com muito frequencia. Fica para outro aventar, Hoje, é a lei do matrimónio o que mais nos importa e a salvaguarda da paixão de seja de quem com quem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust (Auteuil, 10 de Julho de 1871Paris, 18 de Novembro de 1922) foi um escritor francês.

A homossexualidade é tema recorrente em sua obra, principalmente em Sodoma e Gomorra e nos volumes subseqüentes. Trabalhou sem repouso à escrita dos seis livros seguintes de Em Busca do Tempo Perdido, até 1922. Faleceu esgotado, acometido por uma bronquite mal cuidada.

 

O regresso de Jaime Ramos

 Atarantados com as questões bíblicas, esquecemo-nos, ou deixamo-nos distrair, do novo livro de Francisco José Viegas, “O Mar em Casablanca”. E, isso sim, é imperdoável. Com a devida vénia, permitam-me que transcreva aqui parte do parágrafo inicial. Um retrato impressionista de uma paisagem outonal, a do Passeio Alegre tomado pela mais portuense melancolia:

 

“(…) Noites destas eram vulgares quando vinham as primeiras neblinas de Novembro – e as manchas de nevoeiro passavam pelos feixes de luz  amarelada dos candeeiros da ponte. Nuvens baixas, podia ser. Nuvens que tinham descido até à cidade e a deixavam molhada. Primeiro, pegajosa, manchada de poeira. Depois, com o tempo, apenas molhada, escorregadia, obrigando o trânsito a circular com lentidão, as portas dos cafés a fecharem-se. Não havia ainda o frio do Inverno, rigoroso, silencioso – ao longe, o rumor nas ruas, despedindo-se do dia. Folhas de árvores arrastadas pelo vento, juntamente com lixo e jornais abandonados nos parques.”

 

É o regresso do detective Jaime Ramos, inspector da PJ do Porto. Haverá quem desdenhe a comparação, mas, se Mafalda teve direito a estátua em Buenos Aires, fosse eu autarca no Porto e erguia uma estátua a Jaime Ramos. Com cigarrilha entre os dedos e o rosto do Ben Gazzara. 

HORA DE INVERNO

VAMOS MUDAR A HORA!

Os cidadãos da UE atrasam uma hora os seus relógios na madrugada deste domingo, quando termina o horário de Verão e começa a aplicar-se o de Inverno.

A partir de amanhã, e durante uns meses, até à nova mudança (em Março), vamos ter a dificuldade de sair de manhã para trabalhar, quando ainda é de noite, e voltar do trabalho já noite cerrada.

Única vantagem, a possibilidade de ver diariamente o nascer do sol.

Na realidade, penso eu, deveríamos mudar a nossa hora para a HCE (Hora Central Europeia) de molde a ajudar o país a manter e melhorar o comércio com os restantes países europeus.

Só nós, em conjunto com o Reino Unido, mantemos a HMG (Hora Média de Greenwich).

Amanhã, domingo, 25 de Outubro, vai ser o dia maior do ano de 2009, com 25 horas.

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Today is Churchill’s day

 

Em meados de 1940, Churchill e a Inglaterra estavam sozinhos. Hitler tinha, em poucos meses, invadido vários países. A França estava em ruínas e à beira do armistício, os Estados Unidos não cedia apoios, Rosevelt conspirava contra Churchill, Mussolini acabara de se juntar a Hitler e, para cúmulo, os britânicos tinham sido forçados a uma retirada humilhante em Dunquerque e Hitler preparava-se para invadir a Inglaterra.

 

Tudo corria mal.

 

Churchill percebeu então que as ilhas britânicas estavam em sério risco. O Primeiro-Ministro inglês, que tinha sido Ministro de Guerra, sabia que Inglaterra estava a correr sérios riscos de derrota. Abandonado por todos, sabia que a única esperança era a “Royal Navy”. A frota inglesa era considerada a mais poderosa do mundo, e ele sabia que a defesa da Grã-Bretanha e mais do que isso, a sua sobrevivência, dependiam directamente da sua Marinha.

 

A Inglaterra tinha assinado um tratado com a França que dizia que nenhum dos dois países podia render-se sem a aprovação do outro.

 

Quando Hitler invade a França e o Primeiro-Ministro francês se demite, o novo Governo decide rasgar o tratado que tinha feito com a Inglaterra e assinar o Armistício. No acordo que Hitler propõe ou impõe à França, diz que deixa o Sul de França desocupado, mas que a frota francesa tem que passar para as mãos dos alemães. Ao saber disto, Churchill fica aterrorizado.

Se os navios franceses passassem para a posse dos alemães, juntando ainda à frota alemã e italiana, a marinha inglesa, por muito poderosa que fosse, nunca conseguiria fazer frente ás outras três. Contudo, foi prometido a Churchill, pelo Almirante Darlan, que caso os alemães tentassem apoderar-se dos navios franceses, estes iriam ser destruídos antes de serem entregues aos alemães. Darlan deu a sua palavra.No entanto, Churchill, sentindo-se traído pelos franceses, não acreditou. Prepara então a “Operação Catapulta”, que consistia em mandar navios britânicos a todos os portos onde estavam atracados navios franceses e reclamar para os britânicos a entrega dos navios. Por qualquer meio que fosse. Isso aconteceu com os navios que estavam na costa inglesa, com os navios em Alexandria, e com os navios que estavam na Argélia, pois eram nestes locais que estavam atracados os principais navios da frota francesa. Os navios franceses situados na costa inglesa foram entregues aos ingleses com alguma retaliação o que acabou por matar três britânicos e um francês. Os navios na Alexandria foram entregues sem retaliações, mas o maior problema deu-se na Argélia, em Mers el Kébir. Era aqui que se encontram os maiores navios franceses, o Dunquerque, Provence e o Bretagne. Churchill dá ordens expressas ao Almirante Somerville, para entregar um ultimato ao almirante francês Gensoul, que era Almirante de um dos maiores navios que estavam em Mers el Kébir. Este ultimato dava aos franceses três opções: 1- acompanhem os britânicos, com os navios, para continuarem a lutar contra os alemães 2 – Dirijam-se a um porto britânico com a menor tripulação possível. 3- Ou então dirijam-se para algum porto francês nas Caraíbas ou para os Estados Unidos. Caso recusassem alguma destas opções, os britânicos não teriam outra hipótese senão atacar os navios.

Este ultimato provocou uma onda de indignação. Gensoul sentiu-se ofendido e transmitiu a situação a Darlan que, furioso, lhe disse para ele empatar até que reforços franceses chegassem a Mers el Kébir. Os ingleses interceptaram-se esta mensagem e Churchill percebe que não tem outra hipótese senão dizer a Somerville para abrir fogo. O que se segue é absolutamente terrível. Os marinheiros franceses foram encurralados no porto, e os ingleses abriram indiscriminadamente, fogo. Os que ainda há poucas semanas tinham sido seus aliados estavam agora a atacá-los. No documentário que passou na RTP 2 e que motivou este texto, há um relato arrepiante de um marinheiro francês que conta como viu os seus companheiros sem membros, a morreram queimados, implorando pela morte. A água, supostamente a única salvação, “fervilhava” como se fosse uma fritadeira, e ele próprio não teve outra hipótese senão saltar para a água arriscando-se também a morrer queimado. O navio em que estava, Bretagne afundou-se vinte segundos depois. Os navios Provence, Dunquerque e Mogador foram reparados, e dirigiram-se para Toulon. Morreram mais de 1200 franceses, sem contar com os que ficaram feridos.

Churchill ao saber das baixas sentiu-se fisicamente doente, como os relatos contam. Tinha ainda outro problema. Como é que ia justificar as suas acções perante a Câmara dos Comuns? No discurso que fez disse que não podia arriscar que a frota francesa passasse para as mãos dos alemães. No discurso que fez, chorou e a Câmara dos Comuns levantou-se para aplaudir. Todos aprovaram. A imprensa, os deputados, os ingleses, e finalmente, Rosevelt percebeu que Churchill e a Inglaterra nunca desistiriam. Nunca cederiam. E o Presidente americano acedeu finalmente aos pedidos de Churchill e começou a ajudar a Grã-Bretanha.

Meses depois, quando os alemães foram apoderar-se dos restantes navios franceses, Darlan cumpriu a sua promessa. Os marinheiros franceses afundaram ou incapacitaram os navios para que os alemães não pudessem apropriar-se deles. Em resultado disto, o Almirante Darlan, mandou uma carta a Churchill dizendo que era aquela a prova de que o ataque de Mars el Kébir tinha sido completamente despropositado.

Churchill disse a História o iria julgar. E julgou, sem dúvida. E a História foi bastante simpática. Há, contudo, algo que é semelhante a todas as grandes personagens históricas. Todas elas são complexas. Todas elas são contraditórias. Todas elas tiveram os seus maus momentos, os seus erros. Como devemos então decidir quem admiramos? Se vamos buscar inspiração à História e se quase ninguém na História é completamente Bom, se toda a gente na História cometeu erros, como decidimos que determinada pessoa deve ser idolatrada e admirada? Não decidimos. Pura e simplesmente aprendemos. Aprendemos e tiramos lições com os erros deles e inspiramo-nos com os seus feitos e com a sua coragem. É assim que deve ser.