Plasma, suborno e tráfico de influências

Lalanda de Castro, até ontem responsável máximo pela Octapharma em Portugal, apresentou a sua demissão na sequência de buscas que tiveram lugar nas instalações da farmacêutica, relacionadas com a investigação sobre o negócio do plasma, esmiuçado pela jornalista Alexandra Borges (TVI), há pouco mais de um ano, na peça que podem ver em cima, cuja visualização é altamente recomendada. [Read more…]

Ontem senti-me representado no Parlamento

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Luaty Beirão não é nem nunca quis ser uma vítima. Não foi apanhado desprevenido a cometer um crime. Luaty Beirão desafiou uma ditadura, jogou com a coragem para demonstrar ao mundo que Angola é uma ditadura brutal, cleptocrática, sem liberdade, corrupta e que goza da subserviência de quem beneficia da sua caraterística ideológica real: O dinheiro.

Isabel Moreira subiu ontem ao púlpito da Assembleia da República para, de forma clara e objectiva, chamar os bois pelos nomes. Perdão: os ditadores cleptocratas pelos nomes. Já era tempo de se constatar o óbvio, na casa da Democracia. Ontem senti-me verdadeiramente representado no Parlamento. Não é algo que aconteça muitas vezes. Um forte aplauso, senhora deputada!

Foto: Paulo Novais/Lusa@Esquerda.net

Lettres de Paris #43

L’amour court les rues

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Hoje não fui para o Ladyss. Tinha trabalhos para ler e em casa achei que estava mais sossegada. Fui, no entanto, beber um café ao Saint-André e caminhar um bocadinho, pequenino, aqui no quartier. Gosto da Place Saint-André des Arts, aqui ao fundo da estreitíssima Rue Suger. Sempre gostei. Não sei porquê, mas acho que concentra a essência de Paris. A estação do metro, os cafés com as suas esplanadas em anfiteatro, a tabacaria, a loja de ‘souvenirs’, as livrarias e o modo como se alarga à medida que vamos chegando à Place Saint-Michel, com a sua fonte imponente e mais cafés, livrarias, lojas e o Sena logo ali, ao atravessar a rua e a Notre Dame vista da Pont Saint-Michel.
De maneira que me pus a apreciar a pequena praça onde Paris se concentra, a partir da esplanada do Le Saint André. Nem a Julie, nem o empregado que fala português (e mais 6 línguas, disse-me ele outro dia), embora seja albanês (também me o disse outro dia) estavam hoje no café, mas o empregado que lá estava deu-me na mesma os bons dias. Depois do café e da contemplação da praça, decidi ir passear o tal bocadinho, pequenino, e meti pela Rue Saint-André des Arts, de que também gosto, com as suas creperies boulangeries, cafés, restaurantes, lojas de bric-a-brac, uma livraria da Actes-Sud, boutiques de roupa, ervanárias, e – descobri hoje – uma deliciosa ruazinha, cheia de cafés e galerias e restaurantes e encanto – o Cours du Commerce Saint-André. Tirei poucas fotografias porque só tinha a máquina fotográfica pequenina comigo. Numa dessas fotografias, que tirei na ruazinha que vai desembocar no Boulevard Saint-Germain, reparei só há bocado quando passei as fotos para o computador, via-se um escrito vertical numa parede: l’amour court les rues. Quando tirei a fotografia não reparei no escrito. O amor corre as ruas ou corre nas ruas ou pelas ruas.

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Vladimir Putin, o novo presidente dos Estados Unidos da América

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Segundo a revista Forbes, Vladimir Putin é, pelo quarto ano consecutivo, o mais poderoso do mundo. Senhor absoluto do seu país, resistiu à farsa das sanções, financiou movimentos de extrema-direita um pouco por toda a Europa e é admirado, dentro e fora do país, onde continuará a dar cartas até que outro Putin lhe tire a tosse.  [Read more…]

O estranho caso da destruição de documentos do processo Gaianima

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A insólita inundação na CM de Gaia, relatada ontem no Aventar pelo Bruno Santos, que praticamente só afectou documentos referentes ao processo Gaianima, um processo de tons alaranjados com os barões partidários, capos e homens de mão à mistura, é tão conveniente que parece retirada de um filme. Água a 80 graus, proveniente de uma conduta que rebentou, de uma repartição selada por ordem de um tribunal, tresanda a Hollywood por todos os lados. A Hollywood e a esturro. [Read more…]

Lettres de Paris #42

Swagger

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“What hempen home-spuns have we swaggering here, so near the cradle of the fairy queen?”** pergunta Puck, em a Midsummer Night’s Dream, de Shakespeare. Atribui-se a Shakespeare a introdução de mais de 20 palavras completamente novas no léxico inglês, e, no caso de algumas delas, no léxico global. Swagger é exatamente uma dessas palavras. Descreve alguém que tem atitude, que caminha e fala e age com confiança e acredita que é importante, em suma, um bocadinho fanfarrão, até. Num certo sentido devíamos ser todos swaggers, creio eu, que, dependendo dos contextos, também faço um bocadinho de swaggering, como quase todos nós, suponho.
Vem isto a propósito do filme que fui ver hoje à tarde, no Mk2 – coté Saint-Michel. Um documentário chamado exatamente Swagger*, de Olivier Babinet, que nos mostra o que se passa na cabeça de 11 crianças e adolescentes que vivem nos bairros pobres e suburbanos de Paris onde, apesar de se avistar a Torre Eiffel, Paris chega apenas dificilmente. Uma das adolescentes diz que nunca viu um francês de gema, mas acrescenta ‘que é isso, um francês de gema?’, cheia de swagging, claro. Outra confessa ter uma amiga mesmo francesa, mas depois reflete melhor e conclui que afinal não, ‘elle est portugaise’. Não aparecem jovens de origem portuguesa no filme, mas há algumas menções, como esta e a de outro adolescente que conta estar apaixonado de ‘une belle fille, elle a les yeux verts, elle est portugaise’. Supõe-se que estas ‘portugaises’ frequentem o mesmo liceu que estes 11 rapazes e raparigas – o Claude Debussy, em Aulnay-sous-Bois .

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O Glorioso e as paragens

Le développement vers la «structuration fléchie» se trouve reflété également dans les indications scéniques, bien que de façon moins nette pour ce qui est des oppositions morphologiques sur le verbe.

Clive Perdue

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Efectivamente, depois de o Record ter trazido notícias desagradáveis, redigidas em português europeu, sobre Horta,

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chega a vez de o jornal da irresponsável resistência silenciosa (de novo, os meus agradecimentos ao nosso excelente leitor) fazer exactamente o mesmo e no mesmo código ortográfico, ao referir-se à lesão do glorioso Salvio, marcador do primeiro golo, durante a importante vitória de anteontem:

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Quanto ao sítio [Read more…]

A minha dupla

Street art, Barrio del Oeste, Salamanca, artista desconhecido, foto minha.

“Street art” em Barrio del Oeste (Salamanca), artista desconhecido.

Há muito que sei que anda por aí uma mulher que é igual a mim. Já vários me haviam dado conta da sua passagem por distintos lugares nos quais tenho amigos ou conhecidos. Apesar disso, nunca nos cruzáramos.

A primeira notícia que tive da sua existência chegou há perto de 15 anos, numa festa de aniversário. Foi aí que uma amiga me apresentou um sujeito, amigo seu, que me tratou com uma frieza inexplicável. Só mais tarde, em novo encontro com essa amiga, ela me explicou que a reacção dele tinha uma justificação. É que eu era a sósia perfeita de uma antiga namorada e ele ficara perturbado com essa semelhança. Tão perfeita sósia que, pasme-se, até usávamos o mesmo perfume. Naturalmente, decidi nesse instante mudar de perfume. Por mim, a história acabaria ali. Mas nos anos seguintes os relatos multiplicaram-se. “Pensei mesmo que eras tu!”, “Parecem gémeas!”, “São iguaizinhas”.

Depois disto, fui obrigada a concluir que tenho uma dupla. [Read more…]

As nomeações de Trump

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Os homens de negócios não levarão os negócios e interesses para a Casa Branca. Jamais.

O fosso salarial

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Segundo dados revelados ontem pelo Eurostat, referentes a 2014, Portugal é o país da União Europeia onde o fosso entre os salários mais altos e a média é maior. Em sentido inverso, ocupamos o topo da lista no que diz respeito à diferença entre a média e os salários mais baixos, a par dos países escandinavos e de potencias como Itália e França. [Read more…]

Lettres de Paris #41

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De 7 à 77 ans…

Lembro-me bem de ser pequena e durante a maior parte da minha infância e juventude, do meu pai nos trazer quase todas as semanas a Revista Tintim, a revista dos jovens dos 7 aos 77 anos. Eu e a minha irmã devorávamos aquilo e ficávamos à espera da próxima. Creio que essas revistas já não existem lá em casa. Deveria tê-las guardado, muito provavelmente, mas não nos ocorre guardar muitas coisas quando somos muito novos, porque quando somos novos o tempo não acaba nunca, nem as revistas do Tintin. Quando cheguei à Gare du Midi em Bruxelas há uns dias, encontrei numa das saídas da estação dois paineis enormes com cenas do Tintin. Em algumas ruas voltei a encontrá-lo, assim como em algumas montras de lojas daquela cidade. Uma instituição, o Tintin, para quem o tempo não acaba nunca.

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Ganhar o jogo sem espinhas

Benfica ist ein großer Name im internationalen Fußball und die stärkste Mannschaft in Portugal.

– Hans-Joachim Watzke

Eu queria unir as pedras desavindas
escoras do meu mundo movediço

[…]

E ainda que nada à volta bata certo
eu juro ganhar o jogo sem espinhas

Carlos Tê / Rui Veloso

É o mais importante para mim: é que vocês brilhem, brilhem como as estrelas todas que há.

– Rodolfo Reis, 11/12/2016

***

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©Patrícia de Melo Moreira/AFP (http://bit.ly/2gPNRem)

Exactamente. Tudo como dantes. Hoje, no sítio do costume.

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Parabéns, Cristiano Ronaldo!

Exactamente.

O despudor, a indignidade e a falta de ética de Pedro Passos Coelho

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Já sabemos, mas nunca é demais recordar, que não podemos deixar os partidos de direita sozinhos com os bancos. Quando tal acontece temos BPN’s a explodir em corrupção, Banifs empurrados para o precipício por tacticismo eleitoral e Novos Bancos, recém-nascidos, onde nem os milhares de milhões de euros derretidos permitem camuflar a gestão ruinosa.  [Read more…]

Memórias submersas

Rita Matos Gomes
©Grete Stern

©Grete Stern

chegou-me à pouco a lembrança, e tomou-me de assalto.
foi talvez pela hora, final de dia, mas chegou pelo cheiro.
era um momento só meu, e de paz total.
tinha todo um ritual preliminar.
primeiro, era o abrir da janela. os adultos insistiam, era primordial.
a seguir, tirava-se de dentro da gaveta do armarinho a caixa dos fósforos.
previamente tinha de vir um dos primos mais velhos, eles só quem detinha o poder e a altura necessária.
então, riscava-se o fósforo, e numa operação demorada tentava-se convencer o velho esquentador teimoso e senil que tinha que acender. muitos fósforos eram necessários .
eu gostava de ficar com esse papel, na ousadia de ficar raspando o pauzinho na caixa, até que ele explodisse numa alegria de chama.
depois, punha-se a tampa metálica e pesada no fundo da banheira de esmalte, com pés de animal em cima de esfera. [Read more…]

Lettres de Paris #40

Collecting money for…

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travel around the world. Sigo o exemplo deste rapaz que encontrei na Grand Place, em Bruxelas, antes de ontem. Amanhã vou passear pelas ruas de Paris com um cartaz destes ao pescoço. Mas em vez de pedir dinheiro (money, portanto, e não mooney como ele escreveu) para um iphone 7, pedirei dinheiro para viajar à volta do mundo.
 
E além desta ideia que roubei a este moço, hoje não tenho grande coisa a dizer. Dormi que nem uma pedra. Acordei tarde. Fui trabalhar. Fui pelas ruas do costume, mas não atravessei a estrada para cumprimentar de perto Monsieur Montaigne. Acenei-lhe do outro lado da rua, espero que tenha visto. No regresso passei por ele e voltei a cumprimentá-lo, desta vez tocando o seu pé dourado, embora sem pedir nenhum desejo, nem sequer o dinheiro para a volta ao mundo.
 

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Os Dez Mandamentos do Futebol

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1 – se perderes, culparás o árbitro;
2 – se empatares, culparás o árbitro;
3 – se não fores campeão, culparás o árbitro;
4 – se o defesa da tua equipa falhar um corte, culparás o árbitro;
5 – se o médio da tua equipa falhar um passe, culparás o árbitro;
6 – se o avançado da tua equipa falhar um golo, culparás o árbitro;
7 – se o teu adversário directo não perder pontos, culparás o árbitro;
8 – se o árbitro não cometer erros, culparás o árbitro;
9 – se o o árbitro cometer erros, culparás o árbitro;
10 – se quiseres falar sobre futebol, culparás o árbitro.

As infidelidades do PISA e as coisas verdadeiramente importantes

Os que reivindicam a paternidade do sucesso nos últimos testes internacionais são apenas maridos enganados que não conseguem ou não querem ver que o filho que reclamam como seu tem nitidamente a cara de outros, o que faz da Educação aquilo que deve ser: uma insaciável oferecida ou uma oferecida insaciável. Os pobres maridos, evidentemente, são os primeiros a não saber ou, no mínimo, a fingir que não sabem. Por outro lado, são os últimos a querer saber, preferindo ilusões a análises.

De qualquer modo, num país de ignorantes atrevidos, é natural que todos se julguem capazes de fazer testes de ADN e, sem análises, as atribuições de paternidade têm sido mais do que muitas. Dêem-se as voltas que se quiser, mas isto resume-se assim: o sucesso educativo (ou outro qualquer sucesso) de um país resulta de múltiplos factores. Quem acredita um ministro possa ser tão genial que arrancasse o país ao descalabro é parvo; quem finge que acredita não é nada parvo, mas confia que todos os outros o sejam.

O que é verdadeiramente importante continua por fazer ou por desfazer. Entretanto, há dados que não chegam a ser noticiados: recentemente,  a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência publicou algo sobre a descoberta da pólvora, ao apresentar um estudo sobre a relação entre a condição socioeconómica e os resultados escolares dos alunos no terceiro ciclo; posteriormente, apresentou um outro sobre o Segundo Ciclo. Novidades? Nenhumas: o meio socioeconómico em que vivem os alunos é, muitas vezes, determinante para o seu sucesso escolar. [Read more…]

Lettres de Bruxelles #2

La Tour de Babel et ‘l’événement jumelage’

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Hoje não tive tempo para tirar fotografias. Além de não ter dormido praticamente nada, estava a pé às 7 e um quarto da manhã em Bruxelas, 6 e um quarto da manhã em Portugal. A um dia feriado, enfatize-se, de onde se conclui que não há – pelo menos hoje não houve, de certeza – justiça no mundo. Foi isto que eu pensei exatamente, ainda a dormir, quando tomei banho e me vesti e comi o pequeno almoço no The Augustin, na Avenue de Stalingrad. Paguei o hotel e pedi ao senhor da receção que me chamasse um táxi para ir para a Place Madou, nº 1. Fez cara de caso e disse que um táxi, antes das nove horas, em Bruxelas, podia ser um problema. Foi a minha vez de fazer cara de caso, ou melhor, de surpresa. Um problema, porque? Explicou-me que o táxi podia levar vários (e longos) minutos a responder e depois a chegar e, ainda depois, a levar-me ao meu destino. Devo ter feito um ar ligeiramente desesperado, porque o senhor ligou para três companhias de táxis até que uma lhe disse que um táxi estaria ali em 15 minutos.
 
Sosseguei. O táxi apareceu ainda nem 10 minutos haviam passado. O motorista conduzia como um louco, sem necessidade, pensava eu, já que não estava atrasada. Como ainda ia meia a dormir, lá aguentei os improprérios que ele dirigia aos outros condutores e os solavancos. Em pouco tempo estavámos em frente à Torre Madou, no número 1 da praça com o mesmo nome, um dos edifícios da Comissão Europeia, em Bruxelas. Entrei no edifício e fiquei pasmada. Uma fila gigantesca de pessoas para passar o controle. Obviamente não me havia ocorrido tal coisa. Passar no controle. Ainda que faça sentido que assim seja, a situação dentro do edifício estava absolutamente caótica. Lá me meti na fila, que havia eu de fazer. Ouvi falar português e travei conhecimento com um compatriota muitíssimo simpático, cuja mulher há-de ter sido minha aluna, na Universidade de Aveiro, nos idos de 1990 e troca o passo. Descobrimos conhecimentos comuns, falámos disto e daquilo e a fila não andava nem desandava. Estavamos nisto e ouço alguém dizer ‘Madame Figuêredo’, ‘Madame Figuêredo’… ‘C’est moi’, disse eu, diante da menina que por mim chamava. Embrenhada na conversa com o compatriota simpático não me apercebi que desde que tinha chegado tinham já passado uns bons 15 a 20 minutos e estava na hora, não da minha conversa, mas de dar início à primeira sessão em que eu nem sequer devia estar, mas aparentemente alguém tinha decidido que todos os oradores deviam estar sentados na mesa, desde o início.
 

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Ramiro Marques e os “ruídos pela inveja”

transferirO Jorge, no seguimento do Paulo Guinote, assinalou o regresso do Ramiro Marques à blogosfera, o que se saúda, porque rir é o melhor remédio. Saudades, muitas saudades. Para Ramiro, o mundo (d)escreve-se a preto e branco: de um lado, estão os mauzões, ou seja, os “esquerdopatas” (noutros tempos, teriam sido os “comunas”); à direita, estão os bons, isto é, Nuno Crato e Ramiro Marques, a dupla dinâmica, Batman e Robin, Robin e João Pequeno… Estes dois últimos, talvez não, porque isto de andar a tirar aos ricos para dar aos pobres é, de certeza, uma esquerdopatia.

Seja como for, saúde-se o regresso de um homem com um currículo invejável (se não acreditais, perguntai-lhe). Com a generosidade dos frontais, Ramiro deixa-nos um resumo, que inclui, aparentemente, um erro ortográfico. Ele que não se preocupe, porque, quando apagar mais este blogue, estará aqui a imagem a atestar o poder criativo desta sumidade. E também há arquivos. Ele que não se preocupe, como eu dizia.

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Expresso meu, Expresso meu! Há alguém mais SPIN do que eu?

Rui Naldinho

terminalO inefável Spin do Dr. Passos Coelho na estação televisiva SIC descobriu há dias; vejam lá, só agora se lembrou deste assunto; que o novo Terminal Ferroviário do Barreiro será mais uma daquelas obras sem qualquer interesse para a economia nacional. Apenas servirá os interesses de alguns privados! Eu sempre apreciei a verdade e a coerência das pessoas, mesmo as que não partilham das mesmas ideias cá do rapaz. Mas fico sempre intrigado com certos silêncios e tempos de espera, e logo quando são assuntos de Estado que atravessam várias legislaturas.

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Falemos de refugiados

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Helena Ferro de Gouveia

No mundo quase perfeito de Freiburg, uma pequena cidade estudantil alemã conhecida pelo seu activismo anti-nuclear e pro direitos civis, uma jovem estudante de medicina de 19 anos foi violada e assassinada.
Maria era voluntária, como muitos outros universitários, num centro de acolhimento a refugiados e estes eram a sua causa.
Maria nasceu no seio de uma família culta, o pai é jurista , consultor da Comissão Europeia, e um dos autores da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
A jovem foi morta por um afegão de 17 anos, que chegou à Alemanha como menor não acompanhado.

Este crime suscitou de imediato uma tentativa de aproveitamento político pela extrema-direita. Tentativa que fracassou por três motivos: o comportamento responsável dos media alemães no tratamento deste caso (faça-se uma análise da linguagem utilizada e descobre-se objectividade, factos e não sensacionalismo); a intervenção dos partidos políticos democráticos à direita e à esquerda e as declarações da família da jovem.
Logo após ser conhecido quem é o presumido autor a família de Maria apelou a quem estivesse solidário a dor que sentiam que doasse para uma iniciativa de apoio à refugiados. Essa seria a vontade de Maria.

O ódio combate-se com Amor.
Este é um dos muitos momentos em que tenho tanto orgulho em ser também alemã.

E os portugueses também descobriram a Austrália

os portugueses descobriram a Austrália

REUTERS/Handout

Não é novidade – tem tudo que o ser? -, mas para fugir ao frequente registo nacional de autocomiseração, aqui fica uma nota diferente.

Um mapa marítimo do século XVI num cofre de uma biblioteca de Los Angeles prova que os aventureiros portugueses, não britânicos ou holandeses, foram os primeiros europeus a descobrir a Austrália, diz um novo livro que detalha a descoberta secreta da Austrália. [Michael Perry, Reuters, 21/03/2007]

Leituras


O dia em que se começou a circular pela direita em Portugal, por Rui Pelejão

Lettres de Bruxelles #1

Nationalité: indeterminée

A menina da recepção do hotel estendeu-me um papel que eu devia assinar e completar com o meu endereço de email. Assim fiz e quando ia devolver-lhe o papel reparei que na nacionalidade estava escrito ‘indeterminada’. Risquei aquilo e escrevi ‘portugaise’, mas depois fiquei a saborear, por um instante, a minha ausência de nacionalidade momentânea e perguntei à menina porque tinha ela escrito aquilo. Ela respondeu que não sabia, de facto, a minha nacionalidade e depois que eu falava tão bem francês que era difícil perceber de onde eu era. Agradeci-lhe o elogio, mesmo se não é verdade que fale assim tão bem francês, já sabemos. E acrescentei que tinha gostado daquilo da nacionalidade indeterminada, que era a primeira vez que me acontecia e que me soube bem, mesmo se por breves momentos, não ter nacionalidade. Claro que pensei de mim para mim que soube bem porque foi por momentos e porque, claro está, eu tenho uma nacionalidade, por muito que pudesse ter outra qualquer. Mas o facto de eu ter sentido a necessidade de escrever ‘portugaise’ em vez de deixar estar ‘indeterminée’ revela mais sobre o que me sinto, afinal, do que aquilo que gosto de pensar ou expressar que sinto.

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Às vezes, parece que o tempo para?

Não parece nada! Às vezes, parece que o tempo pára! Exactamente. Obrigado, Público.

Para quando os corruptos donos disto tudo?

Director da PJ: “Estamos a prender um corrupto de três em três dias” [Expresso]

Ensaio sobre os centrais

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O Luisão escorrega, não é? No golo. Toda a gente pode escorregar. Escorregou. Escorregou. Quer-se dizer, estes centrais já estão um bocado ó tio, ó tio!
— Rodolfo Reis, 4/12/2016

Le fait que l’acte de porter une lettre à la poste est un comportement différent de celui de se promener dans la rue est dû à l’objet-but de l’acte.
Joseph Nuttin

***

Efectivamente, Fevereiro, mas direto. Sim, estamos em Dezembro de 2016 e já terá havido tempo para a consolidação dos conhecimentos obtidos durante as acções de formação anunciadas, onde provavelmente até terão sido proferidas barbaridades como «se disser Egito escreve sem ‘p’, mas se disser Egipto escreve com ‘p’». Aliás, recordemos que a grande divisão da doutrina era entre «não mais que 15 minutos» e «basta uma meia hora».

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O desastre prossegue, imparável. Imparável? Nem por isso. Temos sempre [Read more…]

Crónicas do Rochedo XII – Alguma coisa deve estar errada…

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De Valência (Espanha) à Maia são pouco mais de 900 quilómetros. No caso em apreço, de Valência a Chaves são cerca de 800 quilómetros. Sem utilizar qualquer alternativa às auto-estradas espanholas, o valor pago em portagens neste percurso até chaves são €12,30 (podendo ser zero evitando o túnel de Guadarrama nos arredores de Madrid). Por sua vez, de Chaves à Maia são cerca de 140 quilómetros e €11,25 de portagens (classe 1).

Em Espanha o gasóleo varia entre os €0,98 e €1,08. Aqui, a coisa anda entre os €1,27 nas auto-estradas e os €1,17 nos postos mais baratos. Uma botija de gás custa em Espanha, em média, metade do que custa em Portugal. Os produtos de supermercado, salvo raras excepções, são praticamente todos iguais ou ligeiramente inferiores. Bens de primeira necessidade como água, pão ou leite equiparam-se nos preços. Porém, os salários são bem diferentes: O salário médio bruto em Espanha anda nos €1.640 mensais para uma carga fiscal de 21,5%  (contra os €986 em Portugal e uma carga fiscal de 28,3%).

Como compreender estas diferenças? Alguma coisa deve estar errada…

Bichos-carpinteiros

©CR

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Vou pouco a “eventos sociais”, pelo menos àqueles que têm muita visibilidade, presença da comunicação social e de figuras ditas públicas. Há tempos, porém, fui a um debate cujo tema me interessava e no qual participavam um ou dois nomes mais ou menos sonantes. A sala era ampla e como eu não sabia se teria tempo para assistir até ao fim, sentei-me numa das últimas filas, para poder escapulir-me sem dar demasiado nas vistas. Tinha chegado cedo e tocava-me esperar.

As pessoas sem importância nenhuma, como eu, sentavam-se onde escolhiam sentar-se, ou onde ainda encontravam sítio, e aguardavam com serenidade. Relíamos o programa do evento, conversávamos com quem estava ao lado, íamos espreitando o relógio. Começaram, então, a aparecer os aspirantes. É uma gente irrequieta e a inquietude começa-lhes logo na escolha da cadeira. Querem sentar-se à frente, perto da mesa dos oradores, mas também querem sentar-se num bom ângulo para as câmaras, se as houver, e não querem estar longe da porta por onde hão-de entrar ilustres. E pode ser difícil conseguir tudo isto numa cadeira só. [Read more…]