Os tecidos angolanos do Governo e da Justiça

pc-mrptc

Parcela importante da urdidura do actual governo é composta e tecida por artesãos de afro-tecelagem. Passos Coelho, Miguel Relvas e Paula Teixeira da Cruz – e, por exemplo, o agora menos mediático Pedro Pinto, todavia deputado – são fios de superior meada da juventude angolana de 1974.

O facto seria despiciendo, se fosse natural desfecho da vida colectiva e não reflexivo de actos conscientes ou, demos de barato, subconscientes. Em ambos os casos, nocivos para a vida do povo português. Como é evidente, a acção é protagonizada por uma elite de retornados – palavra horrível – que sobraçou indevidamente uma causa, justa em relação a muitos, mas hipocritamente usada em proveito próprio por uma minoria.

Com efeito, e sobretudo no PSD, filtrados maioritariamente pela Secção do Campo Pequeno – Lisboa, a história, se aprofundada, é em grande parte preenchida pelas investidas vigorosas e ambiciosas dos ‘filhos privilegiados da colonização e da descolonização’. Ao tempo, os ora bem sucedidos, apresentavam-se como ‘teen-agers’ travestidos do ideário social-democrata. Francisco Sá Carneiro era, então, o  supremo e admirado apóstolo, sob cujo comando e doutrina se abrigaram e encobriram.

[Read more…]

Meia dose

Um bramido de raiva

adão cruz

 

 

Senti um frio arrepiante e um buraco negro nas entranhas tão fundo como a silhueta daquele maldito comboio da inglória velocidade rebentando a dor direito à morte que está em pé na berma do cais pela mão de uma criança.

O pai nos braços de um escombro deste mundo sem sol nem lua destino bárbaro e cruel da perda total de mão dada com o filho contra a majestade de um gélido cadafalso de ferro parido pela força de um desumano progresso contra o qual se esmagam os pobres e desamparados que vivem em contra-mão.

Meu menino sonâmbulo de olhos negros e pálida doçura quase luminosa firme terna inocente confiante na verdade desfeita em sangue pela mentira das mãos fatalistas de uma sociedade podre.

Podia ser um menino nascido no berço do lado ao colo de um pai ou de um avô trabalhador-milionário desiludido porque a sua fortuna não havia atingido o limiar do absurdo o que não deixava de ser triste mas a vida filha da puta meu menino pobre nada mais te deu do que um pai sem nada sem prendas sem força nem entreactos que te enxergassem melhor sorte do que a morte.

O monstruoso comboio entra na tua boca a toda a brida o ar louco sai em turbilhão do teu pequenino peito sem eco a vida estilhaça-se em ruidoso estrondo e o teu corpo frágil cai em pedaços sobre os bonecos das tuas meias no pavoroso silêncio dos teus olhitos redondos.

E o mundo continua como se nada tivesse acontecido.

Quando vi que eras tu o menino que estava no curto caminho da morte pela mão de um pai que não dominava a fome e não tinha dinheiro para te comprar uma bola um pai que não sorria nem cantava para ti porque a alma se perdeu na praça do medo com o sol congelado na boca senti um bramido de raiva e uma louca vontade de pedir contas a Deus.

 

São necessários mais professores, estúpidos!

Se é certo que defendo que é a solidariedade que deve presidir à actuação do Estado e que, portanto, me faz muita confusão que se fale em despedimentos como se as pessoas fossem objectos que se podem pôr no lixo, não me custa, igualmente, reconhecer que o Estado não tem a obrigação de garantir emprego a qualquer cidadão. Assim, é óbvio que o Ministério da Educação não tem de ser visto como uma agência de emprego que ofereça colocação a todos os que queiram ser professores.

É, então, fundamental que se analisem as necessidades das escolas, para que se possa saber quantos professores são, efectivamente, necessários. Não será admissível outro critério, sob pena de se estar a pôr em risco aquilo que verdadeiramente interessa: a educação dos jovens. Na pior das hipóteses, e aceitando que estamos em crise, poder-se-ão discutir medidas transitórias decorrentes de uma austeridade que, pelo menos, a Chanceler da Alemanha considera imperativa, mas isso é outra questão.

Desde 2005, têm sido tomadas várias medidas que tiveram como reflexo o aumento do desemprego entre os professores. Esse processo iniciou-se com Maria de Lurdes Rodrigues e prossegue com o actual ministro, afectando milhares de docentes que não têm conseguido entrar nos quadros, apesar de darem aulas, por vezes, há mais de dez anos. Também com a actual equipa, mantém-se um discurso de omissão relativo a esse problema, sendo sinal disso a não resposta do Secretário de Estado João Casanova de Almeida, ao dizer que os professores do quadro não seriam afectados pela revisão curricular, depois de lhe ter sido perguntado quais seriam os efeitos dessa mesma revisão sobre os professores contratados. [Read more…]

A tal prisão com ilhas à volta

O que faz a nossa democracia pobre? Coisas simples como a falta de coragem politica dos principais agentes políticos nacionais e dos sindicatos, a hipocrisia e o cinismo dos nossos quadros e experts melhor cotados, sempre prontos a curvar perante cheques e estudos encomendados, a promoção da malandragem intelectual e doutrinação dos nossos principais académicos. Como se isso não bastasse temos ainda o amadorismo generalizado da opinião sobre a política, da crítica especializada e a total inexistência do jornalismo de investigação. Falo de Cabo Verde senhores…aquela prisão com ilhas à volta.

Pois é, por cá também a mesma “estória” da carochinha: não há crise mas congela-se o aumento salarial, não há crise mas o FMI recomenda uma diminuição do endividamento do país para níveis inferiores a 50%. Não fosse Sócrates a filosofar metido num sofá design em Paris, isto estava muito pior.

Na crise também se pode falar de uns tais valores que se perderam, ouvir da boca do excelentíssimo senhor Adriano Moreira que nada tem a reabertura do campo de concentração do Tarrafal é prova não só da demência do mundo como também, neste caso muito particular, do sumo pontífice reitor da Universidade de Mindelo que em boa hora resolveu dar um “Honoris Causa” ao homem. “Dementis Causa” da qual nem a Portaria nº 18 539 nos salvou. 7 bilhões e tal de seres humanos no mundo e o primeiro honoris cabo-verdiano vai exactamente para um santo homem ligado a Salazar e ao campo de concentração à volta de qual foi construída a nossa identidade nacional. Não fosse este o meu primeiro post no Aventar ia logo um palavrão de bónus. Mas sejamos meninos bem comportados, que o natal vem aí, o Sócrates cá da banda ainda fala em competitividade e o nosso Passos Coelho por enquanto não saiu da cartola. …e se for mesmo igualzinho a Passos Coelho que fique lá bem quentinho.

Nosso consolo é que num golpe de mágica a ditadura em África foi banida de uma vez e por “todos os tempos e sempre” num acto de dúvida filosófica. Assim chegamos lá depressa e sem necessidade de andar às cavalitas.

«Vimos por este meio solicitar que à Região do Alto Douro Vinhateiro seja retirada de imediato a classificação de Património da Humanidade»

Carta enviada hoje por Correio para os responsáveis da UNESCO e do ICOMOS. Enviado também por mail para todos os membros das duas instituições. Enviado pelo Facebook para todos os apaixonados pelo Douro em Portugal e no Mundo*

Dear Sirs,

In 2001, UNESCO classified the Alto Douro Wine Region in northern Portugal, as a World Heritage Site.
In February 2011, the construction of a hydroelectric dam near the mouth of the River Tua, Dam Foz-Tua began, after the project was approved by the Government of Portugal. This dam will destroy all the Tua Valley and its railway and it will cause irreparable losses with regards to the natural, cultural and human heritage of that area and all the Alto Douro Wine Region, classified as World Heritage by UNESCO.
In December 2011, the Government of Portugal, through the Secretary of State for Culture, announced that the construction of the dam wouldn’t be suspended.
Therefore, we hereby request that the classification of heritage site is removed immediately from the Alto Douro Wine Region, since such a classification is not compatible with a landscape marked by a pile of concrete that destroys one of the most important natural regions of Europe.
If it doesn’t happen, UNESCO itself is in question, since it accepts that a landscape is totally garbled after being classified as a World Heritage Site.

Yours Sincerely,

Attachements:

Before: Tua Valley and its Railway – video and photos
Now: Works at Tua Valley
After: Dam Foz-Tua

————————————————————————————

TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS [Read more…]

Queres pagar portagens? tens de ter mail e telemóvel

Sim, telemóvel, um telefone fixo não vale. Deliciosa a estória que nos conta o Luís Fernandes.

Hoje dá na net: Programado para avariar…

…ou OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA. Baterias que deixam de trabalhar ao fim de dezoito meses, lâmpadas que fundem ao fim de mil horas, impressoras que param de repente, veja como a indústria programa os objectos de forma a terem curta duração ou a avariarem propositadamente, com o fim de o fazerem comprar um novo. Perceba porque é mais barato deitar fora do que mandar consertar. Compare o discurso “verde” e “ecológico” das empresas com a sua prática, veja como algumas tecnologias regridem e pioram os desempenhos, e constate o óbvio: é feito estudadamente e com precisão para avariar.

Em Alijó, trocam o Património da Humanidade por um monte de betão, mas não gostam de ser acusados disso. Por isso, censuram todos os comentários desagradáveis no Facebook!


No concelho de Alijó, porque o caciquismo caceteiro de alguns autarcas começa a fazer escola, a ordem é calar todas as vozes contrárias à construção da ignóbil Barragem que vai destruir o Douro Património da Humanidade.
No Facebook, a censura está a actuar pela noite fora. Os lacaios de Mexia, Viegas e quejandos estão atentos e, ao mais pequeno comentário contra a Barragem, censuram. Apagam o comentário, impedem novos comentários daquela pessoa e, em última instância, apagam a página, como aconteceu com aquela que o Dario abordou no post anterior.
Os Vereadores do PSD no concelho de Alijó, por razões que se percebem facilmente, também têm andado, pela noite fora, com o lápis azul bem afiado. Tentei comentar algumas vezes, mas os comentários não duraram mais do que meia dúzia de segundos. Desapareceram imediatamente. O mesmo aconteceu na página do Teatro Municipal de Alijó, em que a censura é ainda mais rápida.
O que se passa em Alijó para que, de repente, todos se tenham unido em torno de algo que vai destruir o que de mais belo o concelho tem? Não precisam de responder, todos já percebemos o que está em causa…
[Read more…]

A Câmara Municipal de Alijó Já Fechou a Página no Facebook…

Durou pouco a página da CM Alijó no facebook

Nem 60 minutos aguentou aberta a alguns comentários.…

Temos pena.…

Objectivos e órbitas em torno do PIB

Com recurso ao PIB, hoje conhecido indicador dos portugueses, programam-se estratégias e estabelecem-se objectivos que, na maioria dos casos, conduzem a visões e práticas tecnocráticas e economicistas, em sacrifício da qualidade de vida dos povos. De resto, é este o fenómeno a que assistimos no mundo, em especial na Europa.

Usado como parâmetro de aferição polivalente, o PIB serve também para avaliar a qualidade de vida relativa entre nações, como demonstra o quadro seguinte, construído a partir de documento do Eurostat.

PIB per capita em unidades PPS (Poder de Compra Padrão)

Posição

País

2008

2009

2010

UE (27)

100

100

100

Z.Euro(17)

109

109

108

1.º

Luxemburgo

279

266

271

2.º

Holanda

134

132

133

3.º

Irlanda

133

128

128

4.º

Áustria

124

125

126

5.º

Bélgica

116

118

119

6.º

Alemanha

116

116

118

7.º

Finlândia

119

115

115

8.º

França

107

108

108

9.º

Itália

104

104

101

10.º

Espanha

104

103

100

11.º

Chipre

99

100

99

12.º

Grécia

92

94

90

13.º

Eslovénia

91

87

85

14.º

Malta

79

82

83

15.º

Portugal

79

80

80

16.º

Eslováquia

73

73

74

17.º

Estónia

69

64

64

[Read more…]

A Câmara Municipal de Alijó Pratica a Censura no Facebook

Já era de prever. A página Alijó 360º, mantida pela Câmara Municipal de EDP, perdão, Alijó, foi censurada hoje pelas 23h, poucos minutos depois de eu ali ter comentado um post. (Aparentemente, alguém pago com dinheiros públicos está a fazer horas extra! – a Bem da Nação)

Desapareceram alguns cometários e desapareceu também a possibilidade de serem feitos novos comentários a posts existentes. A verdade e a vergonha na cara parecem incomodar José Cascarejo, esse grande  defensor do progresso que a barragem do Tua há-de trazer. Aposto que esta personagem fosca da democracia transmontana vai, já nos próximos dias, manifestar-se totalmente CONTRA a barragem… pífia gente.

Depois de a EDP ter fechado o seu mural fendido no facebook, depois de Assunção Cristas, ministra do Ambiente, ter feito o mesmo, quem será o próximo a sentir-se incomodado pelas verdades em torno do embuste do Plano Nacional de Barragens?…

Para onde vão os nossos impostos em 2012

Noticias recentes dizem-nos que apesar de tudo a quantidade de impostos que pagamos até nem é muito elevada quando comparamos com o resto dos países da OCDE.

Claro que somos também dos países que mais tem aumentado os impostos mas isso não interessa nada.

Importante é ter uma ideia do destino desse dinheiro.
Imaginemos que recebemos o salário médio, que foram uns dez mil euros por ano em 2009, isso quer dizer que vamos pagar cerca de 3000€ de impostos.

Para onde é que vai esse dinheiro? Vejam na imagem abaixo ou experimentem “O teu Orçamento para 2012

Com Crato é sempre a poupar: viva a revisão curricular!

A divulgação da proposta de revisão curricular feita ontem pelo Ministério já está a ser comentada pelo mundo blogosférico, sendo de destacar, mais uma vez, vários textos do Paulo Guinote, com realce para este, e outro do Arlindo.

Nuno Crato afirmou, para não ser diferente das suas antecessoras, que estas medidas foram tomadas, tendo em conta, apenas, o interesse dos alunos. Permito-me duvidar.

João Casanova de Almeida, não querendo divergir dos seus antecessores, recusou-se a dizer se estas medidas iriam afectar os professores contratados, (não) respondendo que não iriam afectar os professores do quadro.

Tentarei, num texto posterior, explicar por que razão considero que esta revisão curricular faz parte de um caminho profundamente errado para a Educação, no que não serei, decerto, original.

Entretanto, embora compreendendo, em parte, a atitude quase festiva da Associação de Professores de Geografia, parece-me uma posição demasiado corporativista. Dos professores deve esperar-se uma visão mais holística do Ensino, porque, neste momento, não basta que uma disciplina seja beneficiada – mesmo que justamente – para que haja lugar a comemorações.

Rupturas

Com a Revolução do 25 de Abril, milhões de trabalhadores e de jovens, de todos os sectores da sociedade portuguesa, uniram-se para tomar em mãos os seus destinos.

Apostaram, então, na construção de uma nação livre e independente, que proclama a paz, que quer um País assente na justiça social, na saúde, na qualificação e na cultura, na cooperação entre os povos.

Um segmento importante destes homens e mulheres, destes jovens, voltou-se para o Partido Socialista (PS), construíram-no como o partido que defendia os sindicatos livres (unidade sindical) e independentes, a liberdade e a existência das comissões de trabalhadores, a banca nacionalizada (ao serviço da economia nacional), bem como da nacionalização dos sectores vitais da economia (transportes, energia, comunicações), para uma sociedade democrática e de progresso. [Read more…]

Angariadores de seguros de todo o mundo, blogai

É uma profissão tão digna como qualquer outra. Mas deve ter algures um código de conduta, que suponho não contemplar andar pelos blogues a vender PPR’s com o estafado argumento de que a Segurança Social não se sustenta, é um esquema Ponzi, etc, etc.

Não me assistem grandes competências matemáticas para explicar porque não é bem assim, a despeito dos esforços governamentais sucessivos para dar cabo do sistema, e sobretudo de não se saber muito bem por onde têm andado os seus fundos, mas a este esclarecimento do Tiago Moreira Ramalho ao iletrado do costume (e a tantos outros, este mês deve haver uma promoção numa seguradora qualquer, ou será por causa da aproximação do fim do ano fiscal?) sempre acrescento que bem pior do que a pirâmide etária (que numa economia em crescimento se resolve muito bem com a imigração) é o desemprego o principal inimigo da CGA, a menos que os desempregados comecem a descontar o que é capaz de ser complicado. Teremos 20% da população activa nessa situação algures no próximo ano (sim, é um prognóstico antes do intervalo).

E depois há aquele detalhe de as seguradoras, normalmente ligadas a bancos, tal como estes também falirem, experiência que no outro lado do Atlântico é bem conhecida em particular quando investem os fundos de pensões em activos tóxicos, uma medida pouco ecológica, e de também não andarem muito longe do tal esquema piramidal, simpaticamente conhecido entre nós por D. Branca no que também podia ser uma alusão à branca que dá na memória dos nosso angariadores de PPR’s disfarçados de fazedores de opinião.

Os estados também vão à falência? de  certa forma sim (a rigor até não, supõem-se eternos), principalmente quando se metem a tapar os buracos dos bancos. Mas convenhamos que demoram mais tempo e tem acontecido menos vezes…


Adenda por distracção: ah, e aquela banhada do fundo de pensões dos bancários que faz este ano da contabilidade do estado a maior vigarice dos últimos tempos, obrigado Sérgio Lavos, ando nefelibata de todo.

Mais palavras para quê? é o organigrama do mundo actual

O meu pai, que me ensinou a gostar de organigramas desde pequenino (agora decidiram chamar-lhes organogramas, que mau gosto) deixando-me desenhar com aquelas réguas de programador com que até eu rabiscava figuras geométricas, mandou-me este. Fonte desconhecida.

Hoje dá na net: DESAMARRAS | Rostos do Rendimento Social de Inserção no Porto

Para que serve o Rendimento Social de Inserção?
Financia a preguiça ou é uma medida socialmente útil e indispensável?
Que problemas e questões se levantam na vida de quem dele beneficia?
Estas são algumas das suas vozes.

Meta a demagogia fácil no bolso e veja como é. Eles têm cara e têm vida. Por enquanto.

Moddy’s e mercados vencem a ‘Cimeira de Merkel’

Um par é sempre o dobro de um. Aritmeticamente é 2 = 1 + 1. Outra regra: a soma das parcelas é sempre maior do que qualquer partes. E por mais truques linguísticos que se inventem, matematicamente falando, Merkozy não é igual à soma Merkel + Sarkozy. É mera sinopse de linguagem.

Raciocínio complicado? Talvez. Serve, no entanto, para ilustrar que sendo Merkel uma fracção maior e Sarkozy um fragmento mínimo, a primeira parcela supera a segunda, criando uma falsa paridade à qual a Europa, excepto o RU de Cameron, está submetida.

Assim, a salvífica Cimeira de 9 de Dezembro, cujo desfecho foi aceite com subserviência por 17 + x países – e o x é simultaneamente uma incógnita e uma variável de 1 a 9 – está a corresponder a uma derrota para a Sra. D. Angel Merkel – e Sarkozy cai por arrasto. Não por acção do grego Papademos, do italiano Monti, do espanhóis Zapatero (de saída) ou Rajoy (de entrada), do português Passos ou de tantos outros que, na Áustria, Finlândia, Holanda e outras paragens, se juntam na confraria da sociedade do ‘bem estar e dominar’ alemão.

[Read more…]

Em lume brando…

Não. Lisboa é uma bela cidade. O que defendo é o uso de uma bomba de neutrões, de modo a preservar o magnífico património edificado”. Foi esta a resposta que formatei para dar nessas ocasiões. Quando a pergunta não é séria, sinto-me desobrigado de responder a sério.

Obviamente, eu também não quero Lisboa a arder. Deus nos livre, já imaginaram os custos de a recuperar? Já bastou a fortuna da Expo 98…É a minha resposta aos mesmos amigos a que se refere Jorge Fiel.

O artigo em causa, de leitura obrigatória, coloca as coisas como elas são. A cidade de Lisboa, por culpa de uns quantos e alguns deles do Norte, é uma espécie de ralo neste lavatório em que se transformou Portugal. Repetindo o que escreveu o Subdirector do JN: o Norte é a região mais pobre do país, apesar de ser a que mais contribui para a riqueza nacional, com 28,3% do PIB. Por ser a região mais pobre e tendo em conta o objectivo de convergência dos fundos comunitários (aproximar as regiões mais pobres das mais ricas) é uma vergonha, uma pulhice aquilo que hoje se pode ler na página 2 do JN. E se percebi bem algo que li a correr um destes dias num rodapé televisivo, o Ministério das Finanças já se prepara para avocar a gestão das verbas do QREN, o que me leva a temer o pior…

Olhem, só me resta concluir como Jorge Fiel: “Nós não queremos mesmo Lisboa a ser consumida pelas labaredas. O que nós queremos é dizer, em voz bem alta, que estamos fartos de ser chulados“.

Manual de instruções para não cometer crimes banais

No blogue O Novo Egitanense explica-se muito bem explicadinho tudo o que não se deve fazer nas novas portagens electrónicas das ex-scuts e outras auto-estradas.

Da espingarda caçadeira ao laser de alta potência passando pela arma de paintball, é toda uma panóplia de artefactos cujo efeito é descrito com minúcia, desmobilizando o cidadão comum de se meter em alhadas.

Uma leitura que aconselho vivamente a quem anda com ideias sobre as novas portagens, e que seguido à letra evitará que os concessionários sintam saudades do velho portageiro agora desempregado.

Leitura vivamente recomendada, e que de forma alguma me recorda o que aconteceu na Grécia quando também começaram a brincar às portagens.

Marinho Pinto vs. Paula T. da Cruz: vão decidir o combate aos pontos ou por KO?

O bastonário da Ordem dos Advogados e a ministra da Justiça gostam tanto um do outro como eu de piri-piri nos olhos. Round a round, cada um vai tentando amealhar uns pontos e fragilizar o outro. Além das tristes figuras institucionais que fazem, esquecem-se da tal justiça para a qual dizem trabalhar. É que alguns destes conflitos resolver-se-iam melhor nos locais próprios: a barra dos tribunais.

Uma auditoria levada a cabo pelo Ministério da Justiça afirma ter detectado 17 mil irregularidades nos pedidos de compensação feitos pelos advogados no âmbito do apoio judiciário e chega mesmo a falar de fraude. Num país transparente ocorreriam duas coisas: o MJ comunicaria o resultado das averiguações ao Ministério Público e a Ordem inquiriria os advogados e determinava sanções para os prevaricadores. Fora isso mantinham-se os dois caladinhos enquanto corriam os processos. Por cá não é bem assim – entre olhos negros e dentes partidos, Marinho e Paula vão dando uso às luvas de pugilismo.

Para já, e antes de apurar o que quer que seja

Em comunicado publicado na sua página da Internet, a Ordem dos Advogados acusa a ministra da Justiça de atacar a advocacia portuguesa ao “proferir afirmações gravemente atentatórias da honra e consideração dos advogados que participam no sistema do acesso ao direito” [Read more…]

Consulta pública: revisão da estrutura curricular

O Ministério da Educação apresentou, hoje, a proposta de revisão curricular para os Segundo e Terceiro Ciclos e para o Ensino Secundário. O documento pode ser consultado aqui. A consulta pública decorrerá até 31 de Janeiro de 2012.

Para que essa consulta tenha início com acesso a informação relevante, consultar os blogues do Paulo Guinote e do Arlindo pode ser um bom início de conversa. No fim de tudo, estarão, muito provavelmente, cortes e desemprego disfarçados de alegados ganhos pedagógicos e embrulhados na ladainha do “fazer mais com menos”.

E espelhos lá em casa, não há?

Vivemos provavelmente o período mais perigoso da nossa história democrática. E temos para fazer frente à maior crise financeira, económica e política do pós-guerra, a menor concentração de talento, de competência, de experiência e de capaciade política de que há memória na governação do País. Sejamos realistas: acreditemos em milagres.

in Câmara Corporativa, órgão oficioso das viúvas e órfãos do governo anterior liderado pelo talentoso, competente e experiente Sócrates

Não entrando no campeonato das comparações, até porque não embarco na treta de a crise ser uma exclusiva responsabilidade do anterior governo,  a sensação que este discurso repetido e repetitivo nos dá aproxima-se muito da revelação de que no fundo e no profundo tem esta gente uma enorme inveja de não serem eles a aplicar as mesmíssimas medidas de austeritarismo às ordens da querida Merkel. Tiraram o chicote das mãos aos meninos e agora choram.

O que vale é que só houve aumento de preços na Saúde!

Depois de anos a pagar impostos e a fazer descontos que foram gastos, entre outras coisas, numa Exposição Mundial ou em estádios de futebol, é vergonhoso que, agora, se queira sujeitar muitos cidadãos ao pagamento acrescido de serviços para os quais foram obrigados a contribuir.

A propósito do aumento das taxas moderadoras, acompanhadas, ainda, pelo encarecimento dos preços das consultas, o Primeiro-Ministro tem o descaramento de dizer que estamos “muito longe de esgotar o plafond de crescimento dessas taxas moderadoras”, como se, nos últimos tempos, não tivesse havido cortes salariais, aumentos de impostos e novas cobranças que provocaram o empobrecimento da classe média, aquela acerca da qual o mesmo Passos Coelho disse que não poderia continuar a ser massacrada.

A destruição de pórticos não me merece elogios, mas não será de admirar que a revolta face a tanta injustiça venha a originar actos semelhantes.

Como pagar as ex-scut sem comprar a via verde?

Um amigo que vai viajar pediu-me um favor: que lhe pagasse uma passagem numa ex-scut por se encontrar esse meu amigo ausente do país.

Eu conto. Informado de que tem cinco dias úteis após a passagem na ex-scut para proceder ao pagamento e efectuando a viagem precisamente para apanhar um avião para outro país onde permanecerá uma semana, o meu amigo dirigiu-se a uma estação de Correios – cuja fila de espera, entretanto, aumentou substancialmente – para tentar pagar antes da utilização da viagem, já que depois lhe seria impossível. Não pode. Ou seja, pode, mas tem que comprar um dispositivo que custa 27,5 €, além de ser obrigado a fazer um carregamento suplementar de 10€. Não viajando o número de vezes suficiente para justificar a compra e não querendo comprar um dispositivo de via verde, o meu amigo viu-se na situação de me pedir um favor que me vai causar o incómodo de satisfazer burocracias inúteis. Vá lá que tem amigos a quem pedir. Porque podia não ter e, nesse caso, ou era roubado por ser obrigado a comprar algo que não se justifica, ou teria que partir de véspera por estradas alternativas para apanhar um simples avião.

Isto faz lembrar o ataque às Torres Gémeas?

Segundo familiares das vítimas parece que sim. Vai daí protestaram e os arquitectos foram obrigados a pedir desculpa aos ofendidos por um prédio a construir não em Manhattan, mas em Seul, na Coreia do sul.

torres gémeas

A estupidez não conhece fronteiras, nem formas, nem geografias. Eu, à minha maneira, também acho um Fiat 500 parecido com um Ferrari. Deve ser porque também tem rodas.

No poupar é que está a perda: o fim do Segundo Ciclo

Neste texto, o Paulo Guinote comenta uma notícia saída no Correio da Manhã de ontem, em que Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, e Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais, defendem que o Segundo Ciclo deva ser fundido com o Primeiro, de modo a evitar, entre outros problemas, o trauma das crianças de passam da monodocência para a pluridocência, trauma esse que é, apenas, mais um mito urbano.

A verdade é que estes e outros senhores querem, apenas, ajudar a encontrar mais uma maneira de diminuir a massa salarial, o que, em si, não seria negativo se não fosse feito à custa do desenvolvimento do país. No fundo, fazem parte da Escola Pires de Lima.

Sobre este assunto, já escrevi isto. Para pensar mais um pouco sobre este tema, está aqui uma proposta interessante.

 

Faz o Girabenga*


Neste início de mais uma semana de saque… força, portugueses!… falta pouco.

* Acordo Brasileiro da Língua Portuguesa.

Hoje dá na net: Chet Baker – Let’s Get Lost, o documentário

Let’s Get Lost (1988) é um documentário sobre a vida turbulenta  e a carreira do trompetista de jazz Chet Baker. Escrito e dirigido por Bruce Weber, Let’s Get Lost é um dos mais belos filmes reais feitos sobre o universo do jazz no séc. XX e o mais marcante dedicado à figura singular de Chet Baker.

Para todos os amantes de jazz. Imperdível.