Ricardo, já agora, recordo estas coisinhas…

…que te podem ajudar para a realização de um filme a explicar como chegámos aqui e o motivo que levou o actual Primeiro-ministro a fazer algo que, como certamente concordas, nenhum político deseja. Ninguém, meu caro, gosta de tomar medidas deste género e ninguém costuma ter tomates para as decidir e por isso, também por isso, estamos como estamos. Contudo, foram coisas como estas, que a seguir te relembro, ajudadas pelas outras que já te recordei antes.

Foi com negociações que terminaram como ESTA e outras do género no tocante a arrendamento de Tribunais…

Foi com coisas como ESTA…

E foi assim, como aqui se pode ver:

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/48SoRUz9irdhhPsS9Ph6/mov/1

Já para não falar NESTA e muitas outras que tais…

Foi assim e agora? Agora, agora até perdi o pio.

UM POR CENTO !

Além do esmagador peso que os nossos inefáveis vizinhos têm na nossa economia, lembremo-nos de que 80% de tudo o que cá se produz tem a “U.E.” como destino. Em contrapartida, enviamos para os países do antigo Ultramar, apenas 1% das nossas exportações.

Estupidez, desleixo, falta de visão e incompetência, para não dizermos traição.

Era mas é já estes para a cadeia, os outros iam no sábado

Num país com a indispensável suspensão da democracia para aplicação tranquila das necessárias e indispensáveis medidas de austeridade, como seria desejável para tranquilidade da inteligência dos Burnay do nosso pequeno mundo, esta tal de Gui já andava a fazer bonecos com as unhas numa parede de Custóias. Num país de treta como o nosso ainda fazem reportagens tipo 15 de Outubro: a revolução na ponta do lápis.

E ainda se queixa de lhe arrancarem os cartazes, identificação de coladores com farinha e outros legítimos exercícios mínimos da autoridade, vejam lá a lata da gaja (aposto que não percebe nada de lavores).

O lobo com pele de Coelho

São várias as razões, das altruístas às egoístas, que me levam a pensar em todo o vernáculo que deveria usar para exprimir aquilo que penso e aquilo que sinto, duas coisas que normalmente distingo, ao contrário do que acontece hoje, depois de ter sido, mais uma vez, roubado pelo mesmo bando que me anda a roubar há mais de trinta anos, alternando siglas. Passos Coelho nem sequer é o macho alfa da alcateia, é apenas um pobre roedor que os chefes mandam à frente.

Entretanto, podemos ver aqui alguns pobres assalariados que têm andando a perorar sobre a necessidade de nós, os outros, fazermos sacrifícios, sempre sentados no dinheirinho que têm retirado da máquina registadora, antes, quando estavam na gerência, e agora, quando mandam no gerente.

Ao melhor estilo abrantino, agora em tons laranja, Pedro Correia repete um refrão já conhecido: a culpa foi dos outros antes de nós. Os que se aproveitaram das corporações, sem sequer disfarçar o cheiro salazarento, exigem que o povo aguente. Pois.

De repente, apetecia-me que o voto deixasse de ser secreto e que os votantes se submetessem a pagar o dízimo exigido por aqueles que elegessem, já que tanto acreditaram que esta seita iria resolver-lhes a vida. Pela minha parte, vivo com a consciência tranquila: eu não tenho culpa, não votei neles. Em nenhum deles.

OGE 2012: Ter razão antes de tempo, mas…

Parecerá auto-elogio ou excesso de auto-estima. Mas não é. Com um misto de tristeza e de dever cumprido, escrevi duas horas antes da comunicação de Passos Coelho, às 20 horas, um ‘post’ com o título:

OGE de 2012, um instrumento criminoso do governo (e do PS?)

Designei, antecipadamente, o OGE de 2012 aprovado pelo Conselho de Ministros de criminoso, por saber a tempo que estava a ser perpetrado um autêntico crime contra as classes trabalhadoras em geral, funcionários públicos à cabeça, pensionistas e outros beneficiários de prestações sociais, caso dos desempregados.

Aos trabalhadores da função pública e aos pensionistas que auferem mais de 1.000 euros mensais, o governo de Passos Coelho decidiu eliminar o pagamento dos subsídios de férias e de Natal em 2012 e 2013. Curiosa e triste, a audácia de anunciar uma medida que vai afectar centenas de milhares de cidadãos em 2013, quando a comunicação se destinava a noticiar medidas do Orçamento Geral do Estado de 2012. Contudo, a falta de decoro dos nossos governantes, destes e de outros que há 35 anos nos governam, é efectivamente um fenómeno endémico dessa gente.

Em suma, e infelizmente, no ‘post’ antes referido, tive razão antes do tempo, ainda que por defeito. Omiti o corte radical dos subsídios de férias e de Natal.

Não me orgulho do feito. Preferia ter errado e não sentir o forte sentimento misto de revolva contra o governo e de solidariedade com muitos concidadãos, grande parte dos quais passarão a viver em condições ainda mais penosas.

Caminhamos aceleradamente para ser gregos. ABAIXO O GOVERNO!

Declaração ao País – Medidas de Austeridade

(Audio dessincronizado – as minhas desculpas – Resumo das medidas depois do corte)

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Revolution Solution (2)


Banda sonora original… para os dias do Fim…”… escrevi há quase um ano.

Insisto na Solução. Revolução (mas desta vez sem a paneleirice das flores no cano das espingardas).

Pedro Passos Coelho – Best of 2010-2011


Durante 2010 e 2011, Pedro Passos Coelho disse que sim, disse que não e disse o contrário. Durante várias semanas recolhi, compilei e compus as melhores declarações deste extraordinário homem. Hoje, tenho o prazer de apresentar os melhores momentos de Pedro Passos Coelho (e o Rodrigo Moita de Deus há-de desculpar o roubo descarado deste texto).

Adenda: Especialmente esclarecedoras as afirmações deste extraordinário homem, nos últimos 2 anos, após a declaração ao país acerca do Orçamento de Estado para 2012.

OGE de 2012, um instrumento criminoso do governo (e do PS?)

O actual governo, na senda do neoliberalismo e insensibilidade social cultivados ao jeito de gente que se ajeita a benefícios próprios e enjeita servir os interesses legítimos da maioria da população, ignora deliberadamente a distinção entre o bem e mal – o objectivo é acomodar-se a interesses dos privilegiados, um economicismo que o idiota útil António Barreto, em termos contraditórios, abomina, da forma aqui  ilustrada.

No ideário governativo, e em sectores que o apoiam, os seres humanos reduzem-se a objectos e o dinheiro é o valor supremo da vida. Barreto está de acordo, embora se esforce, sem sucesso, por demonstrar o inverso. Deixemos, por aqui, o “anti-epitáfio” do ex-militante do PCP, do PS, aliado da ‘Aliança Democrática’, funcionário público durante muitos anos e agora reconfortado com a presidência da Fundação Manuel Soares dos Santos, reconhecendo, embora, o mérito de ter criado a ‘Pordata’, fonte de base de dados de valor inquestionável.

Regressemos, pois, à acção governativa e ao OGE de 2012. Segundo notícias do “i”, “Expresso” e “Público”, as medidas orçamentais ultrapassarão em 60% os objectivos do memorando da “troika”.

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E agora, algo completamente diferente: o “ganço”

Desde há uns anos que me apercebo da decadência do serviço de tradução com que somos brindados em filmes, séries documentários, etc.

A tradução é uma actividade interpretativa e não meramente mecânica.

O que se assiste, cada vez mais, é a legendas resultantes de uma tradução meramente literal, sem preocupação interpretativa ou análise semântica sequer. E, pior, os erros de escrita, estão cada vez mais presentes. Ainda a semana passada, li numa legenda de um filme, a palavra “ganço”.

Parece-me que o que se passa nas traduções, é apenas um sinal do declínio com que se trata a palavra escrita. Sinal que se estende a anúncios e até mesmo à imprensa. E os vícios do dialecto das mensagens de telemóvel em que petizes e adolescentes são mestres, não vão ajudar muito a melhorar as coisas no futuro, não.

Um dia, a tecnologia banirá a esferográfica e o corrector ortográfico brilhará para todos nós.

A História a ele não lhe assiste?

Pelo Paulo Guinote fico a saber de uma ameaça de poupança administrativa que

passará por corte nas aulas de História e Geografia e fim da segunda língua estrangeira obrigatória.

O que sai nesta altura do campeonato no pasquim de todos os governos, vulgo Diário das suas Notícias, pode ser muita coisa, de areia para os olhos a aviso prévio. Jornalismo ali há pouco, muito pouco, e sempre foi assim.

Ou se quiserem: não me apetece despertar hoje o corporativo que também há em mim. Até porque só um idiota chapado faria uma destas, levando em cima com todos os que têm formação em História (somos mesmo muitos, e somem os de Geografia, menos é certo, mas igualmente espalhados pelas mais diversas profissões) sejam ou não professores no activo, e com todos os que muito simplesmente teimam na mania de se pensarem portugueses. Embora tipos que evoluem da Economia para a matematicazinha (não estou a dizer mal da Matemática, que como todas a ciências sérias tem tronco grande mas também ramificações e ramos muito menores) sejam potenciais candidatos a mandar uma artilharia destas para o pé, com danos imediatos no corpo todo.

A acontecer também se pode interpretar como um discreto pedido de demissão, por vezes as pessoas acordam e descobrem que não nasceram para ministro. Se eu me chamasse Nuno Crato, ou não tinha dormido todo o mês de Setembro, ou já teria acordado assim.

Morreu Dennis Ritchie

Morreu Dennis Ritchie, aos 70 anos. Este sim, um verdadeiro génio da ciência e tecnologia. Foi o criador da linguagem de programação C e foi uma influência importantíssima no desenvolvimento do UNIX.

Poderão nunca ter ouvido falar nele, mas todos usamos de alguma forma o seu trabalho, todos os dias.

Porque não vou à manifestação no sábado

15 de outubro não vou nem a Angra do Heroísmo – Praça Velha (ainda apanhava o anti-ciclone dos Açores), nem a Braga – Avenida Central (só se for o Arcebispo), nem a Coimbra – Praça da República (ainda se fosse na Baixa), nem a Évora – Praça do Sertório (está muito calor), nem a Faro – Jardim Manuel Bivar (ainda deve estar pior) nunca a Lisboa – Marquês de Pombal (livra) ou ao Porto – Praça da Batalha (que horror).
E tu,  que desculpa vais arranjar?

Ainda Hortênsia Bussi Soto de Allende

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4 de Novembro de 1970, assume o seu cargo o Presidente Salvador Allende, com Tencha, a Primeira-dama

dedico o texto ao meu irmão mais novo, o Engenheiro Florestal e Agrónomo, que hoje está de aniversário, amante de História como ciência, licenciatura que também cursara com proveito, Presidente das Juventudes comunistas do Chile, antes, hoje em dia Conselheiro do PCCH…

A primeira Parte deste texto foi enviada ao sítio que corresponde. Reescrevo este outro, sobre os mesmos factos, para demonstrar, comparando textos diferentes, sobre factos semelhantes, como a História se engana nos factos.

A imagem que escolhi é do dia 4 de Novembro de 1970, data da tomada de posse do cargo de Presidente da República do Chile, do médico socialista Salvador Allende, como a mulher que sempre o acompanhou ao longe da sua vida, nomeadamente durante as campanhas políticas da sua vida, desde Deputado a Senador e nas quatro corridas  para a presidência da República. Foi a Tencha, alcunha dada pelo povo a hoje Primeira-dama, que o fez triunfar e ser eleito para o cargo. Fez, como era habitual desde os seus vinte anos ela, com vinte e quatro anos ele, quem o ajudara a governar, uma compincha amante do seu marido até o delírio, e vice-versa. As adversidades de governar, eram saradas pela sua mulher, a sua eterna embaixatriz em todos os sítios necessários, dentro e fora do Chile, arrecadando popularidade e apoio humano e económico, que permitiram esses quase três anos de Presidência.  O acompanhou até no dia do seu forçado suicídio, sem poder estar com ele na morte, por que essa única ditadura chilena, de uma República libertada a sangue e fogo em 1810-1818, não o permitira. [Read more…]

Carlos Queiroz, o mete-nojo

Carlos Queiroz, o menino Carlinhos, o coitadinho da bola portuguesa, que conseguiu um ponto em seis possíveis para o apuramento para o Euro 2012, que pôs a seleção a jogar ao nível mais confrangedor dos últimos anos, que tinha os jogadores todos contra ele, etc. e tal, veio hoje dizer que com Ele a equipa já estaria apurada. Depois, paternalisticamente, enviou um recado a Paulo Bento, que conseguiu 15 pontos em dezoito possíveis, que ganhou ao actual campeão do mundo (com quem Queiroz perdeu vergonhosamente) com futebol de alto nível, que recuperou um grupo descrente e destroçado (apesar da evidente fraqueza dos dois últimos jogos), enviou um recado a Paulo Bento, dizia eu, paternalisticamente, dizia eu, dizendo “acabo de te puxar o tapete, acabo de afirmar que sou muito melhor que tu, comigo já não estaríamos no sufôco em que nos deixaste, mas deves ter cuidado com com a bicharada, deves afastar-te dos dinossauros e, assim, ainda podes estar no europeu porque tens matéria prima para isso”.

Sobre o menino Carlinhos já não tenho nada a dizer, não vale a pena. Já a Paulo Bento diria: segue os conselhos do bicho, afasta-te do dinossauro mas, se ele se aproximar de ti, não digas nada, não lhe respondas sequer. De cada vez que abre a boca, o mete-nojo mata-se a si próprio.

O mal

Nascemos bons e é o meio que nos transforma? Ou somos naturalmente maus? Uma melodia bela e forte é também capaz, só por si, de nos transportar para o universo onde o maniqueísmo do preto e branco acaba por se transformar num enorme cinzento. É o que vejo na obra prima  musical de Ennio Morricone, a qual acrescenta um indelével substrato à igualmente suprema obra de Sergio Leone no filme “Era uma vez no Oeste”.

Redução de reformas: corte de despesa, taxa ou imposto?

O percurso é uma fatalidade. Antes de analisar e criticar qualquer medida do governo, sobretudo em termos de políticas de formulação e execução orçamentais, temos de cumprir o itinerário do famigerado memorando de entendimento da ‘troika’, a que o País se vinculou junto do FMI, CE e BCE, pelas mãos do trio do ‘arco do poder’, PS, PSD e CDS.

No capítulo da Política Orçamental de 2012, e mais precisamente no ponto 1.11, o nefasto documento, de 17 de Maio passado, estabelece o seguinte:

1.11. Reduzir as pensões acima de 1.500 euros, de acordo com as taxas progressivas aplicadas às remunerações do sector público a partir de Janeiro de 2011, com o objectivo de obter poupanças de, pelo menos, 445 milhões de euros.

Utilizada a média de redução de 5% genericamente citada na imprensa, um pensionista da Função Pública ou da Segurança Social, que aufira actualmente a mensalidade bruta de 2.000,00 euros – 28.000,00 euros anuais – em 2012 receberá um valor ilíquido de pensões de 26.600,00 euros / ano; ou seja, será penalizado em 100,00 euros / mês. Ainda que não estejamos a focar o grupo de pensionistas mais desfavorecidos, a quebra de rendimento, no nível considerado, será equivalente à conta de farmácia, de consultas e exames médicos que muitos dos atingidos suportam regularmente, em função de doenças crónicas, próprias do grupo etário em que se integram.

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Quando os criminosos são polícias a coisa passa ao lado

Mário Brites foi acusado por dois polícias de algo que nunca se verificou. Como consequência passou cinco meses na prisão, perdeu o emprego e ficou com a vida destruída. Hoje dorme num carro e come graças à solidariedade de amigos. Por sorte, no meio de tanto azar, a Polícia Judiciária desconfiou da veracidade da acusação e desconfiou que algo não batia certo. Na origem de tudo estava, aparentemente, uma vingançazinha merdosa por questões de condomínio.

Os jornais, exceptuando honrosamente o Correio da Manhã, passaram ao largo desta história como se ela não tivesse acontecido, ao contrário do que fizeram no erro judiciário que motivou uma noite de prisão para Isaltino Morais. Trata-se dos mesmos jornais que, acertadamente, se mostram lestos quando denunciam as insuficiências do sistema judicial português. O problema, aqui, é que nunca passam de generalizações que o senso comum conhece e repete de cor, a menos que envolvam figuras públicas.

Casos particulares como o de Mário Brites são brevemente tratados como se o particular, o anónimo e a pessoa comum não fizessem parte e não fossem vítimas desta coisa arruinada que é a justiça portuguesa, na qual proliferam más práticas individuais que, somadas, perfazem o todo.

Denunciar a injustiça é, em qualquer sociedade, tarefa prioritária de cidadãos livres que assim se assumam.  Quando os media de um país olham para a prisão insustentada de um concidadão durante cinco meses e não lhe dedicam uma única linha, mais vale mudarem-se para a Correia do Norte. São tão bons jornalistas como os jornais que lá há.

Alô Paulo Bento

Éderzito António Macedo Lopes, 4 golos marcados na Liga. Jogador português. Como em janeiro ou para a próxima temporada já não deve estar na Académica, se nessa altura ainda fores seleccionador nacional, não te esqueças de o convocar. Agora claro que não faz falta, não precisamos de um ponta-de-lança para nada, o Postiga serve perfeitamente para andar aos papéis na grande área adversária.

Cristiano Ronaldo, o mau exemplo do costume

No final do jogo em que a selecção portuguesa foi justamente derrotada, falhando o apuramento directo para o Europeu, Cristiano Ronaldo, o capitão de equipa, não fez nenhuma declaração. É um dos casos em que o jogador é, de longe, melhor que o desportista, entendendo-se, aqui, desportista como um cultor do desportivismo, como um homem que se mostra digno na vitória e na derrota.

Desta vez, Cristiano Ronaldo não fez figuras tão tristes como nas ocasiões em que dirigiu gestos obscenos ao público ou em que cuspiu em frente às câmaras, quando Portugal foi eliminado pela Espanha, no Mundial de 2010. Seja como for, o uso de uma braçadeira de capitão e o facto de ser um ídolo de tantos jovens deveria trazer responsabilidades acrescidas a Cristiano Ronaldo e, no final do jogo de ontem, impunha-se que tivesse dado voz à tristeza e à esperança, como o fizeram Paulo Bento e Nuno Gomes. Infelizmente, o extraordinário jogador continua a não saber perder, mantendo uma imagem de menino mimado e de portuguesinho típico, com tudo o que isso contém de falta de civismo.

É certo que qualquer pessoa que goste de jogar seja o que for não pode gostar de perder, mas o caminho que deve ser percorrido pela humanidade é o de se afastar dos instintos primários. Saber perder é, portanto, mais humano do que não gostar de perder, é a diferença entre a razão e o coração.

Eusébio chorou quando Portugal não chegou à final do Campeonato do Mundo de 1966, mas esteve sempre mais preocupado com o jogo do que consigo e soube, tantas vezes, cumprimentar o adversário, o que aconteceu, por exemplo, com os guarda-redes que defrontou. Ainda hoje, é aplaudido em todo o mundo. Cristiano Ronaldo é assobiado, mas, vítima de um excesso de auto-estima, pensa que isso acontece por ser rico, bonito e um grande jogador. As qualidades inegáveis do jogador português mereciam um homem da mesma estatura, mas, até hoje, não foi possível.

O bailio* da Madeira

A conversa habitual, em democracia é, depois de contados os votos, “ganhou A, perdeu B, C ou D”. Ninguém se lembra porque é que votou ou quem não votou, as suas razões e as estratégias dos AA e dos BB para arrebanhar os papelinhos para a urna. Talvez por isso, ciclicamente, surjam uns indignados na praça que querem o regresso das ditaduras marxistas, como alternativa à democracia (a este propósito sugiro a leitura do artigo de Pedro Lomba, ontem, no Público). Mas é curioso que, uns e outros, têm sempre a palavra povo na boca. Já aqui referi esta falácia de considerar povo como algo de onde emana asalvação. Povo é, para os políticos, o Outro – prova de que a democracia só funciona à boca da urna e que política não combina com cidadania.

O que me espanta nesta balbúrdia toda é que, da Esquerda à Direita e, sobretudo, estes indignados da praça, todos, sem excepção, queiram salvar aquele povo que os repudia, que vota Alberto João Jardim, que venera Salazar, que vê e aplaude touradas, que pára em acidentes e que os provoca, que deseja ardentemente substituir cultura por futebol e centros comerciais ao domingo e que acha que o ponto mais alto do dia é saber o resumo da Casa dos Segredos. Ir para uma praça ou um parlamento falar por este “povo”, defendê-lo e invocá-lo deve compensar muito o esforço, realmente. Deve ser muito terapêutico para uns e financeiramente vantajoso para outros. Eu precisaria de um estômago novo todos os dias.

P.S. é mesmo bailio. Não é gralha. Ver o significado, aqui.

Não Há Direito!

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ISALTINO PERTO DO FIM?

O senhor Isaltino, o do sobrinho rico e taxista na Suiça, e também o que foi preso e solto em menos de 24horas, e de quem já falamos várias vezes, está a passar, coitado, um mau bocado.

Amado de todas as maneiras e feitios pelos seus munícipes, está em vias de dar com os costados na pildra por dois anos.

Claro que não vai ser bem assim, mas são as notícias que correm. O homem tem muitos e bons advogados a tratarem dos seus assuntos na justiça.

Agora, o Tribunal Constitucional rejeitou o recurso que este senhor tinha “metido”, e, apesar de ainda ter alguns dias de folga, tudo leva a crer que vai voltar aos calabouços.

Esperemos mais uns dias para ver no que isto dá, já que até há quem diga que a população de Oeiras não vai permitir que o senhor Isaltino vá preso, prevendo-se greves de fome, cortes no trânsito, manifestações mais ou menos pacíficas e, pasme-se, até há quem se proponha ir diariamente à prisão levar-lhe faisão e chouriças de sangue e alheiras e presunto e…e…e…, no caso de não conseguirem evitar que ele vá de cana.

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O grau zero da decência e a excelência do cinismo

Santana Castilho *

Os argumentos que sustentam a revogação dos prémios de mérito dos alunos ilustram a excelência do cinismo. Comecemos pela incoerência. Nuno Crato foi um arauto da meritocracia, da superioridade dos resultados, da competição e do reconhecimento dos melhores. É verdade que nunca se ocupou a reflectir sobre o que é ser melhor em Educação, nem perdeu tempo a clarificar “as poucas ideias” (a expressão é dele próprio) que tem sobre ela. Mas apontou o “eduquês”, sempre, como a antítese daqueles paradigmas doutrinários. Ora os prémios que estoiraram eram o melhor símbolo da meritocracia e da oposição ao “eduquês”. Nuno Crato implodiu, portanto, a sua coerência. Vejamos agora a forma e a legalidade dúbia. [Read more…]

Não ponha as patas em cima dos bancos!

Campanha do Metro de Lisboa

Hortênsia Bussi Soto de Allende: Uma sentida homenagem

bussi

Tencha, porta de casa, aos 80 e vários anos, com a sua elegância habitual. Faleceu aos 95 anos.

 Hortênsia Bussi Soto de Allende nasceu a 22 de Julho de 1914, e faleceu em Junho 18, 2009. Formou-se na Universidade do Chile, em Santiago do Chile em História e Geografia. Para pagar os seus estudos, trabalhou como Bibliotecária do Gabinete Nacional de Estadísticas.

Conheceu um jovem estudante de medicina, Salvador Allende Gossens, filho de outro Médico, amigo da nossa família em Viña del Mar, cidade balnear da Província de Valparaiso. Mal conheceu ao jovem aspirante a médico da sua mesma Universidade, foi fulminada pelo encontro: amor à primeira vista.

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Portugal fica fora do Euro?

Com toda a tranquilidade, já faltou mais. Grande desvalorização à vista.

Brincar com o fogo…

Segundo algum ruído que senti, ao de leve, nalguma comunicação social, o Ministério Público prepara-se para acusar Hulk, Sapunaru e outros jogadores do F.C. Porto por um “crime” qualquer cometido num famigerado túnel. Uma moldura penal, como gostam de dizer, que pode ir até cinco anos de cadeia.

 

Um tipo ouve umas merdas destas e fica mudo de espanto. Ou talvez não. Que rica altura para o MP se lembrar de semelhante. Realmente, a malta, desculpem a linguagem, anda virada dos cornos com coisas sérias como o desemprego, os ordenados em atraso, os clientes que não pagam, os consumidores que não compram, os bancos que são sempre os que se safam mesmo quando são/foram parte significativa do problema e a justiça, a mesma que fecha os olhos à violência doméstica, a do “macho latino” e outras pérolas do género, anda entretida com os acontecimentos do famigerado túnel da bola. É brincar com o pagode.

 

Eu repito, que rica altura. Aqui a Norte, a crise é bem forte, bem mais forte e a populaça anda capaz de cometer loucuras. Basta acender o rastilho e vai ser o bom e o bonito. Quem preferir pensar que é brincadeira minha ou ameaça de teclado não percebe ou, pior, não conhece a situação que se vive por estas bandas. A famosa retrete do Catroga à beira disto é coisa de meninos, de meninos.

 

Querem brincar com o fogo? Quem avisa…

O IVA ou o fascínio do aumento de impostos

O actual governo, sempre que interrogado a propósito, reafirma a promessa de privilegiar o corte da despesa pública sobre o aumento de receitas fiscais e parafiscais. Matematicamente até se socorre de uma fórmula: no balanço final, o ajustamento das contas públicas far-se-á segundo a regra distributiva de 2/3 de corte de despesas para 1/3 de incremento das receitas.

Considerados os frequentes anúncios de aumentos de impostos, a proporção repetida pelo governo, nomeadamente pelo Ministro de Finanças, parece afastar-se, cada vez mais, do cumprimento.

Do imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal à antecipação de um trimestre na cobrança da taxa máxima, 23%, sobre a electricidade e o gás natural – fora do âmbito ou do calendário do memorando da ‘troika’ – temos tido exemplos bastantes do desenfreado ânimo governamental de lançar sobre pobres e classe média sucessivos castigos de ampliada carga fiscal. Agora, segundo o ‘Expresso’, o Conselho de Ministros, 5.ª feira próxima, deliberará a eliminação da taxa intermédia do IVA, 13%, passando a tributar com 23% a série extensa de produtos e serviços, constantes da lista II – taxa intermédia.

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Especialistas QREN (Quadros de Apoio Comunitários)

Os “especialistas QREN” são aquela gente irrequieta e metediça, que gasta o seu tempo a farejar nos sítios por onde escorre o dinheiro. Tal como o drogado faz com a droga, o especialista QREN, “chupa” o dinheiro onde o pode encontrar, não se importando se faz bem ou mal. Estes especialistas, viciados na captura de dinheiro fácil, também têm o seu “Casal Ventoso“. Só que à volta não há barracas, e maltrapillhos, mas prédios modernos de escritórios, e muita gente de fato e colarinho branco. Estes especialistas desenvolveram técnicas de saque de dinheiros públicos, à vista de toda a gente, sem o menor constrangimento. [Read more…]

A dupla vergonha das eleições da Ilha da Madeira

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LA MARSEILISE 

No dia 7 de Outubro, comentava um texto de António Fernando Nabais, que diz no fim: Alberto João Jardim já manifestou a sua indignação pelo facto de a Academia Sueca estar a querer imiscuir-se na campanha eleitoral, tendo criticado especialmente a parte em se pode ler “todos falam, fervorosos, na língua estranha”, o que terá sido entendido como uma referência menos elogiosa ao sotaque madeirense. Como retaliação, os madeirenses estão proibidos de importar móveis da IKEA. (o sublinhado é meu).

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