quer “licenciar megacentral solar no Alentejo“. Se for tão eficaz como daquela vez em que se esquivou à CPI do BES, ao MP e ao DIAP, sem que isso afectasse a marcação no barbeiro, tem tudo para correr bem.
Selminh… O simplório

Fotografia: Lucília Monteiro
Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, disse em tribunal que, no caso Selminho, foi “incauto”.
Para os mais distraídos:
in·cau·to
(latim incautus, -a, -um)
adjectivo
1. Que não tem cautela ou prudência. = DESPREVENIDO, IMPRUDENTE ≠ CAUTO, CAUTELOSO
2. Que é inocente e sem malícia. = CRENTE, INGÉNUO
Eu também sou “incauto” quando fico com a última fatia de bolo do prato. Nunca me aconteceu ser incauto para beneficiar a minha família em negócios imobiliários enquanto presidente de um município.
Cada um com a ingenuidade que lhe é característica…
Deixem as fardas em paz

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa@DN
Ainda o bem-sucedido processo de vacinação não estava concluído, já os portugueses se tinham rendido à eficiência e ao low profile abnegado do vice-almirante Gouveia e Melo. E foi, de facto, um trabalho notável e exemplar. Merece, a meu ver, todos os elogios. E a recusa categórica do messianismo foi a cereja no cimo do bolo:
Eu não sou político. Qualquer ser que apareça como o salvador da pátria é mau para a democracia, porque a democracia salva-se em conjunto com todos os atores do sistema democrático.
Não foram poucos, aqueles que, num ápice, se converteram à religião das fardas. Alguns por admiração, outros por desencanto de longa-duração com o funcionamento da democracia, outros ainda com os olhos postos numa solução autoritária, olhando para Gouveia e Melo como um meio para atingir um fim. Felizmente para nós, os militares portugueses têm tido um papel central nos combates pela democracia e pela liberdade, e, parece-me, são poucos dados a cantos de sereias fascistas. Basta ver o que fizeram aos antepassados desta nova vaga de extremistas de direita, naquela madrugada inicial, inteira e limpa.
Inês Sousa Real meets Ricardo Robles
A confirmar-se que as empresas das quais Inês Sousa Real é ou foi proprietária recorrem a práticas pouco sustentáveis e amigas do ambiente, nomeadamente a agricultura intensiva e o uso de pesticidas, podemos estar perante o princípio do fim da carreira política da líder do PAN, que ainda agora começou. O episódio traz imediatamente à memória o caso Robles, também ele uma figura que teve uma ascensão meteórica, para de seguida cair com estrondo e desaparecer do mapa, descobertos que foram os seus negócios imobiliários. Tal como Sousa Real, Ricardo Robles não cometeu nenhuma ilegalidade. Mas feriu de morte parte essencial da narrativa do seu partido. Não é coisa pouca.
O momento em que este caso surge não é inocente. Ao colocar-se na posição de potencial muleta do PS, num hipotético cenário pós-eleitoral em que os deputados eleitos pelo PAN cheguem para António Costa conseguir maioria absoluta, Inês Sousa Real ficou na mira da direita, mas também dos partidos de esquerda, que disputam a parte do eleitorado mais sensível ao problema das alterações climáticas. Fez o pleno, portanto.
Quem é Nuno Miguel Henriques?
é o militante do PSD que também quer liderar o partido e que vai obrigar Paulo Rangel a debater. The plot thickens…
Heil

Li por aí que poderia até ser bom para dar termo à farsa: quando a comunidade for composta exclusivamente por pessoas que se sujeitaram à injecção experimental e estas continuarem a transmitir a doença e a falecer com a mesma, rapidamente a população se iria aperceber de que a segregação de um segmento da população – se razões precisavam para a rejeitar para lá das humanas, cívicas e morais – é epidemiologicamente injustificada.
Não partilho desse optimismo. Vivemos numa era em que a matemática dos números oficiais é esta: 100% da população portuguesa acima dos 65 anos está vacinada; a esmagadora maioria das mortes está neste sector populacional; mas o problema são os 0% que não estão vacinados. Vivemos uma era prodigiosa na arte do engodo massivo, em que tentam convencer simultaneamente os não-vacinados de que têm de se injetar, sob pena de perderem tudo o que têm na vida, porque a extrema eficácia da mistela é imprescindível no combate à doença; e os vacinados de que têm de tomar mais doses, porque as que tomaram não tiveram grande eficácia. Isto enquanto o Parlamento Europeu se prepara para conceder indeminizações às inúmeras cobaias que tiveram o azar de, eivados de medo ou em busca da liberdade que lhes foi ilegitimamente roubada, sofrerem os efeitos físicos severos de uma terapia sem segurança.
Há uns tempos, eu previ que mais cedo ou mais tarde iriamos estar a falar de certificados segregadores sem sequer referir a doença que os originou. Isso deixou de ser um cenário hipotético. Na Áustria, um teste negativo – o suposto comprovativo de que o indivíduo não carrega a vírus, pelo menos é esse o motivo pelo qual me obrigam a recorrer à zaragatoa – não permite a livre circulação. Só mesmo a sujeição ao tratamento experimental leva a que nos seja concedida a carta de alforria, mesmo sendo um axioma da narrativa de que vacinados transmitem e apanham o vírus. Este axioma – necessário para a perpetuação do sistema vigente, mas que acarreta explícitas contradições – é frequentemente acomodado com um subjectivo “mas muito menos!”, sem que se vislumbre a menor sustentação factual para tal adenda.
Às massas hipnotizadas – tão lestas a pregar empatia comunitária aos negacionistas – são irrelevantes os factos, é perigosa a divergência e é indiferente o sofrimento humano, se este se limitar às minorias dissidentes. Primeiro vieram buscar os comunistas e eu não disse nada, pois não era comunista….vocês conhecem o poema. Pobres incautos: voluntariamente escravizados, julgam ser verosímil viajar de obediência em obediência até à liberdade final.
Sondagem do ISCTE/ICS: qual é mesmo a admiração?

Sondagens, nunca é demais dizê-lo, valem o que valem. Nem sempre acertam, às vezes falham por muito, mas, regra geral, não andam muito longo dos desfechos eleitorais. Bem sei que agora é moda dizer que as sondagens perderam toda a sua credibilidade, após o fiasco lisboeta, mas o histórico diz-nos outra coisa.
Vem o introito a propósito da última sondagem do ISCTE/ICS para o Expresso/SIC, que coloca o PS na zona da maioria absoluta, BE em queda livre, PCP a definhar mais um bocadinho, PSD muito aquém do necessário para sonhar com a governação, CDS à beira da extinção, PAN perto disso, IL a crescer menos que o perspectivado pela bolha do Twitter e CH a capitalizar à grande com o clima de guerrilha instalado na direita dita tradicional, para não falar no enorme contributo de Rui Rio, que teima em apresentar-se – aos olhos de parte significativa do eleitorado – como potencial muleta do PS.
Adeptos 1-0 Governo
Felizmente, penso que esta é a última vez que tenho de escrever sobre essa aberração idealizada pelo governo socialista chamada Cartão do Adepto. Depois de a mesma ideia falhar em vários países, tal como o redondo falhanço em Itália (Tessera del Tifoso), os socialistas fizeram o melhor que sabem: copiar ideias condenadas ao falhanço e que comprometem a liberdade do cidadão sem qualquer utilidade. O governo socialista demora mais tempo a perceber que ideias deve importar do que o Fernando Santos a perceber que William não é um jogador rápido.
Além da ideia em si ser errada à priori, a sua implantação mostrou-nos que não há defesa possível desta lei. A Iniciativa Liberal propôs o fim do Cartão e adotou esta luta desde há largos meses, à qual o PCP e o Chega se juntaram, apesar de não concordar com as contrapartidas apresentadas pelo Chega na sua proposta. Os resultados práticos deste Cartão foram tão maus que até levaram o arrogante PS a abster-se e a ver deputados votarem a favor da proposta da IL. O pior desta votação foi perceber que alguém que queira um Estado menos invasivo na vida das pessoas não se pode rever num PSD amorfo, que nem contra uma medida que afeta diretamente a liberdade individual de cidadãos, neste caso adeptos, consegue ser. [Read more…]
Rio abaixo, em direcção ao precipício

Entrevistado por Vítor Gonçalves, na RTP, Rui Rio assumiu estar preparado (e determinado) para dialogar com o PS. Para evitar que Costa se volte a virar para BE e PCP, sublinhou. Ou para viabilizar o seu próprio governo, inevitavelmente minoritário, agora que, assegura, não há diálogo possível com o Chega.
Por muito que se possa elogiar este aparente sentido de Estado, mesmo depois de Costa ter feito questão de detonar, com estrondo, a ponte com o PSD, é preciso não conhecer o partido em que se transformou o PSD para cometer este hara-kiri em canal aberto. Um partido em que parte significativa dos seus militantes, altamente radicalizados, agarrados a uma narrativa lunática muito idêntica à pregada pela extrema-direita, defende que vivemos num regime totalitário idêntico ao venezuelano, controlado por um lobby gay-feminista-socialista, financiado pela dupla Soros & Gates, que quer reduzir a população mundial através da ideologia de género, com a lavagem cerebral a começar na escola primária.
Estas pessoas não querem nem ouvir falar de acordos com o PS. Preferem o Chega. A própria IL, para muitas destas pessoas, é uma perigosa agremiação de esquerda. Pessoas que comparam Costa a Salazar e, em caso de dúvida, escolhem o segundo. Rio parece já não conhecer a sua audiência. Paulo Rangel, mais táctico e calculista, agradece.
O Velhaco
Hugo Arsénio Pereira
Tudo correu conforme Marcelo previu
Marcelo ameaçou BE e PCP para aprovarem o orçamento de Estado com a dissolução da Assembleia da República e dissolveu-a.
Marcelo disse que queria eleições o mais rapidamente possível porque o país não poderia continuar sem orçamento, e assim marcou para dia 30, não de Dezembro, embora pudesse ser, mas de Janeiro de 2022.
Marcelo prometeu eleições em Janeiro, embora depois dos desenvolvimentos mui dignos dentro do PSD e do CDS, preferisse marcar as eleições para o dia 43, mas tal não foi possível porque 2002 não será ano bissexto. Ficou a 30 por ser Domingo.
Enfim, tudo previu e tudo aconteceu.

Que mais irá acontecer nas previsões do Presidente da República? Não perca os próximos episódios desta 2º série.
Marcelo a fazer o jogo do PS

A máquina socialista montou o spin, a comunicação social amplificou e o Presidente da República oficializou: não houve orçamento por causa do PCP e do Bloco.
Porém, não houve orçamento porque António Costa colocou à frente o seu interesse pessoal, e por ventura do PS, em vez do interesse do País.
Em orçamentos anteriores, a negociação nunca foi um problema. Até porque muitas medidas foram orçamentadas e depois congeladas devido às cativações.
Porque é que Costa não fez agora o mesmo? O que é que mudou? PSD e CDS em cacos, Chega a crescer e PCP e Bloco em queda.
O que mudou foi a leitura calculista de Costa. Que Marcelo acabou de subscrever. Miséria política!
16 de Janeiro
Razões apontadas: necessidade de clarificação quanto antes, urgência em novo orçamento, blá, blá, blá, tudo em nome do País e dos Portugueses.
[Read more…]Karl Moedas e os transportes públicos gratuitos em Lisboa

Quando, na antecâmara da campanha eleitoral pela CM de Lisboa, Beatriz Gomes Dias e João Ferreira avançaram com propostas para que a autarquia garantisse transportes públicos gratuitos na cidade, a direita arrancou as vestes, “monelhos de cavelo”, e guinchou, em uníssono, o conteúdo da cassete que é hoje a sua imagem de marca: comunismo, extrema-esquerda, marxismo cultural.
Agora, que Carlos Moedas reafirma a intenção de garantir transportes públicos gratuitos “para os mais novos e para os mais velhos”, sem contudo clarificar até que idade se é considerado “mais novo” e a partir de que idade se é considerado “mais velho”, dessa direita histérica acima descrita, que se agita ao sabor do vento e sem um plano para o país, nem um pio.
Contudo, sotor Carlos Moedas, se o objectivo é garantir a descarbonização, é fundamental que clarifique também qual será a situação dos principais utilizadores dos automóveis na cidade de Lisboa, que não são nem os mais novos, nem os mais velhos, mas a população trabalhadora que, regra geral, é mãe e pai dos primeiros, filho ou filha dos segundos. Dito isto, avante, camarada Moedas! Os transportes públicos brilharão para todos nós!
Parabéns, Forbes, acertaste em cheio

Em 2018, ainda a liderar a jota do partido, Francisco Rodrigues dos Santos integrava a lista da Forbes dos “30 jovens mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa, com menos de 30 anos, na categoria Direito & Política”, podia ler-se no jornal Público. Quase quatro anos depois, parece que a conceituada publicação acertou em cheio. Se o CDS acabar por falecer nos próximos dias, ninguém terá brilhado tão intensamente como ele. E, convenhamos, só alguém muito influente consegue uma façanha destas. Não obstante, uma coisa é certa: não foi ele quem deixou o CDS ligado às máquinas. Foram os mesmos que agora abandonam o barco a afundar. Chicão poderá não ser a figura mais preparada e competente, mas pelo menos não é um rato. Podia ser pior.
O PCP e outras mortes anunciadas
Há pelo menos uns 20 anos que ouço a direita, e também alguma esquerda, anunciar a morte do PCP. Over and over again. E os comunistas lá se vão “aguentando”, com o quarto maior grupo parlamentar num hemiciclo com nove partidos, que eram 10 no início da legislatura, e uma sólida terceira posição no mapa autárquico, só ultrapassado pelos dois partidos que controlam o sistema. Caso para dizer, parafraseando Mark Twain, que mais de duas décadas de notícias sobre a morte do PCP foram manifestamente exageradas.
Do outro lado do espectro temos o CDS, também ele fundador da democracia portuguesa. Esteve na AD, esteve nos dois governos de direita deste século, onde ocupou pastas importantes, tem presença autárquica significativa, ainda que, essencialmente, numa relação com o PSD cada vez mais idêntica àquela que Os Verdes têm com o PCP, e, não há muito tempo, a sua anterior líder, Assunção Cristas, afirmava estar preparada para governar o país.
mais um Natal de miséria?
Filipa Martins, a atleta que Marcelo não parabenizou

Marcelo não condecorou Filipa Martins, a atleta portuguesa que alcancou os melhores resultados de sempre num Mundial de ginástica artística. Nem os parabéns lhe deu. Estava muito ocupado a imiscuir-se na vida interna do PSD e a interferir nas negociações do OE22. Não dá para tudo. E, de facto, como a Filipa afirma, e bem, a ginástica artística não tem bola. Nem a senhora se chama Ronaldo. Ou Cristina Ferreira. Ou qualquer outra vedeta televisiva a quem Marcelo ocasionalmente liga, em directo, para parabenizar um nada qualquer.
Sentido de Estado e a memória curta da direita: o caso do irrevogável Paulo Portas

Agora que o chumbo está consumado, e voltando ao spin dos últimos dias, a propósito das críticas que foram sendo feitas à postura do BE e do PCP, esses bandalhos que estavam a enganar o país com uma encenação desavergonhada, confortavelmente instalados no bolso das moedas de António Costa, e que acabariam por vender o seu voto e a sua integridade por cinco tostões, mas que lá se juntaram aos seus detractores para sepultar o que restava da Geringonça – paz à sua alma! – vamos lá viajar até 2013. E vamos de submarino.
Aquando da demissão de Paulo Portas – que era irrevogável, assumia o próprio em comunicado – o país mergulhou numa crise política que significou um aumento de 8% dos juros da dívida pública, qualquer coisa como 2,3 mil milhões de euros. Foi este o preço da birra do último governo de direita: 2,3 mil milhões de euros. Acontece que as convicções de Portas, mais a irrevogabilidade da sua demissão, tinham, também elas, um preço, que Passos Coelho decidiu pagar: promoveu Portas e vice-primeiro-ministro e cedeu mais um ministério ao CDS-PP, desta feita o da Economia, com a pasta a ser entregue a Pires de Lima. E o irrevogável deixou de o ser.
[Read more…]Seis meses sem democracia para pôr tudo na ordem, em versão fast forward

Imagem: DN
Leio estupefacto que, durante não se sabe quanto tempo, Marcelo-Rei-Sol será o único a fiscalizar a acção governativa do governo desautorizado.
Com a anunciada dissolução do Parlamento, todos os caminhos políticos dos próximos meses passam por Belém. Marcelo fica sozinho na vigilância do sistema político: o Presidente passa a ser a única instância de controlo do poder legislativo e político do Governo, passa a ter a última palavra nos diplomas que ainda possam sair da Assembleia da República e até pode condicionar os calendários políticos, em particular dos partidos da direita em fase de eleições internas. Durante cerca de três meses ou um pouco mais, o comando é seu. [Público]
Em 2008, Manuel Ferreira Leite aventou se “não seria bom haver seis meses sem democracia” para pôr “tudo na ordem”. Elucidaram os tradutores das intenções que a então líder do PSD estava a ser irónica. Terá Marcelo-Rei-Sol levado a ideia a sério e, no seu estilo frenético, resolver pô-la em prática, não em seis, mas em “três meses ou um pouco mais”? Na altura, o PS não gostou da possibilidade. Gostará agora?
Já houve coisas a começarem assim. Prefiro não acreditar que acabemos num 24 de Abril. Porém, os indícios são preocupantes. E representam um péssimo sinal para a democracia, esteja esta opção prevista ou não na Constituição que Marcelo-Rei-Sol jurou defender.
Nota: António Costa jogou o seu trunfo da crise política quando a direita está desorganizada, numa possível jogada de ganho político. Marcelo trocou-lhe as voltas, criando espaço para a direita para se organizar. Uma vez mais, o interesse partidário acima do interesse do país.
6 anos de delirante “método Betadine”
Vamos lá ver se entendem de uma vez por todas: raramente (raramente é um eufemismo) o Estado tem dinheiro próprio; os colossais recursos que “gere” (outro eufemismo, a palavra correcta seria “delapida”) resultam dos impostos, contribuições, taxas e “taxinhas” que somos coercivamente forçados a pagar; isto é, o tal “dinheiro do Estado” é produto de uma espécie de “racketeering” em que, legalmente, se obriga o Contribuinte a pagar por uma protecção que depois pode ou não ocorrer (normalmente, não).
[Read more…]Perguntas que importam ser respondidas por PS e PSD.
Perante a quase inevitável dissolução da Assembleia da República e convocação de eleições, é tempo de colocar algumas questões. A primeira terá que ser endereçada ao Presidente da República, irá Marcelo Rebelo de Sousa privilegiar a sua área política, mantendo em funções um governo de gestão, para dar tempo a PSD e CDS de resolverem as respectivas disputas internas? Ou respeitará os superiores interesses do país, marcando eleições para Janeiro?
Aos partidos, em especial os que querem formar governo, PS e PSD, é exigível que se deixem de retórica inútil ou chicana política, discutindo questões passadas e anunciem aos portugueses o que pretendem fazer em assuntos da maior importância para os nossos bolsos. [Read more…]
Marcelo, Rangel e a selfie da filhadaputice
Aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa fez a Rui Rio, ao receber Paulo Rangel em Belém, não na qualidade de eurodeputado, mas na de candidato a líder do seu partido, que vem a ser o mesmo do presidente, tem um nome. Chama-se filhadaputice.
A filhadaputice torna-se ainda mais filha da puta se considerarmos o momento que vivemos, com o chumbo do orçamento iminente, a possibilidade de dissolução da Assembleia da República e as internas do PSD no horizonte. Internas que Rangel está a tentar, a todo o custo, antecipar, correndo atrás de assinaturas para um conselho nacional extraordinário. Terá reunido com o presidente para coordenar o calendário da dissolução da AR? Não sabemos. Mas sabemos que já cheira a sangue e a poder, que Rio está na linha da frente para ser primeiro cordeiro a ser sacrificado e que o velho Marcelo, não o performer das selfies, está oficialmente de volta.
Repito o que já escrevi estes dias: Rangel está em melhor posição que Rio para derrotar Costa nas urnas. E em pior para formar governo, por ter queimado as pontes com o CH, cujos deputados poderão ser fundamentais para a aritmética à direita. Da minha perspectiva, que tenho como prioridade máxima a reposição do cordão sanitário com a extrema-direita do lado de fora, Rangel serve melhor os meus interesses do que Rio. Mas esta sequência de punhaladas nas costas de Rui Rio, à qual se junta agora Marcelo, é reveladora daquilo que poderá vir a seguir. Não surpreende. Rangel tem a escola dos grandes escritórios de advogados neste país. É um lobo com pele de cordeiro. Mal por mal, de Rio sabemos o que esperar.
A encenação, afinal, era à direita
O spin da direita funcionou e o alegado controle da comunicação social por parte da esquerda, sem surpresas, revelou-se mais um embuste bem sucedido da direita. Durante semanas, lemos e ouvimos deputados-cronistas, senadores de Domingo a noite e profissionais do spin, todos a insistir na mesma tecla: o OE22 seria aprovado, sem dúvida alguma, e as difíceis negociações em curso não passavam de uma encenação. PCP e BE estavam, literalmente, no bolso de António Costa. Um esquema bem montado que está aí para nos recordar que os radicais da direita trauliteira passista nunca foram embora. Rangel, como outros antes dele, é apenas a sua mais recente barriga de aluguer. Mas a crise política tem um e apenas um culpado. Chama-se António Costa. Foi ele que não quis aceitar os termos dos partidos de esquerda para garantir o seu apoio. A ver vamos, se a esquerda ainda vai a tempo de sacar um coelho da cartola até Quarta-feira.
Paulo Rangel, a crise política e a incompetência da direita
Apesar de situação delicada em que se encontra a esquerda e, em particular, o governo de António Costa, o PSD decidiu, uma vez mais, dar a mão ao regime vigente. Bem sei que Paulo Rangel tinha a coisa bem estudada, montou e pôs um prática um plano bem pensado e estruturado, e até contou com o contributo de altas personalidades do partido, que, de forma mais ou menos dissimulada, se prontificaram a apoiar o assalto ao castelo da São Caetano. Azar o deles, a política não é uma ciência exacta e as sondagens autárquicas não se confirmaram, oferecendo a Rui Rio um prémio de consolação que foi bem para lá do expectável e daquilo que está direcção do PSD podia aspirar. E que pôs em causa o plano de Paulo Rangel, que contava com um desaire nas Autárquicas para chegar, sem sobressaltos, ao topo da hierarquia do partido.
Sucede que já era tarde demais para Rangel recuar. E com o exército passista mobilizado à sua volta, com a perspectiva de regressar ao governo e de pôr as mãos na bazuca, colocar o plano em lume brando já não era opção. Vai daí, Rangel não teve outra opção que não fosse avançar. E Rio, com toda a legitimidade, decidiu defender a sua posição, depois de três anos e meio de travessia no deserto. É natural que não queira ser o António José Seguro de alguém que, ainda há meses, dizia estar de pedra e cal com o ainda líder do PSD. E com razão, diga-se. E escrevo isto com a certeza que Rangel está em melhores condições para derrotar Costa nas urnas.
[Read more…]Ricardo Salgado e a ala psiquiátrica de Caxias

Irmgard Furchner, uma alemã de 96 anos que, aos 18, era secretária no campo de concentração de Stutthof, começou esta semana a ser julgada por alegadamente ter contribuído para a morte de 11412 vítimas da barbárie nazi. Atrás da secretária.
Furchner não é a primeira nonagenária a ser chamada pela justiça alemã, pese embora as dúvidas sobre o seu envolvimento directo naquelas mortes. Tinha 18 anos, estava, como a maior parte dos alemães daquele tempo, brainwashed pela propaganda nazi, cumpria as ordens – administrativas – que lhe eram impostas e é pouco provável que tenha disparado algum tiro ou ligado as câmaras de gás. Apesar de tudo isto, a justiça alemã não teve dúvidas nem vacilou. A justiça é para cumprir e os alemães não brincam. Talvez isso ajude a explicar muita coisa.
[Read more…]









Recent Comments