Deixem os impostos em paz

Portugal está em ebulição com os mais recentes aumentos do preço dos combustíveis, que se juntam a toda uma factura fiscal para lá de obscena, que já o era, bem antes das últimas subidas. Não pela sua dimensão, que continua a ser, no global, inferior à de algumas das nações mais prósperas do planeta, mas porque o retorno que os contribuintes recebem do Estado português está longe, a anos-luz, de ser proporcional ao esforço fiscal a que são submetidos.

Em bom rigor, e olhando para os números e para os factos, não para alguma propaganda libertária ou ultraconservadora anti-Estado, parece-me inegável que as democracias mais prósperas do planeta, a todos os níveis, nomeadamente aqueles que verdadeiramente interessam ao grosso das populações, como os sistemas de saúde, a educação, a segurança social, o auxílio a trabalhadores desempregados, o apoio às franjas mais desfavorecidas e/ou excluídas e, claro, o bem-estar geral e índices de felicidade, são aquelas que aplicam taxas mais elevadas sobre os rendimentos do trabalho e/ou de capital, com o caso dos países nórdicos à cabeça. Não há como contornar isto. A diferença, claro está, reside na proporcionalidade e no rigor da gestão da coisa pública.

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Propostas concretas? Re-jei-ta-do!

    Relembro que este Projecto de Lei, proposto pelo Bloco de Esquerda, foi apresentado em Setembro passado na Assembleia da República. Há por aí uns partidos de direita a barafustar contra impostos sobre combustíveis (quando na semana em que os impostos descem miseravelmente, as gasolineiras aumentam o preço do combustível – acreditar na boa intenção do mercado é só risível) e contra o preço dos combustíveis.
    Mas eu relembro:
  • Em Setembro, foi votado o Projecto de Lei do Bloco de Esquerda que pretendia introduzir um regime de preços máximos nos combustíveis, adoptando medidas anti-especulação que evitem a subida generalizada dos preços impulsionada pelo mercado.
    O Projecto de Lei foi rejeitado com os votos contra do centrão onde, na AR, costumam fazer filão para combater a Esquerda (PS, PSD e CDS); e com os votos contra dos populistas neo-fascistas do CH e dos populistas de outdoors neo-liberais da IL. O PAN, sempre tão lesto na defesa do bóbi e do tareco, absteve-se.
    Sei bem que isto não passa na TV; ora porque não convém expor a hipocrisia dos partidos do centro e da extrema-direita, ora porque é mais fácil fazer barulho sem que se perceba uma vírgula do que se está a dizer. Mas aqui está: relembre-se.

Monólogo venturoso

Nós somos a favor dos portugueses de bem, somos contra os bandidos, também não gostamos da violência, mas os bandidos deviam era estar presos, somos contra qualquer espécie de violência, mesmo a das espécies mais evoluídas, quando mandarmos vai acabar a bandalheira do twitter, temos um problema com os ciganos, somos orgulhosamente portugueses, temos orgulho na história pátria, a senhora deputada Joacine devia ser devolvida à terra dela, violência é que nunca, somos violentos contra a violência, não é contra as pessoas, tirando os bandidos e os ciganos, que ou não são portugueses ou não são de bem, eu não tiro fotografias com bandidos, prefiro tirar fotografias com portugueses de bem, como os neonazis que estão no meu partido, os políticos deste país são uma vergonha, tirando eu, que cumpri o que prometia, demitindo-me e candidatando-me logo a seguir, numa demissão assim mesmo a sério, somos contra a violência dos nossos partidários de Viseu que agrediram um paneleiro que talvez não fosse homossexual, mas o problema de Portugal é a comunidade cigana, tal como essa gente que vive de apoios, ao contrário dos banqueiros que vivem do Alzheimer.

Somos governados por negacionistas

Nestes tempos que vivemos, aos olhos do Estado e sua armada, a linha entre céticos e negacionistas é bastante ténue. Toda e qualquer atitude que questione decisões do Governo ou das altas instituições em relação à pandemia é intitulada de negacionismo. Os progressistas de antigamente combatiam o sistema em busca de algo mais, os de hoje tornaram-se servos do Estado sem saber muito bem porquê. Talvez por todos termos cada vez mais poder nas mãos, podendo dar opiniões em plataformas ao alcance de qualquer um, boa parte da sociedade deixou de reconhecer o cinzento e tornou tudo numa questão de preto ou branco.

Questionar a necessidade de máscaras com 85% da sociedade vacinada é negacionismo? Questionar a necessidade de máscaras em salas de aula com indivíduos vacinados e que pertencem a um grupo etário com taxa de mortalidade praticamente nula, prejudicando a aprendizagem e dando mais probabilidade a problemas de saúde a longo prazo, é negacionismo? Questionar a eficácia das vacinas, devido aos rumores de uma possível terceira dose ou não, é negacionismo? Questionar as imposições feitas às pessoas que são divididas entre vacinados e não-vacinados é negacionismo? [Read more…]

Spin orçamental

António Costa, por vezes, parece esquecer-se que chefia um governo minoritário. E como chefia um governo minoritário, e rejeitou acordos escritos com outros partidos no início da actual legislatura, não tem outra alternativa que não seja negociar com as restantes forças políticas, sujeitando-se a parte do caderno de encargos dos partidos de quem pretende obter votos favoráveis ou abstenções.

Fazer rodar o spin “o país não vai compreender se os restantes partidos chumbarem o OE22” até pode servir para consumo interno, mas, para lá dos limites do Largo do Rato, não cola. O que o país não vai compreender é se Costa recusar aceitar as exigências dos restantes partidos e, ainda assim, lhes imputar a responsabilidade pelo chumbo do orçamento. Não pode. A responsabilidade é sua. O governo, não a oposição, é quem tem a exclusiva responsabilidade de fazer aprovar o SEU orçamento. E se não está disponível para o fazer, que se sujeite às consequências. E que nos poupe a spins de mau pagador.

Eu Apoio: Médio-Prazo-Memória-Curta

Em 2019, Paulo Rangel, em entrevista ao Diário de Notícias, revelava o seu apoio incondicional a Rui Rio. 

Dois anos volvidos, o que mudou? Dois anos de distância são curto, médio ou longo prazo? Paulo Rangel estará confuso agora? Ou estaria confuso em 2019? E quando Rui Rio era presidente da CM do Porto e Paulo Rangel auxiliava nos assuntos jurídicos, pondo ao seu serviço a CuatreCasas, sociedade de advogados representada por Rangel? Também estaria confuso?

E é assim, na espuma dos dias e no cavalgar da fraca memória dos portugueses e da opinião pública, que Paulo Rangel montou todo um cenário diabólico acerca de Rui Rio, conseguindo até, no entretanto, jogar a cartada do ‘coitadinho’ (desengane-se quem achar que os timings do vídeo da bebedeira em Bruxelas e da saída do armário – do PSD – foram coincidência) e, com isso, que dele se falasse – a estratégia do “bem ou mal… falem de mim!” é por demais conhecida à direita.

O Partido Popular Democrático caminha, a passos largos, para um enterro cada vez mais inevitável. Uma coisa é certa: Pedro Passos Coelho matou o PPD/PSD, Rui Rio abriu a cova; e agora, só falta que Paulo Rangel, mais um incapaz, comece a atirar-lhe a terra para cima. Mais depressa se apanha um troglodita no PSD do que um santo numa igreja.

Isto faz todo o sentido.

Another esquema do Chega, exposed

Ontem foi dia de um daqueles eventos que começa a ser um clássico por cá. Uma manifestação contra os preços obscenos dos combustíveis, alegadamente espontânea e de iniciativa popular, era afinal mais um truque mal disfarçado dos suspeitos do costume. Suspeitos esses que se estão nas tintas para o preço, que não pagam ou não lhes pesa, mas que pretendem, através destas acções de guerrilha, cavalgar o descontentamento popular. Nada de novo, claro está. Copiado do textbook do facho Bannon.

Quanto ao preço dos combustíveis, nada de novo também. Mais uns cêntimos, para tornar ainda mais revoltante uma situação já de si insustentável, que não há meio de ser invertida, pese embora a esmola ontem anunciada. Mas não é só nos combustíveis que esta situação se tornou insustentável. É a factura global, a todos os níveis, que assumiu proporções de assalto à mão armada. O problema, contudo, não são os impostos. O problema é a não proporcionalidade do retorno que daí resulta. Deixarei essa reflexão para uma outra posta, mas deixo desde já uma declaração de interesses, que não será particularmente popular: sou a favor de um modelo de gestão pública no qual os impostos, sempre progressivos, são necessariamente elevados. A contrapartida, porém, não pode ser um Estado falido, mas um Estado que devolve esse esforço aos cidadãos sob a forma de uma rede de serviços públicos abrangente, funcional e gerida com rigor. É assim nas democracias mais avançadas do planeta, e é isso que sonho, um dia, para o meu país. Um país livre de flatulências trumpistas, sublinhe-se.

CLICKBAIT: De Nick Brewer a Raquel Varela

Na série “Clickbait”, da Netflix, Nick Brewer é raptado e acusado de ter assassinado uma mulher. Aos cibernautas é pedido que divulguem o vídeo onde Nick segura cartazes onde supostamente assume a acusação e prometem consumar a vingança assim que o vídeo atinja os 5 milhões de visualizações. A série explora muito bem o ambiente doentio que se vive à volta da cultura do cancelamento, capaz de levar até às últimas consequências as conclusões sobre qualquer caso, mesmo quando se está longe de ter todos os elementos de análise sobre um determinado assunto. Para estes novos Torquemadas a verdade é um detalhe praticamente irrelevante, posto que jogam tudo na guerra pela percepção e nas respectivas consequências, em si suficientes, caso bem sucedidas, para atingir os seus objectivos.

Ao contrário do sistema de justiça, e também ao contrário do que devem ser os pressupostos do jornalismo de investigação, a justiça digital não precisa de factos, nem de contraditório, nem de verificação de dados. A acusação basta. A narrativa dessa acusação é o fio condutor que vai convencendo aqueles que clicam antes de pensar e aqueles que clicam com os olhos postos nos seus desejos e não na realidade. Em qualquer caso de clickbait importa mais a percepção do que a verdade, mas isso não basta para que todos acabem a comer gelados com a testa.

Nas últimas semanas, onde o “caso Raquel Varela” tem persistido em algum alinhamento, percebemos que aqueles que acusaram a historiadora de fraude, apostaram tudo nesse enviesamento, numa sucessão de estórias sem história, de casos sem casos, onde mais do que a verdade, prontamente desmentida com factos, bastaria a percepção da fraude para ganhar a maioria da opinião pública e ferir a credibilidade da figura nos vários contextos onde exerce a sua actividade. Ora, sem exorbitar da paciência de ninguém, vejamos o tema em cada um dos eixos que se foram sucedendo na imprensa que desistiu de fazer jornalismo:

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Não te “Isaltes”: a falta de tino

O famigerado ex-condenado, presidente vitalício da CM de Oeiras, na SIC Notícias

Sobre isto, só me apraz citar Jorge Palma, em ‘Jeremias, o Fora da Lei‘:

(…) Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade,
Muito embora eu tenha a esse respeito uma opinião bem particular…
É que enquanto o criminoso tem uma certa tendência natural p’ra ser vitimado,
Jeremias nunca encontrou razões p’ra se culpar (…)

André Ventura, o candidato a Miguel de Vasconcellos de Abascal

Em 2020, a propaganda do neofranquista Vox apresentava um mapa de Espanha no qual Portugal surgia anexado, como se o 1 de Dezembro de 1640 não tivesse acontecido. Por altura do sucedido, André Ventura fez um dos seus números de contorcionismo e exigiu um pedido de desculpas ao partido do aliado Abascal, pedido esse que nunca aconteceu. E logo aqui vemos o patamar de nacionalismo em que se encontra o Chega: o da chalaça.

Seria de esperar, da má velha extrema-direita, que, perante ausência do vigorosamente exigido pedido de desculpas, se seguisse uma acção mais musculada, ou mesmo um corte de relações institucionais. Por muito menos – a data de um congresso – cortou com o CDS. Mas nada aconteceu, perante este insulto a ocidental praia lusitana. Aliás, tivemos até André Ventura a lamber as botas de Abascal, na passada semana, e a gritar “Viva España” num comício da extrema-direita espanhola. Querem ver que o projecto mal parido de Francisco Franco já ofereceu a Ventura uma pasta ministerial no hipotético governo da Ibéria?

Entretanto, o Vox voltou esta semana a cuspir na nação portuguesa e a apresentá-la, em novo mapa, como um anexo de Espanha. E de Ventura nem um tweet furioso, como é seu hábito por tudo e por nada. Nem piou. Meteu a viola ao saco e bateu a bola baixa. E aqui se vê a determinação e o nacionalismo do líder da extrema-direita. O amor à pátria termina onde começam as suas alianças políticas. Um hipócrita, portanto. Nada de novo.

Cavaco, algures entre o ódio e a mentira

Na ânsia ressentido e ressabiada de atingir o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, Cavaco Silva decidiu reescrever a história e afirmar que o governo do Syriza, “arruinou a economia do país”. Sucede que a economia grega há muito que estava arruinada, após anos de desgovernos do PASOK e do Nova Democracia, mais as épicas manobras de engenharia financeira que permitiram ao país, com a ajuda do Goldman Sachs, ludibriar as autoridades europeias para garantir a adesão da Grécia ao Euro. Foi aqui que começou a destruição da economia grega, em 2001, não em 2015, quando o Syriza chegou ao poder. O Syriza é criticável por inúmeros motivos, mas não foi esse governo que destruiu a economia grega. A economia grega estava em frangalhos há mais de 15 anos. Cavaco sabe-o, perfeitamente, mas opta pela fabricação de “factos alternativos” à la Trump. Não surpreende. Este é o mesmo Cavaco que disse ao país que podíamos confiar no BES, dias antes do estouro, e que praticamente insultou uma jornalista que o confrontou com essas palavras. A honestidade não lhe assiste. Nunca assistiu. Nem que nascesse duas vezes.

IRS e bazuca – preparação das legislativas de 2023

As alterações dos escalões de IRS a serem propostas para o OE 2022 incidirão, obviamente, sobre os rendimentos de 2022. Significa que a diminuição de impostos que venha a existir, seja em maior ou menor escala, será visível em 2023, algures entre Abril e Junho, na altura do reembolso.

Este anúncio terá impacto real nas vésperas das legislativas de 2023.

Quanto ao ouro do Brasil, perdão da bazuca, quero dizer, a oportunidade irrepetível (depois do dinheiro da CEE, fundos estruturais, etc.), digo, do PRR, neste ano já nada acontecerá. Para o ano será a apresentação e aprovação de projectos. Os quais se concretizarão em 2023. Ano de legislativas.

Ao se manifestarem contra o OE, PCP e BE já terão feito as contas eleitorais. O PS também.

Salamaleques

É interessante ver toda esta encenação de entrega do Orçamento do Estado pelo Ministro das Finanças ao Presidente da Assembleia da República. Ou melhor: a proposta de Orçamento do Estado.

Nenhuma outra “proposta”, é tratada com semelhante solenidade.

Numa república, esta solenidade não passa de uma encenação absurda. Ridícula.

Não contribui em nada para a identidade nacional, para a coesão do país, ou para a dignificação do que quer que seja.

Tanto mais que, numa governação minoritária, a aprovação do Orçamento do Estado é, cada vez mais, uma etapa de sobrevivência do Governo em exercício para mais um ano.

Uma solenidade de tiques palacianos num país em que 20% da população é pobre. Sim, temos 2 milhões de pobres em Portugal, e o número continua a aumentar. E andamos a perder tempo com mesuras teatrais e patéticas.

O Titanic afunda-se, mas a orquestra está preocupada em afinar os instrumentos para o baile que se segue.

Quando o cavaquismo censurou Herman José

O ano era 1996, o primeiro-ministro António Guterres e a Igreja Católica ainda não tinha vergonha de demonstrar publicamente o seu enorme poder e influência. No olho do furacão estava o sketch “A última ceia”, integrado no programa Herman ZAP, alvo de tentativa de censura pelas forças alinhadas à direita. Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD e da oposição, juntou-se ao coro de críticas da restante direita e da Igreja Católica, num esforço conjunto de cancelar o pai de todos os humoristas, mas a direcção da RTP, na altura liderada por Joaquim Furtado e Joaquim Vieira, não cedeu e deixou o episódio ir para o ar.

Desfecho diferente teve um episódio idêntico, em 1988, quando um sketch de outro programa de Herman José, Humor de Perdição, foi censurado em directo. O primeiro-ministro de então chamava-se Cavaco Silva e o controle da RTP tinha sido por ele entregue a Coelho Ribeiro, um operacional fascista da máquina da censura do Estado Novo, que o cavaquismo reciclou e colocou em posição de poder, onde teve a oportunidade de regressar à actividade censória, que, pelo menos nest caso, executou com distinção.

Cavaco Silva, que colocou um alto quadro da ditadura salazarista a controlar a RTP, não tem autoridade nem moral para falar em ataques à liberdade de expressão ou à democracia, na medida em que foi directamente responsável por alguns episódios de censura e de algumas tentativas de amordaçar a democracia. Já tem é idade para ter juízo, deixar de ser hipócrita e não fazer estas figuras.

Contra o Orçamento do Estado para 2022 (1/2)

Accorder un participe est une question délicate ; la difficulté, en outre, commence avec la terminologie. La nomenclature grammaticale est ancienne, parfois arbitraire (voir les innombrables « compléments circonstanciels » mal définis), souvent maladroite (le possessif ne « possède » pas toujours).
Bernard Cerquiglini

Can I smoke on television?
Kurt Cobain

***

No dia 13 de Outubro de 2020 (faz amanhã um ano), avisei: «para o ano, infelizmente, haverá mais».

Efectivamente, houve.

Com efeito, além da Teoria dos Leilões, premiada no ano passado, na véspera da entrega do OE2021 na Assembleia da República, também as experiências naturais, premiadas ontem, no dia da entrega do OE2022, são importantes para percebermos este processo. Sabemos que a ideia de base do recurso a experiências naturais para a avaliação de determinadas medidas é a seguinte: o que teria acontecido se tais medidas não tivessem sido adoptadas?.

Eis uma amostra daquilo que não teria acontecido ao Relatório do Orçamento do Estado para 2022, se redigido com recurso às regras ortográficas de 1945/1973: [Read more…]

Rui Fonseca e Castro já não é juiz

O Conselho Superior de Magistratura decidiu hoje demitir Rui Fonseca e Castro, alegando que o ex-juiz incentivou à violação da lei portuguesa e das regras sanitárias. Uma decisão que peca por tardia.

Rui Fonseca e Castro é, há meses, um dos elementos mais tóxico na sociedade portuguesa. Pode sê-lo, e é livre de desafiar o director nacional da PSP para andar à porrada, ou de arrotar outras idiotices que caracterizam as suas redes sociais, mas não pode presidir a julgamentos de manhã, e proferir sentenças, para, de tarde, incentivar a violação da lei, ameaçar agentes da PSP e acusar, sem provas, que político A ou B é pedófilo.

Também pode – e imagino que seja esse o plano, há muito – criar o seu próprio partido, com o seu rebanho de negacionistas e chalupas, mais as senhoras do grafeno e do açaime, e entrar em choque com André Ventura, de preferência num octógono de lama. Acho que lhe assenta bem e malta que quer dividir ainda mais a extrema-direita é sempre bem-vinda. Julgar pessoas é que não. Nunca mais. Que vá pela sombra.

Delito de opinião

Foram os procedimentos ou o que disse Rui Fonseca e Castro que o conduziu à sua expulsão? A capacidade do CSM para avaliar os seus pares é selectiva.

Como resolver os problemas do país em três tempos

As notícias têm sido recorrentes. Vários sectores profissionais têm piorado de ano para ano. Porém, a solução é extremamente simples, como veremos.

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João Rendeiro e Cavaco Silva: uma pequena história com pouco interesse

João Rendeiro, o gangster financeiro do BPP que soma acusações e condenações, fugiu do país. Era expectável. Um criminoso condenado, a quem era permitido viajar sem limitações, foi dar um passeio a Inglaterra mas acabou por se escapulir para um país sem acordo de extradição com Portugal. Era interessante saber que juiz permitiu que viajasse para fora do país, com uma condenação que já transitou em julgado. Se fosse o juiz Ivo Rosa já se sabia, mas este deve ser dos bons e só se enganou desta vez. O gajo era capa das Exames da vida, em princípio era bom rapaz. Deve ter sido isso.
Importa clarificar que João Rendeiro, ao qual a imprensa habitualmente se refere como “banqueiro”, e só como “banqueiro”, é alguém que, noutra vida, circulou nos corredores do poder. Em 2006, João Rendeiro foi um dos principais financiadores da primeira campanha presidencial de Cavaco Silva, atribuindo aos político dos políticos o donativo máximo permitido por lei (22.482€), a par de personalidades tão distintas como Ricardo Salgado ou Oliveira e Costa. A fina flor da banca portuguesa, que sempre encheu as contas bancárias das campanhas de Cavaco.

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Portugal não é a Hungria

Sinto a minha inteligência insultada, verdadeiramente insultada, sempre que me tentam vender a narrativa da imprensa nacional no bolso de Costa, ou dependente das suas ordens, ou condicionada na sua actividade pelos humores do Partido Socialista. Bem sei que o poder, aqui como em qualquer lado, tem algum ascendente sobre algumas redacções, e Portugal não é excepção, mas basta olhar para quem manda nos jornais, rádios e televisões, analisar para que lado do espectro pende a maioria dos cronistas, perceber o fosso que existe, nas TVs, entre a quantidade de comentadores afectos aos partidos de esquerda e aos partidos de direita (com os casos gritantes de CDS e PCP, o primeiro por ter uma presença largamente superior à sua representatividade, o segundo por praticamente não existir, apesar de ser a quarta força no Parlamento e a terceira ao nível autárquico), entre outros aspectos – cuja enumeração exaustiva não pretendo fazer, por não ser disso que se trata esta pequena posta – para perceber o que realmente se passa neste país.

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Pandora Papers: o regresso do capitalismo trafulha

Pepe Guardiola, Shakira, Rafaelle Amato (histórico padrinho da Camorra), Tony Blair, Andrej Babis (PM checo) e Abdullah II, rei da Jordânia. O que une todas estas figuras, milionárias e multimilionárias, do futebol à política, republicanos e monárquicos, músicos e barões da máfia? Neste caso é a ganância e a determinação de querer e conseguir fugir aos impostos, usando para tal esquemas rebuscados desenhados por vigaristas financeiros, com recurso a paraísos fiscais e lavagem de dinheiro.

Depois do Panamá, Bermudas, Malta e Luanda, o mais recente sucesso de bilheteira do ICIJ chega-nos de várias localizações em simultâneo, como as incorruptíveis Ilhas Virgens Britânicas e as igualmente impolutas Bahamas. Sim, as elites mundiais não se contentam com os luxos que os seus talentos, heranças ou assaltos lhes permitem usufruir. Não chega. É preciso fugir aos impostos, lavar dinheiro e aldrabar a populaça. E Portugal, como sempre, tem uma representação de peso: Manuel Pinho, icónico ex-ministro socrático, Morais Sarmento, ex-ministro de Durão e actual vice de Rui Rio, e Vitalino Canas, ex-secretário de Estado de Guterres, são os primeiros nomes a surgir em mais um escândalo internacional de trafulhice financeira.

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O silêncio também fala

A vida é feita de acasos.

Oferta de Emprego! Estamos a recrutar!

Oferta de emprego:

Deputado CDS/PP – Lisboa (M/F)

Tipo de oferta: full-time, até ao fim desta legislatura (2019-2023)

Funções:

  • Precisa-se deputado(a) para exercer funções na Assembleia da República;
  • Necessário bater palmas e dizer “muito bem” sempre que um deputado do partido faça uma intervenção;
  • Estar no hemiciclo em dia de votação e apoiar publicamente as posições do Dr. Chicão, mesmo que possa não ter percebido o alcance das mesmas.

Requisitos:

  • Damos preferência a candidatos que não gostem dos partidos de esquerda;
  • Boa apresentação.

Resposta urgente ao Largo do Caldas!

Ai aguenta, aguenta

Oliveira e Costa do BPN morreu livre e a rir-se.
Ricardo Salgado do BES passeou-se na Sardenha, livre e sorridente.
João Rendeiro do BPP já está no Belize a espalhar protector solar no bucho. E a rir. 
A ministra da Justiça (ainda) não sabe o que se passou mas garante que não quer mudar nada, afirmou-o para nos fazer rir. 
 
O país vai continuar a aguentar tanto roubo e impunidade? Como disse Fernando Ulrich do BPI, “ai aguenta, aguenta.”
Enquanto houver para roubar, autoridades a deixá-los emigrar e mexilhão para esmifrar, então é aguentar.
Aguentar e não fazer barulho para não passar por eleitor do Chega ou extremista. 
 
Vaselina em baixo e atrás 
Mordaça em cima e à frente 
E débito directo as Finanças porque há muito roubo para abonar.
É calar, pagar e aguentar.   

O actual SG da ONU não estará de acordo com isto:

«Já sabíamos que as eleições autárquicas não resolvem problemas nacionais, não definem o panorama político legislativo e parlamentar, nem têm directa interferência no governo» (António Barreto, Público, 27/09/2021).

António Costa, o vencedor das Autárquicas 2021

Confesso que estou surpreendido com alguns comentários e comentadores que falam numa grande derrota do PS. E se é verdade que as derrotas de Coimbra e Funchal eram expectáveis, a queda de Medina é a grande surpresa da noite e um ponto importante para o PSD, que regressa ao poder na capital. Mas, sejamos sérios: controlar a capital vale por isso mesmo, pelo controle da capital, mas não equivale a vencer as eleições. E o controle que Moedas exercerá sobre a capital, convenhamos, tem muito que se lhe diga, na medida em que a sua coligação tem 7 vereadores, o PS outros 7, o PCP tem 2 e o BE tem 1. O mesmo se passará na Assembleia Municipal, onde Moedas não tem maioria e a direita tem menos quatro representantes do que a esquerda. Pelo que Moedas tem duas opções: ou negoceia à esquerda, ou não governará.

O que ganha eleições autárquicas, como em anos anteriores, é a conquista de mais câmaras municipais e freguesias. O PS conquistou 148, o PSD, sozinho ou nas múltiplas coligações em que se envolveu (e aqui vou incluir as câmaras do CDS, para dar volume à coisa) não chega às 120. Serão 119, se não estou em erro, menos 29 que o PS. Significa isto, portanto, que o PS mantém o controle sobre a Associação Nacional de Municípios.

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Unicórnios e megalomanias

As propostas de Carlos Moedas para Lisboa incluem: uma fábrica de unicórnios, um centro mundial da economia do mar, o Parque Mayer transformado em centro nacional de Cultura, a construção de um Novo Centro de Congressos de Lisboa…

Dá vontade de fugir.

 

“Enquanto há Moedas, há amigos”: a noite eleitoral onde todos ganham e ninguém perde

A vitória de Carlos Moedas em Lisboa, apoiado por uma coligação com pelo menos uma mão cheia de partidos, teve um condão: o de fazer esquecer o PSD da estrondosa derrota autárquica que teve.

Se hoje lermos o que dizem militantes e simpatizantes do PSD, parece-nos (e confunde-nos) que o partido foi o grande vencedor da noite eleitoral. Não foi; está no lote dos 3 maiores derrotados, ao lado da CDU e do meu BE.

Em sentido contrário, pelo que lemos e vemos, parece que o PS foi o maior derrotado, quando, analisados os resultados, pode até ter saído reforçado destas eleições. Sim, a CM de Lisboa é a maior Câmara do país; mas não é a única, e tampouco é mais do que qualquer outra. No geral, podemos dizer, apesar dos resultados do BE e da CDU, que a esquerda ganhou as eleições, à boleia do PS (o que se pode repercutir nas próximas legislativas). A direita, por seu turno, teve vitórias residuais (PSD em Lisboa, Coimbra ou Funchal, por exemplo) e, no restante, foi à boleia do Chega (este último que consegue índices interessantes de votação em territórios onde grassa mais pobreza e falta de alfabetização). [Read more…]

Compreender os lisboetas

Na passada sexta-feira fui ao futebol, assistir ao Sporting C.P. – C.S. Marítimo em Alvalade. Nas imediações do estádio, que frequento há dezenas de anos, é sempre complicado conseguir um lugar de estacionamento, à medida que se vai aproximando a hora do jogo. Quando se trata de jogos grandes, as dificuldades aumentam. Longe vão os tempos em que até se estacionavam carros na 2ª circular, em dias de futebol nos estádios da Luz ou Alvalade, mas sempre existiu alguma benevolência das autoridades, para com viaturas estacionadas em cima de passeios ou mesmo de forma irregular, estreitando a via, desde que não se coloquem em causa o acesso a garagens ou estacionamentos, ou condicionem os acessos a prédios, armazéns ou estabelecimentos, ou se criem constrangimentos à circulação. [Read more…]

Não é vitória. É castigo

Em 2001, Fernando Gomes perdeu a Câmara do Porto, por castigo.

Foi o preço por ter aceite trocar a cidade do Porto, pelas delícias do estatuto de Ministro-adjunto e da Administração Interna na capital do império em 1999, em pleno mandato de Presidente da Câmara do Porto.

As gentes do Porto não gostaram da troca. E, tal como a mulher abandonada que vê à porta o marido regressado da casa da amante, porque as coisas não deram certo, as gentes do Porto bateram-lhe com a porta na cara.

Rui Rio, contra os oráculos, tornou-se presidente da Câmara do Porto, porque Fernando Gomes foi castigado pela infidelidade.

Ontem, as gentes de Lisboa não deram a vitória a Carlos Moedas: castigaram Fernando Medina.

O socialista, há poucos dias, tinha sido considerado pela esmagadora maioria dos inquiridos numa sondagem, como mais arrogante do que Carlos Moedas.

Foi a permanente arrogância de Fernando Medina, a principal razão do castigo. E o caso das informações às embaixadas – e, pior, o modo como lidou com todo o processo a salvar o seu gabinete de apoio e queimar na praça pública um funcionário -, caiu mal. Muito mal.

Até porque os valores de Abril, são queridos por muita gente que não é comunista ou sequer socialista. É gente de um centro social-democrata que sem cravos ao peito, defende, também, a democracia, a liberdade, a igualdade, o direito à manifestação, à privacidade, à inviolabilidade da sua correspondência e o respeito pela dignidade da pessoa humana. E, também, não suporta bufice. [Read more…]