Vigília pela Educação já mexe

A Vigília já está a mexer e até o sr. Ministro começa a dizer coisas – sabemos que ninguém vai ser despedido agora, mas sabemos que a esmagadora maioria dos docentes contratados não vai ser contratado, isto é, vai ser despedido. Mas e amanhã, o que vai acontecer aos Docentes dos Quadros? Poderá o Ministro garantir isso? Claro que não!

As notícias sucedem-se e a República vai mesmo sair à rua: no Diário de Notícias, na RTP, no Público.

Mais do que uma questão de Professores, trata-se de defender a Educação, o serviço público de educação e em particular a Escola Pública.

Um movimento de pessoas que não desistiu, que não desiste e por isso amanhã vou estar na Praça da República.

A Educação nas ruas da República – vigília dia 18 de madrugada

A Escola Pública pegou fogo!

Já não dá para aguentar mais!

Está na hora de sair à rua. Depois da fantástica manif de Lisboa, está na hora de continuar a lutar pela Educação.
Das redes sociais surgiu uma ideia simples, mas que pode ser eficaz:

Vigília toda a noite de 18 para 19 de julho, em todas as capitais de distrito.

Lema: “Que nenhum português fique em casa!”

Em Lisboa seria junto ao parlamento, onde, nestes dois dias se vai discutir Educação.

Nas outras capitais, nas respetivas Praças da República como símbolo da importância da Educação para a República. Umas violas, umas telas para umas pinturas, uns poemas e teremos uma noite…

Começamos às 19h de 4ª feira. Uns poderiam ir dormir ou ficar…

Mas todos regressavam com o sol para terminar ao meio dia. Fica a dica….

Vamos a isso?

A ideia é mostrar à população que está em causa a Escola Pública com o aumento dos alunos nas turmas, com a redução das horas de apoio, com menos tempo para trabalhar matemática e língua portuguesa, com o fim dos CEF e dos Profissionais, com a estupidez dos Mega-agrupamentos.

Não se trata de coisa de professor!

Estamos a falar da Escola como um direito e da Escola como um pilar da Democracia e da República!

Vamos fazer da noite de dia 18 uma noite histórica – a noite em que Portugal saiu à rua para lutar pela Escola!

Pelo DIREITO dos Portugueses à Escola Pública

Às 15h no Rossio!

Pelo teu direito à Escola e à Educação, eu vou!

Nos últimos dias tenho passado por dezenas de escolas do grande Porto e a confusão está instalada. As medidas do comentador televisivo Nuno Crato são de tal forma absurdas que são já os alunos a sofrer com toda esta trapalhada. E os professores, enquanto classe, estão a acordar!

As continuidades, os projetos, as investigações, tudo e mais alguma coisa valem zero para os burocratas que têm a missão de empurrar a Escola Pública, tal como o Sistema Nacional de Saúde, para um cantinho da nossa sociedade – não me surpreende, por isso, o acordar da classe média. É um acordar contra a degradação e contra a privatização da educação e da sáude.

A receita laranja é simples e pode explicar-se em breves linhas: [Read more…]

Concursos de Professores – alguém sabe as datas?

Depois da dúvida sobre a propriedade do Porsche, esta é a dúvida mais importante do momento.
O mês em que tudo se decide numa escola começou e do MEC, nada! Zero!
As direções não sabem quantas horas terão que atribuir a cada professor – os professores não sabem se vão ou não continuar na escola.
Do calendário escolar “ouviu-se falar” num projeto de despacho.
Mas, quanto ao resto, nada. Que disciplinas? Quantas horas? Que concursos? Quando?
Apetece perguntar, quantos colégios privados estão com esta dificuldade?
Quantos, num mês crucial para a preparação do ano letivo, estão nesta situação?
É cada vez mais evidente a matriz privatizadora deste governo. Mas, no caso da Educação usam uma estratégia assustadora – matam o serviço público de educação para “forçar” a mudança para o sistema privado.
Também foi assim na Argentina, até os argentinos terem corrido com o Banco Mundial e o FMI.

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Desporto em Portugal – finalmente!

Há duas vantagens na pontaria do Bruno Alves. Não, não estava a pensar nas questões traumáticas dos adversários.

A primeira vantagem é a possibilidade de ler o que se escreve no Record. A ser verdade, nem encontro palavras para descrever.

A segunda e verdadeiramente importante é a possibilidade, nova, do país se voltar para o que o Ministério da Educação se prepara para fazer com a Educação Física e com o Desporto Escolar. O Miguel explica.

Para que servem os professores? Para o presente do país!

Andei uns dias com a pergunta na cabeça: “Para que servem os professores?

Fui pensando que, de facto, os Professores, enquanto classe são algo muito diverso que, na sua maioria, levam a sua prática profissional centrada em dois eixos:

– o trabalho com os alunos, na maioria dos casos, excelente, de grande empenho e de muita entrega;

– uma visão individualista da profissão, quer enquanto agente diário de mudança social, quer enquanto autor permanente de mudanças para o futuro.

A maior estrutura coletiva de professores, a FENPROF, tem, desde sempre, exigido ser um parceiro ativo nas questões educativas, mesmo que fora da  esfera profissional, mas os professores nunca se sentiram verdadeiramente envolvidos nessa dimensão. Penso, pois, que aqui está parte da resposta à questão colocada: os professores estão disponíveis (estiveram!) para sair à rua contra a sua avaliação, mas não se conseguem mobilizar para lutar por uma coisa tão “simples” como a ESCOLA PÚBLICA! [Read more…]

O fosso que todos ajudamos a cavar

O fosso de que se trata neste post é aquele que “se cava” entre a política e a vida.

Não somos apenas nós, cidadãos comuns, que o dizemos (sobretudo sentimos). São também, pelos vistos, alguns políticos como o deputado do PS Francisco Assis, que escreveu ontem no Público: “Quando entre a política e a vida se cava um fosso, tudo pode acontecer”.

Eu quero e preciso acreditar que ele, enquanto agente político, está a ser sincero e a trabalhar no bom sentido ou de boa fé para o bem comum.

Ele reconhece a “profunda distância que separa o discurso prevalecente na política do mundo concreto da vida”.

Ele sabe, ou finge saber, ou isso lhe interessa (maquiavelicamente) que, para nós, homens e mulheres comuns,  os discursos políticos já não significam nada, que são «montados» de “palavras ocas”. Assis refere-se sobretudo aos homens e mulheres “que se limitam a viver uma vida sem esperança, sem futuro, sem projecto, quase sem dignidade”.

“Tudo pode acontecer”. Tudo pode acontecer quando se cava um fosso entre a política e a vida. Já conhecemos muitos exemplos disso mesmo.

O fosso está cada vez mais profundo.

Mas nós, às vezes, damos uma ajudinha e não é só pelo voto…

Um exemplo: foram criados 1008 movimentos na sequência da iniciativa do governo «O Meu Movimento». Ideias boas e reveladoras de um interesse genuíno dos portugueses em melhorar este país. 

Um apenas foi recebido pelo PM (eles a cavar com toda a força): o movimento denominado «Abolição das Corridas de Touros». Teve mais de 8000 apoiantes (a nossa ajudinha). Não havia causas mais importantes a apoiar? Porque ganhou esta? O que se passa connosco? De que estamos à espera?

Não sou contra os touros, mas os portugueses estão a precisar mais de serem ouvidos e atendidos… Foi desperdiçada uma grande oportunidade.  Mais de 1000 pessoas registaram as suas preocupações através da criação do «seu» movimento, para depois ser selecionado apenas 1. Entre os 4 primeiros com mais apoiantes, 2 manifestam preocupação pelos animais…

Para quando uma audiência com os graves problemas das pessoas?

Uma vergonha.

Caminho de Ferro Natureza = Futuro

O Comboio é o Futuro dos Países Modernos.

Zé, é mesmo isto: a Alemanha é que sai do Euro

Com os problemas de Portugal, da Irlanda, da Grécia, da Espanha, da Itália, da Holanda, dos países mais a Leste, com a mudança em Espanha… Quem está afinal mal, é a Alemanha.

É esta a chave – ou há eleições na Alemanha com urgência, ou a Alemanha sai do Euro. É uma linha muito frágil, esta que separa o povo, com fibra, dos governantes que nos roubam. Pode ser uma solução out of the box, mas é mesmo isto: Alemanha fora do EURO!

“Queremos o futuro”

Pedro Noel da Luz©

O Luxo no Norte de Espanha. Sobre Carris.

Bilhetes a partir de 2.400 euros. É favor reservar com muita antecedência.

Para Começar Bem 2012 – De Braga para o Mundo…

TEDx_BRAGA com Miguel Gonçalves, sempre a bombar, e com sotaque à Braga.

Mete qualquer jotinha no bolso…

Vampiros

Mais do que os juros a pagar à troika pelo financiamento externo, é o injusto custo social suportado por todo um povo. Todo? Não. Tal como os habitantes da aldeia de Astérix, há um irredutível pequeno grupo de gente dita trabalhadora que irá ganhar com isto. Como há sempre alguém a ganhar com a miséria alheia.

Nos últimos tempos, tanto se falou que o endividamento privado para consumo pagava taxas de juros incomportáveis. Face ao que Portugal vai agora pagar com pobreza, é caso para perguntar: onde está a diferença?

Não está. Não existe. A agiotagem persiste, multiplica-se e transmuta-se. Não vive só de juros. Vive da riqueza que se obtém com a miséria, com mais trabalho e menos salário, com as demandas de produtividade para acompanhar a China, com menos assistência social e a privatização de recursos e de bens essenciais, com mais impostos. Vive do lucro ganancioso, pago por quem terá de se esfarrapar para ser produtivo. E a subserviência propaga-se. Agora segue rumo a mais economias latinas, que para as latrinas, do capitalismo sem freio nos dentes, serão mandadas.

Os vendilhões já não trabalham no Templo: tomaram conta dele. A alegada influência cristã da Europa Ocidental, apenas servirá para a caridade a uma pobreza cada vez mais alastrada. A caridade tomará o lugar da solidariedade, e os tostões aliviarão algumas consciências, de modo muito mais barato do que custa um Estado Social. [Read more…]

Sempre a crise

Que me lembre, neste país sempre se viveu com crise.
Fosse crise económica, crise financeira, crise na Justiça, crise na Saúde, crise na Educação, crise na Agricultura, crise nas Pescas, crise de valores, etc.
Não deve ter havido Governo em que não se falasse de algum tipo de crise.
A mais badalada, no entanto, foi sempre a clássica crise política, sempre de olhos postos na preciosa estabilidade política com que tudo se faz e que sem a qual nada se consegue.
Hoje vivemos mais uma dessas crises políticas, bradando-se pela mudança de Governo.
Acontece que mudar por mudar é o que se tem feito há anos e o resultado está à vista: o nosso país chegou ao ponto que chegou por causa de erros que se acumulam e se repetem, de Governo para Governo.
O problema deste país não é tão só este Governo de agora ou José Sócrates. O problema é a sucessiva repetição de erros por Governos diversos, seja por acção seja por omissão. [Read more…]

Curso de político

Face às Novas Oportunidades que se adivinham, nada como estar preparado. Afinal de contas a qualificação é esencial para o nosso futuro.

o que espero para 2011

No meu texto Pedir, de faz uma semana antes, especifico o que desejo para este ano de 2011. O primeiro, por estarmos em eleições presidências, que o meu candidato seja o ganhador. Parece-me que corresponde. Se o nosso executivo socialista já parece social-democracia, o candidato triunfador socialista, da forma e maneira que ele é, tornará aos princípios de 1972. Confio em ele: é senhor, não insulta, não ironiza, não tem arrogância, sabe imenso de economia ciência necessária para refazer os desfeitos começados, como todos sabemos, por que nos governa, no qual enganosamente depositamos à nossa soberania. Foi uma desgraça que o poder executivo de hoje, que eu apoio pela sua valentia de enfrentar à crise com os nossos meios e sem pedir empréstimos, que cobram altos juros, foi uma desgraça, dizia antes, termos confiado em quem não devíamos e representa a Nação, e apenas por isso, faz como entende. [Read more…]

Desilusão

(adao cruz)

 (Dedicado ao Joaquim Quicola, amigo que eu sei que me entende) 

Desilusão

Olho as folhas caídas na espiral de espinhos e flores e água sem regresso. Minha voz de gravador que outros ouvem, só eu não, tem milhões de segundos num segundo que já foi meu.

Sonho de amor, invisível e ateu.

Pela escada fantasma do falso destino, destino essencial, quem subia ou descia, afinal…era eu.

Nos gestos por dentro, nos jardins de contraste da natureza fecunda, no penoso brio de um curriculum lavrado na areia, meti as mãos na areia e palpei o futuro.

Palpei a filosofia dos cadáveres, e em febril pulsação, espremi a vida dentro de uma mão cheia.

Enchi de virilidade a cidade, a cidade e o lixo, o lixo e o luxo, a luz e eu.

No fundo das veias nasceu gelado um provinciano despojo, feito de tempo gasto e de nojo.

Por dentro e por fora saltaram faíscas de senso e contra-senso, que apenas escreveram epitáfios de sangue em letra de amor e fizeram um caixão com as tábuas da verdade.

A verdade era uma mesa, a vida os dados, e o amor a saudade de quem jogou a certeza nos passos errados.

Entre a tese e a antítese nada voa nem mexe, não há sim nem não entre passado e presente, e o futuro é o deserto que temos à frente.

Neste chão de lama, na ejaculação abortada, nos restos de orgia da orgia de restos, em ritmo de coração moribundo, sobra o tremor da carne adormecida.

A arte, o sonho, a verdade, o viço e a cor perderam o brilho, e a esperança sopra cinzas que ninguém sabe do que são.

O Papa Equilibrista

Ainda não me manifestei sobre a presença do Papa em Portugal. Começo pela declaração de interesses habitual: balanço entre o ateísmo e o agnosticismo.

Posto isto, nada tenho contra a presença do Papa em Portugal. Contra a promiscuidade entre estado laico e igreja católica, sim, tenho, mas não é isso que motiva este texto.

Naturalmente que eu não esperava que o Papa viesse a Portugal defender o casamento dos padres, a união civil dos homossexuais, o aborto, a ordenação de mulheres. Penso que os católicos devem resolver os seus problemas internamente e posicionarem-se da forma que melhor entenderem face ao mundo actual e à sua fé ancestral que muitos acreditam eterna.

Também não esperava que prescindisse de uma teatralidade em que a igreja católica se especializou, de um mega-espectáculo cénico de afirmação de poder, de pompa e de soberba quase obsceno, nem de uma marcação absolutamente ensaiada no espaço físico e mediático.

Acontece que notei, pelas suas palavras, que este Papa tem um discurso radicalmente – aqui a palavra usa-se atendendo às inúmeras  condicionantes existentes – diferente do do seu antecessor.

Este Papa diz coisas, “vê-se” que pensa coisas. [Read more…]

Violência, Indisciplina e os professores

Nos posts anteriores tenho procurado ajudar a reflectir sobre as questões da educação que nos últimos tempos têm vindo para cima da mesa.
Penso que as escolas precisam de uma REAL autonomia e isso passaria por tornar da escola o que não deve ser central, ainda que de forma gradual: selecção de professores, de organização da mancha horária, da oferta curricular, do estatuto do aluno… Isto é, cada escola tem que ser capaz de crescer por si. Com instrumentos, recursos e competências – estou a falar de uma nova ESCOLA PÚBLICA.
E NESTA nova ESCOLA PÚBLICA os professores têm que se assumir como quadros superiores da administração pública – não podemos ter medo de decidir, de escolher, de fazer opções.
E NESTA nova ESCOLA PÚBLICA é fundamental que o governo e a sociedade sintam a escola como importante – consigam eles passar a mensagem que a aprendizagem é importante e, estou certo, todos os problemas começarão a desaparecer. Porque, caro leitor, quando morre um professor e um quadro da administração vem falar sobre as fragilidades do Professor, está TUDO errado! TUDO!
E, por isso, temos que mudar TUDO!

Ao cuidado dos papás

Apesar de se ter tornado uma ambição lusitana comum, o facto é que hoje em dia ser Engenheiro ou Doutor não é princípio de sucesso. Pode ser, sim, reflexo de sucesso, no sentido de alguém, após ter atingido certo patamar social e económico, conseguir ser Engenheiro ou Doutor, o que é bem diferente.

Hoje, é mais difícil arranjar quem saiba de pichelaria ou de carpintaria, do que quem perceba de Direito, Engenharia Civil ou Gestão. O problema é que os primeiros, ao contrário dos segundos, não são tratados por Doutores ou Engenheiros, logo não são tão apelativos. Ainda que os segundos se acantonem, cada vez mais, no “mercado do desemprego”.

Uma medida que poderia potencializar a aproximação do ensino ao mercado de  trabalho, apesar da crise que vivemos, seria criar as licenciaturas em pichelaria, carpintaria, e demais artes, cujos profissionais são mais do que solicitados. Eu tenho-me visto bem mais à rasca para arranjar um picheleiro do que teria, se precisasse, de um pneumologista.

Mas isso depende de mudanças governativas e essas levam tanto tempo a acontecer, que o melhor é desde já os papás começarem a ponderar dar menos importância onde vão pôr o filho a estudar e antes cuidar de os inscrever na mais produtiva juventude partidária. Será mais importante uma inscrição numa boa “Jota”, do que em qualquer escola, colégio  ou universidade. Escola com eventual interesse só se for uma de futebol. O ideal é matricular os filhos numa escola de futebol e, mais tarde, numa “Jota” com boas perspectivas de carreira. O melhor de dois mundos, que tão interligados estão.

O resto, estudos académicos e afins, será o menos. Um bom lançamento pelas escolas  das “Jotas”, será o suficiente para um dia a pessoa até se licenciar por faxe, ou obter mesmo uma pós-graduações antes de ser licenciado. E mesmo que os vossos filhos não se licenciem, não será isso que os impedirá de ganhar milhões de Euros, seja onde for.

Por isso, caros papás, tratem já de garantir o melhor futuro para os vossos filhinhos, não percam as novas oportunidades que o futuro lhes desenha. Pode ser que assim, uma dia mais tarde, eles demonstrem alguma gratidão e vos escolham um bom lar de idosos.

Presente e futuro da Advocacia: uma questão de República (2)

 Tal como anunciei aqui, inicio uma série de textos dedicados ao tema “Presente e futuro da Advocacia”, abarcando as matérias da Justiça que lhe estão conexas.

Mas antes de mais, cumpre desde já esclarecer – e daí a razão deste texto -, quais os motivos e as finalidades.

Esta iniciativa não se enquadra em nenhuma preocupação corporativa e muito menos sindical. Esse tipo de preocupação e de lógica corporativas e sindicais, em sede de Justiça, já fizeram estragos que cheguem para também a Advocacia seguir tal caminho.

Decidi iniciar esta série porque a matéria não se esgota na esfera dos interesses de uma classe profissional. E porque do presente e do futuro da Advocacia, bem como das questões da Justiça com que se interligam, depende grande parte do rumo e da defesa da cidadania, do regular funcionamento das instituições da República, da paz social e da garantia pelo respeito da dignidade humana.

O Advogado representa os interesses dos cidadãos através do patrocino forense, sem o qual não adianta ter Juízes e Procuradores, pois que só há verdadeira administração da Justiça quando em tribunal, estão presentes quem representa a Sociedade (Procurador), quem diz e aplica o Direito (Juíz) e quem defende o cidadão (Advogado). Pelo menos num Estado de Direito Democrático, consagrado no artº 2º da nossa Constituição.

É de recordar que mesmo durante o Estado Novo, na barbárie que foram tantos julgamentos nos tribunais plenários, em que réus (naquele tempo não havia arguidos) chegaram a ser espancados por esbirros da PIDE em plena audiência perante os olhos complacentes e cúmplices de Juízes que jamais responderam por tais actos, foram os Advogados quem sempre estiveram ao lado do cidadão contra a brutalidade e o despotismo.

Como também estiveram, lutando tenazmente em 1926 e nos anos seguintes, aquando da politização do processo movido contra Alves Reis (o famoso falsário português), em que se chegou ao cúmulo de se aprovar leis criminais com efeito retroactivo que prejudicavam a defesa dos então réus, e de arrastar para a lama gente impoluta e honrada como Arthur Cupertino de Miranda, entre outros. Também aqui os Advogados lutaram sem temores contra um Estado e uma Justiça manipulada por interesses de grandes instituições bancárias (cuja temática irei, também, abordar, ainda que de modo muito sucinto e em sede própria).

Tal como outrora, aos Advogados cumpre garantirem a defesa dos direitos, liberdades e garantias do cidadão, o respeito pela dignidade humana, seja face ao Estado seja nas relações sociais, firmando a diferença entre a barbárie e a civilização, entre a vingança e a Justiça.

O Advogado é  e deverá ser sempre, um garante civilizacional, e como tal deverá ser encarado. E, também, como tal deverá comportar-se.

O presente e o futuro da Advocacia diz, pois, respeito a todos os cidadãos, porque o Advogado é o seu procurador. Pelo que interessa ao cidadão saber, estar esclarecido, qual o estado e o rumo de quem está e deverá continuar a estar a seu lado.

No próximo texto falarei do problema da massificação crescente da profissão, das suas razões, dos seus perigos para a classe e para a sociedade, com especiais cuidados na administração da Justiça, e de possíveis rumos e soluções.

Sei que a matéria é polémica. As caixas de comentários estão disponíveis.

Teoria dos bolsos

Desengane-se quem pensa que vou falar de corrupção. É já assunto muito “varado”.

Vou falar acerca dos bolsos na indumentária masculina, e em como isso reflecte as nossas diferenças para com o sexo oposto.

Aos homens, os bolsos servem para compensar a ausência de espaço que as carteiras proporcionam às mulheres.

As mulheres possuem um saco mágico onde conseguem ter tudo quanto faz falta (e o que não faz). Mas nós somos obrigados a espalhar a tralha pela nossa roupa: porta-moedas, chaves do carro e de casa, tabaco, isqueiro, óculos, carteira, telemóvel, caneta (por vezes em parelha com um daqueles pequenos pentes de plástico oferta de hotel), documentos, agenda, livro de cheques, lenço, etc.

Ora, em média um casaco tem cerca de 7 bolsos: três exteriores e quatro interiores. Se somarmos três bolsos (no mínimo) das calças, passamos a ter 10 bolsos. Se o fato for de colete, acrescente-se mais 2, e temos 11 bolsos. Mas deixemos os coletes, e fiquemos pelo fato mais usual de 10 bolsos. São 10 esconderijos em que nos habituamos a espalhar, ao longo das vestes, a palamenta com que vivemos diariamente.

Um visão radiográfica, faria de nós expositores andantes.

Mas além de nos habituarmos, faz parte da nossa mentalidade masculina: a partir do momento em que algo está guardado para nós está arrumado, finito, missão cumprida. Para as mulheres, não: as coisas têm de estar guardadas e arrumadas. Se para os homens estar guardado e arrumado são a mesmíssima coisa, para as mulheres são duas realidades distintas. Daí que o homem aprecie mais um armário e as mulheres uma vitrina.

Sossega-me, no entanto, que a evolução da espécie será na direcção do homem deixar de precisar de esconderijos: nos filmes de ficção científica as roupas não têm bolsos, pois tudo está concentrado num aparelho que fica preso à cintura ou aperta no pulso, e que além de ter a nossa identidade, telefone, televisão e computador, também dispara raios-laser.

A Marta SOMOS nós!

A Marta… A Marta podes ser tu… Pode ser a sua filha. A Marta SOMOS Nós!

Marta

A Marta SOMOS NÓS!

É uma menina de Canelas, com 8 anos e que está a viver uma experiência muito complicada, mas está cheia de FORÇA e com MUITA CORAGEM!
Quando ouvimos estes pedidos ou quando ouvimos falar dos números das tragédias, quase sempre o significado é pouco mais que informativo – é o momento absurdo em que a desgraça noticiada é quase entretenimento.
Quando tudo se conjuga na primeira pessoa… Complica! E muito. Olhar para o lado e pensar – podia ser tu… Podes ser tu, pior – podem ser os teus!

A matemática, o Português, o Estudo do Meio agora interessam pouco para todos nós!
Ajudar é a Palavra, ser SOLIDÁRIO o objectivo!
O que vos pedimos é muito simples – inscrevam-se como dadores. Não custa nada e pode certamente salvar a vida de alguém! Pode salvar a Martinha!

Pode aparecer dia 2 de Fevereiro (Terça-feira de tarde), aqui em Canelas (GAIA) ou então ir a um dos centros de Histocompatibilidade que existem no país.
Para saber mais pode consultar o Blog que a Associação de Pais criou para ajudar a divulgar a necessidade da Marta! Vamos a isso!

Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte I

Declaração de interesses: Car@s leitor@s, sou membro do Conselho Nacional da FENPROF, professor efectivo numa escola à porta de casa.

O Acordo entre o ME e os Sindicatos é um momento complexo, fortemente prismático porque tem um conjunto de dimensões de tal modo diversificado que não é fácil fazer a sua análise. Vou por isso procurar, durante o fim-de-semana fazer uma análise tão exaustiva quanto me for possível. Por partes, pois claro.

1. Dimensão política e partidária.
Durante a mais dura maioria absoluta da nossa democracia, uma classe, a dos professores, levantou-se e assumiu na rua, em toda a sua plenitude, o papel de líder exclusiva da oposição. Graças aos Professores, o PS perdeu a maioria. Por isto, todos perceberam a importância que temos.
Depois das eleições surgiu o acordo PS / PSD: a estratégia do PSD poderia ter sido excelente se o acordo não parecer uma vitória do PS. Ou seja, se de ontem resultar uma vitória dos professores, ganha o PSD. Se depois da espuma, resultar uma vitória do PS, então o PSD perdeu. O PC está refém do meu camarada Mário e por isso não podem dizer nada contra o acordo. O BE, estando mais livre, também não fica comprometido… Espero que não corra a dar gás a alguns movimentos só para fazer de conta…
Neste cenário, tudo concorria para um acordo. Tudo… ou nada… [Read more…]

Um desejo para 2010

Num país em que a população está num crescente processo de envelhecimento, pondo em perigo a continuação da própria nação; onde a dívida pública é galopante; onde o desconcerto das instituições, sejam públicas ou privadas, face às demandas da cidadania se enraíza cada vez mais, desrespeitando-se princípios básicos de legalidade com a maior das facilidades; e onde a República capitula às adversidades e usa a comunicação social para mascarar essa realidade, a preocupação que ronda o casamento homossexual, principalmente em sede de adopção, parece-me, uma vez mais, mais um exercício autismo lusitano.

Confesso que, a mim, a adopção de crianças por casais homossexuais faz-me enorme confusão, tal como o próprio casamento homossexual, enquadrando a questão na óptica do secular instituto do casamento e da génese deste. Mas faz-me ainda mais confusão que o actual processo de adopção seja tão estúpido, anacrónico e obstrutivo a quem quer dar uma vida melhor a crianças que se vão amontoando em instituições, sem afectos ou referências. É desumano tanto para as crianças que perduram nas instituições, como para quem quer tomar conta delas e ampliar as suas famílias.

Pior ainda, é que nada se tem feito de verdadeiramente válido para apoiar as famílias. Para apoiar o aumento da natalidade.

Somos, antes, uma país que fez do baixo custo da mão-de-obra uma bandeira de competitividade, sem nunca perceber que haveria um custo social terrível a pagar. E a factura aqui está: não há dinheiro para ter filhos, não há dinheiro para ter casa, não há dinheiro para ter carro. Excepto se for emprestado. E aqui temos um povo mal pago e endividado, a quem é dito que para vencer os desafios do futuro é preciso ser mais produtivo, apostar na qualidade e ser inovador.

Este não é um artigo a favor ou contra o casamento homossexual.

É um artigo contra a incapacidade da República em resolver os seus problemas e desviar as atenções daquilo que é essencial à sobrevivência futura da nação.

É um artigo a favor de que os assuntos com verdadeiro interesse para o futuro do país, passem a estar na ordem da agenda política e do debate nacional.

Quando se falou do aborto, falou-se de concepção, de liberdade, mas muito pouco se falou de família excepto para justificar a manutenção de uma dada estatuição penal, como se fosse esta a base programática de construção e de apoio à família.

Quando se fala de casamento entre homossexuais, agita-se o tema da adopção, mas não se aborda nem rumos civilizacionais nem a vergonha que é o actual sistema de adopção que protelam a entrega de crianças, à sombra sabe-se lá de que interesses institucionais.

É urgente debater a família, estabelecer prioridades sociais e de rendimento, passando por políticas de educação, de saúde, laborais e fiscais. É urgente cuidar do essencial, e deixar o acessório. Ou o problema não será que país vamos deixar aos vindouros, mas antes a que vindouros vamos deixar isto?

Desejo que em 2010, haja vontade de falar do futuro do país além do TGV, das escutas, de homossexualidade ou de aeroportos.

Desejo, mas não espero.

Entretanto: Feliz 2010!

Portugal

O nosso futuro?

O nosso futuro?

O futuro será emocionante

Primeiro eles ignoram-te, depois riem-se de ti,

depois combatem-te, depois tu ganhas.” –

Mahatma Gandhi

Entre o feedback positivo pela minha recente mensagem mail em alemão “Bye, bye Copenhaga”, recebi um mail de um de dois jornalistas alemães de alta craveira bastante conhecidos na Alemanha, com os quais tinha tido contacto há tempos. Curioso, voltei ao website deles onde encontrei o seguinte texto de apresentação que mais abaixo traduço para português.

Eis a descrição perfeita do perfil básico de uma pessoa capaz de tirar o carro do atoleiro, porventura no contexto de um governo de salvação nacional que, cá ou em qualquer outra parte da União Europeia, venha a ser necessário. É o perfil genérico de uma pessoa de fora do baralho que não faz parte da “casa sem pão”. Faltam só os nomes – de civis, oxalá, e não de generais.

Os jornalistas e escritores Dirk Maxeiner e Michael Miersch são o vivo exemplo daquilo que se chama pensadores inconformados ou cibernéticos sociais! Tiro-lhes o chapeu.

RD

“The future is open

and will be

thrilling…

We are too optimistic and anti-ideological for the greens, too progressive and unpredictable for the conservatives, and too subversive and market-economy friendly for the social democrats.

Above all we are too cheeky and not serious enough for any of them, since Germany confuses gloom with profundity. We would rather join those who are looking forward to being part of a dynamic, evolutionary, and never-ending process of changes. The future is open and will be thrilling. Inventive talents, individual responsibility, and freedom are the best qualities and attributes for this.”

http://www.maxeiner-miersch.de/index_e.htm

“O futuro está em aberto

e será emocionante…

“Para os verdes somos demasiado optimistas e anti-ideológicos, demasiado progressistas e imprevisíveis para os conservadores e demasiado subversivos e amigos da economia de mercado para os social-democratas.

E sobretudo somos demasiado audaciosos e não suficientemente sérios para qualquer um deles, uma vez que na Alemanha se confunde obscuridade com profundidade. Preferimos juntar-nos àqueles que estão ansiosos para fazer parte de um processo dinâmico, evolutivo e interminável de mudanças. O futuro está em aberto e será emocionante. Talentos inventivos, responsabilidade individual e liberdade são as melhores qualidades e atributos para isso.”

O elogio de José Sócrates

José Sócrates tem uma visão modernizadora para o país. A sua aposta nas energias renováveis e na sociedade da informação, via choque tecnológico, demonstram à evidência que o rumo escolhido pelo primeiro-ministro é o de alguém com uma ideia clara do que quer para o país que ama.
Com as energias renováveis, ficaremos menos dependentes das energias fósseis e de um futuro assustador para a Humanidade.
Com portugueses escolarizados do ponto de vista informático, temos as ferramentas indispensáveis para uma sociedade mais capaz e mais apta a enfrentar os desafios de um mundo em constante mutação.
E depois há as questões ditas fracturantes, que me fazem aplaudir José Sócrates pela coragem das medidas tomadas. A questão do divórcio veio corrigir uma flagrante injustiça que se verificava há muitos anos e que, como sempre, só prejudicava a parte mais fraca.
O aborto até às 10 semanas acabou com uma das situações mais vergonhosas do Portugal democrático – mesmo sendo contra o «aborto fútil» das classes média-alta e alta, entendo que nenhuma mulher pode ser criminalizada por exercer um direito.
E depois há o casamento «gay». Duas pessoas do mesmo sexo têm todo o direito de se amarem e de constituirem família. Com papel passado e com todos os direitos dos casais ditos normais. Normais por quê?
Numa sociedade mais aberta ao futuro e menos espartilhada pelos medos, complexos e preconceitos que nos foram inculcados pela Igreja Católica, estou em crer que o primeiro-ministro daria o passo seguinte: possibilidade da adopção de crianças por parte dos casais «gay», legalização da eutanásia, legalização das drogas leves, rescisão unilateral da Concordata com a Igreja Católica.
Aí sim, Portugal estaria ao nível dos países mais avançados do mundo e José Sócrates poderia finalmente dizer que os portugueses conseguiam acompanhar o seu ritmo progressista. [Read more…]