Pergunta para um milhão:

– porque é que a Comunicação Social continua a tratar o Passos como primeiro, fazendo uma cobertura mediática de um deputado como se ele ainda fosse o que já não é?

Por onde andas querida democracia?

democracia
Hoje, em pleno século XXI, num país livre e democrático, por incrível que possa parecer o conceito de democracia para alguns é inexistente ou então lamentavelmente é algo completamente desvirtuado.

A democracia teve origem na Grécia tendo a palavra por base os vocábulos demos “ povo ” e kratós “ poder ” e/ou “ governo ”. O conceito de democracia é milenar tendo começado a ser utilizado em Atenas no século V A.C.

A democracia contrasta com outras formas de governança em que o poder é mantido por um pequeno número de indivíduos como numa oligarquia ou então onde o exercício do poder é detido por uma única pessoa como no caso do sistema monárquico absoluto.

Também em absoluto contraste com a tirania ou ditadura a democracia proporciona que todos os cidadãos tenham uma participação activa e directa nas tomadas das decisões que afectam o seu livre quotidiano.

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Porque nunca me conseguirão calar

“Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.”

Sophia de Mello Breyner Andresen

O Bloco e os cobardes

ANGOLA ACTIVISTS TRIAL

O Bloco de Esquerda apresentou hoje, na Assembleia da República, um voto de condenação à repressão em Angola, exigindo a libertação dos activistas detidos pelo regime opressor liderado pelo carniceiro Eduardo dos Santos. O PCP uniu-se à direita para o chumbar.

Como era de esperar, PSD e CDS-PP votaram contra a iniciativa bloquista. Não admira tendo em conta o passado de relações vassalas do anterior governo com a ditadura angolana, com tantos e tão humilhantes episódios que terminaram com o governo português curvado e de rabo para o ar, perante a hegemonia dos oligarcas de Luanda. Rui Machete que o diga! [Read more…]

Este é o livro que derruba ditaduras

E em português. (via RiseUP): Da DITADURA à DEMOCRACIA Uma Estrutura Conceitual para a Libertação.

Por falar em ditaduras de esquerda

Angola

Arrumadas as bandeiras e sossegado o triunfalismo, a narrativa da coligação PSD/CDS-PP adaptou-se ao cenário pós-eleitoral e, acordada que parece agora estar para a triste realidade socrática em que o parlamento lhe é maioritariamente hostil, viu surgir o novo bicho papão, em linha com a estratégia do medo que marcou a campanha eleitoral: a ditadura de esquerda. Ao que tudo indica, se o PS conseguir formar governo com BE e CDU, Portugal será estalinizado, toda a economia será nacionalizada e cada distrito verá nascer o seu próprio gulag. Façam o favor de ter medo que a coisa não é para brincadeiras.   [Read more…]

Multas e penas de prisão para desempregados

é a mais recente alucinação do déspota bielorrusso. Sim, é na Europa.

Islam Karimov

Um ditador que agrada a russos e americanos (logo a europeus também), apesar de se colocar acima da constituição uzbeque, manter entre 10 a 12 mil presos políticos e religiosos e ser considerado um dos lideres mais repressivos do mundo. São critérios.

Encenações goebbelianas em Kiev

A extrema-direita ucraniana financiada por Washington contínua a bater recordes no que ao populismo e à demagogia diz respeito. Na passada Quarta-feira, o “insuspeito” New York Times faz referência a um “espectáculo cuidadosamente orquestrado“, com vista garantir uma dramatização suplementar à mais recente campanha anti-corrupção levada a cabo pelas autoridades ucranianas, durante o qual o chefe e o nº 2 dos serviços de emergência ucranianos foram detidos no decorrer de uma reunião do governo transmitida em directo na televisão, e onde o fantoche Yatsenyuk afirmou mesmo que “Isto é o que acontecerá a qualquer um que viole a lei e engane o Estado ucraniano”. 

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O 25 de Abril que não vivi

Foto retirada do blogue folha de poesia

Foto retirada do blogue folha de poesia

Era uma miúda naquele histórico, admirável e já demasiado distante dia 25 de Abril de 1974. Para ser mais correcta, nem bem uma miúda era. Era assim a modos que um projecto de pessoa.

Tinha exactamente 4 anos e 27 dias. Memórias desse dia? Zero. Nada. Um vazio total. Infelizmente, não era uma menina-prodígio, não me recordo de absolutamente nada, para grande desgosto meu. Nem uma coisinha.

O único momento da pátria que merecia ser recordado e vivido na primeira pessoa e eu, nada! Há coisas que nos deveriam ficar gravadas na memória, mesmo que as não tivéssemos presenciado, mesmo que fôssemos demasiado pequeninos para as sentirmos, para abarcar toda a sua importância.

Mas, então, por que raios estou eu a escrever isto? Escrevo exactamente porque não vivi, mas gostaria de ter vivido. Escrevo porque há memórias que, não sendo originalmente minhas, me dominaram, tomaram conta de mim e passaram a ser minhas, ou, para ser mais correcta, eu é que passei a ser dessas memórias, de tal forma elas são, ainda hoje, ou talvez hoje mais do que nunca, tão importantes. Escrevo porque quero que as minhas filhas nunca tenham que passar por uma ditadura. Escrevo porque acho vital que nos lembremos do que antecedeu esse dia, de tudo o que conduziu ao que foi esse dia, por muito distante que ele nos pareça, por muito que a democracia nos cheire a podre. Antes o cheiro a podre da democracia do que o cheiro a mortos da ditadura.
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40 anos desta espécie de democracia

Já nasci nesta espécie de democracia em que vivemos hoje. Por favor, não me tomem por ingrato: estou eternamente agradecido à revolução e como é óbvio, prefiro viver nesta espécie de democracia do que na ditadura que não conheci (ainda bem) mas sobre a qual li e ouvi inúmeras histórias, de pessoas com diferentes “sensibilidades”, sobre como era, o que aconteceu e o que mudou. Tenho exemplos na família, de um bisavô distinguido pelo seu contributo para o enchimento do Celeiro de Portugal até ao pai da tia paterna que foi perseguido, torturado e assassinado pela polícia política. Estou certo que, se o meu bisavô fosse vivo, seria ainda mais salazarista do que outrora depois de ver o que esta espécie de democracia fez ao seu Alentejo, deixado ao total abandono e progressiva desertificação, onde nem uma auto-estrada que seja chega a Beja, no país com a suposta 4ª melhor rede da estradas do mundo . E como diz o meu avô, seu filho, teria “500 carradas de razão”. Esta espécie de democracia parece ter abandonado o Alentejo à sua sorte e aridez. Da mesma forma, estou certo que o resistente anti-fascista e pai da minha tia ficaria “ligeiramente” desiludido com o resultado daquilo por que deu a sua vida.

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Na morte de Juan Gelman

Recorde-se a belíssima carta que endereçou à neta que a ditadura militar lhe roubou e que demoraria 24 anos a encontrar.

Ainda o inglês

Se há coisa que eu detesto é quando um político, nomeadamente estes de última geração, nos tentam fazer de burros! E Nuno Crato está nesse registo. O de um telelé de nova geração, daqueles que em três tempos é trocado por um outro qualquer .

Vejamos:

– com a Escola a tempo inteiro introduzida por José Sócrates o inglês passou a ser obrigatório nas actividades extra-curriculares. Isto é, no 1ºciclo (1-4º ano) os alunos passariam a ter um espaço para a introdução à língua inglesa nas “aulas” depois das “aulas normais”, naquele espaço que ia entre as 15h30 e as 17h30. É verdade que era facultativo, mas a maioria dos alunos passou, realmente, a ter inglês;

– Nuno Crato, no seu projeto de construção de uma Escola Nova , talvez inspirado no Estado novo, resolve retirar ao Inglês esse carácter obrigatório e, ao mesmo tempo, atira para as escolas a possível oferta dessa língua. Possível, porque, na verdade boa parte dos Agrupamentos não terá condições para o fazer e… [Read more…]

Quando as eleições não dão jeito nenhum não se fazem

Rio fdp

É oficial: a nossa extrema-direita pregadora do neoliberalismo (essa variante pós-moderna do nazi, que substitui campos de concentração pelo darwinismo social e o Führer pelo mercado) passou à hora do tudo ou nada: eleições? não pode ser, por causa do orçamento, da troika e da dívida. Isto pregava agora Helena Matos na TVI, num intervalo de se dedicar à denúncia do domínio da comunicação social pela esquerda, e enquanto o Canalha Lourenço titula a sua crónica de hoje: precisamos de uma ditadura financeira.

Eleições é para quem as merece e quando não existe o risco de o eleitorado votar à esquerda.

A norte, em bicos de pés, Rui Rio, o homem que quando ouve falar de cultura puxa logo dos pópós, mobiliza as suas tropas, que ficarão para a história como os camisas ajadrezadas (não é uma alusão ao Boavista, é da sua intenção de nos meterem no xadrez). Numa petição proclamando que ele deve ser o próximo primeiro-ministro de Portugal, quando alguém solicita a identificação dos seus autores recebe esta resposta: [Read more…]

Há que fustigar a memória…

… contra o esquecimento. Hoje, morreu mais um ditador!

Até chegava a explicar aos opositores por que razão eram presos e torturados

Jaime Nogueira Pinto. “Salazar em ditadura explicava tudo o que estava a fazer”

A Internet entrou na nossa vida

Na revista 2 do PÚBLICO de hoje, um artigo sobre como a Internet entrou na nossa vida e como poderá ser daqui a dez anos: a Internet tornou-se num “meio privilegiado de troca de mensagens, partilha pública da vida privada, meio de organização colectiva, instrumento de ajuda à democracia e às ditaduras. Daqui a outros dez anos, ninguém arrisca dizer como será um meio que todos os anos se transforma de forma avassaladora.”

Uma das constatações de especialistas entrevistados pelo PÚBLICO, é que “perdemos a capacidade de afastar as distracções e de sermos pensadores atentos, de nos concentrarmos no nosso raciocínio” ou, dito de outra forma, “está a fazer-nos perder a capacidade de concentração e a tornar-nos menos reflexivos”.

Usamos a Internet para trocar mensagens e para namorar, repara a jornalista em conclusão.

Não é perda de tempo pensarmos nas vantagens e desvantagens da Internet. Eu, por mim, vejo mais prós que contras. A Internet permite, só para dar um exemplo, esta troca de ideias concordantes e discordantes entre os leitores e os autores dos artigos no Aventar. Entre gente que não se conhece pessoalmente mas que, há medida que o tempo passa, ganha o título de «familiar». Sem nos conhecermos, escrevemos «caro»; «cara»; «abraço». Por que fazemos isto?

Os leitores poderão ajudar nesta reflexão!

Democracia e Capitalismo são compatíveis?

Portugal vive há uns tempos sob a tutela estrangeira e com mais ou menos mentiras de quem nos governa, todos os indicadores mostram que o caminho escolhido não serve.

Dizem-nos que é muito difícil ser deputado da maioria, imagino que tal reflexão, deste boy, surge num contexto solidário em que o senhor deputado vai ficar a viver com os 377 euros do subsídio de desemprego. Só pode!

E se o caminho não serve, podemos procurar encontrar outros, ainda que concorde com o Ricardo Araújo Pereira que na Visão aponta uma coisa óbvia – não tem que haver alternativa no caso em que algo é manifestamente mau. Se a receita que está a ser aplicada não serve, para que acabe não é preciso haver alternativa. Basta que pare!

E são cada vez mais as vozes que procuram caminhos alternativos.

O Fórum “Cidadania pelo Estado Social” é uma dessas iniciativas e hoje, em Braga, na Universidade do Minho, aconteceu mais um debate, onde a Educação Pública esteve em cima da mesa. [Read more…]

O presidente do Tribunal Constitucional vai acordar assim

«Na Itália existiu uma ditadura dos juízes e agora passaríamos a ter uma ditadura do Tribunal Constitucional»” – queixa-se Ulrich, como a seu tempo se queixaram dessa feroz ditadura outros Padrinhos.

O BPI de Ulrich aumentou os lucros em 15,3% até ao final de Setembro. Pode portanto investir em ofertas irrecusáveis aos juízes do Tribunal Constitucional.

Esta semana, depois do beato Neves, já é o segundo a insinuar que um golpe de estado vinha mesmo a calhar. Como a nossa tropa anda virada mais para Abril que para Novembro, saia uma Bundeswehr para a mesa do canto. Não, não é uma marca de cerveja.

Os meus netos continuam o debate sobre política portuguesa

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Os leitores de Aventar sabem, se entendo bem os seus hábitos de leitura, que tenho quatro netos, filhos das nossas filhas uma, é doutorada em psicologia clínica pela universidade de Amesterdão  que é analisa da infância do hospital de Utrecht, uma mais-valia para o hospital; a outra, magister em preservação de espécies em extinção. As duas casaram novas, a mais velha, com um Museólogo de Utrecht, cidade na qual moram, magister em museologia, a mais nova, com um sabedor de sistemas informáticos, magister em informática, sendo ela magister em Flora e Fauna, sediado na universidade em que eu próprio estudei e ensinei, até me transferir para Portugal, a de Cambridge. Outra mais-valia para o projecto de salvar espécies e extinção nos sítios mais distantes e diferentes dos continentes do mundo.

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A reabilitação de João Franco

Num daqueles impulsos que tão bem o caracterizam, o senhor doutor Mário Soares ainda acusa o corte de subsídios desfechado sobre fundações privadas que medram com dinheiro público. Agora, numa revanche à la française, decreta a urgência da corrida a pontapés do governo saído de uma maioria eleita há pouco mais de um ano. Deve andar bem influenciado pela nova praxis imperial sediada em Bruxelas, trauteando a conveniência do encontrar de um luso-Monti  que satisfaça os apetites da tal Europa federal que continhas bem feitas, não existirá.

João Franco governou por decreto, mas com eleições marcadas para 5 de Abril de 1908. Mário Soares inverte a situação: fazem-se eleições e depois arranja-se um governo que nada tenha a ver com as ditas cujas. No tempo de D. Carlos I, governar com liberdade de imprensa e de reunião, mas através de decretos que não iam ao Parlamento, chamava-se – abusivamente, é verdade – governar “em ditadura”.

O único problema a colocar aos entusiastas de soluções expeditas gizadas pela plutocracia, consistirá no seguinte: no circo da política nacional, não existe alguém que remotamente chegue à unha negra do pé esquerdo de João Franco. Percebeu, Dr. Soares?

Hoje há bandarilhas – Canadá

11 de Setembro de 1973

Estava em Munique pela segunda vez para voltar a ver a fabulosa pinacoteca. Por um lado, a paixão pela pintura. Por outro, o assombro magoado com que olho para as pedras vivas do nazismo, de todas as brutalidades e crimes hediondos, sejam de direita ou de esquerda. E foi ali, numa taberna de Munique, que Hitler fez as primeiras reuniõs do que viria a ser a legião dos exterminadores. Para alem do genocídio, a grande roubalheira. As paredes do museu bem o demonstram. Ao saír, deparo com um desfile de homens e mulheres morenos, sombrios, alguns chorando, que empunhavam cartazes em alemão, língua que não entendo. Aproximo-me. Oiço que falam espanhol entre si. Pergunto: que pasa? Responde-me um rapaz: mataran a Allende, estan matando como locos, es un golpe fascista de Pinochet.

11 de Setembro de 2001

Tomava o pequeno almoço, em Toronto, olhando pela tv as notícias da manhã. Subitamente, o noticiário é interrompido para, por palavras e imagens, darem a saber que um ataque terrorista estava a atingir as Torres Gémeas em New York. Horrorizada, pensei: estão lá a Susy e o Manny (jovem casal meu amigo). New York aqui tão perto, de repente tão longe. Seguiu-se um dia inteiro de sofrimento e mágoa. Os estados maiores do Estados Unidos da América e do poder islâmico não são flor que se cheire mas, meu Deus, porque têm sempre de ser os mais pequenos e desmunidos a pagar? [Read more…]

Bispo D. Januário: falou, levou

É a Democracia Relvas a funcionar em pleno! É a máquina laranja a fazer o seu trabalho.

“É evidente que não posso deixar de associar uma coisa à outra. É uma tentativa de linchamento da minha vida privada”

Eu por mim não tenho dúvidas – este ataque ao Bispo é um excelente exemplo da saúde da nossa Democracia! Não me canso de agradecer a quem colocou esta gente no poder!

Relvas, demita-se!

Não há outra saída para tanta incompetência.

O Político Relvas é daqueles que se sente o cheiro à distância. Cheira mesmo mal! E não sei se é dos pés. É aquele tuga espertalhão que parece estar sempre a mentir, com um sorriso amarelo e de plástico, talvez do botox.

Recebia sms, mas não respondia e perante o trabalho livre do jornalista, atacou ferozmente?

Depois, parece que pediu desculpas, mas o texto do Conselho de Redacção do Público  é bem claro sobre o que aconteceu.

Não há outro caminho. Siga as dicas do seu Sr. Primeiro Ministro e dê uma oportunidade ao seu sorriso inverdadeiro.

Saudosismo?

Paulo, eu vou pedir desculpa, mas não entendo esta tua sedução pelos exames do antigamente. Será que dá para explicar?

O irónico título “Coisas muito traumáticas da velha primária” quer conduzir a reflexão para onde? Mostrar que apesar das “coisas muito traumáticas da velha primária” estás aqui de boa saúde?

Se for só uma estratégia de markting para ter mais cliques, ok. Eu entendo e nós também os temos! Se é mesmo só por interesse histórico,então nada a dizer.

Mas neste momento tal interesse tem até um efeito contrário ao que tens mostrado. Associar a novidade do exame no 4º ano ao teu singular apelo acaba por legitimar as dúvidas – que eu partilho por inteiro – do interesse dos exames, dizendo que “são o mesmo de antigamente.” São um instrumento claramente político que foi usado no tempo do estado novo e que acabou com a Democracia.

Posso apelar ao teu perfil de docente? De professor, mesmo.

O que vais fazer com os meninos – tu às vezes referes que trabalhas com alunos “mais complicados” – que nunca irão conseguir fazer o exame? Reprovar? Há mais perguntas, mas esta penso que poderá ajudar a perceber o que vai na mente de quem defende os exames num momento tão precoce da escolaridade.

O mundo ao contrário

é o que me sugere o único neurónio que tenho ligado. O outro já foi dormir!

Depois de ler na primeira página do Expresso que ” Separação entre bons e maus alunos melhora resultados.”

Já agora duas perguntas que o meu solitário neurónio me solicita apresentar:

– Quem decide o que são bons e maus alunos?

– E que resultados melhoram?

– Melhoram os resultados de quem?

(Olha. Menti! Caro leitor, prometi que eram duas, mas afinal são três as questões que ele me envia. É um abusador.)

E o Tico (o Teco é o que está a dormir) pergunta se os Senhores Professores que colocaram o Sr. Nuno Crato no poder ainda se sentem felizes por nos terem atirado da frigideira para  o lume?

Depois do exame na 4ª classe, esta maravilha!

Quando é que chegam os crucifixos para colocar por cima do quadro? A fotografia do Ditador? E, quem sabe a palmatória!

Viva o 24 de Abril de 1974!

Este era o momento em que escrevia um insulto à moda do porto, mas vou ser mais educado e vou usar um insulto da linha de Cascais:

Seus estúpidos!

Em defesa da Monarquia

O meu amigo Nuno Resende vai ficar todo contente com o título. Mas só com o título mesmo. Como sabem, o Nuno incluído, não sou Monárquico.
Confesso a publicidade enganosa. O post nada tem a ver com esta questão a não ser lateralmente.
Numa aula de 9.º ano, após falar não sei quantos minutos das Ditaduras e da sua implantação na Europa dos anos 30, lembrei-me de que talvez os alunos não soubessem o que era uma Ditadura.
Perguntei e confirmei. Não sabiam. Nem sequer suspeitavam.
Após deambulações várias sobre liberdade, partidos políticos, eleições e demais exemplos que lhes permitissem perceber o que é uma Democracia, fiz a pergunta do costume: «Então, qual é o contrário de Democracia?»
E levei com a resposta do costume: «Monarquia».
Ironicamente, é quase sempre a resposta dos alunos àquela pergunta.
Foi então que me vi na obrigação de defender a Monarquia. Não, a Monarquia não é uma Ditadura – e expliquei por quê, dando vários exemplos e fazendo notar que, à Monarquia, deve opor-se a República e não a Democracia ou a Ditadura.
– «Ó setor, mas se o povo não vota no Rei, então isso é uma Ditadura.» [Read more…]

Mudança de Regime

O João Cardoso, em dia de lua cheia, anda muito entretido com as atrocidades cometidas pela ditadura de Elizabeth II. Ditadura é lá, a senhora não foi a votos e isso é ditadura, claro. Então que seja isso a ditadura. Mas não te esqueças, JJC, no dia que fores botar o voto na urna, do tipo de regime vais estar a eleger. Democraticamente, claro.

A Ditadura de Pinochet

Leio no Público de hoje que o Presidente Piñera quer fazer aprovar um novo regulamento para eliminar a palavra «ditadura» das referências ao período entre 1973 e 1990 ( governo de Pinochet) e substituí-la por «regime militar» nos manuais escolares.
O general com “mão de ferro” , que depôs Salvador Allende (tio da escritora Isabel Allende e pai da senadora com o mesmo nome!), instaurou “um regime de brutal repressão política”. Veio a descobrir-se o desaparecimento de mais de 3 mil pessoas e a prisão ilegal e tortura de 37 mil.
Lembrei-me imediatamente de Luis Sepúlveda, que conta em A Lâmpada de Aladino (2008), as atrocidades levadas a cabo por militares chilenos “a homens de talento”  amigos do escritor, durante a ditadura de Pinochet. Vale a pena reler: ” O Siete  era um jornalista chileno, desenhador talentoso além de fotógrafo, a quem um militar chileno tentou decepar a mão direita (…). O militar, uma besta (…) odiava, como todos os militares, as mãos dos homens de talento. Por essa mesma razão, antes de assassinar Víctor Jara [16/9/1973], outro (…) lhe cortou as mãos, atirando-lhe depois uma guitarra para que tocasse. Também ao maravilhoso pianista argentino Miguel Ángel Estrella tentaram cortar as mãos numa prisão uruguaia, mas o querido Chango continua a tocar. (…) [O Siete ] Com sete dedos apenas, a sua paixão pelo desenho transformou-se em mais do que uma necessidade, transformou-se num desafio. Aprendeu a segurar o lápis entre o polegar e o mindinho direitos e, entre outras obras de arte, falsificou durante anos os melhores passaportes e vistos de que precisávamos para sobreviver no exílio”.
Histórias que não se podem esquecer, antes contá-las aos mais novos e reavivá-las aos mais velhos.

O portuguesinho, o galês e o chinês

Numa sociedade em que valores como a competitividade ou o dinheiro se sobrepõem à solidariedade ou à decência, é sempre bom saber que há pessoas como Christian Bale, enorme actor já em O Império do Sol, para que possamos apreciar melhor figuras como António Mexia.

Bale tentou visitar o dissidente chinês Chen Guangcheng, tendo sido impedido de o fazer, o que só poderia acontecer num país democrático. Podem ver o vídeo mais abaixo.

Ao que parece, não existem vídeos em que possamos ver Mexia com os novos accionistas da EDP, mas, se existissem, não me espantaria vê-lo de joelhos no chão a manifestar disponibilidade para um projecto em que acredite. Entretanto, é possível ouvi-lo a elogiar a ausência de preconceitos de um governo que vende a quem der mais. É claro que ninguém se espanta por saber que a empresa chinesa pretende manter a actual equipa executiva da EDP.

É claro que há muitas afinidades entre Mexia e a China, nomeadamente no que se refere ao desejo de retirar direitos aos trabalhadores e de prescindir, o mais possível, desse incómodo chamado democracia.

Enquanto Chen Guangcheng luta para que os cidadãos do seu país usufruam de liberdade, Mexia luta para manter os seus privilégios e o seu gabinete, sem preconceitos contra as ditaduras. Ambos servem de exemplo para muita coisa, mas só o primeiro é exemplar. [Read more…]