Kevin McCarthy, os Republicanos e o extremismo de direita

Imagem retirada de: MSNBC

Kevin McCarthy é membro do Partido Republicano. É-o, aliás, há muitos anos e uma figura reconhecida na política norte-americana.

McCarthy era o líder da Câmara dos Representantes. Quando foi eleito, afirmou que não iria entrar no jogo das teorias das conspiração que a ala de extrema-direita dos republicanos tentava – e tenta – jogar para conseguir reinar. Afirmou que ia cumprir com responsabilidade o papel que o cargo que ocupou exigia, aceitando o governo do Partido Democrata. Tais posições fizeram dele, na altura, a “nova ovelha-negra da família” republicana.

Insultado por essas redes sociais afora, ridicularizado, alvo, também ele, de teorias da conspiração nascidas no seio do seu próprio partido, Mccarthy não teve trabalho fácil. O que culmina, agora, com a sua destituição como líder da Câmara dos Representantes. Ora, quem é que detém a maioria dos deputados nesta mesma câmara? O seu partido. E é o seu partido que, através da purga, consegue destituir o líder da Câmara.

Se dúvidas ainda houver, espero que fiquem esclarecidas: o alvo e os inimigos da extrema-direita, seja esta a dos Estados Unidos, a da Península Ibérica, a dos anos 40 do século passado, a dos húngaros e polacos ou a dos sul-americanos, não são apenas os “esquerdistas, os socialistas e comunistas, os progressistas e os social-democratas”, mas sim todo e qualquer democrata, da esquerda à direita, que ouse não se alinhar com a narrativa extremista e aparentemente hegemónica da nova – que é velha – direita radical a nível mundial.

E por que é que isto acontece? Porque os primeiros adversários da extrema-direita são os democratas que, à direita, recusam o chavão do “se não os consegues vencer, junta-te a eles”. Por isso, a extrema-direita tem como primeiro plano corroer a direita a partir de dentro, quer através da invenção de cavalos de Tróia que ostracizem a tal direita democrática, quer pelo medo, “obrigando” essa direita a coligar-se com eles para conseguir manter o poder (comendo-a por completo, mal surge a oportunidade).

O fenómeno de Trump não começou nem acaba nos Estados Unidos. Começou nos anos 20 do século XX, quando os italianos “inventaram” o fascismo. O resto é História. Aprende com ela quem quiser.

Campeonato inquinado

Foto: TSF, © Igor Martins / Global Imagens

Há uns anos mais por acaso que propriamente por influência, soube antecipadamente do que estava a ser preparado com o material (emails) que tinham chegado às mãos de pessoas do FC Porto. Asseguraram-me que havia uma estratégia para acautelar todas as vertentes relevantes: jurídica, comunicacional, ética, etc. Pois, foi o que se viu. Anos depois, as condenações alcançadas só foram as que não queríamos, as nossas. Os verdadeiros criminosos, os reais trafulhas, escaparam incólumes.

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“Torcato, o bafiento beato”

Um poema de Ricardo Araújo Pereira, sobre bafientos beatos.

Farsas

Foto: CNN Portugal

Estes “arruaceiros”, mas dos bons (basta ver a forma como são tratados em comparação com aqueles que sem qualquer violência, interromperam o lançamento daquela vigarice em forma de livro), estão tão preocupados com o ambiente como eu com as desventuras da Família Kardashian.

Vejamos:

– maior poluidor mundial: China com o dobro das emissões dos EUA;

– maior poluidor mundial “per capita”: EUA que, apesar de tudo, tem revelado uma evolução positiva, tendo reduzido significativamente as suas emissões nos últimos 20 anos ao contrário da China que aumentou e continua a aumentar e muito as suas emissões;

– maior causa do “efeito de estufa”: emissões de dióxido de carbono;

– maior causa específica e crescente do “efeito de estufa”: a agropecuária; o metano cuja principal origem está no sistema gástrico do gado bovino, é 86 vezes mais pernicioso para o clima que o dióxido carbono e está a caminho de ser o principal responsável pelo “efeito de estufa”.

Alguém já ouviu a Greta ou algum dos seus cúmplices, falar sobre a China? Sei lá, nem era preciso uma “manifestaçãozinha” em Pequim, mas que tal um rabisco laranja numa das suas embaixadas? Pois.

Alguém já os ouviu a pugnar “à séria” por uma alteração rápida e substancial de hábitos alimentares? A redução do nosso consumo de carne de vaca para metade era suficiente para reduzir determinantemente a dimensão do “efeito estufa”. Pois. 

Porque, na verdade, não estão minimamente preocupados com o ambiente. O verdadeiro objectivo é, artificialmente, fazer sobreviver uma agenda ideológica. Perante a “morte anunciada” do comunismo e do socialismo, a alternativa foi evitar esse inevitável e implacável desaparecimento através da adopção de novas causas. Como sempre, da forma mais errada possível. Como sempre, pondo a ideologia muito à frente das próprias causas que desesperadamente adoptaram. Tal como o comunismo se marimbava na felicidade das Pessoas porque o foco exclusivo era a subsistência do sistema político, também estes ambientalistas hipócritas, estão-se a borrifar para as alterações climáticas. O único e exclusivo objectivo é apenas manter viva a esquerda mesmo que em coma e “ligada às máquinas”. 

E o mesmo se passa com outras “causas” como, por exemplo, a absurda e inviável “ideologia de género”. 

Aliás, e a propósito, não consigo deixar de alertar que o grande “trunfo” e a maior fonte de recrutamento destes “activistas” é a escola. Onde, durante anos e anos, foi levado a cabo pelos partidos de extrema-esquerda, um minucioso, calculista e asqueroso processo de infiltração na classe docente. A inteligente (no mau sentido) estratégia levou ao alistamento de inúmeros professores que se dedicaram a perverter programas, ensino e função em favor de uma, também, repulsiva agenda partidária. Não tenham dúvidas até porque isto não é fruto de nenhuma rebuscada “teoria da conspiração”, mas sim de efectiva constatação e de informações “privilegiadas” (não são assim tão privilegiadas). O que diz muito da “bondade” da ideologia de esquerda que precisa de recorrer a processos “mafiosos” para crescer (neste caso, é mais para não desaparecer). 

O Evangelho do Ódio

Porque insistem os fascistas em usar Jesus, o homem que pregou o amor e a tolerância, para justificar o ódio e a crueldade?

E o que levará alguns católicos a achar que isto faz algum sentido?

Rezam a Deus ou ao Diabo?

Doutrinação

A estratégia dos grupos de pressão LGBT mais qualquer coisa, é óbvia: doutrinação. À boa maneira da que foi feita por todos os regimes ditatoriais, nomeadamente pelo regime nazi e principalmente (porque durou muito mais tempo) pelo regime soviético.

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Ambições

Acho que já relembrei isto, mas até porque a inevitável demência que me espera quer pela idade quer pelo facto de ser Português, me absolve, vou voltar a contar: há uns anos quando trabalhava quase permanentemente em Lisboa, fui convidado para ir a um jantar de Portuenses que passaram a viver na capital; acho que aquilo era periódico e frequente; bem, a experiência foi tão próxima do surrealismo que saí de lá atordoado com o absurdo em que tinha participado; estava à espera de “tripeiros” radicalizados pela distância, definidos pelas “caralhadas” libertadoras, sinceras e tão, tão eloquentes e colados pelo carácter sincero, cru, nobre e desafectado que nos define, distingue e, porra, que nos faz sentir “em casa”; foi exactamente o contrário; parecia que tinha entrado na sede dos “gajos” que tinham escrito os “protocolos dos sábios (enorme paradoxo)”, não do Sião, mas do “olissipismo”, vulgo imperio do pedantismo e da futilidade. Ou ainda de forma mais compreensível, dos que podem com propriedade dizer “eu sou tão oco como um pneu, mas vou aqui armar-me, empinar o nariz e dizer umas “merdas” para dar a ideia que ultrapassei há muito a condição de simples mortal”.

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Rabo de Perdição

Usando da concisão e da elegância do costume, o Francisco Miguel Valada já fez referência ao estranho caso do autarca que toma decisões com base numa petição assinada por 37 cidadãos.

Entretanto, os argumentos apresentados no texto da petição e as declarações de alguns dos peticionários são tristemente divertidos e merecem um ou outro comentário.

Apesar do extenso currículo amoroso do escritor, podemos aceitar que «o grande amor de Camilo foi Ana Plácido», como consta da petição. O que já parece mais difícil de engolir é que a mulher a que se agarra o Camilo esculpido seja «um exemplar mais ou menos pornográfico». Como quero poupar o leitor a imagens mais fortes, deixo aqui uma ligação para um texto de Fernando Esquio, um trovador do século XIII, que se estaria a rir de quem confunde nudez com pornografia.

Entretanto, Ilda Figueiredo, um dos peticionários, critica a estátua como sendo uma afronta à figura feminina, tendo em conta a desigualdade: deveriam estar ambos vestidos ou ambos nus. Em alternativa à remoção da estátua, presume-se, o escultor deverá vestir a rapariga ou será obrigado a despir Camilo. Aguarda-se a posição dos restantes peticionários e a decisão de Rui Moreira.

Mário Cláudio, outro peticionário, considera que a figura feminina representa Ana Plácido, sendo de opinião que uma mulher «notável, talentosa e corajosíssima» não pode ser reduzida a um «corpo desnudo», o que acentuaria o pecado da «objectificação da mulher». Muito me espanta a ideia de que a nudez seja indigna ou a ilusão de que uma mulher vestida não possa ser objectificada.

Em suma, ainda há quem perca a cabeça por causa de um rabo: uns deixam escapar piropos de mau gosto, outros assinam petições.

Um País dominado pela comunicação da “capital”

Ontem por amizade e generosidade de Siramana Dembelé (vénia, enorme vénia), fui ao Dragão. Quando, a seguir, tive acesso às imagens e respectivos comentários, fiquei com a impressão que não tinha visto o mesmo jogo.

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Deixem as mulheres e os homens biológicos em paz

Um dos temas mais delicados da actualidade, e por isso, a meu ver, urgente discutir, é a batalha dos géneros, que se insere num conflito macro ao qual se convencionou chamar Guerra Cultural.

Fala-se dessa Guerra Cultural como se ela fosse um produto dos nossos dias. Mas ela existe desde sempre, de cada vez que um grupo ou minoria se levantou para mudar o status quo e bateu de frente com a ruling elite. São necessariamente radicais, porque – literalmente – propõem mudanças profundas. E encaradas de forma igualmente hostil pelo poder vigente, falemos da emancipação das mulheres, da abolição da escravatura ou dos direitos LGBT.

No caso concreto do género, o nível de radicalização, sobretudo à esquerda, atingiu um patamar tal que entramos no domínio da pós-verdade e da negação da ciência, algo que se reflecte em algo que a mim me preocupa que é a tentativa de suprimir o conceito biológico de homem e mulher, como se tal fosse matéria de ideologia. [Read more…]

Negócio das Arábias

O ano é 2023. Dezenas de futebolistas, investidores do Ocidente, empresários económico-moralistas, emigram para a Arábia Saudita, onde os esperam centenas de milhões de dólares a troco de muito pouco: os sauditas pagam os milhões, os pobres emigras lavam a imagem do regime sanguinário. É tudo lindo e maravilhoso, porque afinal é preciso ganhar-se dinheiro e afinal qual é o mal de branquear uma das mais tenebrosas ditaduras a troco de milhões de dólares? E com isto até podemos vir a trazer petróleo mais barato. É uma situação “win-win”! Vocês, também…

O ano é 2057. A Arábia Saudita invade mais uma vez o Bahrein. Chama-lhe “Operação Militar Especial” e diz que tem por objectivo “acabar com o fundamentalismo religioso”.

Fotografia: The Guardian

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Irmãos! Contemplem o retorno!

Hotéis com menos ocupação, restaurantes com menos clientes e lojas com menos vendas. Lisboa perdeu dinheiro com as JMJ. E não estou a falar do investimento da autarquia. Estou a falar nos jovens que vieram a Lisboa, que dormiram em casas emprestadas e parques de campismo, que comeram no Continente e no Pingo Doce e que não consumiram no restante comércio da cidade. O retorno prometido, conforme antecipado, começa a revelar-se um embuste. Já podemos falar com seriedade sobre isto ou ainda é pecado?

O beijo

Ponto prévio: o pouco que conheço de Luis Rubiales, indicia que se trata de mais um “perfeito imbecil” que, mesmo antes disto tudo, já colocava em perigo a candidatura conjunta ao Mundial.

O que se está a passar a propósito do “beijo”, demonstra em absoluto, se ainda fosse preciso, a imensa hipocrisia e a desonestidade absoluta que o actual “feminismo” representa. Principalmente em contraponto com a histórica luta para a “igualdade de direitos”.

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Tech Zombies

Phones, óculos digitais, relógio e tv smart, telemóvel, computador, powerbank e um modem portátil para nunca ficar fora da rede. Uma especie de sonambulismo digital, zombies da tecnologia, escravos do scroll, nómadas apenas de si próprios, que abriram mão do olhar, da audição, do tacto e dos outros. As bocas não vão precisar de garrotes que poucos serão os cérebros disponíveis para as maçar com ideias. No auge da sociedade da imagem, do espetáculo permanente, é o silêncio quem mais ordena e a palavra que está em risco.

O Peruca: da Argentina não sopram Buenos Aires

Então parece que dizem que o próximo presidente da Argentina é um boneco que defende o direito a vender órgãos e que não se opõe a que se vendam crianças porque, diz, é um “anarco-capitalista” (conceito interessante, uma vez que o anarquismo rejeita totalmente o capitalismo – ou seja, anarco-capitalismo é uma ideologia que não existe porque os termos são contraditórios em si).

E se isto não parece assustador, quando questionado sobre o que fará com o Ministério da Saúde, da Cultura, do Ambiente ou da Educação, a resposta de “O Peruca” (assim conhecido por ter um penteado que parece saído de uma festa com doses industriais de cocaína), confesso admirador de Donald Trump e Jair Bolsonaro, é: “Afuera”.

A Argentina não está bem. Tempos de crise, como se o guião já não estivesse escrito há mais de um século, são fermento para estes tolinhos alienados de extrema-direita. A Argentina vai ficar pior.

Javier Milei venceu as primárias argentinas.
Fotografia: ALEJANDRO PAGNI / AFP

Salário emocional e eu a ver

Em linguagem deliciosamente pedestre, há quem se queixe de estar a ser fornicado e a ver. O utente desta expressão mostra-se objecto passivo da fornicação e usa o acto como metáfora de prejuízo. Ao mesmo tempo, a dita expressão mostra que a vítima, ainda que ciente do que lhe está a acontecer, não tem poder para impedir que o acto prossiga. Está a ver.

Por estes dias, e comprovando, mais uma vez, a minha vasta ignorância, descobri a existência da expressão “salário emocional”.

Note-se que não me parece descabida a ligação entre salário e emoções. Efectivamente, o salário pode ser causa de várias emoções, desde a alegria festiva até à depressão chorosa. Também neste caso, talvez possamos dizer que não há salário como o primeiro ou que o mesmo salário é eterno enquanto dura. Não me espantaria que o próximo livro de António Damásio tivesse o título O Erro de Marx. Emoção, Salário e Cérebro Humano. [Read more…]

Eu sou SÉRGIO CONCEIÇÃO

Não, não é nenhuma derivação do “je suis” qualquer coisa. Quando digo que sou Sérgio Conceição, digo-o porque me identifico avassaladoramente com o seu carácter, com a sua determinação, com a sua honorabilidade, com a sua empatia pelos outros, etc. E acima de tudo com a sua Educação. Sim, com a sua Educação.

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Antes de serem católicos, são humanos

Fui lendo e ouvindo, aqui e ali, que estes milhares de jovens que vieram ao nosso país para as Jornadas Mundiais da Juventude não são como os outros. Não são como os índios dos festivais de Verão, não são como as hordas de ingleses no Algarve, não são como os hooligans do futebol.

É claro que (também) são.

São muitos, são feitos da mesma matéria que os demais, e, entre tantos milhares, haverá uma larga maioria que por cá passará de forma civilizada. E uma minoria de arruaceiros, como as há nos festivais de Verão, no turismo de massas e nos estádios de futebol. Profissionais ou ocasionais. Antes de serem católicos, são humanos. [Read more…]

A teoria do eterno retorno e o mexilhão

Em Portugal, não há propriamente organização de grandes eventos, há grandes eventos sem organização. A norma é a derrapagem orçamental ou a feitura em cima do joelho, duas acções tantas vezes relacionadas, especialmente quando os dinheiros públicos estão envolvidos.

Os dinheiros públicos têm, para quem os gere, a grande vantagem de saírem da carteira de muita gente. As dívidas podem ser contraídas hoje e pagas pela gerência seguinte, que, como é costume, irá queixar-se da gerência cessante. Apesar de ser tudo feito em cima do joelho, nunca é o joelho que sofre, é o mexilhão, o molusco que paga sempre as dívidas que não contraiu e cujo salário mal dá para mexilhão.

Sempre que se (des)organiza um grande evento, no entanto, os que criam dívidas em nome do mexilhão garantem sempre que o dito evento, depois das derrapagens e da instabilidade do joelho, irá trazer retorno.

Ele é o retorno em noites de hotelaria, em litros de cerveja, em reservas de mesas, em taxas, em criação de empregos. No papel, as fortunas que se gastam nos grandes eventos são sempre ínfimas quando comparadas com os lucros que virão, o tal retorno, o milagre da multiplicação das notas que foram muitas e regressarão acompanhadas por muitas outras. [Read more…]

Morto.

Fotografia: José Coelho/Agência Lusa

O presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP) nem sempre foi Presidente da Câmara. Isto é, não nasceu para ser presidente, o que contraria a faixa mais tocada no cd dos neo-liberais: a do mérito. Na verdade, ainda ninguém percebeu bem qual o principal talento de Rui Moreira: estudou nos melhores colégios privados do Porto, estudou em Londres na Universidade de Greenwich e, sabe-se, depois disso nunca teve de enviar um CV na vida.

Rui Moreira foi, durante anos, presidente da Associação Comercial do Porto (ACP). Antes, foi um reputado empresário do sector imobiliário. O que, tendo em conta essa reputação, tornava lógica a sua presidência na ACP (e haveria de tornar lógico, mais à frente, o seu reinado enquanto presidente da Câmara Municipal, mas já lá vamos). Fora isto, poucos o conheciam.

Mas haveriam de vir a conhecer. Este filho e neto de Condes e Viscondes, haveria de se notabilizar por conta do comentário desportivo (olha quem!). Durante anos, foi o comentador afecto ao FC Porto no programa da RTP3 “Trio d’Ataque”, onde fazia a defesa acérrima daqueles que, há décadas, andam a usurpar o clube (aqueles que, sabia e sabe Moreira, lhe davam e continuariam a dar, também, a credibilidade que ele nunca teve). Aqui entra o FC Porto: o projecto mais apetecível para o empresário Rui. O comentador Rui Moreira, que abandonou o programa “Trio d’Ataque” em directo por, simplesmente, ter recebido uma opinião contraditória àquela que era a narrativa que este tentava fazer passar, foi subindo degraus e passou a ser “o cavaleiro-mor na defesa dos corruptos da direcção”, ao invés d’”o choninhas que comenta umas coisas sobre penáltis no canal público”. Estava dado o mote: Moreira haveria de ser, um dia, tudo aquilo que ambicionou. E o FC Porto há-de ser, daqui a uns anos, o último degrau. 

Rui Moreira no programa “Trio d’Ataque”.

Trocou o blazer de bombazina gasto à lá “tio liberal fixe da Foz” pelo fato completo à lá “tecnocrata dos gabinetes” e fez-se à vida. Empoleirado nos conhecimentos que fez enquanto presidente da ACP e nos amigos que tem no FC Porto, candidatou-se como independente à CMP com o apoio do CDS-PP e… venceu… três vezes. Ao CDS-PP juntaram-se outros projectistas do Porto como bem comercial, como a IL. O antigo mero comentador de um programa de comentário desportivo estava, agora, no lugar mais alto que ambicionou até então: era, agora, o Rei-mor do Porto. E restaurou o Porto à sua imagem, levando consigo os primeiros anos deste seu percurso. [Read more…]

Pedro Abrunhosa, sobre o encerramento do STOP

O STOP e a cidade que queremos construir“, artigo aberto, no Público.

A inocência até prova em contrário? Não, a inocência conforme nos convém

Cartoon de Vasco Gargalo.

A casa de Rui Rio foi alvo de buscas. A sede do PSD também.

Não há arguidos. Ainda. Ou seja, ainda ninguém é acusado e, tampouco, culpado de nada. Todo o cidadão tem direito à sua defesa e até que um Tribunal consiga provar por 1+1 que os visados são culpados do que a eles se assaca, então estes são inocentes. É um direito constitucional.

Se isto é verdade, também não deixa de ser verdade que esta máxima só é aplicada quando nos toca a nós, aos nossos mais próximos ou àqueles com quem simpatizamos.

Confesso que é enternecedor ver e ouvir os Sebastiões Bugalhos desta aldeia a queixarem-se de que as buscas à casa de Rui Rio e às sedes do PSD são “manobras de diversão”, depois de terem passado os últimos sete anos a comentar afincadamente “casos e casinhos” que afectassem o Governo e que mantivessem a opinião de tais informados na ribalta. O mal não foi terem surfado a onda dos “casos e casinhos” afectos ao PS; o mal é agora mostrarem-se muito revoltados porque, desta vez, calhou a fava à direita. [Read more…]

Os dias do fim do PSD: o caso do cartoon

Há dias, quando estourou a polémica em torno do cartaz em que António Costa era representado com feições de porco e lápis espetados nos olhos, os partidos de direita desvalorizaram o sucedido.

O maior partido da oposição, porém, não se limitou a desvalorizar. Pela voz do deputado António Cunha, o PSD fez um exercício de whataboutism e relembrou que, no passado, também Passos Coelho foi alvo de representações pouco simpáticas, como aquela em que era retratado como um coelho enforcado. E rematou: “não é justo que se tome a parte pelo todo”, aludindo à minoria de professores que carregou tais cartazes. [Read more…]

“MAI ligou à administração da RTP por “desagrado” com cartoon sobre polícias”…

noticia o Jornal de Notícias.

Ministério da Administração Interna, PSD, Chega e CDS, todos juntos na tentativa de pôr açaimes à independência do canal público de televisão, sem perceberem (ou ignorando convenientemente) o essencial: o-cartoon-não-é-sobre-a-PSP.

E mesmo que fosse, desde quando é que, sucessivamente, a PSP se acha imune a críticas e a ironias, quando há até relatórios – e reportagens – que provam que há infiltração de forças de extrema-direita nas forças de segurança portuguesas? Segue-se o quê? A criação do “Secretariado Nacional de Informação”?

Que o Chega queira censurar tudo aquilo que não lhe convém, percebe-se, sabendo nós quem eles são. Que o CDS se junte à palhaçada, uma vez que para ressuscitar necessita dos eleitores do Chega, também se entende. Que o PSD, suposto garante democrático da direita liberal, lhe siga os passos, é bastante sintomático. E que o MAI, chefiado por um político da social-democracia europeia, se queira juntar à chicana, é ainda mais revelador e atesta o perigo em que estes supostos donos do pedaço estão a colocar a democracia em Portugal.

Cristina Sampaio @spamcartoon

O estranho fenómeno da twitterização da vida e do desfasamento das novas gerações

Dizem que são “luxury lovers”, ouvem podcasts sobre economia onde jovens brancos mimados que não entendem um cu de economia debitam alarvidades, nunca abriram um livro nem sabem o que é um “relatório” ou uma “ficha técnica”, rejeitam todo e qualquer meio de comunicação tradicional com a premissa de que é tudo “um lixo”, mas adoram youtubers e tiktokers com discursos vazios de “auto-ajuda” e acham que o MaisLiberdade é o pináculo da “literacia financeira” e da independência (spoiler alert: há gráficos para tudo, consoante o que se quiser mostrar e não, não é independente, é da IL) e que o Ventura até diz as verdades (spoiler alert: um relógio parado está certo duas vezes por dia). Acham que comportamentos racistas, xenófobos ou homofóbicos são mera “liberdade de expressão”, e exercem-na no Twitter ou no Facebook, porque nunca leram a Constituição para perceberem que tais actos são crime, não opinião e que liberdade de expressão é outra coisa.

Admiram o Elon Musk de cada vez que este se peida, acham que o Raul Minh’Alma é o melhor escritor português e o Cristiano Ronaldo é o role-model das suas vidas, consomem Prozis porque vão ficar muito bombados (e assim sempre estão na moda), acham que são os impostos o grande flagelo das sociedades, acreditam piamente que uma taxa plana de 15% num ordenado de 1000€ os vai deixar milionários, são contra taxar as grandes fortunas mas ganham menos de 1000€/mês… e vivem num T1 em Gueifões pelo qual pagam quase um ordenado mínimo, compram na Zara e conduzem um Ford Focus…

Não admira que a Iniciativa Liberal tenha tantos bots que a apoiem, quando vende a política como se de um sonho se tratasse, achando que riqueza é mero sinal exterior de quem “lutou muito para lá chegar”, mas depois quem tem de levar com um barbeiro que cobra 8€ por corte e que paga 600€/mês pelo arrendamento de um espaço comercial, mas que acha que vai ser milionário a trabalhar, na caixa de comentários de um qualquer jornal português sou eu. [Read more…]

A morte de Luís Aleluia e o clickbait: TVI na senda da TV7Dias

Depois da abominação que foi a publicação de um vídeo do corpo do Luís Aleluia a ser retirado da garagem onde faleceu, a TVI decidiu descer ao lamaçal da TV7dias para fazer clickbait com o drama do actor, sem respeito pela dor da família, para expor algo sem o mínimo de interesse ou valor informativo. Horrível, degradante, desumano.

Imposto só é roubo quando um país é governado por ladrões

Não sei quanto a vós, mas eu adoro a patranha neoliberal que garante, com arrogância pseudo-académica, que os nossos jovens abandonam o país devido à carga fiscal, porque, lá está, “imposto é roubo”.

Depois vai-se a ver para onde estão a sair os nossos jovens e constata-se que estão a trocar o Reino Unido – onde Rishi Sunak anunciou há dias a intenção de reduzir impostos – pelos países nórdicos.

Imposto só é roubo quando um país é governado por ladrões. Porque, até ver, ainda não se produziu um sistema mais funcional, decente, humano e capaz de gerar tanto bem-estar a tantas pessoas como aquele que assenta precisamente na ideologia que propõe impostos elevadíssimos para financiar um estado social amplo e eficaz. Chama-se social-democracia, é filha do socialismo, neta de Marx, Engels e Lassalle.

Imposto não é roubo. Roubo é querer deixar o cidadão comum ao Deus-dará, para proteger as grandes fortunas que, regra geral, são quem mais beneficia dos serviços e infraestruturas do Estado. E do favor dos sucessivos governos. Taxem-se.

Uncomfortably Numb

Mesmo junto ao local onde trabalho, existe um daqueles espaços com máquinas automáticas que estão abertos vinte e quatro horas. “Aberto” é termo apropriado para este sítio em particular: os vidros que serviam de parede foram partidos por mitras em tempos imemoriais e jamais foram substituídos. E é desses mitras de que vos falarei hoje.

Habitualmente, o espaço está ocupado por um grupo de três ou quatro mitras e uma gaja, que deve andar a comer um deles, ou mais provavelmente os quatro. Fazem-se acompanhar de colunas de som e da bolsinha da ganza. Diria que o fumo pesado dos charros num espaço muito frequentado por crianças (é uma zona com várias escolas) seria desadequado, não fosse o lugar muito pouco kids-friendly por si mesmo, uma vez que uma das máquinas vende utensílios tão esdrúxulos quanto dildos, anéis vibratórios ou flashlights. Uma vez, de forma a pregar uma partida a um amigo mais ingénuo, uns alunos meus compraram uns preservativos na máquina, disseram ao amigo que se enganaram a pedir, que tinham pedido algo de que não gostavam, mas se ele quisesse podia ir buscar, que ficava para ele, e o pobre voltou confuso e com um anel vibratório na mão, que os colegas compraram convencidos de que eram preservativos. Ri-me e alertei que eles queriam enganar o colega, mas que nem sabiam comprar preservativos, contudo não daria mais explicações, alegando que lhes faltavam anos de vida para terem acesso à verdade, quando a mim é que faltava o conhecimento do que raio é um anel vibratório. [Read more…]

Rankings escolares do Terceiro Mundo

Chegamos àquela altura do ano em que se anunciam os rankings escolares, como sempre dominados por colégios privados, a maior parte dos quais habitualmente apanhados a inflaccionar artificialmente as notas, sobretudo de educação física, ou não fossem os seus alunos, mais do que o futuro deste país, o futuro do Comité Olímpico Português. Em Portugal, mérito é ter dinheiro. E com esta cultura de mérito, o nosso lugar no Terceiro Mundo da Europa está garantido.

Os Talibans da moralidade

Eu percebo que o primeiro-ministro não goste de se ver representado como um suíno de lápis enfiados noj’olhos. Eu também não gostaria de me ver assim representado, se bem que me pareço mais com um rato.

Puxar a cartada do racismo, por um lado, desvaloriza todos os reais actos de racismo (que é estrutural, diga-se) e, por outro, atropela todo e qualquer pressuposto da liberdade de expressão (e artística).

Somos todos Charlie Hebdo, mas não caricaturem o primeiro-ministro de Portugal porque isso é racismo. E uma caricatura que representa Hitler com a estrela de Davi, para chamar a atenção para o genocídio do povo palestiniano, é anti-semitismo. E um actor cis-género a interpretar uma personagem transexual é transfobia. E uma escultura em forma de falo pode chocar os senhores padres pedófilos. E isto serve, (também e) sobretudo, para a wokice que, em certas camadas, invadiu os espaços à esquerda.

Relembro o desenho abaixo representado, que indignou muita gente beata, porque Talibans das liberdades há-os um pouco por toda a parte, sejam mais progressistas ou mais conservadores.

Ide.

Imagem retirada do site esquerda.net