48 horas depois,

o Polígrafo continua a achar que António Costa é presidente da Comissão Europeia.

Polígrafo, Polígrafo, Polígrafo

O Polígrafo decidiu verificar a veracidade (em bom rigor, a exactidão) desta frase de Marcelo Rebelo de Sousa:

Portugal é o único actual Estado-membro não fundador que, com Durão Barroso e António Costa, viu os seus nacionais serem presidentes de duas instituições europeias: a Comissão Europeia e o Conselho Europeu.

Começa o Polígrafo por contextualizar:

Remata o Polígrafo desta forma:

Efectivamente:

Portugal (…) tem, hoje, um presidente da Comissão Europeia, o ex-Primeiro-Ministro António Costa, que chegou ao cargo em Dezembro de 2024.

Isto é grave.

Mas mais grave ainda é o texto ter sido publicado em

de Portugal Continental e da Madeira e, até este momento (em

14 de Junho de 2025 às
10:51

de Bruxelas–menos uma hora em Portugal Continental e na Madeira) ninguém do Polígrafo ter dado pelo gravíssimo disparate.

Quando um liberal apoia um socialista…

…o socialista é muito liberal – «António Costa é o melhor socialista para o Conselho Europeu.» (Luís Montenegro).

O Costa do Castelo

Quando a emigração é muita, há fortes possibilidades de que o país não ofereça o suficiente aos seus cidadãos, que, naturalmente, irão procurar no estrangeiro aquilo que a pátria não tiver.

António Costa, como qualquer outro cidadão, tem direito a emigrar. Efectivamente, Portugal já não tinha capacidade de albergar um político tão hábil, pelo que é justíssimo que suba dentro da estrutura da Multinacional onde foi obrigado a começar por baixo, exercendo o cargo de primeiro-ministro de Portugal.

É fácil confirmar a extrema habilidade de António Costa. Em primeiro lugar, conseguiu, com a Geringonça, criar a ilusão de que o país foi governado à esquerda. Depois, ainda transmitiu a impressão de que ficara contente com a maioria absoluta que lhe caiu indesejavelmente no colo. Após vários casos e casinhos, alcançou o objectivo de se sentir obrigado a demitir-se, mostrando-se suficientemente revoltado para parecer que estava descontente com a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa. E estamos a falar apenas dos últimos oito anos, que o currículo de Costa é vastíssimo.

Lisboa é pequena para quem revelou tanta competência. Bruxelas e a Europa serão suficientes durante uns anos.

Entretanto, Costa será uma referência para todos aqueles, dentre nós, que têm esperança em subir na vida, um modalidade de alpinismo que, em Portugal, só se exercita verdadeiramente no estrangeiro, esse país que nos fascina.

Escutas

Era uma vez um primeiro-ministro muito fraquinho a que chamavam socialista e que ficou muito aborrecido por ter conseguido uma maioria absoluta, quando estava desejoso de ir para a Europa, essa região distante de Portugal, não em quilómetros mas em euros.

Era uma vez um presidente da República que vivia obcecado com a popularidade, tão carregado de opiniões, que se tornou incontinente, desejoso de estar dos dois lados da política, comentador-político ou político-comentador. Este mesmo presidente da República tinha sido constitucionalista e declarou, apesar disso, que a demissão do primeiro-ministro implicaria a queda do governo, com base num argumento próprio de um comentador e impróprio de um constitucionalista.

Era uma vez uma investigação inconsistente que deu ao primeiro-ministro a oportunidade de se demitir em direcção à Europa, demissão aproveitada pelo presidente que deu ouvidos ao comentador e ignorou completamente o constitucionalista, que uma pessoa não é obrigada a ouvir as vozes todas que tem dentro de si.

Pelo meio, um antigo ministro, que já tinha procurado emprego como comentador, voltou muito depressa à política para ser primeiro-ministro e acabou na oposição e um antigo chefe parlamentar que estava na oposição chegou a primeiro-ministro.

No ano em que o 25 de Abril comemora cinquenta anos, cinquenta amantes do 24 de Abril chafurdam na Assembleia da República.

Continuemos à escuta.

Fiscalmente em choque

Com que então, o choque fiscal do governo Montenegro no IRS são os 1327 milhões do sOcIaLiSmO mais uns trocos. O Sá Carneiro e o Humberto Delgado vão ser pequenos para os charters de jovens emigrados a fazer fila para regressar a Portugal. Agora é que este país vai para a frente.

Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu

Dois vídeos carregados de mediocridade, com especial destaque para o pretendente a estadista, Pedro Passos Coelho.

No primeiro vídeo, Coelho é muito rápido a criticar António Costa, talvez um dos demissionários mais felizes da história, depois de ter conseguido meter água em muita areia, ao ponto de ficar metido num lodaçal de todo o tamanho. No mesmo vídeo, surgem outros dois artistas pimba: José Sócrates defende Costa (como se Costa já não tivesse, por culpa própria, problemas suficientes) e André Ventura secunda Passos Coelho.

No segundo vídeo, o mesmo Passos Coelho recusa-se a comentar o caso de Miguel Albuquerque. O vídeo não está completo – na realidade, Coelho escuda-se no facto de ter sido primeiro-ministro e presidente do PSD, não querendo, por isso, intervir, adoptando uma pose conciliatória.

Tudo gente sem vergonha na cara. Tudo gente que confirma o velho ditado de que somos capazes de ver o argueiro no olho do vizinho, ignorando a tranca que trazemos no próprio olho. A democracia portuguesa tem as virtudes próprias no único regime legítimo; os defeitos que tem são todos destes figurões que vão governando em simpática alternância, sendo a rivalidade uma aparência consubstanciada em frases medíocres e resultante da disputa de alguns tachos, mais distribuídos do que disputados. [Read more…]

Vítor Escária: has anyone followed the money?

Julgo que será mais ou menos consensual que ninguém esconde 75 mil euros em livros e garrafas de vinho, a menos que tenha algo a esconder.

E Vítor Escária tinha, pelo menos, uma coisa: evasão fiscal. Os 75 mil euros encontrados pelas autoridades no gabinete em São Bento não tinham sido declarados.

O que esconderiam?

Talvez nunca venhamos a saber. Em Portugal é assim.

O que sabemos, porque o seu advogado nos disse, é que os 75€ são provenientes de trabalho de consultoria para um cliente angolano.

Que cliente será esse, para Vítor Escária sentir a necessidade de esconder o dinheiro?

Julgo que deveríamos estar a olhar mais para isto do que para o montante.

Mas ninguém parece interessado em seguir o rasto dinheiro.

Estranho. Ou talvez não.

Demissões

Primeiro-ministro que se demitiu das funções assume no seu governo demissionário a pasta do ministro que se demitiu do governo demissionário e que já tinha tentado demitir-se antes, mas o primeiro-ministro à altura não deixou.

O incrível José Gomes Ferreira

Todos temos momentos infelizes, como, por exemplo, o guarda-redes que deixa entrar um frango. Se o mesmo guarda-redes, no entanto, começar a contribuir para a criação de um aviário, é natural que o treinador o sente no banco.

José Gomes Ferreira, em directo, agarrou um tweet de uma conta falsa de António Costa e começou a comentá-lo como se tivesse sido escrito pelo ainda primeiro-ministro. Um director-adjunto de informação de um dos principais canais de informação da televisão portuguesa talvez devesse ser mais prudente, mas comunicar e comentar são hoje actividades mais importantes do que fazer jornalismo. A chamada comunicação social está cheia de comentadores políticos que são só políticos e de alegados jornalistas que são comentadores políticos, ou seja, só políticos. [Read more…]

Boa sorte, Portugal

Marcelo fez, julgo eu, a coisa certa. Manter o governo em funções, após tantos casos, casinhos e agora este casão, seria a falência total do sistema.

Sim, apesar da maioria absoluta.

Porque a maioria absoluta, tendo legitimidade, não se sobrepõe ao normal funcionamento das instituições.

E faz tempo que as instituições não funcionam forma normal. [Read more…]

José Luís Carneiro

Fernando Medina, Ana Catarina Mendes, Mariana Vieira da Silva e até Duarte Cordeiro. E, claro, Pedro Nuno Santos. Todos eram falados, todos podiam suceder a Costa. Até que o tsunami aconteceu e o discreto José Luís Carneiro emergiu.

José Miguel Júdice: “tenho a perfeita convicção que António Costa é um homem sério”

Malhou no PM todas as semanas. Sem excepção. Ainda assim, saiu na sua defesa. O regime está estar mesmo por um fio.

As montanhas e os ratos

Imagem retirada do Facebook @alexandremartins

Agora, vamos falar mais ou menos a sério:

O Ministério Público (MP) não vale a ponta de um prego enferrujado e é, hoje, antes de tudo o resto, um instrumento político.

Um MP que anda há mais de 9 anos a tentar “caçar” um ex-Primeiro-ministro sem provas concretas, não me merece qualquer credibilidade.

E isto não desculpa o PS, porque não sou como o João Soares e não ponho as mãos no fogo por corruptos mais ou menos socialistas, mais ou menos social-democratas, mas deixa com ainda pior imagem o próprio MP.

Resumindo: como sempre, e graças ao sempre incompetente MP, a montanha vai parir um rato.

Siga a banda, seja com o P”S” ou com as suas derivações centristas e populares democráticas.

O cerco aperta-se: Lacerda Machado e Vítor Escária detidos

Lacerda Machado, consultor-in-chief da nação, foi detido. Dos muitos negócios de Estado em que esteve envolvido, terão sido os do lítio e do hidrogénio que algemaram o padrinho de casamento de António Costa.

Quem foi igualmente levado pelas autoridades foi Vítor Escária, chefe de gabinete do primeiro-ministro. Também aqui, avança a comunicação social, negócios relacionados com o lítio e o hidrogénio estarão por trás da detenção.

A informação é ainda escassa e divulgada a conta-gotas. Sabe-se que João Galamba e Matos Fernandes serão constituídos arguidos e que decorrem buscas em São Bento e em vários ministérios.

Veremos o que sobrará no fim. Uma coisa é certa: o cerco em torno do costismo está cada vez mais apertado.

A queda do império socialista segue dentro de momentos.

António Costa, o bom aluno

Tenho aqui uma reflexão para partilhar convosco.

É o seguinte:

O governo anunciou um excedente orçamental de 0,8%. Qualquer coisa como 2.190.000.000€.

Há quem olhe para isto e veja o copo meio-cheio.

Eu vejo um governo que optou por andar mais rápido do que aquilo que se propôs, para mostrar a Bruxelas que é o “bom aluno”, prejudicando, para o efeito, o funcionamento dos serviços do Estado.

Prejudicando as condições dos profissionais da Educação, da Saúde, da Justiça e da generalidade da Administração Pública.
Com as consequências que se conhecem: greves, escolas disfuncionais, urgências encerradas e processos adiados e prescritos.

E porquê? [Read more…]

Contra o Orçamento do Estado para 2024

Dich, teure Halle, grüss’ ich wieder,
froh grüss’ ich dich, geliebter Raum!
Elisabeth

I walk the valleys by the Cerne
on a path cut fifteen hundred years ago
and I know these chalk hills will rot my bones
PJ Harvey

***

O espectáculo repete-se.

Efectivamente, continua tudo na mesma, com o poder político a sorrir, a encolher os ombros, a assobiar para o ar e a tapar o sol com a peneira. Por isso, não admira que o episódio de hoje seja idêntico aos anteriores, aquando dos textos apresentados para os anos de 20122013201420152016201720182019, 20202021, 2022 [1] e [2] e 2023. Os papéis são os mesmos e o enredo mantém-se. Os actores, sim, de vez em quando mudam. Os intervenientes de hoje, todavia, já vão na terceira representação desta cena.

Foto: Bruno Gonçalves (https://shorturl.at/fntM7)

E qual é o resumo do enredo? É muito simples: todos os anos, duas personagens sorriem, enquanto uma entrega um texto a outra. E por que motivo sorriem? Não faço a mínima ideia. Provavelmente, não conhecem o conteúdo do texto. Pior, no caso em apreço, desconhecerão o conteúdo das duas propostas anteriores: OE2022 (2/2) e OE2023. Se estes membros da classe política portuguesa lessem aquilo que todos os anos entregam e recebem, saberiam que há um problema. Um problema que se arrasta há imenso tempo. Um problema grave.

Vejamos, pois, uma pequeníssima amostra das pérolas que só não viu quem não leu o conteúdo do Relatório (pdf) que acompanha a Proposta de Lei n.º 109/XV/2 — Aprova o Orçamento do Estado para 2024: [Read more…]

A polarização já não cola. E agora, António Costa?

Foto: Tiago Petinga/Lusa

Não sou de fazer leituras nacionais de resultados autárquicos, regionais ou europeus, pese embora eles possam ocasionalmente coincidir. Mas o choque frontal com triplo capotamento e posterior incêndio em que o PS se viu ontem envolvido na Madeira parece sintomático do esgotamento do governo da nação. Apesar da maioria absoluta.

Após obter o melhor resultado de sempre em 2019, fruto de uma estratégia bem sucedida de polarização, o PS perde quase metade dos seus deputados regionais, num cenário em que a coligação não só não cresce como até perde um deputado. Crescem os partidos pequenos, sobretudo o CH, o que parece acompanhar as sondagens nacionais. [Read more…]

Segundo a direita portuguesa, o PSD Açores está a usar orçamento regional para controlar a imprensa

Quando, em plena pandemia, António Costa decidiu destinar uma verba para apoiar a comunicação social, a direita rasgou as vestes e acusou o primeiro-ministro de tentar controlar a imprensa para benefício próprio. Para abafar notícias incómodas.

Tal, como hoje sabemos, não aconteceu.

Aliás, não houve um escândalo no governo que não fosse objecto de ampla cobertura mediática. Das trapalhices na TAP às saudosas cabritices, passando pelo pavilhão transfronteiriço e pelos mais recentes esquemas no Ministério da Defesa, nada, rigorosamente nada, foi abafado pela imprensa portuguesa.

Agora, que os papéis se inverteram, uma vez mais nos Açores, José Manuel Bolieiro prepara-se para seguir as pisadas de António Costa, destinando igualmente uma verba do orçamento regional para apoiar a comunicação social.

Tentativa de controlar a narrativa nas redacções?

“Disparate”, disse Bolieiro.

E da direita das vestes rasgadas nem um pio.

Esclarecedor.

A inocência até prova em contrário? Não, a inocência conforme nos convém

Cartoon de Vasco Gargalo.

A casa de Rui Rio foi alvo de buscas. A sede do PSD também.

Não há arguidos. Ainda. Ou seja, ainda ninguém é acusado e, tampouco, culpado de nada. Todo o cidadão tem direito à sua defesa e até que um Tribunal consiga provar por 1+1 que os visados são culpados do que a eles se assaca, então estes são inocentes. É um direito constitucional.

Se isto é verdade, também não deixa de ser verdade que esta máxima só é aplicada quando nos toca a nós, aos nossos mais próximos ou àqueles com quem simpatizamos.

Confesso que é enternecedor ver e ouvir os Sebastiões Bugalhos desta aldeia a queixarem-se de que as buscas à casa de Rui Rio e às sedes do PSD são “manobras de diversão”, depois de terem passado os últimos sete anos a comentar afincadamente “casos e casinhos” que afectassem o Governo e que mantivessem a opinião de tais informados na ribalta. O mal não foi terem surfado a onda dos “casos e casinhos” afectos ao PS; o mal é agora mostrarem-se muito revoltados porque, desta vez, calhou a fava à direita. [Read more…]

Os dias do fim do PSD: o caso do cartoon

Há dias, quando estourou a polémica em torno do cartaz em que António Costa era representado com feições de porco e lápis espetados nos olhos, os partidos de direita desvalorizaram o sucedido.

O maior partido da oposição, porém, não se limitou a desvalorizar. Pela voz do deputado António Cunha, o PSD fez um exercício de whataboutism e relembrou que, no passado, também Passos Coelho foi alvo de representações pouco simpáticas, como aquela em que era retratado como um coelho enforcado. E rematou: “não é justo que se tome a parte pelo todo”, aludindo à minoria de professores que carregou tais cartazes. [Read more…]

O Governo das Sombras Chinesas

A ancestral arte das sombras chinesas feitas com as mãos, é fascinante. O saber usar as mãos à contra-luz para se obter uma forma de algo tão distinto das mãos em ofício, seja um porco, um cisne, um cão ou um homem de chapéu, desperta não só o imaginário como aguça a nossa capacidade de percepção.

Ora, parece que António Costa tem sabido aplicar esta arte oriental à prática governativa.

O mais recente exemplo, e que melhor espelha esta fina arte de iludir, reporta-se ao tão propalado apoio ao pagamento das rendas habitacionais, como medida social para debelar os efeitos da inflação e da perda de poder de compra. Foi notícia de primeira página, abertura de noticiários, holofotes, palanque, gráficos e tudo mais.

Posteriormente, foi aprovado o DL 20-B/2023, de 22/03, que, segundo o Portal do próprio Governo, estabelecia o seguinte regime de acesso:

Para serem elegíveis, os inquilinos deverão ter uma taxa de esforço (rendimento mensal afeto ao pagamento da prestação) igual ou superior a 35% e rendimentos coletáveis anuais até 38.632 euros (6.º escalão do IRS) e com contratos de arrendamento ou subarrendamento para habitação permanente celebrados até 15.03.2023

Parecia ser linear, a interpretação do artigo 4º daquele DL 20-B/2023, de 22/03. Parecia. Pois, segundo a notícia de hoje do “Dinheiro Vivo”: [Read more…]

Viktor Orbán, o André Ventura favorito de António Costa

O desvio do Falcon a caminho da Moldávia é um pequeno peanut. Grave é ver o primeiro-ministro reincidir na normalização de Viktor Orbán. Se António Costa quer rasgar as vestes a cada nova gritaria do CH – que até já lhe “cercou” a sede do partido – não pode a seguir alterar a agenda oficial para se sentar ao lado da principal figura da extrema-direita europeia a ver um jogo de futebol. Nem pode exigir clareza ao PSD na sua relação com o CH. Ou até pode, mas deixa a nu a sua hipocrisia. [Read more…]

Habituem-se

Regresso rapidamente ao tema “Costa vítima de racismo por aparecer num cartaz com nariz de porco“, para vos recordar que, em Dezembro passado, em pleno hemiciclo, o mesmo António Costa apelidou os deputados da IL de “queques que guincham”.

Sabem quem é que também guincha?

Os porcos.

Diz que é uma espécie de racismo

racismo|rà|
(ra·cis·mo)

nome masculino
  1. Teoria que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país ou região (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria.
  2. Atitude ou comportamento sistematicamente hostil, discriminatório ou opressivo em relação a uma pessoa ou a um grupo de pessoas com base na sua origem étnica ou racial, em particular quando pertencem a uma minoria ou a uma comunidade marginalizada.

Uma caricatura de António Costa com nariz de porco e dois lápis espetados nos olhos não parece encaixar nesta definição. Encaixa na definição de insulto, eventualmente na de mau gosto, dependendo dos gostos de cada um, mas não na definição de racismo. Talvez a máquina de propaganda do PS tenha outra. Mas esta relação simbiótica com a extrema-direita já está para lá de ridícula.

Certificados de aforro: o cartel é quem mais ordena

Coube a João Nuno Mendes, Secretário de Estado das Finanças, a árdua tarefa de vir a público garantir ter havido “zero pressão” da banca no cancelamento da série E dos certificados de aforro, que remunerava até 3,5%.

No início achei estranho, dado que, dias antes, ouvi o antigo presidente do IGCP, hoje presidente do Banco CTT, defender a suspensão da emissão de certificados de aforro, que o governo, solícito, cancelou quatro dias depois, na passada Sexta-feira.

Depois ocorreu-me tratar-se do mesmo secretário de Estado que soube da indemnização de Alexandra Reis pela comunicação social e pensei: coitado, mais um infoexcluído.

Adiante. [Read more…]

“Começaste por dar um rico exemplo…”

Nos inícios de carreira, o meu pai, que partilhava um gabinete de arquitectura com outros colegas, decidiu forrar de novo a prancha do seu estirador, com o seu habitual meticuloso cuidado.

Dava gosto ver aquele forro liso, imaculado, de vincos e dobras perfeitos, a contrastar com os estiradores dos demais colegas, já cheios de esquissos, apontamentos, contas e outras anotações sarrabiscadas.

De modo a evitar que o mesmo se passasse naquele primor de forro acabado de fazer, colocou no canto superior direito o seguinte aviso: “É favor não escrever neste forro”.

No dia seguinte, quando se sentou frente ao trabalho, apercebeu-se do seguinte escrito, logo abaixo do predito aviso: “Começaste por dar um rico exemplo…”.

Lembrei-me deste episódio, que o meu pai contava com um sorriso próprio de quem aprecia o humor, mesmo quando se é o alvo, quando este fim-de-semana ouvi António Costa dizer que os políticos têm de respeitar a maioria absoluta conferida pelo povo ao PS. [Read more…]

Escavacar um monte negro de costa a costa para construir a casa do coelho

O sacro-santo Cavaco Silva falou. Mais uma vez. Sempre que Cavaco fala, especialmente depois de findado o seu tempo enquanto figura activa e parte integrante da política portuguesa, tem um condão: o condão de unir a esquerda.

Cavaco Silva falou e disse. Deixando de parte a baixeza de certas partes do seu discurso, apontou a este governo os traços da incompetência, da desfaçatez, dos números de circo. Não está errado, isso é certo. Teria toda a razão de ser, se tais críticas não fossem feitas por… Cavaco.

Cavaco Silva, o mesmo que agora aponta tantos epítetos negativos ao governo, é o mesmo Cavaco Silva que, no seu segundo mandato enquanto primeiro-ministro (PM), acumulava “casos e casinhos” semana sim, semana não. O mesmo Cavaco que agora enumera os truques deste governo e descreve a bandalheira em que se encontra o Estado de Direito Democrático da República, era o mesmo que, nos seus dias enquanto chefe de governo, via passar-lhe por debaixo do nariz os Dias Loureiro, os Duarte Lima, os Oliveira e Costa, à boleia dos BPNs da vida. Este Cavaco é o mesmo que, enquanto Presidente da República, usava e abusava da comunicação institucional da Presidência para se defender e desmentir acusações de que era alvo. É certo que vivemos hoje na época dos cliques, das vinte e quatro horas ininterruptas de serviço informativo; nos anos 90, tínhamos de esperar pelo fim‑de‑semana, todas as semanas, para sabermos qual era o novo caso em que estava mergulhado o governo de Cavaco. Agora, aparentemente, é o Cavaco dos ataques e das acusações tendo como alvo o Partido Socialista. A memória afecta toda a gente, é um facto, mas não devia afectar Cavaco Silva que, para todos os efeitos, apresenta lucidez quando fala, dentro de casa, da casa dos outros. [Read more…]

Volte sempre, Cavaco Silva!

Sempre que Cavaco abandona o seu retiro presidencial para fazer política, interrompendo a luxuosa transumância entre o Convento do Sacramento e a propriedade na Herdade da Coelha, permutada com o impoluto amigo Fernando Fantasia, três coisas acontecem.

A primeira é o cerrar de fileiras dos partidos à esquerda. Não que se vão entender todos para ressuscitar a Geringonça, mas parece-me evidente que Cavaco tem o poder de, aparecendo, recordar muita gente daquilo que foi o cavaquismo. Que teve todos os defeitos do Costismo e de outros ismos mais.

A segunda é a menorização da liderança do PSD. Montenegro, o primeiro político da história deste país que se propôs a estar 5 anos em campanha para umas Legislativas, tem sido uma desilusão. Não consegue impor-se, apesar da sucessão de casos em São Bento, não consegue travar a ascensão do CH, que se faz, sobretudo, à custa de antigos eleitores do PSD, não se liberta, ele próprio, dos casos e casinhos que o ensombram, entre ajustes directos, ligações opacas em Espinho e uma mansão não declarada, e não descola nas sondagens, pese embora o valor relativo dos estudos de opinião. Teve que vir Cavaco para provocar a agitação que Montenegro é incapaz de causar. [Read more…]

CPI à TAP: uma procissão que nem no adro vai

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

Nunca, como na semana passada, assisti a tantas horas de audições de uma comissão parlamentar de inquérito. Ao todo, entre Frederico Pinheiro, Eugénia Correia e João Galamba, vi, seguramente, para cima de 10 horas de declarações, perguntas, respostas, provocações e alguma grunhisse também.

A primeira conclusão a que cheguei é a de que fiquei a saber muito pouco sobre o que se passou. E menos ainda sobre o que estas 3 audições acrescentaram ao propósito da CPI, que é o de investigar a tutela política da gestão da TAP. Reduzir as manobras por detrás de uma empresa que recebeu uma injecção de milhares de milhões de euros do erário público ao episódio do computador parece-me mais uma cortina de fumo do que outra coisa qualquer.

Fiquei igualmente com a convicção de que estão todos a mentir. Mas julgo que ainda é cedo para termos todas as respostas, se é que as vamos ter. De uma coisa tenho a certeza: quando um grupo parlamentar se reúne de forma secreta com a CEO de uma empresa que é alvo de uma CPI, para se prepararem para a audição dessa mesma CEO, algo de muito errado se passa com a república portuguesa. E o facto de Galamba garantir que estas reuniões são normais e recorrentes só agrava ainda mais o problema. Esta opacidade e o grau de manipulação que encerra são a negação de uma democracia aberta, decente e transparente. [Read more…]