É pouco? É tudo? É arte ?

A Carla escreve um excelente texto sobre as perplexidades que a atingem quando vê espectáculos que procuram novos caminhos, tal como o Vitor tambem já aqui escreveu sobre a sua desilusão num espectáculo de dança da Olga Roriz ainda em cena.

Eu lembro-me, nos idos de 70, quando ficava sozinho ou quase, após o intervalo nos filmes do sueco Ingmar Bergman, filmes que são hoje considerados obras primas como é o caso de O Ovo da Serpente, Desejo sob os Ulmeiros, O Sétimo Selo…

Eu tenho que confessar que ficava até ao fim por puro diletantismo, não fazia ideia nenhuma que estava a ver uma obra prima, agarrava-me à cadeira porque achava que quem se ía embora eram os que gostavam de filmes de cow-boys, estúpidos e trôpegos no escasso conhecimento e capacidade de análise do que estavam a ver. Hoje não os esqueço( aos filmes), embora tenha passado por uma fase de descrença, será que só perdi tempo, a armar ao intelectual?

Uma experiência que não esqueço foi uma tarde no Centro Pompidou, no espaçoso largo que o rodeia., onde um artista de rua tinha à sua frente uma mão cheia de panelas e tampas, um microfone que não passava de um bocado de madeira e contava histórias e sacava dinheiro aos incautos que por alguma razão não saiam dali. Era uma atração fatal! Às tantas, as muitas dezenas de pessoas já convictas que o artista não conseguia mais que o som tirado à força de pontapés nas panelas, riam e cantavam como nunca vi uma multidão rir e cantar, uma alegria genuína de quem balançava entre o enganado e o saborear a esplendorosa tarde, um espectáculo único, com as pessoas a darem pontapés nas panelas e nos tachos, com o ar de, enfim, revelarem o artista que cada um de nós trás dentro de si.

É isto um espectáculo? Isto é arte? Não havia perícia musical, nem um bom texto que me tornasse melhor ser humano, então o que me levou àquela euforia, ao puro gozo de dançar e cantar, quando a poucos metros tinha á mão, os filmes que não via em Portugal por serem proíbidos, os teatros, o Moulin Rouge…

Se calhar porque aquele ambiente, os sons da multidão, o encontro de pessoas que nunca mais vi, preencheram as minhas emoções e me fizeram feliz por uma tarde.

É pouco? É tudo? É arte?

Pinto Monteiro: e não se pode demiti-lo?

A notícia da Sábado, seguindo o Público,  é simples:

no dia 24 de Junho de 2009 houve uma reunião na Procuradoria-Geral da República e a partir de dia 25 de Junho as escutas feitas no âmbito do processo Face Oculta revelam uma mudança de discurso dos intervenientes, em especial no que diz respeito ao negócio da PT e da TVI. As escutas relativas a este último período terão estado na base de pelo menos um dos despachos de Pinto Monteiro, com data de 18 de Novembro de 2009.

Estas datas coincidem também com a altura em que alguns dos arguidos, nomeadamente Armando Vara e Manuel José Godinho, mudaram de telemóvel ou começaram a utilizar cartões diferentes.

Agora é somar 2 + 2. Ou subtrair 2 a 3: nessa reunião estiveram presentes Pinto Monteiro, o procurador Marques Vidal (que já sabia das investigações  que conduziram ao processo Face Oculta) e o procurador distrital de Coimbra Braga Themido (que também sabia). Dá um, Pinto Monteiro. Esse mesmo que manda investigar as fugas ao segredo de justiça. O dos despachos que se contradizem.

Juridicamente não sei nem me interessa, politicamente (e o poder judicial não está acima do poder político), a esta hora já devia estar demitido preventivamente. E investigado, é claro.

Costinha abandona o Sporting*


Ao fim de um curto período, Costinha, ex-jogador do FC do Porto e da Selecção Nacional, deixou hoje o comando do Departamento de futebol do Sporting.

* Este «post» foi escrito em colaboração com o Professor Karamba.

Honremos a memória de Pepe (Memória descritiva)

Quando hoje vemos Cristiano Ronaldo, vindo de uma família da mais modesta condição, nadando em milhões de euros, oferecendo mansões a irmãos e sobrinhos, espatifando carros topo de gama, misturado com figuras do jet set internacional, é inevitável a comparação com ídolos do passado, homens que, nunca saberemos, poderão até ter sido melhores futebolistas do que ele, mas que viveram e morreram sem outra recompensa que não fossem os aplausos de adeptos e, por vezes, até de adversários.

Já aqui falei de Pinga, o ídolo do Futebol Clube do Porto. Hoje falarei de Pepe. Benfiquista assumido, sócio de longa data e com as quotas em dia, não tenho qualquer problema em reconhecer a grandeza que existe e existiu nos clubes adversários. Sem adversários, que sentido faria a existência de qualquer clube?

Mentiria se dissesse que não fico contente quando os clubes que competem com o meu Benfica perdem. Seja qual for a modalidade. Seria uma intolerável hipocrisia. Mas espero que acreditem que não me vanglorio com o péssimo momento que o Sporting está a passar e, muito menos, com a decadência do Belenenses, cuja situação, desde há anos, se vai degradando. É deste último clube que vou hoje falar e do seu imorredoiro ícone – José Manuel Soares, «Pepe». O grande Pepe. [Read more…]

As nobres vinganças do Dr. Mário Soares

Antes do mais, é imperioso tornar claro que este texto não visa beliscar, e ainda menos criticar, o Dr. Fernando Nobre, homem que eu e muitos portugueses se habituaram a admirar pelo humanismo e altruísmo ao serviço da AMI, nos sete cantos do Mundo. O nome do médico – cirurgião, agora candidato à Presidência da República, teve necessariamente de ser requerido à minha memória, para ser usado na qualidade de peça colateral – perdoe-se-me o termo. O centro da história é ocupado por outra personagem a que associo o frequente e torpe gosto da vingança.

O País e a Democracia Portuguesa beneficiaram de acções políticas do Dr. Mário Soares, mas é exagerado considerar-se que se contraiu com ele uma dívida de valor incalculável, ao ponto de nos obrigar a aceitar tudo quanto o citado decida, declare ou ‘decrete’ de modos e em formatos diversos; em particular, os artigos do DN de divina presciência dedicados ao Zé-povinho, gente acéfala ou de pensamento indigente.

O género de comportamento actual do Dr. Mário Soares é, de resto, recorrente em líderes políticos auto-classificados de retirados. Trata-se de um afastamento fictício, não eliminando, portanto, tentativas de influenciar as escolhas políticas dos concidadãos.

Consideremos, pois, toda a prática enunciada como coisa normal; e não é por aí que caminhamos para qualquer recriminação a Mário Soares. O que é verdadeiramente peculiar, nele, é a aberrante reacção de vingança sobre os camaradas que ousem contrariá-lo. Aí sim, o patriarca socialista desfere a desforra. A arma de arremesso, agora, foi Fernando Nobre e o alvo Manuel Alegre, ex-amigo e velho camarada de duras caminhadas.

Todavia, este é o capítulo mais recente de uma história antiga. Primeiro exemplo: Dr. Vasco da Gama Fernandes (1908-1991), 1º. Presidente da Assembleia da República (1976-1978), personalidade afastada da renovação para um 2.º mandato, por Mário Soares ter imposto a atribuição do lugar ao Dr. Teófilo Carvalho dos Santos. A humilhação pública do Dr. Vasco da Gama Fernandes, distinta figura humanista e tolerante, foi um acto persecutório grave, estando na origem da demissão do visado, em 1979, do PS, partido de que era fundador. Segundo exemplo: Dr. Francisco Salgado Zenha (1923-1993), natural de Braga, católico, lutou ao lado de Mário Soares desde a segunda metade dos anos quarenta (1947); foi fundador da Associação Socialista Portuguesa (1965) e também do PS; era-lhe reconhecida uma inteligência invulgar, e um espírito de combate contra a ditadura que implicou várias prisões pela PIDE. A ruptura com Mário Soares teve como causa o apoio de Salgado Zenha a Ramalho Eanes nas presidenciais de 1980. No inicio da década de 1980, Soares não está com meias-medidas: manda instaurar um processo disciplinar e expulsa Zenha do PS. Mais tarde, António Guterres, cujo ingresso no PS foi promovido por Salgado Zenha, ainda tentou convence-lo a voltar; mas em vão. Salgado Zenha recusou e viria a falecer em 1993.

Em jeito de resumo, concluo que parece haver demasiadas coincidências e reincidências de vinganças e prepotências no percurso político do Dr. Mário Soares, em momentos de eleição para altos cargos do Estado (Presidência da República, da Assembleia da República e eventualmente outros órgãos). E certamente vários episódios abundam por aí. A História, um dia, recontará tudo com pormenor e precisão – espero.

Pensamentos XXI e XXII

XXI

Quando ouvires o rugido do mar,

não esperes que ele te mostre os dentes.


XXII

Toma banhos de sol. Se continuares a sentir-te sujo,

vai para casa e toma um banho normal.


Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz.

violência ou criminalidade intra- familiar

criança punida apesar das lei de protecção de jovens e crianças, comum em Portugal

Violência intra-familiar não é um tema fácil de abordar. Pensa-se sempre que um grupo de parentes ou seres humanos relacionados entre si, por laços de consanguinidade ou de afinidade, é um grupo feliz. No seio do grupo, cabe aos adultos protegerem os mais novos orientando-os desde muito cedo na vida, pelas sendas do amor, o respeito filial ou o respeito que os pais têm pelos filhos. Pelo menos, é assim que eu penso.

Mas a realidade parece ser outra. Não foi por acaso que coloquei a imagem de uma criança punida, com as marcas de uma bofetada recebida na sua pequena cara. Bofetada de quem se desconhece a autoria e o motivo da punição material, reflectida na cara triste e sofrente de quem não entende qual o mal que fez para receber tamanho castigo. Castigo reiterado ao longo do tempo pela pequena da imagem, e por muitas outras mais.

Essa bofetada marca pelo menos três aspectos da vida da infância. A primeira é visível e não precisa ser comentada, a imagem fala o que as palavras da pequena não sabem dizer porque as desconhece ou, ainda, porque não espera que o seu adulto a use contra ela. Essa bofetada pode ser o resultado de quem tem raiva contra si próprio e desabafa nos mais pequenos, como comenta Sigmund Freud em 1905 em húngaro, traduzido para inglês por Hoggart Press, Londres, em Obras Completas, Volume VII,1953: Three essays on Sexuality, ou Melanie Klein em: Inveja e Gratidão (1943 em alemão, 1954 em inglês e em luso brasileiro, 1991), Imago, Brasil, Alice Miller (1981 em alemão), 1998: Thou Shalt not be aware. Societie’s Betrayal of te Child, Pluto Press, EUA, ou Françoise Dolto, 1971: L’Évangile au risque de la psychanalise, Editons du Seuil, Paris, textos que comento no meu livro: O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade Repositório ISCTE e Internacional, em: http://repositorio.iscte.pt/, ou http://www.rcaap.pt.

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"A originalidade é coisa que não existe"

Na actual sociedade da informação, a discussão sobre os direitos autorais é cada vez mais valorizada por alguns e, simultâneamente, mais desvalorizada por outros. Por outro lado,  mundo actual é um melting pot onde tudo acabará fundido e indistinto, para uns;  multicultural, para outros, que defendem existir progressivamente mais espaço para diferenças culturais e comportamentais dentro de uma mesma sociedade.

No campo artístico estão na moda conceitos e expressões como contaminação, interpenetração, fusão, transversalidade, etc. Em função disso, ideias como criação individual e plágio, sedimentadas durante muitos anos, encontram-se no centro de novas discussões, reavivadas agora com o livro “Axolotl Roadkill” de Helene Hegemann. Para ler no i.

Pediatra violou 103 menores nos US!

Oa abusos terão acontecido há uma década mas tudo indica que será o pior caso de pedofilia nos US e que chegou aos tribunais.

Earl Bradley, pediatra americano foi ontem acusado de ter violado 102 raparigas e um rapaz desde o ano de 1998. Há vários filmes dos actos feitos pelo médico e que foram encontrados no seu consultório.

Para além da pedofilia, há algo que não bate certo nestes casos. Desde a rapariga que foi raptada e que vive numa cave anos e anos e ninguem dá por nada, até às crianças que são violentados por adultos e que ninguem dá conta e quem dá conta não diz nada, como aconteceu aqui em Portugal com o caso Casa Pia e as famosas fotografias escondidas numa gaveta e que mostravam pessoas importantes e conhecidas nestes actos criminosos.

A verdade ( e lamento profundamente aquelas pessoas que tudo fazem mas as suas condições de vida não lhes permite defender efiscazmente os seus filhos menores) é que há uma espécie de conluio, de benevolência entre violentadores e todos nós. A vizinha grita mas nós seguimos a velha máxima ” entre marido e mulher não metas a colher” ; vimos um adulto bater numa criança e achamos que sendo filho não temos nada com isso;  vimos um velho ser agredido por um energúmeno e achamos que devemos seguir com a vidinha, e assim por diante…

Estes casos acontecem porque andamos todos a tratar da vidinha, cada um por si, esta sociedade já nem sequer é capaz de proteger quem é mais fraco, e não é só em termos de violência fisica. Há quatro milhões de pessoas pobres em Portugal e assobiamos para o alto; nos US há uma guerra na sociedade e entre os partidos porque Obama quer proteger quarenta milhões de pobres com seguros de saúde e há quem ache que essa medida é injusta; ( devem mesmo morrer sem cuidados médicos!).

Se a justiça, a generosidade escasseiam e a impunidade campeia, ficamos surpreendidos com estes crimes porquê? São o resultado do Homem que fomos criando e da sociedade que desenvolvemos!

PS: E, pronto, lá vou eu para a caminha com a consciência tranquila depois desta prática!

De como a gripe A não quis nada comigo, e do desassossego em que isto me deixa

Tenho passado o inverno na expectativa de que me chegue a gripe A. Não me vacinei, não tomei nenhuma medida preventiva especial, a não ser continuar a lavar as mãos quando chego da rua, se bem que isso é mais um resquício de uma fase vagamente obsessivo-compulsiva. Ora, tendo em conta que eu me constipo ou engripo 5 a 6 vezes por inverno, que, na verdade, é mais fácil assinalar os dias em que não estou constipada ou engripada, então seria certo que o insidioso H1N1 me apanharia a jeito.

E cá estou, desde ontem em casa com uma gripe, sim, mas uma gripe normalíssima (até há quem me diga que é só constipação, mas eu recuso essa hipótese), sem febre, sem dores de cabeça insuportáveis, sem prostração, sem nada que dignifique uma gripe. Bem espreito o termómetro a ver se o mostrador digital se altera, e nada. O mercúrio tinha, diga-se de passagem, um efeito muito mais dramático, vê-lo a subir era uma exaltação, uma vertigem na qual um hipocondríaco podia perder-se. Este de plástico, tão inócuo, tão infantil, retira gravidade até a uma febre de 40 graus. [Read more…]

Israel – os primeiros trinta anos – Vida difícil (Memória descritiva)

Na sequência de outros textos que aqui tenho publicado sobre a fundação do Estado de Israel e a perturbação que provocou na região em que foi implantado pela diplomacia britânica, vou hoje lembrar as primeiras três décadas de vida do estado hebraico. Vida difícil a dos que optaram por viver na «Terra Prometida». E falar dos alvores de Israel, é falar de David Ben Gurion (1886-1973), cuja carreira política se iniciou em 1933, sendo um dos líderes do movimento do Sionismo Trabalhista durante os quinze anos anteriores à criação da nação judaica.

Ao mesmo tempo idealista e pragmático, combateu os britânicos, tendo mesmo, integrado no Irgun de Menachem Begin, participado em actos de terrorismo e em assaltos a bancos,. No entanto, noutra fase da luta, não hesitou em apoiar o exército britânico, enquanto criava estruturas de imigração clandestina, quando os ingleses, pressionados pela comunidade internacional, bloquearam a ida de judeus para Palestina. [Read more…]

Jornadas de Direito do Consumidor

Programa:

15.00h- Início da Sessão – Palavras de Circunstância
15.15h- “Contratos bancários e seus requisitos”
15.45h- “Contratos de fornecimento de água: ramais de ligação – a pagar ou de graça?”
16.15h- “A lei da Água: poços e outros recursos hídricos”
17.00h- Debate

Local:

Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos.

Organização:

“apDC – Associação Portuguesa do Direito do Consumo”.

Apontamentos do Porto (8)

(Pérgula da Foz, Cidade do Porto)

Benfica – Marselha: O golo de Vata, um brincalhão

Vinte anos é muito tempo. Se Paulo de Carvalho cantava, há uns anitos, “10 anos é muito tempo”, imagine-se agora 20. É o dobro.

Numa entrevista sobre um dos mais célebres lances do futebol português, ao jornal i, Vata garante: "Havia vento e marquei com o peito. A sério, é como lhe digo". O “marquei” refere-se ao golo que apontou – com a mão ou peito – pelo Benfica ao Marselha, para a Taça dos Campeões, há 20 anos. Um golo que valeu a presença na final, perdida.

As convicções, respeitáveis, de Vata são lá com ele. Os rapazes do Marselha é que não estavam nada convencidos. E a ‘mão de Deus’ tinha sido há apenas quatro anos…

Francamente!

O Papa afirmou que o poder e a ambição são tentações do diabo.

 O papa Bento XVI considerou hoje, no seu discurso do Angelus, na praça de S. Pedro, que “o poder, a necessidade de bens materiais e a ambição” são tentações do diabo que devem ser reprimidas.

 Ou o papa pensa que fala para estúpidos, considerando os outros burros, ou pretende passar por ingénuo, ou não consegue consciencializar a falsidade das suas palavras, ou procura intencionalmente escamotear a hipocrisia daquilo que diz.

 Bens materiais! Ambição!

Já se viu um potentado, a nível planetário, como a igreja católica? Não só do ponto de vista patrimonial, mas do ponto de vista económico-financeiro, do ponto de vista do money, money, money, dos altos interesses em variadíssimos bancos e empresas, dos astronómicos investimentos em todas as áreas e também naquelas que só deus sabe, mais do que reconhecidos e provados, sobretudo a partir da última metade do século vinte! [Read more…]

Golpe militar em Espanha

Foi em 24 de Fevereiro de 1981 que se malogrou o golpe militar chefiado pelo Ten. Coronel António Tejero que irrompeu pelo parlamento, com um grupo de guardas civis.

Sob a ameaça de pistolas e metralhadoras, foi possível ver-se na televisão os deputados esconderem-se, ao som de um tiro, debaixo das cadeiras com excepção do primeiro ministro Adolfo Suarez, o ministro Gutiérrez Mellado e o deputado comunista Santiago carrilho.

Juan Carlos, envergando o uniforme de comandante supremo afirmou que ” a Coroa não pode permitir a acção de pessoas que pretendam interromper o processo democrático” assim desactivando um golpe que até hoje não se sabe se saiu de uma cabeça perdida de um saudosista ou se os contornos eram mais ambiciosos se aquela primeira acção tivesse tido êxito.

O que se sabe é que saboreia a liberdade e a democracia que tentou tirar aos outros com as armas que lhe foram confiadas para assegurar o cumprimento da constituição.

Manuela Ferreira Leite confirma mentira de Sócrates

Com a confirmação por Manuela Ferreira Leite de que sabia do negócio PT/TVI, fica confirmado que Sócrates mentiu ao parlamento quando disse desconhecer  o negócio. Se a chefe da oposição sabia porque foi informada pelos seus boys, o que levaria os boys de Sócrates a não informarem o chefe?

Protegê-lo? Mas a única maneira de proteger um primeiro ministro é informá-lo antes do que a qualquer outra pessoa! Ou já estamos naquela fase em que mergulhou Salazar que já não mandava nada ( o presidente do Concelho era Marcelo Caetano) e os íntimos faziam-lhe crer que sim, que continuava a ser o chefe da nação?

Do que não há dúvida nenhuma é que o negócio só não se fez porque alguem deu com a língua nos dentes antes de tempo e porque havia outras hipóteses como se viu com a entrada da Ongoing. E no que não há mesmo dúvidas nenhumas é que a Manuela Moura Guedes foi calada ( o tal jornalismo travestido de que falava Sócrates) e Moniz, bem indemnizado, saiu da TVI!

Contra factos não há argumentos salvo se o assunto for com Sócrates!

Um conto da vida de Zé Pequeno (5)

(Continuando)

Todos os dias Zé Pequeno largava o trabalho e montado na sua bicicleta atravessava a Vila até Ribeiro Grande. Parava junto do pequeno quiosque fazendo-se distraído e mirava a serração. Seguia com atenção todos os movimentos por entre o gradeamento de ferro da frontaria, que lhe parecia uma fronteira. E todos os dias, via Luísa acompanhada por um homem de meia-idade de figura franzina no Ford V8 preto que parecia protegê-los de uma qualquer ameaça. “Deve ser o pai” pensava.

Percebeu então que pelo fim de tarde, Luísa costumava entrar no pequeno café onde demorava cerca de um quarto de hora, para depois regressar à fábrica. Era o melhor território para se fazer encontrado com ela. O melhor e o único.

Depois de dias de atalaia, levou por diante o seu plano. Num saco de pano acondicionado na grade da bicicleta, levou roupa limpa e os seus sapatos de festa. Após o dia de trabalho, o Senhor Nogueira guardou a bicicleta em sua casa, onde Zé Pequeno se lavou em pressas.

“Deita esta água de cheiro, homem. Se não vais a cheirar a sabão amarelo” disse o Senhor Nogueira segurando um frasco translúcido.

Na cabina do camião, Zé Pequeno ia descrevendo a figura delicada de Luísa e como lhe soara a um desejo a sua frase “Até mais ver”. Falava dela como se sentisse algo novo e que não sabia explicar. O camião parou a distância segura da serração e Zé Pequeno saltou do transporte, ajeitou a sua roupa e sorriu sem saber bem porquê. Logo apressou o passo em direcção ao café. Queria chegar antes de Luísa.

Entrou no estabelecimento com ar altivo, como se fosse cliente habitual e todos o conhecessem. Saudou distraidamente o empregado e pediu um quarto de águas, sentado-se defronte à vitrina, donde contemplava algo estranhamente novo. Alternava o seu olhar entre a vitrina e o relógio que pendia na parede. Apercebeu-se, então, quanto tempo demorava cada movimento pendular. Tornava-se até gracioso, aquele movimento que a ansiedade parecia fazer perdurar cada vez mais.

Surgiu então Luísa, caminhando pelo passeio em direcção ao café, que fez saltar Zé Pequeno da cadeira e o atrapalhou. De súbito já não se lembrava do que havia planeado fazer quando a mirasse. O pêndulo do relógio perdera as estribeiras e parecia ter entrado em pânico, como ele. Tentou repor a ordem nas ideias, mas elas pareciam estar contagiadas pelo pêndulo do relógio. De relâmpago, voltou a sentar-se, cruzou a perna e quedou-se numa nervosa tranquilidade.

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Na Madeira já se sabia que ia acontecer, e aconteceu

Também sou dos que acha não ser quando se enterram as vítimas a melhor altura para discutir porque morreram. Não é um momento de serenidade. O problema é que em relação à tragédia que ocorreu na Madeira esta reportagem tem dois anos. E era antes que se devia ter discutido o problema. Em democracia claro, regime que um dia também chegará à Madeira.

via Spectrum

Tudo deu quase certo no novo filme de Woody Allen

É Larry David que vemos quando vemos “Tudo pode dar certo” (título que não faz jus ao original ‘Whatever works’). É o autor e actor de Curb your Enthusiasm e argumentista de Seinfeld que nos surge, ao fim de uns minutos, a olhar para nós e a conversar, de forma unidireccional, connosco. Em concreto não é uma conversa. É ele que nos interpela, incluindo àqueles que comem pipocas de boca aberta. É a voz dele. Mas, na verdade, quem ali está é Woody Allen. É o realizador e argumentista do filme que é o nosso verdadeiro interlocutor.

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É Larry David que surge mas é Allen que fala connosco. O estilo, os tiques, a postura, os gestos são de David. O discurso, as palavras e as histórias da película são do realizador de “Manhattan”. E ainda bem que Allen preferiu não protagonizar a fita, deixando ao comediante radical a tarefa de desempenhar um homem complexado, paranóico e com tendências suicidas. Um homem que “quase ganhou o Nobel da Física” e que ganha a vida a ensinar crianças a jogar xadrez mas a quem trata mal. Muito mal. Um homem sarcástico, que canta os parabéns a você enquanto lava as mãos e sofre de pesadelos.

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Não fiz nada de mal, mas por favor não contem a ninguém

“Na noite de uma quinta para sexta-feira o senhor primeiro-ministro telefonou-me e pediu-me por tudo para não publicar uma notícia sobre a sua licenciatura”, contou o director do Expresso, acrescentando que estiveram “mais de uma hora ao telefone”, e que questionou várias vezes José Sócrates se “queria fazer algum desmentido ou correcção”.

Mas não, o primeiro-ministro pedia apenas, e reiteradamente, para que o texto não “fosse publicado”. “Antes disso”, contou ainda Henrique Monteiro, “já várias pessoas, políticos e não políticos me tinham manifestado incomodidade ou estranheza por notícias que tinham saído, mas por notícias que ainda não tinham saído foi a primeira vez”.

O engraçado é que ainda na segunda-feira vimos o licenciado ao Domingo com a maior lata deste mundo afirmar que não se tinha provado que tivesse havido qualquer favorecimento nesta anedota.

Pelos vistos não se provou, mas preferia que não se tivesse sabido.  Como se não fossem tantas as oportunidades que tem de demonstrar a qualidade do seu inglês técnico:

Mal-entendidos

Quando cheguei, já tarde, contava-se a história de um homem cuja vida fora marcada por um episódio dramático, ocorrido no final da adolescência. O episódio, que, pelas razões que a seguir se explicarão, não vos posso contar, tinha tanto de torpe como de pungente e era fascinante do ponto de vista ficcional. E foi justamente isso que entendi, que se tratava do enredo de uma obra de ficção.  Um romance a que me apeteceu deitar mãos de imediato, diga-se. Mas a narração do episódio chegava ao fim, impunha-se avançar para outro tema, e eu já não encontrei espaço para esclarecer de que autor e de que obra se falava.

Nos dias seguintes, procurei no Google. Não era fácil, apenas com um excerto da trama, sem saber autor nem título, nem coisa nenhuma. A temática levava-me a supor que se trataria de uma obra relativamente recente, mas a busca revelou-se infrutífera. Não conseguia encontrar nenhum registo de uma obra com esse enredo. [Read more…]

Da PJ a Sócrates, do sexo oral ao Parlamento

A PJ foi à SAD do Porto, buscar uns documentos. Terá a ver com transferências de jogadores, no cumprimento de uma carta rogatória da Bélgica. Pois é, o “clube regional”, negoceia transferências de jogadores a nível internacional, quem diria…

A “Comissão de Ética” do Parlamento ouviu o Director do “Expresso“, Henrique Monteiro, afirmar que José Sócrates chegou a telefonar-lhe para lhe pedir por tudo que não fosse publicada uma dada notícia acerca da sua licenciatura. Continuarão a chover exemplos da difícil relação de José Sócrates com a liberdade de imprensa. Algo que não é novidade, servirá apenas para refrescar a memória lusitana que é, tendencialmente, curta.

O sexo vende. É mais do que sabido. A publicidade que o diga. É o caso desta campanha anti-tabagista, que associa o acto de fumar ao sexo oral forçado. Que é outra coisa (o sexo oral) que é uma fixação dos portugas (relembro que para constatar isso basta ir á versão portuguesa do Google e escrever a palavra “como”).

Inês de Medeiros arrisca-se a ter de pagar do seu bolso as viagens a Paris para ver os filhos. Isto não se faz, conforme o nosso Ricardo Santos Pinto decerto concordará…

Uma nota final: aprovada a redacção final do casamento homossexual. Aguardemos pela decisão de Cavaco Silva.

O túnel belga

A polícia Judiciária efectuou buscas na SAD do FC do Porto a pedido das autoridades belgas. Ao que consta, as buscas prendem-se com a transferência de alguns jogadores e, aparentemente, com o empresário Luciano D’Onófrio.

Uff, ainda bem que foram os belgas. Se as autoridades fossem portuguesas lá teria Lisboa que arder, o polvo benfiquista seria acusado de manipular a PJ, a Liga, o CD, a magistratura  e sabe-se lá mais o quê.

Mata-Cães ou o criador e a criatura (Poesia & etc.)

Em meados dos anos 80, entre as muitas coisas que fazia, tinha a meu cargo a leitura de originais de uma pequena editora – a Salamandra, do Bruno da Ponte e do Veiga Pereira. Como sempre acontece a quem tem essa responsabilidade, era obrigado a ler muitos textos sem qualquer interesse, muitas vezes sem qualidade e, portanto, sendo de gente desconhecida, sem viabilidade de edição. Fazia um pequeno relatório de leitura e depois os donos da editora tomavam as suas medidas.

Muito raramente, era surpreendido pelo aparecimento de textos que se distinguiam no meio desse amálgama de lixo produzido por infatigáveis escrevinhadores. Devo abrir um parêntesis para vos confessar que o ler grandes doses de má literatura, acaba por embotar a capacidade crítica. Começa-se a ler um texto já com a ideia de que se vai ler mais uma pessegada. O pior é que quase sempre se acerta. [Read more…]

Pensamentos XIX e XX

XIX

Agarra-te a uma ideia.

Seguras-te melhor se essa ideia não for lisa.


XX

Um mais um, dois, dois mais dois, quatro, quatro mais quatro,

oito. Continua a contar, eu vou viver um bocadinho

e já volto.


Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz.

Cego é quem não quer ver e Sócrates não quer!

Boys abandonam o navio! Justiça se faça vamos todos para o fundo mas Sócrates tambem vai!

O desemprego está a crescer como não pode deixar de ser. As empresas fecham todos os dias, não há investimento, há a maior retracção ao crédito dos últimos anos e a duplicação do crédito mal-parado!

A procura interna e externa retraiu-se é pois normal que a tesouraria das empresas não tenha capacidade de expansão. Todos sabemos isso menos o primeiro ministro que continua no convés do navio a tocar clarinete enquanto o navio se afunda, como se viu e ouviu em recente entrevista.

O Boletim Estatístico do Banco de Portugal (tambem tu, Constâncio?) vem confirmar os maus presságios, pior, vem-nos dizer que a tendência é a de piorar mas  a dimensão e o ritmo dessa tendência é muito preocupante. Em apenas um ano o crédito mal parado cresceu de 2.5 mil milhões para 4.5 mil milhões o que quer dizer que as empresas estão moribundas.

As falências e o desemprego vão continuar a um ritmo crescente durante todo este ano e, na altura de contar os despojos , a situação vai estar próxima de uma falência mas esta nacional. O que sobrar não vai aguentar o esforço necessário para pagar pensões, fundos de desemprego, serviço da dívida.

Entretanto, o nosso primeiro ministro, sozinho e com a água pelo pescoço, desafina no convés!

Estamos em ano de Sem-tenário…


Anda Portugal inteiro raladíssimo com o défice e por isso mesmo, urge auxiliar o governo no corte da despesa. Pode bem começar num edifício contíguo, onde as verbas para 2010 serão as seguintes:

1 – Vencimento de Deputados ……………………………………………12 milhões e 349 mil Euros
2- Ajudas de Custo de Deputados………………………………………..2 milhões e 724 mil Euros
3 – Transportes de Deputados …………………………………………….3 milhões 869 mil Euros
4 – Deslocações e Estadas …………………………………………………..2 milhões e 363 mil Euros
5 – Assistência Técnica (qual?) …………………………………………… 2 milhões e 948 mil Euros
6 – Outros Trabalhos Especializados (quais?) …………………………3 milhões e 593 mil Euros
7 – Serviço restaurante, refeitório, cafetaria…………………………………………… 961 mil Euros
8 – Subvenções aos Grupos Parlamentares………………………………………………970 mil Euros
9 – Equipamento de Informática ………………………………………….2 milhões e 110 mil Euros
10 – Outros Investimentos (quais?) …………………………………….. 2 milhões e 420 mil Euros
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Pela demissão de Pinto Monteiro

O Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, já não tem condições de se manter no cargo. Aquele que devia ser o garante máximo da Justiça, no que ao Estado diz respeito, mentiu descaradamente a propósito das escutas que envolvem o Primeiro-Ministro e agora «mete os pés pelas mãos» para parecer que o seu único objectivo não foi proteger José Sócrates. Mentiu e ainda continua a mentir
E um PGR não pode ser mentiroso. E não pode ser o advogado de defesa do Primeiro-Ministro. Quando muito, é o advogado máximo do Estado. E por muito absolutista que gostasse de ser, José Sócrates não é o Estado. «Non, l´État c’est pas lui!» (está bem escrito, deputada Inês de Medeiros?)
Façamos o que temos a fazer e comecemos a pedir, desde já, a demissão do Procurador-Geral da República. O Presidente Cavaco, por maior nulidade que continue a ser ao fim de 4 anos de mandato, tem de servir para alguma coisa.

Inês de Medeiros quer passear à minha custa


Inês de Medeiros, moradora na rua de Santa Catarina, em Lisboa, foi eleita deputada à Assembleia da República pelo círculo de Lisboa.
Agora, diz que mora em Paris e quer que eu (e tu, amigo leitor, e tu) lhe pague uma viagem semanal de ida e volta para Paris. Em Classe Executiva, claro está, que a classe económica não faz jus à sua categoria (se fosse ela a pagar, até em «low-cost» viajava; como sou eu a pagar, tem de ir em Executiva).
Diz que os filhos estão lá a viver. E que tenho eu com isso?
O PS, como seria de esperar, está a usar todas as artimanhas para ver se passa. Equipará-la a deputada eleita pelo círculo da Europa foi a proposta do inefável José Lello. E no final, claro que eu – e tu, amigo leitor, e tu – vou pagar as viagens a mais uma que anda a parasitar o Erário público. Diz que é para ver os filhos que moram em Paris. E se morassem nas Seychelles, eu também tinha de pagar?