Salgado “sabia” de tudo e agora não se lembra de nada.
Marcelo não se lembrava de nada e agora já “explica” tudo.
Curiosidade
Dúvida (i)nocente
Olhando para todos os envolvidos na “operação influencer“, e dos investimentos de milhões e milhões a que se reporta a matéria, será que António Costa e Silva ainda continua convencido que é Ministro da Economia?…
A mão invisível
É conhecida a teoria liberal, de que o mercado se regula por si mesmo.
No fundo, tudo se resume à ideia de que numa economia livre, o mercado regula-se por uma espécie de mão invisível que vai acertando, entre a oferta e a procura, o preço dos bens, sem necessidade de intervenção de terceiros – seja o Estado ou qualquer outra entidade.
Quem quiser perceber melhor a ideia, é ler “A riqueza das nações” e a “Teoria dos sentimentos morais”, de Adam Smith. E, depois, aconselho a apreciarem os resultados obtidos sempre que se optou por dar rédea solta aos mercados e abdicar-se da regulação. Uma dica: comecem pelo mercado financeiro.
Mas, adiante.
Olhando para o Orçamento do Estado apresentado pelo Governo para 2024 (numa sessão digna de entrega de Óscares), detecta-se que houve uma adaptação da lógica da mão invisível.
Neste caso, o que o Governo pretende fazer é recuperar com a mão invisível dos impostos sobre o consumo, a propriedade e outros, o que estará a dar (ou a não tirar tanto) com a alteração dos escalões do IRS.
Na verdade, não está bem a recuperar: está superar. Pois que, na prática, e pelas contas apresentadas por diversos economistas, aquilo que o Governo espera arrecadar com a mão invisível, supera aquilo que anuncia dar (ou não tirar tanto dos bolsos) aos contribuintes na tributação sobre os rendimentos singulares.
No fundo, é tirar aos ricos para dar aos pobres, numa versão cínica de Robin dos Bosques, pois que os ricos e os pobres são exactamente os mesmos: a classe média. [Read more…]
Bloco Central: a ganhar desde 1976
Aquando das últimas sondagens, houve alguma surpresa na opinião pública, acerca do PSD não ganhar impulso face ao PS, considerando tantos tiros nos pés dados pelo Governo, em tão curto espaço de tempo.
Ora, é por estas e por outras, que o PSD não se alavanca. Porque existe uma percepção clara de que não haverá muita diferença de políticas, com a excepção de que os socialistas são sempre mais generosos nos gastos públicos em apoios sociais. Mesmo quando dão o dito por não dito , a bem da “equidade fiscal”. Sim, porque o respeito pelos direitos adquiridos, não é para todos.
Se juntarmos a isto o facto do discurso crítico do PSD, não ser acompanhado de uma mensagem clara e concisa do que faria diferente, percebe-se porque, nas sondagens, o PSD não capitaliza: há uma clara ideia de que são todos iguais, mas, à boa maneira portuguesa, os socialistas sempre “dão mais um bocadinho”.
Seja como for, o Bloco Central, esse, ganha sempre. Pois não há melhor cliente, do que o Estado.
O Governo das Sombras Chinesas
A ancestral arte das sombras chinesas feitas com as mãos, é fascinante. O saber usar as mãos à contra-luz para se obter uma forma de algo tão distinto das mãos em ofício, seja um porco, um cisne, um cão ou um homem de chapéu, desperta não só o imaginário como aguça a nossa capacidade de percepção.
Ora, parece que António Costa tem sabido aplicar esta arte oriental à prática governativa.
O mais recente exemplo, e que melhor espelha esta fina arte de iludir, reporta-se ao tão propalado apoio ao pagamento das rendas habitacionais, como medida social para debelar os efeitos da inflação e da perda de poder de compra. Foi notícia de primeira página, abertura de noticiários, holofotes, palanque, gráficos e tudo mais.
Posteriormente, foi aprovado o DL 20-B/2023, de 22/03, que, segundo o Portal do próprio Governo, estabelecia o seguinte regime de acesso:
Parecia ser linear, a interpretação do artigo 4º daquele DL 20-B/2023, de 22/03. Parecia. Pois, segundo a notícia de hoje do “Dinheiro Vivo”: [Read more…]
Marcelo Rebelo de Sousa: da irreverência à irrelevância
O passado de episódios de irreverência de Marcelo Rebelo de Sousa, desde o famoso “lélé da cuca” ao não menos famoso episódio da “vichyssoise”, é sobejamente conhecido.
Na construção do seu percurso rumo ao Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa cuidou de gerir a sua imagem de comentador político de referência em Portugal. De início na rádio e depois na televisão, passou a ser visto e escutado com reverência ao Domingo à noite. E rara era a Segunda-feira que as suas análises não eram debatidas.
Quando em 2016, finalmente, atingiu o seu propósito maior, tornando-se Presidente da República, logo se percebeu que não iria conseguir largar a pele de comentador político. E se antes apenas o tínhamos a comentar a actualidade política na televisão ao Domingo à noite, desde aquela data passamos a tê-lo todos os dias e a todas as horas.
Contudo, algo mudou: a sua irreverência deixou de ser espontânea e episódica, que o fazia uma referência interessante, e até quase icónica, no cinzento panorama político português. E passou a ser um saturante exercício de popularidade de quem quer ser amado, ou mesmo venerado, por todos. Ou, simplesmente, notícia.
O seu ego poderá estar satisfeito com todos os microfones e holofotes que tentam, todos os dias e a qualquer hora, captar-lhe uma frase, um gesto ou tão só um trejeito. Qualquer coisa que se venda, num país sem mercado para tanta imprensa, e noticiários inchados à custa de esteróides feitos à base de cartilhas político-partidárias.
Todavia, a figura institucional de Presidente da República tem vindo a deteriorar-se. Pois que a sobriedade e probidade não combinam, por exemplo, com um Chefe de Estado que surge na televisão em calção de banho a fazer considerações sobre o Orçamento do Estado. [Read more…]
A paz dos mais fracos
Conta-se que durante a transmissão televisiva de uma final de um torneio de ténis (Borg/McEnroe), Álvaro Cunhal, que se encontrava na sede do PCP, quando perguntou qual era o mais fraco, responderam “John McEnroe“, e começou a torcer por ele. Tendo sido confrontado com o comentário de que se tratava de um norte-americano, o então Secretário-Geral do PCP terá respondido qualquer coisa como “É o mais fraco, e os comunistas estão sempre do lado dos mais fracos“.
Dito isto:
A substituição de Jerónimo de Sousa à frente do PCP pelo actual Secretário-Geral Paulo Raimundo soou, de início, a uma tentativa de interpretar o que correra mal nas últimas eleições legislativas, abrindo um eventual novo ciclo.
Todavia, percebe-se que, afinal de contas, e por mais paradoxal que pareça, o PCP insiste e persiste na estratégia que Nixon usou na gestão das fitas de gravação no “Caso Watergate”: se um erro não resolve, tentemos outro.
Primeiro, foi a narrativa de que a invasão da Ucrânia pela Rússia foi por culpa da Ucrânia. Isto, depois da versão de que Rússia se preparava para invadir a Ucrânia, era uma fantasia criada pelos EUA.
Agora, perante o forte apoio militar do Ocidente com vista a equilibrar os pratos da balança no combate, a lógica é de que tal apoio apenas serve para alimentar a escalada do conflito. E que aquilo que se devia promover era a negociação da paz e não a alimentação da guerra.
Ora, o que fez o PCP quando invadiram as suas sedes no PREC?
Convidou os invasores para se sentarem e negociar um qualquer entendimento?
Não: defendeu, e bem, as suas sedes com tudo que podia arranjar, desde armas de fogo até fueiros, braços e punhos, e peitos dispostos a enfrentar balas, para garantir a integridade perante os invasores e incendiários. E toda a ajuda era bem-vinda.
Ora, se um país é invadido por outro, tanto mais uma super-potência, vai fazer o quê? Um convite para um chá? Ou luta pela sua integridade territorial e pela sua existência? [Read more…]
Anunciar primeiro e pensar depois
A luta dos professores
Os professores são, provavelmente, aqueles que mais têm sido prejudicados, não só, em termos de carreira.
Outras profissões também têm sido desprezadas, sim. Mas, no caso dos professores estamos perante uma clara opção de subdesenvolvimento, de uma opção de desvalorizar o ensino, a cultura, o conhecimento, de modo a moldar um povo menos demandante, porque mais ignorante e sem matriz de exigência.
E isto, torna tudo mais grave.
Até por isso, os professores têm vindo a ser desprezados: valorizar o papel do professor na sociedade é valorizar o conhecimento e a cultura de modo a construir gerações mais esclarecidas e, assim, mais exigentes. E isto não interessa muito a quem quer manter os moldes de exercício do poder político que desde a monarquia até hoje não mudou muito em termos de mentalidade.
Exemplo disso, é o fraco investimento na ciência, nas artes e no conhecimento até pela nossa burguesia, mesmo nos píncaros das riquezas dos Descobrimentos, salvo muito raras excepções. Em razão inversa ao resto da Europa, com relevo para a Flandres, Itália, França e Espanha, por cá valiam os “investimentos” em ostentação, fossem farpelas, jóias, quintas, palácios, coches ou amantes (à hora ou por conta). [Read more…]
Bons tempos…
… aqueles em que Nossa Senhora apareceu numa azinheira. Primeiro a 3 pastorinhos e depois perante uma pequena multidão.
Houve lugar a efeitos especiais desde clarões, mar de fogo, demónios, anjo com uma espada a jorrar fogo, trovões, relâmpagos, fenómenos atmosféricos, etc.
Nesse tempo, Nossa Senhora até terá recusado curar um paralítico ou tirá-lo da pobreza. Antes terá dito para que rezasse o terço e que lhe daria meios de subsistência. Numa lógica “Não o cures. Ensina-lhe a ganhar a vida”.
Certo foi que o Estado português não gastou um tostão. A produção foi toda de borla!
Foi tudo feito com recurso à natureza e, claro está, a um ou outro poder divino para dar aquele sainete de coisa fenomenal para converter os mais incréus.
Hoje, gastam-se milhões só num palco, para receber o Papa e as Jornadas Mundiais da Juventude. Especulam-se preços. Descoordena-se a coordenação. E temos Carlos Moedas a clamar “Eu quero o Papa!”, quando se fala acerca de gastos financeiros.
Imaginem se era a vinda de Nossa Senhora!
Ui! Ia ser bonito…
Este materialismo selvagem de hoje, está tipo a desvirtuar completamente a cena da fé.
“Se é que Deus existe…”
Chegado a um balcão dos CTT, instalado numa casa de comércio, deparo-me com um idoso de aparência octogenária junto ao balcão, de roupas limpas mas desgastadas, magro, com ombros curvados pelo tempo, pescoço magro a destoar com a cabeça larga, apoiado numa bengala e de máscara presa abaixo do nariz.
Por entre uma respiração cansada, o idoso solicitou à funcionária que o ajudasse no pagamento da conta que constava da correspondência registada que acabava de levantar, remetida por uma entidade pública.
A funcionária, solícita, ajudou mas não foi capaz de esconder a sua indignação: a conta a pagar era de um cêntimo. A resposta do idoso, por entre a respiração cansada e forçada, que soou a uma mescla de derrota e de revolta, foi “Temos de pagar, menina. Temos de pagar”.
Paga a conta, o idoso agradeceu à funcionária o seu cuidado, desejando “Que Deus a ajude”. E após voltar-se para a porta de saída, olhou ligeiramente para trás e considerou “Se é que Deus existe…”, e apoiado na sua bengala saiu para a rua como se carregasse o mundo às costas, fustigado pelo vento e por uma chuva miudinha.
Numa breve cena, assisti a uma total desconstrução do progresso, da eficácia, da proximidade e da racionalidade, com que nos querem vender a modernidade coeva. À desconstrução de políticas, discursos, projectos, apoios, planos, bazucas, da era digital, dos “simplexes”, da inteligência artificial, dos “summits”, das redes, dos Direitos Humanos, dos discursos e das promessas. À desconstrução da fé.
Faz Marcelo Rebelo de Sousa muito bem em ir ao Catar pugnar pelos Direitos Humanos, entre um jogo de bola e umas “selfies”. Os tais direitos que, de início, eram para esquecer, mas que, afinal, já são para lembrar.
Até porque cá por casa está tudo bem. Graças a Deus. “Se é que Deus existe…”
“Mete-te com os do teu tamanho!”
Na escola era recorrente ouvir-se a frase “Mete-te com os do teu tamanho!” sempre que um “valentão” era, por qualquer “razão”, violento para com quem fosse mais fraco.
Mas, diga-se, havia também quem gostasse de assistir ao espectáculo do mais forte oprimir o mais fraco.
Lembrei-me disto quando, recentemente, assisti – como todo o país – à ameaça pública de Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) dirigida à Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, durante um evento oficial – inauguração dos novos Paços do Concelho da Trofa.
A estrelar em terras laranjas, e na presença de Luís Montenegro, MRS resolveu mostrar que no sangue ainda correr qualquer coisa de PSD, e resolveu brindar com aquilo que há muito a Direita reclama: dar um aperto ao Governo.
Desta vez, não fez o papel de amuado, como quando se queixou à comunicação social de que não foi atempadamente informado da composição deste Governo. Tendo mesmo de engolir João Gomes Cravinho como MNE.
MRS soube escolher o momento e a vítima. Pois em oportunidades anteriores poderia ter dado igual recado, ou melhor feito igual ameaça a António Costa ou mesmo a Mariana Vieira da Silva. Mas sabe que uma coisa é ameaçar António Costa ou uma Vieira da Silva. Ou meter-se com um Cravinho. Outra é ameaçar Ana Abrunhosa, a milhas de distância do peso genético-partidário daqueles outros.
Mais a mais, meter-se com Mariana Vieira da Silva, é meter-se com o PS. Meter-se com António Costa, é meter-se com o PS. E que sem se mete com o PS… Já se sabe. [Read more…]
Obrigado, Jô Soares
Por tudo que nos deste. Pelas cores com que pintaste sobre o cinzento do Portugal de então. Pelas gargalhadas que nos fizeste dar em dias em que tudo parecia triste e incerto.
Obrigado e até sempre.
Uma questão de patrocínio
O problema de Marcelo Rebelo de Sousa, foi não ter o amigo Ricardo Salgado para lhe proporcionar as delícias de Vera Cruz.
Assim, fomos nós a pagar umas férias transvestidas de visita oficial.
Só podia correr bem.
A TAP e a ANA estão-lhe no sangue
Pedro Nuno Santos começou a sua comunicação ao país, com cerca de 30 minutos de atraso.
Big Brother fiscal

Perante a evidente especulação de preço sobre os combustíveis, o Governo espanhol entendeu (imagine-se!) que o que havia a fazer era garantir uma efectiva baixa dos preços de combustíveis para desonerar os consumidores. Fossem eles, aliás, nacionais ou não.
Cá pela terrinha, António Costa sacou da cartola o Autovaucher: a pessoa inscreve-se, indica uma conta bancária, fideliza um cartão multibanco, e lá recebe um estorno mensal até ao limite de € 20,00.
Estou certo que o facto de Medina ter na mão dados acrescidos dos contribuintes fornecidos pelos próprios para poderem receber algum de volta, não passa de uma curiosa coincidência de humor negro.
Numa terra de turismo, também faz sentido que o desconto seja só para nacionais: mais chulice, menos chulice, os estranjas nem notam quando atestam os depósitos dos carros próprios ou de aluguer.
A diferença de opção entre Espanha e Portugal é evidente: por lá mantém-se o dinheiro no bolso das pessoas; por cá dá-se esmola com o dinheiro do próprio empobrecido, à custa de informações bancárias à mistura.
Este Rio não é de confiança
O perigoso trilho da personificação do mal
É indubitável que Vladimir Putin é um déspota, sem escrúpulos. E a questão essencial não é se há outros ou não. Até porque sabemos que há.
A questão essencial é se só agora ele se revelou como tal.
Obviamente que não. E, no entanto, todo o chamado “Mundo Ocidental”, do qual fazemos parte, hoje chocado e revoltado com a sua ofensiva bélica sobre a Ucrânia, num conflito armado que dizima vidas inocentes, não se inibiu de fazer negócios, de engrossar fortunas, e até, ficar na sua dependência.
Já se sabia quem era Vladimir Putin quando a Europa – leia-se França e Alemanha -, aceitou ficar em grande parte dependente do gás russo. Ou quando Portugal foi à Rússia vender vistos gold. Ou quando a OTAN começou a expandir-se para o outrora Bloco de Leste, rumo à fronteira com a Rússia, em violação do compromisso por si assumido de não fazer tal.
Tudo isto foi acontecendo enquanto jornalistas, activistas e opositores a Putin, eram assassinados; enquanto os envenenamentos se tornavam uma espécie de instrumento de política internacional russa, etc.
Da mesma forma que o “Mundo Ocidental” sabe bem quem é e que é Xi Jiping e a China. E se a China resolver invadir a Ilha Formosa, ou Taiwan, ou que se lhe quiser chamar, o mesmo “Mundo Ocidental” que deslocou para a China a sua indústria, e que se tornou dependente dos seus fornecimentos de bens e capitais, vai bradar “Sacanas dos chineses! Maldito Xi Jiping!”. [Read more…]
É favor avisar o SEF…
A chapada e a queda das máscaras
Após dias de autêntica vergonha nacional, em que o respeito pelo votos dos emigrantes andou a ser arrastado pela lama, valeu o Tribunal Constitucional ter tido a coragem de obrigar a classe política a fazer algo que deveria ser básico, mas, infelizmente, não é: cumprir a lei.
Foi uma bela e firme chapada que o Tribunal Constitucional deu, de forma a arrancar as máscaras que escondiam os rostos hipócritas dos partidos políticos que há anos andam a brincar com os votos dos emigrantes. Como se os partidos políticos tivessem qualquer tipo de legitimidade para violar a lei aplicável, só porque estão de acordo em fazê-lo.
Os mesmos partidos que durante anos não mexeram uma palha para estabelecer um regime de votação justo, ágil e consentâneo com a realidade social e tecnológica dos dias de hoje.
Mas, porquê esta desconsideração pelos emigrantes?
É que, num país que tanto tempo e dinheiro gasta a celebrar a famosa “diáspora”, a emigração é, na verdade, uma pedra no sapato dos partidos políticos. Pois é a prova cruel e peremptória da incompetência da classe política em concretizar o país justo, coeso, solidário e próspero, que a Constituição da República consagra.
Ao fim de mais de 40 anos de democracia, continua-se a emigrar para buscar fora o que aqui não há: melhores salários, melhores carreiras, respeito e estímulo à progressão e à valorização, etc. Ou seja: continua-se a emigrar para encontrar o respeito que por cá não mora. Respeito por quem investe nos estudos, na inovação, no conhecimento, no apuramento de aptidões. Respeito pelo valor do trabalho.
E esta é a melhor prova de que os partidos políticos intervenientes em todo este processo – os mesmos que não legislam quando e como devem, antes se põem de acordo em não cumprir a lei de acordo com as conveniências -, são incompetentes e hipócritas.
Acabaram-se as desculpas
Transversalmente, os partidos políticos, à semelhança da sociedade em geral, estão viciados na falsa concepção de que existe uma Justiça para ricos e outra para pobres.
Na verdade, quem é pobre ou quem é rico, tem o acesso mais facilitado à Justiça do que a classe média. Os pobres podem recorrer ao apoio judiciário, e os ricos às suas fortunas. Quem faz parte da classe média é que não pode recorrer nem a uma coisa nem a outra. Antes, enfrenta taxas absurdas.
É, pois, imperativo e urgente acabar com as taxas e os encargos proibitivos. E de uma vez por todas, à semelhança da Saúde, ser consagrado o princípio de “tendencialmente gratuita”. Pois se sem Saúde não há vida, sem Justiça não há sociedade.
Infelizmente, a Justiça tem sido assunto mais de títulos noticiosos do que de análise e ponderação. A reboque de fúrias, paixões e oportunismos, pouco se tem feito para começar, desde logo, a legislar melhor.
Do programa eleitoral do PS, existe um diversificado elenco de ambições e de medidas, mormente de modernização e de agilização, que quem as lê fica com a ideia que os socialistas têm estado na Oposição e não na governança.
Nada do que agora o PS propõe realizar, foi feito ao longo dos últimos 6 anos. Pela simples razão de que muito pouco – pois nada seria sempre impossível, por muito pouco que fosse -, foi feito em matéria de Justiça.
Efectivamente, os dois mandatos da Ministra Francisca Van Dunem, reduzem-se a 6 anos perdidos. Nada mais. E, talvez por isso, o PS nem se recorde, que esteve a governar nesses mesmos 6 anos. Prometendo, agora, tudo quanto havia prometido antes e mais um par de botas. Ainda que em matéria de taxas de justiça, apenas ambicione reduzir nos casos em que “importam valores excessivos”.
Ao fim de 6 anos, aperceberam-se que há “valores excessivos”. Lindo!
A verdade é que uma maioria absoluta, acaba com quaisquer desculpas: a Justiça só não se aproximará do povo e cumprirá a sua missão, se não houver vontade política.
Por isso, é bom que se deixem de merdas e arregacem as mangas. Se não for por convicção, ao menos que seja por vergonha. Se ainda houver, uma ou outra.
Uma questão de liberdade de escolha
É muito gira a ideia da Inciativa Liberal, de que os pais podem escolher livremente a escola e que o Estado suporte o custo.
Espero que a IL também proponha que o trabalhador escolha livremente o restaurante, ao invés de comer na cantina, e que o patrão pague a conta.
Já começou
Já era esperado e não tardou: o medo está de volta.
Vem aí a quinta vaga.
Os casos pelo Natal chegarão aos 2500 por dia e os mortos 20.
Vêm aí o terror. Preparem-se para o pior.
Comprem já tudo antes que seja tarde: bacalhau, cabrito, e papel higiénico. Pois no Natal, além de infectados e mortos, vamos ter prateleiras vazias. E, quiçá, não haverá brinquedos para as criancinhas.
O medo vai apoderando-se das mentes e, depois, dos comportamentos. E é uma arma terrivelmente eficaz para manipular massas, povos. Como, aliás, a história da humanidade, já demonstrou à saciedade.
Tenham medo. Muito medo. Pois haverá quem agradeça.






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