Jair Bolsonaro, o Donald Trump da Wish

Depois da tentativa de golpe de Estado nos EUA, dirigido por Donald Trump e pela sua corte de talibans neofascistas, é Jair Bolsonaro quem agora ensaia o método Bannon, antecipando a derrota eleitoral que todas as sondagens lhe atribuem. As críticas ao mesmo sistema eleitoral que fez Bolsonaro presidente são constantes, e cada vez mais agressivas, e parecem indicar a preparação de uma jogada idêntica à de Trump, baseada na alegação de fraude eleitoral, em caso de derrota. Já vimos este filme e vamos continuar a vê-lo. Estranho seria se um fascista respeitasse a democracia.

A extrema-direita tem sido isto. Desinformação, ameaças, violência e total desrespeito pela democracia e pelas suas instituições. E nem precisamos de ir ao outro lado do Atlântico, quando no seio da UE temos Orbán a fazer discursos abertamente xenófobos e Varsóvia a preparar-se para criminalizar, com penas de prisão, quem se atreva a fazer piadas sobre a Igreja Católica. Já não há armário que segure os Putins europeus.

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Os talibans de Varsóvia e o futuro da democracia

O governo polaco quer impor penas de prisão até dois anos para quem for apanhado a blasfemar. Isso mesmo: quem fizer piadas sobre a Igreja Católica vai dentro. Aquela vibe sharia. E a União Europeia, que se apresenta hoje como o último reduto de liberdade e democracia, continua a revelar uma tolerância preocupante com estas manifestações de despotismo e fundamentalismo religioso, sem impor qualquer tipo de consequência à deriva autoritária que é contrária aos seus princípios fundadores. Tal como acontece com Orbán, que há dias fez um discurso tão racista, tão xenófobo que uma colaboradora de longa data se demitiu e acusou o PM húngaro de usar um discurso que não se distingue do nazi.

É mais um teste de resistência às democracias liberais, num momento de profunda fragilidade, de guerra e de provável mudança radical no status quo internacional. Os estragos que o nacionalismo protofascista causou nos últimos anos, e em particular nos últimos meses, da tentativa de golpe de Estado nos EUA à invasão da Ucrânia, poderão facilmente atirar-nos para uma distopia orwelliana, que de resto já se começa a desenhar do outro lado do Atlântico, onde uma guerra cultural e ideológica ameaça o equilíbrio de forças do concerto das nações.

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Obrigado, Jô Soares

Por tudo que nos deste. Pelas cores com que pintaste sobre o cinzento do Portugal de então. Pelas gargalhadas que nos fizeste dar em dias em que tudo parecia triste e incerto.

Obrigado e até sempre.

Eleitora do CH dá workshop em público sobre como ser uma “portuguesa de bem”

Racista, xenófoba, histérica, mal-educada e (aparentemente) a beber acima das suas possibilidades. Eis uma “portuguesa de bem”, acabadinha de chegar da década de 60.

Sim, é a mesma racista que insultou, há dias, os filhos de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. E sim, também bebeu acima das suas possibilidades nesse dia. Podes tirar a extrema-direita da tasca, mas nunca conseguirás tirar a tasca da extrema-direita

Bolsonaro acusa polícia brasileira de incompetência

Mais um golpe de Estado em marcha.

O timing de Nancy Pelosi

O timing da visita de Nancy Pelosi a Taiwan não é inocente e ameaça directamente a segurança da população daquele país. De todos os momentos que poderiam ter sido escolhidos pela speaker da câmara dos representantes, Pelosi decidiu escolher o momento de maior tensão mundial desde a guerra nos Balcãs.

Não é inocente e, parece-me, tem mais a ver com política interna norte-americana do que com as aspirações independentistas do povo de Taiwan. Um país que, é bom recordar, os EUA não reconhecem enquanto Estado soberano. E são apenas 13, os Estados que reconhecem. Os EUA chegaram a reconhecer, durante vários anos, mas a globalização, o capitalismo e os renminbis falaram mais alto.

Como sempre falam.

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Hóquei (novamente) de luto

Em 21 de Novembro de 2012, no meu blogue pessoal de então, entretanto a hibernar há anos (http://letrasecoisas.blogspot.com/2012/11/o-hoquei-em-campo-esta-de-luto.html), escrevi, aquando da morte de José Machado, um dos maiores dirigentes que conheci, “A variante indoor foi praticamente introduzida em Portugal por ele, a par de José Nora, que lhe conferiram uma nova identidade. Com eles, esta variante passou a ser respeitada como a grande hipótese que tínhamos de fazer crescer a modalidade, ainda sem campos condignos para a sua prática na variante de campo. Então, se não tínhamos condições, havia que fazer formação num piso onde os mais jovens atletas tivessem condições mais próximas dos outros, os de lá de fora. E os títulos apareceriam: José Machado tinha uma fé enorme no atleta português e nas suas características inatas, o resto teria de ser feito através de trabalho”.
Hoje, no Aventar, atrevo-me a reverenciar o alter ego, o compagnon de route, de José Machado. É que, no passado dia 21, o José Nora faleceu.
Ambos eram um tandem permanentemente aberto ao futuro, sempre prontos a ideias e projectos, perduravelmente na vanguarda. Como atletas, fosse no Vilanovense ou no FC Porto, a par de outros emblemas dos muitos que, entretanto, se perderam, ou como treinadores e dirigentes, de clube, da Associação do Porto ou da Federação Portuguesa de Hóquei, nunca foram agentes desportivos cómodos nem acomodados. A modalidade e o seu futuro mexiam com eles.
Aí por 1974/1975, havia uns encontros de jovens no desporto, os ENDO e os JUVENDO, que englobavam novas modalidades ou mexiam com as existentes, num novo paradigma que pretendia criar-se para o desporto jovem em Portugal.

Vivia-se, então, no hóquei europeu, o aparecimento do hóquei de seis, ou de sala, jogado em pavilhão, o que permitia que os vultos da modalidade nos países mais frios pudessem praticar a modalidade em ambiente indoor, a coberto dos invernos rigorosíssimos. A Alemanha tornou-se líder dessa prática, dominou-a durante décadas sem permitir que alguém se aproximasse, até que um dia, sem contar, perde o primeiro europeu para a Áustria, que, entretanto, se tinha tornado uma potência.
José Machado e José Nora lá desenvincilharam uma tradução das regras, começaram a treinar miúdos, ainda formaram um clube – o Bairro do Cedro – cuja primeira camisola e projecto de símbolo vos mostramos, ainda fizeram um jogo não oficial com o Perosinho, no rinque deste, em 1975, mas em 1976/1977 já eram os infantis do Vilanovense, começando então a competir regularmente. Dessa equipa registamos alguns futuros internacionais absolutos e várias equipas de indoor nos diversos escalões de formação, que marcaram a primeira geração de grandes equipas (todos se lembram da era Vila, da era AA Espinho, da era Sport Clube do Porto, da era AD Lousada ou do Dramático de Cascais e CS Nun’Álvares ou como se tornaram referências as equipas de formação do Lisbon Casuals, Casa Pia AC e do CF Benfica, do GD Viso, do GD Carris…). Este enumerado não obedece a qualquer rigor histórico, apenas pretendi enunciar algumas equipas que pessoalmente me marcaram: umas, por uma, duas, três épocas; outras, por verdadeiras gerações. As que não me vieram à mente e à primeira, me desculpem: o Perosinho, o FC Porto (que vi desaparecer no meu tempo de Presidente da AH Porto, levada pelo mau feitio do actual administrador para o futebol profissional, o Eng.º Luís Gonçalves), o Ramaldense, essa fortaleza hercúlea no campo durante várias gerações, que, no entanto, não resistiu ao tempo, ainda que acredite na sua ressurreição, há muita gente apostada nisso. Ou Serzedo…
Os pioneiros arriscam-se, na sua forte personalidade e por serem constante incómodo para os interesses instalados, a cair no esquecimento de muitos.
José Machado ainda teve, em 2012, direito a um comunicado, com fundo negro da FPH, da tutela da modalidade, até porque José António Machado (a quem agradeço o suporte para esta publicação em datas, factos, competições e fotografias), filho de José Machado, era à data dirigente da Federação.
José Nora já não teve essa sorte. No vórtice de comunicação federativa, um estágio da selecção nacional; a despedida de Rodrigo Castro, a mais jovem esperança-certeza como atleta para a Alemanha, onde vai jogar ao mais alto nível, treinado por um português de Cascais, Bernardo Fernandes; as férias da eminência parda do regime; as intromissões à boa maneira dos haters das redes sociais, de dirigentes em questiúnculas de má índole dos futebóis ; a distracção do Presidente da FPH, figura incontornável como atleta dos maiores que Portugal algum dia viu e como árbitro, que vi brilhar internacionalmente, mas que, ao entregar o poder que tem de ser ele a exercer, está a perder toda a credibilidade que granjeou ao longo da sua esmeradíssima carreira; tudo isso roubou a José Nora o protagonismo numa morte humilde, calada. Até porque José Nora era vilanovense de nascimento, nunca jogou no Casa Pia, para quê avivar a sua memória?!
Por isso partiu, no silêncio de quem lhe deve, ainda hoje, um nome na modalidade. Porque da sua obra emergiu a realidade que permite a alguns estarem onde estão, terem sido quem foram, terem recebido as loas que receberam.
Porque não consigo separar ambas as almas, junto aqui o José Nora ao José Machado, que por certo foi recebê-lo com um enorme abraço à porta do paraíso. Onde, acredito, repousarão as almas com mau feitio, mas com corações de oiro e todos os sonhos do mundo na palma da mão. E terão sempre a sorte de não se cruzarem, como nós ainda do lado de cá temos que suportar, com os prepotentes desta realidade tão tuga, tão pequena, tão rede social, tão “marquetizável”.

A Cadeira que tramou Salazar, o Putin português

Foi a 3 de Agosto, do ano da graça de 1968, que o nosso Putin caiu da cadeira e bateu com a cabeça no chão. Foi pena não ter acontecido mais cedo, mas ditador que é ditador é sempre difícil de derrubar, mais ainda quando têm o respaldo da NATO, toda ela liberdade e democracia. Foi preciso vir uma cadeira. A Cadeira! Para sempre grato, Cadeira.

História da Fundação dos FC Porto

Proposta de capa: Leonor Pinto


No dia 14 de Abril de 1893, um grupo de jovens da colónia inglesa, acompanhados de alguns desportistas portugueses, todos ligados ao Velo Clube do Porto, juntaram-se para jogar à bola.
Terá nascido nesse dia uma experiência efémera, que esses jovens baptizaram com o nome de FC Porto. Aínda nesse mês, foi formada uma Direcção que tinha António Nicolau de Almeida Kelly de Aguilar como presidente e Joaquim Ferreira Duarte como presidente da Assembleia Geral.
Sabemos que em Junho os associados do clube se reuniram para aprovar o Regulamento Interno. O que parecia ser um projecto com bases firmes revelou-se, afinal, um entusiasmo da juventude que pouco durou.
Em 28 de Setembro desse ano, nada aconteceu na história do FC Porto a não ser a publicação de uma notícia num jornal de Lisboa a dar conta da sua fundação.
Em Outubro, esse FC Porto terá feito uma tentativa para lançar o clube, convidando Guilherme Pinto Basto, do Club Lisbonense, para um jogo no Porto.
Mas Guilherme Pinto Basto declinou e, ao invés, fez o mesmo convite a Hugh Ponsonby, secretário do Oporto Cricket and Lawn Tennis Club, que aceitou.
O jogo acabou por realizar-se em Março do ano seguinte. Um jogo entre as cidades de Porto e Lisboa que o rei D. Carlos decidiu patrocinar.
O FC Porto de 1893 nada teve que ver com este jogo. Que decorreu no campo do Oporto Cricket, com o equipamento do Oporto Cricket e com Hugh Ponsonby como capitão de equipa. 10 dos 11 titulares jogavam no Oporto Cricket. [Read more…]

Não olhem para a Lituânia, olhem para Espanha

A Iniciativa Liberal (IL) está a seguir os passos do Ciudadanos, o que é mau prenúncio para o partido. Têm sido semanas difíceis para a agremiação. Não sei se por estar muito calor, o que dificulta o pensamento lógico, ou por estarmos em plena silly season, a verdade é que estas semanas não têm sido abonatórias… e basta olhar para Espanha (ao invés da obsessão com os antigos países do bloco soviético) para aprender a lição.

Em Espanha, o partido “liberal” Ciudadanos, uma cópia mais pequena e mais radical do Partido Popular (tal como aqui a IL é uma cópia mais radical do PSD), acabou reduzido a cinzas depois de anos a fazer figura de “anti” Estado, abrindo as portas ao VOX, partido da extrema-direita e aliado do partido português proto-fascista Chega.

Depois de tanto tiro no pé, o Ciudadanos foi colocado no caixote do lixo da História. Se a IL não começar a ser mais responsável nas suas posições e deixar de tentar igualar-se à extrema-direita para caçar votos, terá os dias contados, mesmo com a panóplia de seitas no Twitter ou de ‘memes’ espalhados pelas redes sociais.

A defesa acérrima aos lucros de empresas que expropriam o consumidor português, o intransigente preconceito ideológico que os faz defender o mercado a qualquer custo, dirigentes que, dizendo-se liberais, por mais do que uma vez têm mostrado tiques homofóbicos e xenófobos ou deputados a comparar António Costa a Viktor Órbán… nada disto beneficia a IL. Porquê? Porque já há um partido a quem os eleitores portugueses confiaram este papel: ao Chega. E porque a maioria dos que, nos últimos tempos, se reviram no partido, estão longe de se reverem nestas últimas atitudes em nada “liberais”.

Ou a IL se assume responsável e começa a ter posições políticas mais sérias, ou acabarão trucidados. É que isto de tentar desviar votos da esquerda sacando da bandeira LGBT, ao mesmo tempo que se tenta desviar votos da extrema-direita sacando da xenofobia e do populismo, vai dar merda – desculpem o meu francês, mas não sei dizer isto em lituano como vocês gostariam.

O porco e a lama

Uma das maneiras mais claras de ser desonesto consiste em fazer generalizações. Uma pessoa quer dar a sua opinião sobre um assunto, franze um sobrolho experiente e descarrega a sua generalização: os pretos, as mulheres, os ciganos, os homens, os professores, os médicos, os adolescentes, as enfermeiras, as crianças, os jovens de hoje em dia. Dessa descarga nascem injustiças, racismos vários e xenofobias laborais (porque há muita gente com certezas absolutas sobre profissões que nunca exerceu).

Macário Correia afirma que a maioria dos desempregados no Algarve não quer trabalhar. Por uma razão muito simples: Macário Correia conhece todos os desempregados algarvios, o que lhe permite chegar à conclusão de que a maioria não quer trabalhar.

Se Macário Correia não conhecesse todos os desempregados do Algarve, estaria a ser um porco que, ao refocilar na televisão, espalharia lama sobre milhares de algarvios, o que seria inaceitável. Macário Correia não quereria decerto estar ao nível de um católico como Pedro Mota Soares ou de um holandês que reduz tudo a gajas e vinho ou de um alegado jornalista.

De qualquer modo, quero que fique claro: os porcos não são todos iguais.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, há professores racistas e xenófobos entre nós:

«não vale a pena negar que há, infelizmente, setores racistas e xenófobos entre nós». Pois. Efectivamente. Exactamente.

Marcelo, Cavaco, o BES e a pedofilia na Igreja Católica

Marcelo Rebelo de Sousa a dizer que não tem razões para achar que D. José Policarpo e D. Manuel Clemente tentaram ocultar crimes de pedofilia corre o risco de ser o novo Cavaco Novo a dizer que não vê razões para não confiar na solidez do BES, dias antes da queda do grupo.

Da falta de médicos à falta de professores

Terminadas as férias e “resolvido” o problema dos médicos, pelo menos até ao próximo Verão, virá o problema dos professores.

Não vão faltar notícias diárias acerca dos milhares de alunos que não têm todos os professores.

A Comunicação Social de vez em quando acorda para os problemas do país. Antes tarde do que nunca.

Quanto ao PS, assobiará para o lado e tomará umas medidas ridículas. Poucochinhas, inúteis e injustas – como as de Abril, em que completou automaticamente os horários incompletos dos professores colocados a partir daí, prolongando-os até 31 de Agosto, enquanto mantinha incompletos e temporários os horários daqueles que já tinham sido colocados antes.

O PSD, por seu lado, fingirá que não é nada consigo. E que nunca esteve no poder.

Planeamento? Medidas estruturais? Pensar para além da própria barriga?

Putin & Cotrim

23 de Fevereiro de 2014: Rússia invade e anexa a Crimeia.

28 de Fevereiro de 2014: Turismo de Portugal, liderado por João Cotrim de Figueiredo, anuncia operação ambiciosa de reforço da promoção de Portugal no mercado russo.

E vocês, também têm saudades dos tempos em que Putin podia invadir e anexar território de estados soberanos sem que isso tivesse impacto nas proveitosas relações comerciais entre o Ocidente e as ditaduras do bem?

Eu não. Mas há muito quem tenha. A Federação Russa, em particular a sua máfia oligarquica, era muito rentável para a aristocracia europeia e americana.

União Europeia?

Orbán fala sobre “raças puras” e não quer que húngaros pertençam a uma raça mestiça.

A NATO e a farsa democrática que nos rebentará nas mãos

O ano de 2022 tem sido fértil em tragédias e desilusões, com a invasão da Ucrânia à cabeça, perpetrada por esse antigo investidor de referência do neoliberalismo dirigente, hoje convertido em hitleriano ditador, a quem, ainda assim, continuamos a comprar commodities.

Contudo, do Kremlin nunca esperei democracia. Daí que considere mais preocupante, no que ao nosso modo de vida e à democracia diz respeito, assistir à capitulação da Suécia e da Finlândia, que se ajoelharam e ofereceram a democracia numa bandeja a outro ditador, que só não rosna mais por não se lhe conhecer arsenal nuclear.

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Ligação Famalicão – Cabul

Penso que a capa do jornal que entrevistou o cruzado Artur Mesquita Guimarães, bem como o meme que com ela fizeram, ilustra bem a novela que estamos a assistir, e que se resume a isto: um pai profundamente formatado pelo radicalismo da sua ideologia político-religiosa, que impõe autoritariamente aos filhos, pretende combater aquilo que considera ser uma imposição ideológica do sistema de ensino, instrumentalizando para tal os seus filhos e o seu bem-estar.

Seria cómico se não fosse tão triste. E não, não é muito diferente do pai muçulmano que retira a filha de uma escola ocidental, que alegadamente profanará a sua existência. Mas o que verdadeiramente assusta, no meio de tudo isto, é que a ascensão da extrema-direita abriu a porta do armário dos Talibans cristãos e isso terá profundas consequências para todos. Basta olhar para o que se passa do outro lado do Atlântico.

Mascarilhas

A Iniciativa Liberal também é isto. Mais não se poderia esperar de um sub-partido do PSD, tal como o é o proto-fascista Chega.

Contexto: no âmbito do Roteiro Climático, o Bloco de Esquerda esteve em Odemira, onde reuniu e ouviu as queixas dos trabalhadores imigrantes das estufas de agricultura intensiva que pululam em Odemira. Mostrou-se solidário com os imigrantes e disposto a não deixar cair o tema. O Bloco de Esquerda não fez um comício, reuniu com associações e trabalhadores das estufas em Odemira. Acontece que a maioria desses trabalhadores é originário do Paquistão ou do Bangladesh.

João Caetano Dias é membro da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal. Não é, portanto, um mero militante de base ou um simples eleitor do partido. É alguém com grandes responsabilidades naquilo que é a acção do mesmo. Um partido que se diz liberal, que gosta de poluir as avenidas com outdoors populistas onde até o Brasil de Bolsonaro é socialista, que tanto prega a liberdade e tanto quer fazer parte das marchas disto e daquilo, começa a exagerar nas opiniões racistas, xenófobas ou homofóbicas, mascarando-as como “piadas” que mais não são do que a caixa de ressonância do seu próprio pensamento.

Por um lado, começam a mostrar realmente o que são, o que não é mau, porque há uns quantos enganados que começarão a abrir os olhos. Por outro, é já evidente que a IL é tudo menos liberal (no máximo, é neo-liberal) e são atitudes e “piadolas” como esta que demonstram de que lado estão, de facto.

É uma pena. Pois apesar de ser contrário à ideologia em que me revejo, a IL tinha tudo para acrescentar no panorama político português. E assim parecia encaminhar-se… agora, mostram que não são mais do que um PSD 2.0. A IL é contra os impostos… mas se a estupidez pagasse imposto, a IL seria estropiada.

Incêndios? P’ro ano logo se vê…

Continuamos submetidos à avalanche mediática, que durará o tempo que a rentabilidade ditar que dure, até que a next big thing tome conta do jornalismo monotemático.

No final, o drama ficará para quem o vive, e os restantes lá se esquecerão do país que arde, todos os anos, até que comece novamente a arder e nos caia a dolorosa ficha: continuamos sem meios adequados para combater as chamas. E assim continuaremos.

Podemos, em alternativa, mudar o nome de todas as corporações de bombeiros deste país para Novo Banco e, seguramente, teremos tantos meios aéreos no próximo ano que os incendiários não ousarão sair da fosse séptica. Já os consigo imaginar a ter pesadelos com o Costa de bazuca hídrica na mão.

A Tecnoforma, as golas antifumo e o OLAF entram num bar

Leio por aí que o caso das golas antifumo estará a ser investigado pela UE. A julgar pelo sucesso da investigação do OLAF ao caso Tecnoforma, tem tudo para correr bem. Agora é que eles vão ver que em Bruxelas não é a bandalheira que vemos aqui.

Otelo, vencerás porque o povo vencerá!

Misael Martins*

Cumpre-se hoje, 25 de julho, um ano da morte de Otelo Saraiva de Carvalho, figura incontornável da história da segunda metade do século XX português pela sua valorosa participação no desenho das operações militares que depuseram o fascismo e inauguraram o biénio revolucionário de 1974/75, período ao longo do qual Otelo desempenhou múltiplas funções e se destacou, no campo revolucionário do MFA, por dirigir o Comando Operacional do Continente (COPCON).
Otelo foi muitas coisas e o seu projeto político não era heterodoxo nem se consubstanciou sempre nas mesmas pretensões. Representa, no entanto, e essencialmente, uma confiança nas massas, uma convicção de que o caminho da revolução devia ser desenhado pelo povo, direta e autonomamente, organizado nas suas próprias estruturas, e não por comités centrais, conselhos militares ou decretos parlamentares. [Read more…]

Liberdade para ignorar

Misael Martins*

A família Mesquita Guimarães, sinistras e anacrónicas figuras que também dão pelo nome
de “os pais de Famalicão”, deram uma entrevista exclusiva à SIC em que se encarregaram de
deixar bem claras as razões de fundo que os movem na sua batalha judicial contra o Estado
português que se arrasta há mais de quatro anos: fundamentalismo religioso e vontade de
controlar ao limite um direito que nenhum pai ou mãe pode negar aos seus filhos num
Estado de direito – o direito à educação.
Artur e Ana Paula Mesquita Guimarães alegam que o Estado não se pode sobrepor aos pais
na educação das crianças e agitam, até, um conceito estranho ao sistema de educação em
Portugal: a objeção de consciência, no sentido de impedir a frequência dos seus filhos de 14
e 22 anos das aulas de Educação para a Cidadania. A posição não é recente e o caso já se
arrasta há vários anos na justiça, com intervenções por parte do agrupamento de escolas de
Famalicão e da própria Comissão de Proteção de Crianças e Jovens. Também não são
recentes as invetivas destes pais, membros da Opus Dei, contra a “ideologia de género” e a
educação sexual, com reconhecidos méritos, desde a sua introdução nos currículos, na
disseminação da utilização de métodos contracetivos entre os jovens e na consequente
diminuição de gravidezes na adolescência e de doenças sexualmente transmissíveis. [Read more…]

Duplas personalidades

Ouvir Augusto Santos Silva (ASS) dizer que esteve sempre “empenhado na defesa da democracia e da liberdade”, quando o mesmo foi um dos maiores bastiões dos governos de José Sócrates e dos que mais tentou, desde sempre, impedir a esquerda parlamentar de ter poder de decisão, confesso, fez-me rir muito. Isto, claro, para lá do espectáculo de circo com fogo de artifício entre Partido Socialista e Chega na Assembleia da República, onde ASS tem sido dos maiores protagonistas e que vocês, ingénuos, tanto aplaudem.

Santos Silva é a cara chapada do PS neo-liberal, nunca o escondeu, nunca disso se envergonhou e não será agora, depois de se tornar numa estrela de Hollywood da Assembleia da República, que isso mudará. Ver-vos aplaudir alguém que sempre abominou a esquerda parlamentar e o socialismo dá-me gozo e náuseas ao mesmo tempo.

O Chega é o seguro de saúde do PS que, por entregar 40% do orçamento da saúde aos privados, depende agora da extrema-direita para alcançar o monopólio do eleitorado. Um não vive sem o outro e é por isso que andam de mãos dadas desde Janeiro.

E ainda dizem que o romantismo morreu!

E eu e tu o que é que temos que fazer? Mandar foder o Putin.

Esteve bem, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a repudiar o tom e o conteúdo do comunicado da Embaixada Russa em Portugal, que visa Pedro Abrunhosa. Senti-me duplamente representado. E é curioso que o tema da polémica, que se não me falha o Google é de 95, já na altura fazia referência à presença de fascistas em Moscovo, ainda o Adolfo de São Petersburgo estava na sua terra natal:

Há fascistas em Berlim e em Moscovo
É o discurso que de velho se faz novo
E eu e tu o que é que temos que fazer?
Talvez fo(der)

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“Vladimir Putin: go fuck yourself”

Há fascistas em Berlim e em Moscovo
É o discurso que de velho se faz novo
E eu e tu o que é que temos que fazer?
Talvez fo(der)

O primeiro astronauta arguido

 

Enquanto está a decorrer o processo de seleção de astronautas da ESA através do qual Portugal poderá ter finalmente @ primeir@ astronauta, Mário Ferreira (imagem Blue Origin), igual a si próprio, está a tentar antecipar-se ao processo e pagar um bilhete num voo parabólico da Blue Origin para rapinar para ele o título de primeiro astronauta português. Uma coisa é certa poderá ter o fantástico título de primeiro “astronauta” arguido, esse será garantido. Quanto ao resto não me representa, nem como português, nem como astronauta (um espertalhaço num voo parabólico de 10 min. não tem nada de astronauta). Ele que leve uma bandeirinha de Malta e um crachá da International Trade Winds, a empresa offshore que ajudou a criar.
#espaco #fraude

PS- os humanos que voaram acima da linha de Kármán (que se convencionou ser a altitude a partir da qual é espaço) recebiam da Federal Aviation Administration (FAA) as Asas de Astronauta Comercial. A partir de 2022 esse critério foi abandonado pela FAA que exige que um astronauta realize atividades mais consentâneas com um verdadeiro astronauta do que alguém que faz um mero voo parabólico de 10 min. a bordo da Blue Origin ou de outra companhia que promova voos parabólicos turísticos.

E da união da Opus Dei com o Chega, nasceu… o pai de Famalicão

Num país livre e democrático, seitas secretas e que conspiram na sombra contra o Estado de Direito não deviam ter lugar. É o caso da Opus Dei (ou da Maçonaria).
Da mesma forma, um Partido racista, xenófobo, homofóbico, aporofobico, é um Partido que afronta a Constituição da República e, como tal, também não devia ter direito a existir.
Ora, no Portugal do primeiro quartel do sec. XXI, a Opus Dei uniu-se ao Chega e pariu um espécime máis conhecido por pai de Famalicão. Um amish à moda do Minho.
Tal como a Opus Dei que lhe deu forma, afronta o Estado de Direito e as instituições democráticas e sente-se no direito de ter leis próprias para si e para os seus filhos, diferentes das dos comuns dos mortais.
Nada a que o Clero não tivesse direito nos tempos do Antigo Regime. Mas na altura, não precisavam de recorrer a tribunais.
É uma chatice.

A culpa é do socialismo

Mimimi impostos!
Mimimi socialismo!
Mimimi Venezuela!
Mimimimimimimimi…

Os moços de recados deste late stage capitalism, selvagem e canalha, são como aqueles cães raivosos que estão à porta das casas, presos por uma corrente e sem ponta de mimo, e ainda assim a ladrar a quem passa, determinados em proteger os donos até à asfixia. Mas ficarão para sempre na casota, presos, mal tratados e com carraças, sem nunca pôr uma pata na casa grande. A diferença é que os cães são irracionais. Se não fossem, certamente não seriam tão palermas.

O senhor doutor arquitecto

O senhor doutor arquitecto chegou a casa, descalçou-se e, sem mais nada, cumpriu a rotina do dia arreando na mulher.

Pousou os pés em cima da mesa, ordenando à arreada que lhos lavasse, senão levava mais. A senhora lavou-lhe os pés, como bem manda a lei e porque é bem mandada. Saraiva, o senhor doutor arquitecto, calçou depois as suas pantufas peludas, dignas de um homem com vários h capitais, como deve ser. Serviu um copo de vinho e, ao terceiro, arreou na mulher – estava com fome e o jantar ainda ao lume. “Para que me serve a mulher senão para me cumprir horários?”, exclamou, enquanto a pobre coitada, dolente e cansada, pousava os tachos na mesa.

O jantar era arroz de cabidela. O senhor arquitecto gosta dele salgadinho e com um bom travo a vinagre. Colhe a primeira garfada, sopra-lhe um bocadinho com a ponta dos lábios – mas à homem, com letras capitais! – e… falta-lhe sal. Nisto, porque não há duas sem três, pousado o garfo, o senhor arquitecto olha de soslaio para a sua fiel mandatária doméstica, como quem avisa: não há duas sem três. [Read more…]